2.10. Problem Çözmeye İlişkin Kuramlar
2.11.2. Öğrenme Stili İle İlgili Yurt Dışında Yapılan Çalışmalar
A política estava definitivamente ligada à vida das elites locais sabarense, expressa em espaços vários. Algo que poderá nos ajudar a compreender os processos de interação dos homens bons em Sabará é, seguramente, os documentos oriundos do processo eleitoral para escolha dos membros da câmara. Não trabalhamos com documentação específica sobre esse assunto neste momento, mas, dentro do conjunto de documentos pesquisados, indicaremos alguns aspectos que apresentam, para a pesquisa conjunta em que temos trabalhado, a necessidade de se investir nessa problemática.
A atuação dos membros da câmara pode nos indicar redes de sociabilidade e de poder na construção do espaço coletivo dessa localidade. Refletindo sobre a atuação desses homens para o Senado da Câmara no Rio de Janeiro de 1790 a 1822, Gouvêa (1998) levanta pontos importantes para a problematização das atividades desses indivíduos, pois
sua conduta encontrava-se vinculada à permanente necessidade de realizar escolhas, de defender determinados interesses e de reivindicar determinados privilégios. Enfim, a todo instante, eles imprimiam a sua marca de variadas maneiras em todo o processo. Pensar as relações de poder então travadas a partir desse ponto de vista, potencializa a construção de uma análise mais rica e atenta tanto à dinâmica local quanto àquela mais ampla (GOUVÊA, 1998, s/p).
Assim, acompanharemos algumas contendas de alguns dos envolvidos na administração municipal de Sabará, na busca por características e aspectos administrativos desse grupo. Tomemos como referência inicial, um debate suscitado pelo vereador Manoel de Freitas Pacheco, no ano de 183141, quando o vereador apresentou uma queixa contra seus colegas vereadores, alegando que o número de fogos do curato de Roça Grande, pertencente ao Termo de Sabará, apresentado seria na verdade maior do que aquele que de fato existia. Com essa afirmação, Manoel de Freitas Pacheco apresentou então uma proposta para que os curatos de Roça Grande e Macacos fossem extintos e anexados a outros mais próximos, pois,
40 Juramento de vereadores, proferido nas posses. Esse juramento segue o modelo indicado no artigo 17 da Lei
de 1º de outubro de 1828.
41 Eram vereadores: Manoel de Araujo da Cunha, Ignácio Antonio Cezar, Pedro Gomes Nogueira, Francisco
na sua avaliação, não tinham o número de fogos exigidos para constituírem distritos separados. Segundo o vereador, esse número maior de fogos do que o que de fato existia provava a existência de prevaricação, e patronato.
A princípio, essa reclamação parecia algo simples, mas aos poucos percebemos uma seqüência de atritos declaradamente abertos entre os membros do corpo administrativo municipal, instando tensões num grupo que, à primeira vista, poder-se-ia pensar homogêneo. O que estaria em disputa entre esses indivíduos? Como tratavam essas tensões? Embrenhemos nesse jogo.
No relatório da comissão42, encarregada de verificar a queixa do vereador Manoel de Freitas Pacheco, os vereadores apontavam para o fato de que teria o vereador diminuído artificialmente a população desse curato para os fins por elle premeditados. Segundo a comissão, o erro não havia sido voluntário, e era o vereador queixoso quem não respeitava as leis, não queria que o Curato de Roça Grande tivesse juiz de paz por entre seus moradores ter homens de cor, além de serem faltos de instrução. Na avaliação dos colegas, o vereador reclamante tinha tais atitudes
(...) sem se lembrar que a Constituição Política do Imperio, faz iguaes aos homens, sem outra alguma diferença, que não seja a da virtude e vicio; pr isso mesmo, que o accuzante os supoem carecidos de instrução, se fazem credores da attenção das Leis, para que entrando no conhecimento dos seos deveres, se tornem uteis a Sociedade, amigos,e bons servidores da Pátria, e da Nação. Quem avança hem tal absurdo não he observante das Leis, e nem amigo della; sabe bem a inconstitucional. O accuzante não pode negar sua opinião contraria a Ley (CMS. ATA 04, Folha 152, 16/04/1832).
