4.2. Araştırma Sorusu 3 İçin Elde Edilen Bulgular
4.2.1. PAB’a İlişkin Deney ve Kontrol Grubu Öğretmen Adaylarının Ön ve Son
4.2.1.2. Öğrenme Güçlüğü Bilgisine İlişkin Deney ve Kontrol Grubu
Fonte: Cedoc-UNISC
A empresa Tabacos Tatsch & Cia. foi fundada em 1905, tendo o empresário Fernando Tatsch como principal acionista. Ele iniciou sua trajetória com uma pequena casa de comercialização de fumo seco e destalado que era comprado diretamente dos agricultores. Em 1934, passou a utilizar máquinas elétricas para o beneficiamento do fumo e chegou a contar com uma média anual de 80 operários. Por alguns anos, chegou a ser uma das principais empresas de beneficiamento de fumo da região, só perdendo para a Exportadora Hennig. Sua estratégia empresarial combinava a compra de pequenas empresas locais e a negociação direta com produtores e fabricantes de cigarros no exterior; assim conseguiu manter uma paridade estratégica que a fez sobreviver por muitos anos. Na década de 1970, associou-se com a Tabacos Brasileiro Ltda. e depois foi comprada pela Universal Leaf Tabacos dos EUA. A família Tatsch manteve um crescimento estável no setor de beneficiamento de fumo e investiu no setor de construção civil; além disso, foi uma das últimas empresas a resistirem ao processo de internacionalização do setor40.
A maior empresa de beneficiamento de fumos de Santa Cruz foi a Exportadora Hennig S/A, fundada em 1888 por Augusto Hennig, que abordaremos no terceiro capítulo desse trabalho. O grupo empresarial foi um dos maiores da região, sendo formado pelo estabelecimento de beneficiamento de fumo, uma indústria de cigarros, uma casa bancária e uma transportadora. A sede da empresa ficava na cidade de Santa Cruz do Sul, com uma filial
40
Sobre o assunto podemos remeter ao terceiro capítulo da dissertação de mestrado de Noronha (2006) e aos trabalhos de Vogt (1997) e Montali (1979).
no distrito rural de Sinimbu. Segundo Krause (2002), sua empresa de fumos tinha uma área de 3.025 m2 e atuou com uma média anual de 135 operários. Ela foi a primeira empresa do Rio Grande do Sul a possuir máquinas de destalar fumo com processamento automático movido a energia elétrica. Os negócios do fumo duraram até 1970, quando foi comprada pelo grupo econômico Armada S/A, ligado aos Brinkmann, de capital alemão41. Na década de 1980, o grupo norte-americano Universal Leaf Tobacco incorporou todas as ações da empresa.
Outra empresa importante foi a Boettcher Wartchow S/A, fundada em 1932 por Carlos Boettcher Filho. Esse estabelecimento operou com nome individual até 1951, quando passou a denominar-se Carlos Boettcher & Cia. Em 1957, com o falecimento de seu fundador, a razão social passou para Boettcher Wartchow & Cia. Ltda. A família acabou vendendo a empresa para a Universal Leaf Tobacco nos anos de 1970. Além dessa, havia a Kannemberg & Cia. Ltda., fundada em 1950 como firma individual de Lindolfo Kannemberg em Sinimbu, então distrito de Santa Cruz do Sul; trabalhando no ramo fumageiro, a empresa foi incorporada pela Universal Leaf Tabacos em 197042.
Santa Cruz do Sul contava com outra indústria de cigarros, a filial paulista da Fábrica de Cigarros Sudan S/A, com sede em São Paulo. Ela foi a única de capital nacional que não foi vendida no processo de internacionalização, pois seu patrimônio era dirigido por uma fundação que vinculava sua venda ao controle de um hospital de São Paulo. Entrou em processo de falência na década de 1980, até ser incorporada pela Souza Cruz.43 Nessa análise não incluímos a Companhia de Fumos Santa Cruz S/A, pois essa empresa terá um capítulo à parte. Na tabela 1 podemos visualizar o processo de industrialização e internacionalização da economia fumageira de Santa Cruz do Sul no período de 1918 até 1976:
Tabela 1 – Santa Cruz do Sul: A desnacionalização da indústria do fumo
Empresas instaladas até 1965(*) (por origem do capital)
Alterações na propriedade das empresas entre 1966 e
1974 (por origem do capital)
Propriedade das empresas em 1975/77 (por origem do
capital)
41 Fontes: Krause, 2002; Montali, 1979; Vogt, 1998; Monografia da família Hennig.
42 Fonte: Vogt (1997), peças publicitárias de Boettcher Wartchow & Cia. Ltda. e peças publicitárias de Kannemberg & Cia. Ltda.
43 Fontes: Montali (1979), Vogt (1997) e Cadoná (2001). (*)
Em nota, Silveira não encontra informações quanto ao futuro, após 1956, das empresas Ind. de Tabacos Santa Cruz do Sul Ltda. e Carl Leoni Torres & Cia. Ltda.
