2.10. Problem Çözmeye İlişkin Kuramlar
2.11.1. Öğrenme Stili İle İlgili Yurt İçinde Yapılan Çalışmalar
dados a fim de se esquadrinhar sua população, em que expostos e órfãos pobres tiveram uma atenção especial.
1.2. Ação administrativa
As relações citadinas, ainda que em pequenos núcleos, e a diversidade social mineira interagiram com as formas de representação nas Câmaras e, na década de 1820, com as formas constitucionais de representação, a destacar-se a presença de comerciantes, tropeiros, artesãos e outros trabalhadores livres, que constituíram um
núcleo intermediário socialmente orgânico (SILVA, 2002, p.36).
No processo administrativo de Sabará, a Câmara Municipal exerceu importante função como agência local de difusão de idéias entre os habitantes. Nela, homens bons atuaram, disseminando visões de mundo perante a população e entre si. Esses homens tidos como cidadãos aptos a elegerem e serem eleitos para ocupar cargos nas Câmaras – oriundos das elites locais – inseriram-se em diversos segmentos sociais – sociedades políticas, filantrópicas, literárias, de assistência –, como também no campo da imprensa, educação, medicina, judiciário, expandido suas ações para múltiplos espaços.
Não se pode dissociar essa instância da administração local, da sua tradição ibérica. Desde o século XVI, os Conselhos regidos pelas Ordenações Filipinas eram a sede em que se ligavam demandas políticas e judiciárias de primeira instância da população local. A vida coletiva local tinha, nessa instância, o estabelecimento das posturas que norteariam seu cotidiano. Assim, os Conselhos eram responsáveis pela organização do dia-a-dia local; sob seu olhar estavam: festas – sejam de cunho religioso, ou ligadas a datas dos eventos da Coroa portuguesa –, o abastecimento de gêneros alimentícios. Essas instâncias deviam estabelecer os preços dos alimentos, fiscalizar seu comércio, assim como deviam resolver a progressiva demanda de questões relacionadas à higiene e salubridade pública. Do mesmo modo, os Conselhos foram espaços em que grupos locais tinham como o lugar de defesa de seus interesses (GOUVÊA, 1998). Nesse sentido, para Maria Fernanda Bicalho (1998), “(...) elementos de unidade e de continuidade entre o Reino e seus domínios, pilares da sociedade colonial portuguesa nos quatro cantos do mundo, as Câmaras Municipais foram igualmente órgãos fundamentais de representação dos interesses e das demandas dos colonos”.
Bicalho (1998) lembra algo importante para a compreensão das municipalidades. A distribuição dessas instituições nas mais remotas regiões ultramarinas implicava, muitas vezes, a constituição de problemas peculiares de cada região, próprios de sua situação colonial. Dessa maneira, as intervenções para solucioná-los, freqüentemente, exigiam políticas diferenciadas, além do estabelecimento de leis oriundas da Metrópole, no intento de conduzir a própria organização dessas instâncias, como também com o objetivo de interferir no aspecto da regulação dos usos e dos costumes.
Segundo Charles R. Boxer (2002), no império marítimo sob domínio dos portugueses, o senado da câmara35, juntamente com “(...) irmandades de caridade e confrarias laicas, das quais a mais importante foi a Santa Casa da Misericórdia”, teriam ajudado a conservar a união entre colônias desse império. O estabelecimento de governos municipais portugueses regia-se desde 1504, e a parte nuclear do conselho das câmaras era composto por uma variação de 2 a 6 membros. “Conforme o tamanho e a importância do local”, contavam com juizes ordinários (dois) e o procurador, que eram possuidores de direito de voto. As câmaras contavam ainda com escrivão e tesoureiro. Os demais funcionários dessas instâncias, subalternos, não tinham direito a voto, além de variarem em número de acordo com as demandas das localidades (BOXER, 1992, p.286-287). Tais instituições, de acordo com José R. de Lima Lopes (2003),
(...) eram corporações e como tais dispunham do privilégio de terem seus estatutos (leis, posturas, sistema jurídico próprio, autonomia, jurisdição contenciosa por meio de juízes ordinários). Os privilégios das corporações expressavam-se na capacidade de reger os próprios negócios – dar-se regras – e de constituir os próprios órgãos. O privilégio de legislar e o de julgar faziam parte do mesmo ideal de autogoverno das corporações (LOPES, 2003, p.208).