Não satisfeito com a decisão dos colegas, novamente o vereador apresentou ao Conselho da Província sua queixa. Foram, então, os vereadores, por Portaria de 8 de novembro de 1832, convocados a responder novamente sobre as acusações anteriormente apresentadas. A reclamação foi classificada como calunnioza e desprezivel, fundada em caprichos e interesses particulares. De acordo com os vereadores, seu colega destilava contra eles ódio, vingança e aversão por não concordarem com sua atitude
(...) quando propõem, coizas injustas, contrarias a Lei, e dispostas somente a proteger a huns, e oprimir a outros, valendose p.a isso da sua conhecida hipocrezia,
invocando o nome do bem publico, quando só tem em vista o patronato, e interesse privado, e por isso tem sempre na boca estes dois nomes, assim como tem no coração a arbitrariedade, por dispotico, por natureza, e educação, e habito, pois que estando a muitos annos na posse de lidar com feitores, e governar escravos pença,
que os vereadores accuzados lhe devem obdecer como aquelles, e cumprir a risca tudo quanto he de sua vontade (CMS. ATA 05, Folha 25, 04/01/1833).
Para os vereadores, no interesse do queixoso, estava a promessa que ele havia feito de anexar o curato de Roça Grande ao distrito de Joze Corrêa, para que seu protegido João Joze de Mello, então juiz de paz da localidade, tivesse o mando aumentado, como também queria anexar o curato de Macacos ao distrito de Congonhas com a mesma intenção. O vereador, de acordo com essa avaliação, queria se aproveitar de um cargo público para proteger alguns e perseguir outros tantos. Desse modo, atribuía aos colegas defeitos que, segundo eles, refletiriam na verdade a sua própria pessoa.
Constava ainda, na representação do vereador, denúncias contra comportamentos de alguns colegas, como acusação ao presidente da câmara, Manoel de Araújo da Cunha. Conforme o vereador Manoel de Freitas Pacheco, o presidente da câmara manteria parentes no cargo de juiz de paz em alguns curatos de forma ilegal, incluindo o filho que fora eleito como fiscal de Sabará. Os colegas rebatiam, dizendo que, mesmo o presidente da câmara, tendo parentes dignos dos cargos electivos, não concorria para que fossem eleitos ou que se mantivessem nos cargos. Seu filho teria sido eleito, mas pedira escusa do cargo. Contudo, a escusa não fora aceita, nem mesmo pelo vereador que representava a queixa. Nessa situação, o filho de Manoel de Araújo da Cunha assumiu o cargo, pedindo pouco tempo depois para deixá-lo.
Nesse processo, envolveram-se declarações de vigários e pessoas probas da localidade; declarações que foram fortemente rebatidas pelos vereadores acusados. Podemos apreender, dessa movimentação, uma ambiência muito peculiar; assim, não podemos desconsiderar o período desse atrito. Além dos problemas pessoais, passíveis de serem percebidos, há também problemas de ordem política do âmbito das funções das câmaras; um deles relaciona-se as divisas das localidades. Com as declarações apresentadas pelos vigários, de modo a abonar a reclamação do vereador Manoel de Freitas Pacheco, entrava em cena o confronto sobre quem tinha mais legitimidade para falar sobre a questão.
Para os vereadores, não cabia aos vigários interferir numa questão que era, pela lei, atribuição da câmara. Pela Lei de 182843, era da câmara o direito de demarcar o Termo. Dos sete vereadores que estavam à frente da administração, consta o nome de quatro44, que estariam na lista da fundação da Sociedade Pacificadora, Philantropica, Defensora da
43 Art. 55 Titulo II – Funções Municipais. Lei de 1º de outubro de 1828.
44 Vereadores Manoel de Araujo da Cunha – presidente da câmara, Ignácio Antonio Cezar, Pedro Gomes
Liberdade e Constituição de julho de 1831. Aqui é importante ressaltar que o nome do vereador Manoel de Freitas Pacheco não foi encontrado na lista da época da fundação dessa Sociedade45.
Afirmava-se ainda que os demais declarantes tinham vínculos pessoais com o vereador. Nas palavras de Marco Morel (2005) “a política não era apenas racionalmente articulada, mas fazia-se também, enquanto relação social e interpessoal, com (des)afetos e idiossincrasias, medos, raivas e ousadias” (p.227). Esse tipo de atrito nos permite pensar múltiplos interesses envolvidos na administração municipal.