Fabrica de Cigarros Sudan S/A – (Nacional)
Fabrica de Cigarros Sudan
S/A – (Nacional) Fábrica de Cigarros Sudan S/A – (Nacional) Cia. de Fumos Santa Cruz – 1918
(Nacional)
Grupo Remtsmann – 1970 (Alemão)
Philip Morris Inc. – 1975 (Americano)
Cia. de Cigarros Souza Cruz – 1917 (Anglo-Americano)
Cia. de cigarros Souza Cruz – (Anglo-Americano)
Cia. De Cigarros Souza Cruz – (Anglo-Americano) Cia. de Cigarros Sinimbu – 1948
(Nacional)
Grupo Brinkmann – 1970/72 RJ Reynolds Tab. do Brasil
– 1975 (Americano)
Tabacos Tatsch S/A – 1932 (Nacional)
Tabacos Tatsch S/A – (Nacional)
Tabacos Brasileiros Ltda. – 1976 – (Americano) Kliemann & Cia. – 1915 (Nacional)
Kliemann & Cia. (Nacional) Kliemann & Cia. – (Nacional)
Exportadora Hennig S/A – 1890 (Nacional)
Armada S/A – Ind. e Com. – 1968 (Alemão)44
Armada S/A – Ind. e Com. (Alemão) Boettcher e Wartchow – 1932 (Nacional) Boettcher e Wartchow – (Nacional) Boettcher e Wartchow – (Nacional)
Tabra – Exp. de Tabacos do Brasil Ltda. – 1970
(Americano)45
Tabra – Exp. de Tabacos do Brasil Ltda. (Americano)
Cia. Meridional de Tabacos –
1974 (Francês)46 Cia. Meridional de Tabacos (Francês)
Fonte: Montali, L. Do núcleo colonial ao capitalismo monopolista: produção de fumos em Santa Cruz do Sul, 1979. p. 72. Vogt, O. A produção de fumo em Santa Cruz do Sul – RS (1849-1993). 1994. p. 106-107. Gazeta do Sul, 1960 a 1995. Apud: Silveira, 2003, p. 84.
Através dessa análise econômica, percebemos que o nível de negociação esteve articulado com as mudanças políticas, pois a conjuntura regional, nacional e internacional foi determinante para a emergência, consolidação e internacionalização desse setor. No próximo subcapítulo vamos compreender alguns aspectos da atuação política da comunidade no período compreendido entre 1889, proclamação da República, até 1966, ano da nova política
44 Controlada pelo grupo Gebrüder Kuhlenkampf. 45
Controlada pelo grupo The Monk Austin Co. Inc. 46
econômica federal que desencadeou a internacionalização da indústria local. Além disso, esse contexto se encaixa no período em que a elite local possuía capital empresarial apoiado no setor fumageiro para mobilizar o seu potencial de atuação política.
2.3 Notas sobre a formação política de Santa Cruz do Sul: estratégias de atuação de uma “elite local”
As pesquisas que têm Santa Cruz do Sul como estudo de caso indicam que as elites locais tendiam a ser cooptadas pela política regional e nacional, sendo influenciadas pela dinâmica ocorrida nessas escalas. Construiremos um painel da evolução política da cidade com objetivo de visualizar os posicionamentos e a capacidade de mobilização liderada pela elite frente às transformações que ocorreram em âmbito estadual e nacional.
Várias pesquisas que tiveram Santa Cruz do Sul como estudo de caso associaram as transformações que ocorreram em âmbito estadual e nacional com o seu impacto no espaço sociológico local. Resumidamente apontamos o trabalho de Silvana Krause (2002), que analisou o comportamento da elite de Santa Cruz do Sul na implantação da República, nas relações com o PRR, na Revolução Federalista e na Revolução de 1930; Olgário Vogt (1997) analisou as transformações na economia fumageira local com a instalação da empresa anglo- americana Britsh American Tobacco em 1917 (a partir de 1955 passou a ser Souza Cruz); Marco André Cadoná (2001) analisou a participação dos empresários e políticos locais no movimento pela Legalidade; Iran Pas (2009) analisou a influência do Novo Sindicalismo liderado pela Central Única dos Trabalhadores na cidade.
Para isso, vamos dividir essa análise em quatro partes: a primeira aborda a cultura política local, que se caracteriza pela fragilidade de uma prática democrática e pela tendência em aderir ao autoritarismo, à violência e ao conservadorismo; a segunda aborda o esvaziamento da cisão religiosa na política local no contexto da I República através de um panorama do desempenho eleitoral entre católicos, representados pelo PCC, e protestantes, representados pelo PL (Federalistas), e a progressiva estratégia do PRR em cooptar lideranças das duas forças eleitorais; a terceira aborda a consolidação de uma coesão local frente a disputas nacionais objetivando estratégias de desenvolvimento econômico para a indústria de Santa Cruz no pós-1930 e a evolução eleitoral no contexto democrático; a quarta faz uma análise comparada da atuação da elite local na Legalidade e implantação do Regime Militar.