Os estudos, com ênfase no período colonial, têm demonstrado, desse modo, o poder que essas instituições possuíam sobre a regulação do comércio e ordenação do espaço urbano. No exercício de administrar as localidades, atuaram ao lado do poder público como instrumento de defesa de interesses locais e garantidoras dos cumprimentos de projetos metropolitanos frente à população local (Notas APM Câmaras). Nesse sentido, para Cláudia Maria das Graças Chaves (2003), no processo de regular e ordenar,
(...) nem sempre as determinações das Câmaras se baseavam em um princípio jurídico estabelecido e sim no que se considerava “usos e costumes” das sociedades em benefício do “bem comum”. Assim, muitas vezes as Câmaras ultrapassavam os
35 No Brasil, esse órgão colonial foi instituído em 1549, na fundação de Salvador (BOTELHO; REIS, 2002,
p.30). SALGADO (1985) indica que a data mais provável teria sido 1532 com a criação da vila de São Vicente e da instalação da câmara.
limites de suas atribuições locais e de circunstância, evidenciando, o jogo de interesses que procurava acomodar expectativas individuais e coletivas (p.106).
As câmaras municipais, assim, adentram o período imperial brasileiro com uma longa trajetória na vida política, econômica, social e administrativa. Como um dos vestígios de seu poder político, Lopes (2003) aponta a atitude de D. Pedro I que, após a dissolução da Assembléia Constituinte em 1823, submeteu as câmaras municipais brasileiras ao projeto de constituição, a fim de que aprovassem seu ato, para não se passar por tirano. Para o autor, o contato direto com essas corporações destituía, naquele momento, o papel da Assembléia na configuração do Estado brasileiro.
Com a Constituição Política do Imperio do Brazil de 1824 e centralização do poder, iniciaram-se as reformas, particularmente da administração pública e do judiciário. Nessa Constituição, deveriam existir câmaras em todas as vilas e cidades do império, tanto nas que já existiam, como nas que fossem criadas futuramente, devendo estas últimas ser responsáveis pelo governo econômico, e municipal das localidades. É importante dizer ainda que as câmaras ficavam subordinadas também ao controle dos Conselhos Gerais das Províncias e aos seus presidentes. Com a reforma da constituição em 1834, as câmaras passariam a se subordinar às assembléias legislativas provinciais, ficando, para a apresentação de lei regulamentar, o detalhamento de suas atribuições.
Quatro anos após decretação da Constituição, saía a Lei de 1º de outubro de 1828, dando nova fórma ás Camaras Municipais e versando sobre as atribuições dos seus empregados. Com isso, as câmaras passariam à condição de corporações administrativas, perdendo muito do seu poder político. Conforme Venâncio (1998), com a Lei de 1828, o campo de atuação das câmaras foi reduzido, pois, anteriormente, como abordamos, elas tinham funções mais extensas na regulação de aspectos ligados à economia, justiça, política, fiscalização, assistência, ao território, com maior autonomia de atuação. De acordo com essa lei, as câmaras teriam em seu quadro: nove vereadores, para as cidades, e sete, para as vilas, com um secretário, um procurador, um fiscal (e suplente).