Administrar o município impunha a esses homens o exercício de se manterem informados a respeito não só do que estava diretamente veiculado a sua jurisdição, como também do que ocorria no Império brasileiro e no mundo, ou, pelo menos, em parte dele. Nos seus pontos de vista, buscavam cooperar, por meio de seus projetos, com a construção da Nação brasileira. Nesse sentido, observamos o movimento na Câmara, tanto em relação às perturbações vividas no país e em outras partes do mundo, quanto à insegurança nos anos iniciais da década de 1830. Mais uma vez, o vereador Manoel de Freitas Pacheco toma a palavra ao propor aos colegas que a Câmara deveria encaminhar ao Conselho Geral da Província e do Conselho à Assembléia Geral (em 1831) a necessidade da criação da guarda nacional no município e província, seguindo o exemplo da Câmara de São Paulo que havia criado essa guarda.
Segundo o vereador Pacheco, esse tipo de guarda funcionaria como uma balança com o objetivo de equilibrar as forças armadas, pois, para ele, a liberal constituição era um pacto, ou contrato entre a Nação e o Monarcha com o estabelecimento recíproco de obrigações. Assim, em sua opinião, as forças armadas só deveriam ser usadas contra inimigos da boa ordem, dos Estados Naturais e estrangeiros. Argumentava que tal medida era necessária, pois quem garantiria que os herdeiros do trono brasileiro herdariam as virtudes do imperador? Afinal, receava-se que os herdeiros poderiam usar a força armada para atacar os direitos por ambição ou por influência de pérfidos conselheiros.
Um dos indicativos também desses receios, colocados em debate, era o de uma possível insurreição, como a que havia ocorrido com o rei Carlos X na França, em 1830, em que Carlos X fora destronado (CMS ATA 04 – 1831 Folha 9V- 10).
45 Esse vereador foi membro da Irmandade de Misericórdia da cidade, assim como Manoel de Araújo da Cunha e
Pedro Gomes Nogueira. Não podemos descartar a possibilidade dos demais também terem sido membros dessa instituição.
Aliás, o receio de uma insurreição perdurou durante muito tempo. Esse receio levava a Câmara a tomar medidas, tais como pedir destacamento de polícia para a cidade, visando impor respeito aos desordeiros, e, ao mesmo tempo, servir de garantia da ordem pública, e da segurança particular, especialmente pelo aumento no número de escravos – pertencentes a companhias Inglesas de mineração do Morro Velho e Cuiabá. O trânsito desses escravos pelos subúrbios da cidade gerava sérias inquietações nos administradores. Esse desejo de ter na cidade um destacamento policial teve do governo da província a resposta de que nem a capital Ouro Preto possuía praças suficientes, não sendo possível atendê-los (SP PP 1/33 Cx. 246, 13/04/1848).
O medo de uma insurreição exibe um dos problemas e receios da administração e das elites locais: a presença de escravos nos espaços públicos de Sabará. O ajuntamento desse grupo amedrontava e inspirava desconfianças. Essa é uma das poucas referências que fala abertamente do incômodo que se sentia com a presença dos escravos quando se achavam juntos. Eles são silenciados na documentação trabalhada. Quando aparecem, são vistos como um perigo eminente e que precisavam de vigilância constante. Havia punição prevista no Código de posturas, para quem permitisse, em seus estabelecimentos comerciais, a presença de escravos por muito tempo, ou que jogassem. Punidos eram aqueles que vendessem, para os escravos, qualquer coisa fora do horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais, a não ser remédios para algum doente. A punição se estendia ainda para os que permitissem o uso dos estabelecimentos por escravos para fins de diversão como dançar e cantar.
Se a presença das elites locais na vida administrativa era uma prática que dava maior legitimidade as ações desses grupos, isso não significava que era fácil organizar o processo da administração do município. Compor o quadro de vereadores não era tão fácil. Além dos vários elementos impeditivos para o exercício dessa função, muitos, depois de eleitos, não aceitavam o cargo, outros alegavam problemas de saúde, outros ainda queriam continuar desempenhando outras atividades.
