A coleta de dados para esta pesquisa foi realizada por meio de questionários (surveys) de autoaplicação enviados a 124 professores que lecionam a disciplina de Contabilidade In- trodutória nos cursos de Ciências Contábeis do Estado de São Paulo. Segundo Vieira (2009, p. 15) são denominados questionários de autoaplicação, aqueles entregues aos respondentes através de correio, e-mail ou internet, para que eles mesmos os preencham.
Como todo método de coleta de dados, o questionário também apresenta uma série de vantagens e limitações. Para Marconi e Lakatos (2010, p. 184-185) as vantagens seriam: eco- nomiza tempo, viagens e obtém grande número de dados; atinge um grande número de pesso- as simultaneamente ou em um tempo relativamente curto; permite abranger uma área geográ- fica mais ampla; obtém respostas mais rápidas e mais precisas; no caso do questionário anô- nimo, as pessoas podem sentir-se com maior liberdade para expressar suas opiniões; há mais segurança, pelo fato de as respostas não serem identificadas; há menor risco de distorção, pela não influência do pesquisador; o fato de ter mais tempo para responder ao questionário pode proporcionar respostas mais refletidas; há mais uniformidade na avaliação, em virtude da na- tureza impessoal do instrumento e obtém respostas que materialmente seriam inacessíveis.
Apesar das vantagens enumeradas acima, os mesmos autores continuam afirmando que o questionário apresenta as seguintes limitações: percentagem pequena dos questionários que voltam (em média os questionários expedidos pelo pesquisador alcançam 25% de devolu- ção); grande número de perguntas sem respostas; impossibilidade de ajudar o informante em
questões mal compreendidas; a dificuldade de compreensão, por parte dos informantes, leva a uma uniformidade aparente; na leitura de todas as perguntas, antes de respondê-las, pode uma questão influenciar a outra; a devolução tardia prejudica o calendário ou sua utilização; o des- conhecimento das circunstâncias em que foram preenchidos torna difícil o controle e a verifi- cação; nem sempre é o escolhido quem responde ao questionário, invalidando, portanto, as questões e exige um universo mais homogêneo.
3.4.1 Pré-teste
Antes de ser encaminhado aos respondentes, o questionário passou por um pré-teste com o objetivo de revisar e direcionar aspectos da investigação. Hill e Hill (2005, p. 166) re- comendam que “em todos os tipos de questionário é muito útil pedir, a pelo menos uma pes- soa, e de preferência a duas ou três, para lê-lo e dar a sua opinião sobre a clareza e compreen- são do mesmo.”
Segundo Malhotra (2006, p. 308), o pré-teste se refere ao teste do questionário em uma pequena amostra de respondentes, com o objetivo de identificar e eliminar problemas potenciais. Até mesmo o melhor questionário pode ser aperfeiçoado pelo pré-teste. Como norma geral, um questionário não deve ser usado em uma pesquisa de campo sem um pré- teste adequado. Este deve ser abrangente; todos os seus aspectos devem ser testados, inclusive o conteúdo da pergunta, o enunciado, a sequência, o formato e o leiaute, dificuldade da per- gunta e instruções. Os respondentes no pré-teste devem ser semelhantes aos respondentes da pesquisa real em termos de características fundamentais, familiaridade com o assunto e atitu- des e comportamentos de interesse.
Para a realização do pré-teste, o instrumento de pesquisa foi submetido a sete profes- sores não pertencentes à população objeto de estudo desta pesquisa, sendo: dois professores que ministram a disciplina de Contabilidade Introdutória, uma professora especialista em pes- quisa operacional, uma professora pedagoga que ministra curso de formação docente e três professores de outras áreas. Retornadas as críticas sobre a primeira versão, algumas questões foram readequadas e outras suprimidas.
O questionário apresentado no Apêndice C e utilizado para coleta dos dados já está adequado às recomendações e sugestões de melhorias destes profissionais. A versão final é composta por 31 questões fechadas e sua divisão foi a seguinte: Dados da Instituição de Ensi-
no Superior, Perfil do Docente, Dados da Disciplina, Metodologia de Ensino e Método de Avaliação.
3.4.2 Procedimento de Coleta de Dados
A coleta de dados é a etapa da pesquisa em que ocorre a aplicação dos instrumentos elaborados e das técnicas selecionadas, com o objetivo de se obter informações empíricas acerca do problema estudado.
De acordo com Hair Junior et al. (2005, p. 152) até pouco tempo, surveys por telefone, fax, correio e as entrevistas eram os principais métodos de coleta de dados. Entretanto, estas coletas, sofreram uma revolução devido aos usos das tecnologias de informação, de modo que hoje existem métodos que incluem questionários computadorizados administrados pela Inter- net.
A coleta de dados desta pesquisa, entretanto, foi realizada através de uma ferramenta web de pesquisa online conhecida por “EnqueteFacil.com”.
Inicialmente, para conhecer quem era o professor responsável por ministrar a discipli- na de Contabilidade Introdutória, foi encaminhado e-mail ao coordenador do curso de Ciên- cias Contábeis (vide apêndice A). Esse procedimento foi feito por meio da identificação do pesquisador com o esclarecimento do objetivo incluso na mensagem de encaminhamento. Do total de 195 instituições, 71 coordenadores responderam ao e-mail, o que possibilitou o levan- tamento de 124 contatos de professores.
Posteriormente foi encaminhando o questionário online via e-mail a esses 124 profes- sores, sendo identificado o pesquisador e declarado os objetivos do contato, conforme apêndi- ces B e C.
Dos questionários encaminhados, um total de 45 retornou dentro do prazo estabeleci- do inicialmente. Um novo encaminhamento do questionário online foi feito por e-mail, sendo estabelecido novo prazo para entrega das respostas. Dos professores que receberam o questio- nário pela segunda vez, 29 participaram da pesquisa.