Conforme Miriam Dolhnikoff (2003, 2005), a lei de 1828 foi um golpe na autonomia das câmaras municipais, uma vez que essa Lei foi apoiada pelos liberais, e o Senado aprovou- a sem submetê-la à discussão. Dolhnikoff atenta para o fato de que os liberais, ao defenderem a autonomia regional, não faziam necessariamente a defesa do localismo ou do municipalismo. Eles, ao contrário, buscaram – em favor da questão regional – neutralizar o poder municipal.
O fato de que, com a lei de 1828, as câmaras municipais tiveram, em sua incumbência, a administração local, fossem vilas ou cidades, colocava-as em situação difícil, uma vez que não possuíam autonomia para legislar no quesito imposto sem o aval do governo provincial. Dolhnikoff (2003) destaca que a dicotomia nesse movimento liberal que, de um lado, criou uma autoridade municipal com poder – juiz de paz com a lei de 1827 –, do outro, coibiu os poderes das câmaras. Com a entrada do Código de Processo Criminal e do Ato Adicional, essa dicotomia ainda permaneceria. Para a autora, os liberais
Divididos entre o anseio e o receio, optaram por uma organização municipal composta por duas instâncias: um juizado de paz com amplas atribuições judiciais e policiais e câmaras municipais com responsabilidade apenas administrativa. As assembléias provinciais criadas pelo Ato Adicional tinham um papel importante no controle das câmaras municipais ao valer-se da dependência financeira e administrativa em que estas últimas se encontravam em relação ao Legislativo da província para impor novos padrões de comportamento, de modo a submetê-las aos ritos do novo Estado (DOLHNIKOFF, 2003, p.126).
Câmara Municipal
Vereadores Procurador Secretário Fiscal (e seu suplente)
No nível administrativo, era da alçada das câmaras municipais várias atribuições: deveriam ter a guarda das rendas municipais; fazer a repartição dos termos em distritos; zelar pelo arquivo da instituição. Nomear os oficiais da casa dando-lhes os respectivos títulos, como também titular o juiz de paz, e “(...) reconhecer títulos de todos os empregados que não tiverem superiores no lugar, a quem compita esse reconhecimento, e fazê-los registrar, tomar- lhes juramento, e fazer publicar por editaes a sua posse” (Lei 1° outubro de 1828 art. 54).
Nas reuniões ao longo do ano, era atribuição das câmaras nomearem cidadãos probos para comporem comissões de visitas (os membros dessas comissões deveriam visitar prisões, fossem militares, civis, eclesiásticas, cárceres de conventos dos regulares, fossem estabelecimentos públicos), essas comissões apresentavam relatórios da situação encontrada e de possíveis medidas para solucionar os problemas na observância da constituição.
Outro encargo dessas instituições consistia na responsabilidade com as obras públicas36 e, para isso, deveriam colocar em pregão as obras a serem realizadas e, quem oferecesse o menor valor pela realização da obra, seria o executor.
Os membros responsáveis pela administração municipal tinham também a incumbência de vigiar o comportamento dos funcionários, no exercício de suas atividades, para informar aos presidentes de província qualquer desvio de conduta. Dentre as obrigações das câmaras, incluía fornecimento de informações solicitadas e/ou que julgarem precisas a deputados e senadores, como também, avisar a administração provincial tratamentos cruéis praticados contra os escravos e apontar medidas preventivas;
Promover as eleições dos integrantes das câmaras legislativas; mandar publicar anualmente balanço das resoluções tomadas na casa; assinar os impressos da administração da província, das câmaras legislativas e dos que publicassem textos nas sessões das câmaras municipais de suas respectivas províncias, estavam também entre suas obrigações. Além disso, os membros das câmaras deveriam assinar37 deliberações encaminhadas aos superiores. No título III dessa lei, Posturas Policiaes, encontram-se as diretrizes que ocupariam, consideravelmente, o dia-a-dia das câmaras. Nesse sentido, em nossa pesquisa, contemplamos particularmente do artigo 66 ao 71.