Temos por exemplo o caso do padre e professor Mariano de Souza Silvino46 que recebeu o quarto maior número de votos (665) em outubro de 183247. Nessa posição, estava
46 Esse padre merecerá, ainda nesta pesquisa, atenção maior.
47 Indicamos aqui os vinte mais votados, já que, em decorrência de problemas, houve a necessidade de se passar
aos seguintes em votação, para preencher o número de sete: Capitão Mor Manoel de Araujo da Cunha (784 votos); Coronel Pedro Gomes Nogueira (716); Capitão Joze de Oliveira Campos (705); Padre Marianno de Souza Silvino (665); Sargento Mor Francisco Joze dos Santos Broxado (562); Capitão Mor Quintilianno Rodrigues da Rocha Franco (546); João Teixeira da Fonseca Vasconcellos (440); Capitão Mor Ignacio Antonio Cezar (389); Sargento Mor Manoel de Freitas Pacheco (374); Capitão Joze de Souza Vianna (364); Coronel Manoel Antonio Pacheco (345); Capitão Hilario Mendes da Cunha Jardim (331); Capitão Bento de Faria Sodré (295); Capitão Bento Rodrigues de Moura e Castro (292); Manoel Alves de Macedo (277); Capitão Antonio Vaz
eleito para a Câmara, porém, sua condição de professor público – de gramática latina – colocava-o em situação complicada, porque, pela legislação, não poderia assumir o cargo. Talvez, como medida “compensatória”, nesse mesmo período, foi indicado para juiz de paz, cargo que recusou, alegando que preferiria ser vereador. Tanto ele quanto alguns colegas, não desistiram do caso. Mariano de Souza Silvino não assumiu o cargo de vereador, mas obteve autorização do governo provincial para que, em dias não prejudiciais ao exercício de professor, nos finais de semana e feriados, pudesse desempenhar tal atividade.
Denúncias de erros na contagem de votos, interferências nas eleições, aparecem também nas contendas políticas. Em 1841, vereadores contestavam a representação de Francisco de Paula Coutinho, segundo a qual houvera irregularidades na contagem de votos para vereadores da câmara. Argumentava esses vereadores ser improcedente tal representação, ainda mais em relação à idéia de expulsão de dois vereadores dos mais votados. Para os vereadores, a representação apresentada não merecia consideração, pois “(...) quando muito poderia dizer-se outro fosse o queixozo, e não este descoberto testa de ferro, que pelo seo estado de indigência, nehuã parte toma negocios publicos” (SP PP 1/33 – Cx 238, Pac. 13, 23/01/1841). A representação, assim, foi indeferida, numa clara desclassificação do requerente, demarcando a quem se devia o controle e prestígio para ocupar os cargos.
Em sete de janeiro de 1850, vereadores encaminharam ao vice-presidente da província – o sabarense Manoel Antonio Pacheco (Barão de Sabará) – reclamação em que constava um problema que vinham há alguns meses enfrentando. Com a ausência de alguns vereadores, a câmara seguia com os trabalhos, embora apresentasse um quadro defasado de membros. Além do fato de os seguintes em número de votação não poderem assumir, ao se chamar um dos mais votados na seqüência, como suplente, o Dr. Anastácio Symphronio de Abreu, que já havia sido convocando anteriormente como suplente e ter já juramentado, recusava-se a novamente assumir essa função. O médico alegava que não tomaria mais assento na qualidade de suplente. Assim, os membros da câmara solicitavam ao vice-presidente uma solução para a situação que, segundo eles, viesse servir para que em cazos semelhantes lhe possa servir de regra a decisão.
Esse fato pode estar na base de um dos conflitos que envolveriam o médico Anastácio Symphronio de Abreu em 1856, quando este assumiria a função de deputado provincial. Podemos pensar também que o médico não queria mais ser suplente por não ter respaldo para
da Silva (274); Coronel Jacinto Pinto Teixeira (272); Tenente Coronel Antonio Martins da Costa (256); Tenente Coronel Antonio da Costa Moreira (251); Sargento Mor Joaquim Joze dos Santos Brochado (229). Dentre esses vinte, estavam seis dos vereadores que haviam composto a câmara da eleição anterior.
apresentar propostas e ter legitimidade na casa. Isso ocorreia nas eleições de 1852, momento em que dr. Anastácio foi o mais votado e pôde assumir a presidência da Câmara.
No campo eleitoral, a atuação dos presidentes de província, como muito já se falou (BASTOS, 1996; LEAL, 1975; MATTOS, 1994), direcionava muitas vezes o processo eleitoral, seja no âmbito das eleições municipais para vereadores, seja no espaço das eleições para deputados, ou para senadores, nas assembléias provinciais e gerais. Mas, de acordo com Dolhnikoff (2003), o viés intervencionista não se dava de modo distante das elites envolvidas nas eleições, em que “(...) o presidente dependia de negociações com a elite regional. Essa manipulação exigia o acesso às clientelas dos fazendeiros que compunham o grosso dos votantes nas eleições, assim como a capacidade de fraudar urnas e qualificação dos votantes nas diversas localidades. Sem um acordo com pelo menos parte da elite regional o presidente não teria os meios para tanto” (DOLHNIKOFF, 2003, p.120).