2.3.1 A fragilidade de uma cultura democrática: a prática política e eleitoral de Santa Cruz do Sul
Tendo como base as mesmas referências utilizadas para a análise da economia local, como Krause, Cadoná, Vogt, Job e, mais especificamente no campo da Ciência Política, João Pedro Schmidt, construímos uma radiografia da cultura política de Santa Cruz do Sul ao longo do século XX. Os pesquisadores permitem observar, de um lado, a tendência da elite em aderir aos partidos hegemônicos em âmbito estadual e nacional e, por outro, a facilidade de setores médios urbanos serem cooptados por ideologias autoritárias no período entre guerras, como o nazismo e o integralismo.
Em relação à análise da dinâmica partidária, Schmidt afirma haver uma tendência da elite, tanto no executivo quanto no legislativo municipal, de estar próximo dos partidos ligados ao campo “liberal-conservador”47
. O grupo de partidos que congregavam esse campo mostrou-se hegemônico entre 1945 e 1964 em relação ao conjunto de todos os municípios do Rio Grande do Sul. Na cidade de Santa Cruz do Sul, o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN) obtinham expressiva votação e estiveram no comando do executivo em quase todas as gestões do período. Schmidt (2004a) registra que, do ponto de vista ideológico, a comunidade tendia a apoiar representantes da elite política conservadora, tanto nas eleições nacionais quanto regionais.
Esse fato pode ser explicado, principalmente, por dois motivos: em primeiro lugar, pela trajetória histórica de tolerância ou mesmo aceitação de grupos políticos de extrema direita que se organizaram no município; em segundo lugar, pela própria conjuntura nacional/estadual, marcada, de um lado, pelo autoritarismo e intervencionismo de Estado desde a Primeira República através da cooptação de integrantes da elite local pelo Partido Republicano Rio-Grandense, e, de outro, pela imposição do movimento de nacionalização cultural por parte de Vargas. Esse último fato chegou a complicar a capacidade de negociação da elite local, pois a cidade era oriunda da colonização alemã e tinha no seu discurso regional a questão étnica como determinante para o sucesso empresarial.
47 João Pedro Schmidt emprega os conceitos liberal-conservador e progressista-populista nos períodos de 1945 até 1985, sem entrar em detalhes sobre eles. O autor procura identificar a posição desses partidos à luz da conjuntura histórica de cada período no Brasil pós-Estado Novo. Entre 1945 e 1964, os liberais conservadores eram o PSD, UDN e PL, já o progressista populista era o PTB; na ditadura o primeiro grupo vai ser a ARENA e o segundo o MDB.
Pesquisas realizadas por Olgário Vogt (2002) demonstram que na década de 1930 havia células do Partido Nazista (NASDAP) e do Partido Integralista (AIB) atuando na cidade. Para o autor, não era estranho, nesse período, verem-se pessoas da comunidade se cumprimentando como na Alemanha da década de 30: “Heil Hitler”. Para Schmidt (2004) a formação do Partido Nazista na comunidade de Santa Cruz do Sul tem que ser avaliada dentro de sua peculiaridade local, pois as notícias vindas da Alemanha e o sentimento de pertencimento ao Estado alemão constituíram bases para a formação cultural dos pequenos núcleos isolados no Rio Grande do Sul.
Na cidade o núcleo se reunia no Hotel Rathskeller, e o perfil dos seus integrantes indicava que eram alemães que vieram na década de 1930 com a intenção de construir o partido e cooptar alguns comerciantes e funcionários públicos para a organização de células na cidade. A partir de 1938 ele teve seu registro cassado pelo governo federal e foi posto na ilegalidade. Essa medida não despertou reclamação ou crítica, o que permite concluir que o NASDAP não estava enraizada na cultura política da cidade.
Os membros da elite local não simpatizavam com o nazismo como podemos perceber na pesquisa de Leandro Silva Telles (1980), que abordou a trajetória biográfica do médico e empresário local, Heinz Von Ortemberg. Esse integrante foi herói da I Guerra Mundial. Havia estabelecido residência em Santa Cruz, auxiliou na construção da Mercur S/A., indústria de artefatos de borracha e foi o primeiro médico do Hospital Santa Cruz. Com a deflagração da II Guerra, Ortemberg retorna para a Alemanha, para ser reincorporado ao Exército, porém a Gestapo, polícia secreta Nazista, possuía informações sobre a atuação do médico em Santa Cruz e colocavam em dúvida sua lealdade ao Exército alemão. Ortemberg passou por complicações ao regresso e teve que retornar ao Brasil com urgência.
No estudo prosopográfico, que será desenvolvido no segundo capítulo, não foram encontrados integrantes da elite que possuíssem algum vínculo empresarial, familiar ou político com membros do partido nazista local, mas devemos ter cautela nessa conclusão, uma vez que as fontes biográficas que usamos foram constituídos por necrológios que dificilmente revelariam alguma ligação com o nazismo. Schmidt avalia que a simpatia pelo nazismo por
parte de setores da elite política brasileira teria influenciado o ambiente local, haja vista que o próprio contexto internacional estava marcado pela emergência de múltiplas ideologias48.