36 Se não aparecesse nenhum empreiteiro para executar a obra, ela poderia ser feita por um jornal (que era pago
pelo dia de trabalho). “E quando as obras forem de grande importância, e alguns socios, ou emprehendedores se offerecerem a fazel-as, percebendo algumas vantagens para sua idenização, enviarão as propostas aos Conselhos Geraes da Província” (Lei de 1º de outubro de 1828, art. 47).
37 Esse procedimento estava dispensado quando a questão fosse de atribuição da câmara, como o cumprimento
do seu código de posturas. Para isso, bastava a assinatura do presidente e do secretário (Lei de 1º de outubro de 1828, art. 64).
Falar das câmaras provoca-nos dizer também sobre os procedimentos daqueles que a elas podiam ascender pós Constituição de 1824. Tinham direito a voto nessas casas os que podiam nomear eleitores em suas paróquias, de acordo com a Constituição, em seus artigos 91 e 92. Em outras palavras, poderiam votar, cidadãos38 brasileiros, que estivessem usufruindo seus direitos políticos, e estrangeiros que haviam se naturalizado. Também os maiores de vinte e cinco anos (excetuando-se aqueles que eram casados, oficiais militares tendo atingido vinte e um anos, os bacharéis formados, clérigos de ordens sacras), os que possuíam uma renda líquida anual acima de cem mil réis (rendas oriundas de bens de raiz, industria, commercio, ou empregos) tinham direito ao voto.
Podiam votar também “(...) Guardas livros, e primeiros caixeiros das casas de commercio, os Criados da Casa Imperial, que não forem de galão branco, e os administradores das fazendas ruraes, e fabricas” (Contituição Política do Império do Brasil, 1886). Desse modo, de acordo com a Lei de 1º de outubro de 1828, podiam ser vereadores todos os que podiam votar nas assembléias paroquiais, desde que fosse observada a residência de no mínimo um ano no Termo. Seguia-se à votação em que “(...) o votante dava pessoalmente os nomes das pessoas em quem queria votar, aos secretários das mesas paroquiais (mesas de votação), os quais formavam com ele a cédula que, depois de lida, era assinada pelo votante com uma cruz” (KINZO, 1980, p.51).
As eleições para vereadores deveriam ocorrer a cada quatro anos, em 7 de setembro, em todas as paróquias. Quinze dias antes da eleição, estavam as câmaras incumbidas de afixarem editais, em espaços públicos centrais, avisando do processo eletivo. Em domingo precedente aos quinze dias, o juiz de paz afixava, nas portas das igrejas, as listas gerais39 com a identificação daqueles das paróquias, considerados aptos para votarem. Na falta de um juiz de paz, os párocos fariam as suas vezes.
As atividades das câmaras eram organizadas, anualmente, em quatro sessões ordinárias a cada três meses, com no mínimo seis dias de trabalho. Os presidentes dessas casas poderiam, em caso de urgência, convocar sessões extraordinárias. Após eleitos, seguia o envio dos títulos para os vereadores novatos, que deviam tomar posse em 7 de janeiro do ano seguinte, quando dariam início aos seus trabalhos, prestando o juramento:
38 Ilmar Mattos (1994) lembra que a distinção entre cidadãos e não cidadãos dizia respeito não só à atribuição
dos nascidos fora dos país, mas também à distinção entre ser livre e possuir propriedades, principalmente de escravos (MATTOS, 1994, p.109).
39 De acordo com o artigo 6º da Lei de 1º de outubro, as pessoas, ao verificarem nessas listas que seus nomes
estavam indevidamente incluídos ou excluído, deveriam recorrer à assembléia eleitoral, quando seus membros se reunissem. No caso de alguém ter praticado tal ato, o responsável seria multado.
Juro aos Santos Evangelhos desempenhar as obrigaçoens de vereador da Camara Municipal desta Cidade, e de promover quanto em mim couber os meios de sustentar a felicidade publica40 (CMS ATA 013, Folha 82V, 07/01/1853).