A autora ressalta ainda o fato da relevância da qualificação nos trâmites do processo eleitoral. A qualificação, considerada como etapa estratégica, na qual o resultado das eleições poderia se dar através, por exemplo, da influência exercida sobre os votantes. Para Dolhnikoff, “(...) a principal lei eleitoral posterior ao Regresso, a lei promulgada em 1846, não retirava dos poderes locais o controle sobre a Junta de Qualificação” (2003, p.120).
No âmbito local, o juiz de paz também não ficava de fora desse clube municipal. Se havia problemas com a composição dos vereadores, maiores eram os problemas com esse cargo, pois os pedidos de escusas eram freqüentes. Podemos perceber, nesse sentido, que, por outro lado, pode não ter sido uma unanimidade a vontade de ser um juiz de paz. No ano de 1837, muitos dos indicados pediram escusas por vários motivos; dentre os quais, encontram- se motivos por doença ou por já terem, os indicados, exercido o cargo num período anterior. Muitos professores eram nomeados para essa função, mas pediam dispensas constantemente. Eles alegavam problemas de saúde, como é o caso do professor João da Silva de Oliveira, que apresentou um atestado de enfermidades, as quais o impediria de exercer a função de juiz de paz de Morro Vermelho, cargo para o qual havia sido convocado. Foi mandado chamar o imediato em votos; entretanto, alguns vereadores eram contrários a essa decisão, já que desconfiavam dos argumentos do professor.
Dolhnikoff (2003) indica o papel importante exercido pelos juízes de paz – cargo ocupado, na maioria das vezes, por homens das elites locais. No processo eleitoral, esses juízes eram responsáveis por presidir a Junta de Qualificação. “Como tem sido fartamente apontado pela historiografia o juiz de paz era homem de confiança dos grandes proprietários,
quando o cargo não era exercido pelos próprios” (DOLHNIKOFF, 2003, p.120). Segundo a autora,
A revisão conservadora que se empenhara em retirar boa parte das atribuições dos juízes de paz, no que concernia às práticas judiciais e às funções de polícia, transferindo-as para agentes nomeados pelo governo central, não impediu que fosse mantido o controle que estes exerciam sobre o processo eleitoral (DOLHNIKOFF, 2003, p.120).
Em 1841, a Câmara indicava nomes para juiz municipal. Alegava que não estava sugerindo nomes de advogados “(...) por ter experiencia mostrado, que todos recuzão este serviço pela implicancia de procuratorios nos diversos pleitos, que corem em Juízo” (SP PP 1/33 Cx. 238, Pac. 18, 1841).
Nas teias da política, tanto podem ser arrolados vínculos com função fiscalizatória das câmaras, quanto pode-se perceber a segurança pública entrelaçada com o poder judiciário, segurança que deveria manter tudo e todos nos rumos de uma sociedade ordeira. Mas vários foram os momentos, em que emergiam fatores que colocavam sob alerta o corpo legislativo e policial. As rondas pela vila de Sabará, particularmente em seus subúrbios, e pelo seu município durante o dia e à noite, em determinados períodos, fizeram-se de modo mais intensivo, especialmente em momentos de conflitos, como em 183348 e em 184249.
De modo geral, nas correspondências dos juízes era atribuída ao povo sabarense uma característica de ordeiro e cumpridor das leis. No entanto, em períodos de acirrados debates políticos, a movimentação de determinados grupos deixam transparecer que, entre esse povo, havia sempre alguns dispostos a colocar em prova essa “boa ordem”. Nesses momentos de tensão e conflito, determinados grupos passam a ser vistos como oferecedores de perigo para a “tranqüilidade pública”. Se a possibilidade de perigo para o grupo dominante fosse posta, uma das primeiras medidas era intensificar a vigilância a espaços públicos e de pessoas consideradas perigosas. Essa vigilância teve, no período regencial, uma força maior.
Exemplo disso são os reflexos dos movimentos anarchistas da Corte que chegavam ao