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Entende-se por Contrato de Gestão o acordo firmado entre o Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Saúde, e a entidade qualificada como Organização Social eleita por processo seletivo ou justificadamente por contratação direta, com vistas à formação de parceria para a gestão, fomento e execução de atividades de saúde.
Os Contratos de Gestão com Organizações Sociais foram estruturados pela Secretaria Estadual de Saúde de forma padronizada, com a aprovação da Procuradoria Geral do Estado, visando a segurança jurídica e a institucionalização do modelo, a celeridade dos processos de seleção e a facilitação dos mecanismos de controle e regulação, conforme itemização constante do ANEXO C – Estrutura do Contrato de Gestão (modelo padrão).
4 Operação Ilha Fiscal contra máfia da saúde. Notícias disponíveis em http://www.correiodobrasil.com.br/mprj- e-draco-deflagram-operacao-contra-mafia-da-saude/ http://www.rj.gov.br/web/seseg/exibeconteudo?article- id=2669861 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/12/operacao-prende-suspeitos-de-pertencer-mafia- da-saude-no-rio.html Acesso em dezembro, 2015
Consoante Lei Complementar estadual n° 15, de 25 de novembro de 1980, alterada pela Lei Complementar n° 104, de 27 de março de 2002, Art. 2°, XVI, a Procuradoria Geral é o órgão competente do Estado para elaboração e aprovação de minutas padronizadas de editais e atos de contratação. Qualquer minuta que disponha diferentemente do modelo padrão deve ser encaminhada pelo órgão jurídico da Secretaria de Estado contratante para análise da Procuradoria Geral, demandando, por conseguinte, um prazo maior para prosseguimento do processo que dependa de tal documento.
Nesse sentido, as minutas de Contrato de Gestão e Edital foram desenhadas em bases semelhantes, de uso comum em todos os processos seletivos, independentemente do tipo de unidade de saúde a ser contratualizada. É, assim, um instrumento integrado por vários anexos, constantes de remissões nas cláusulas do contrato principal, diferenciando-se essencialmente pelas especificações contidas no Termo de Referência (Anexo I).
Seus anexos principais, conforme descrito na Cláusula 1.3 de todos os Contratos de Gestão, são o próprio Edital, o Termo de Referência (Anexo I), o Termo de Permissão de Uso (Anexo VII) e o de Transferência de Recursos Orçamentários (Anexo XI), muito embora o Termo de Referência especifique toda a sistemática. As propostas de trabalho das Organizações Sociais, que podem incluir metas incrementais às estabelecidas no Termo de Referência pela Secretaria de Saúde, são apresentadas segundo roteiro e critérios estabelecidos em anexos próprios do Edital, aprovadas previamente pelo Conselho de Administração da entidade, e passam a integrar os respectivos Contratos de Gestão, servindo de base para o acompanhamento e fiscalização pela Secretaria de Saúde.
Os Editais de Seleção, geradores dos Contratos de Gestão, são também padronizados integrando-se aos demais Anexos (ANEXO D – Estrutura do Edital de Seleção). Os Termos de Referência, semelhantes na estruturação das informações, diferenciam-se nas especificações de seu escopo de atuação, volume de produção, indicadores de desempenho e de avaliação, obrigações e responsabilidades, sistemática para transferência de recursos e proteção aos bens cedidos, de acordo com o perfil de cada unidade de saúde (ANEXO E – Estrutura do Termo de Referência).
Muito embora possam ocorrer processos de seleção por lotes em um mesmo Edital, como ocorre em casos de Unidades de Pronto Atendimento - UPA 24h, organizadas segundo critério de agrupamento por proximidade geográfica, são gerados Contratos individualizados.
Com a finalidade de evitar que uma única Organização Social seja responsável pela gestão de todas as unidades, as Unidades de Pronto Atendimento – UPA 24h foram agrupadas lotes, segundo critérios regionais. A proposta desta divisão é evitar que, no caso de mau desempenho da Organização Social, os reflexos sejam sentidos em todas as unidades de saúde, comprometendo assim a qualidade do atendimento prestado aos usuários fluminenses. (SES/RJ. EDITAL 001/2012 ANEXO I - TERMO DE REFERÊNCIA, pág.12)
Alguns ajustes no modelo foram feitos para adequar os casos de contratação direta, sem processo de seleção, sendo compostos apenas pelo Contrato de Gestão e Termo de Referência, este contendo todas as especificações e detalhamentos, como ocorreu no Contrato de Gestão 001/2012 firmado pelo Estado com a Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus, Organização Social qualificada que ofereceu ao Estado a utilização de sua unidade hospitalar, o Hospital São Francisco de Assis; e, no Contrato de Gestão n° 033/2012, firmado com o Instituto D’Or de Gestão de Saúde Pública, que disponibilizou uma unidade hospitalar para implementação do Hospital Estadual da Criança – Oncologia e Cirurgia.
As 14 entidades qualificadas entre 2012 e 2014 passaram por 28 processos seletivos e duas contratações diretas, alcançando um total de 45 contratos, sob gestão de nove Organizações Sociais de Saúde. Nesse período, oito contratos foram encerrados, sendo sete deles para mudança de gestão parcial para gestão integral das respectivas unidades de saúde. As mesmas Organizações Sociais já atuantes venceram os processos seletivos dando continuidade à gestão integral. E, na Unidade de Saúde com processo seletivo do mesmo escopo contratual, venceu outra Organização Social (ANEXO F - Evolução dos Contratos de Gestão).
Cada contrato de gestão por Unidade Estadual de Saúde possui um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) específico, visando maior rastreabilidade pela Secretaria de Estado de Saúde na individualização das prestações de contas. Embora não haja previsão legal para tal exigência, a SES encaminhou Ofícios para as Organizações Sociais de Saúde tendo em vista a necessidade de cumprimento do § 2º do art. 19 da Lei nº 6.043/2011, o qual afirma que a liberação de recursos para a implementação do contrato de gestão deverá ser realizada em conta bancária específica. Sendo assim, todos os contratos de gestão e termos aditivos especificam o número do CNPJ e a conta corrente conforme previsão legal, estando
cadastrados no Sistema Integrado de Administração Financeira dos Estados e Municípios – SIAFEM e todos os pagamentos são vinculados ao referido contrato.
Em sendo os valores de investimento e custeio orçados para cada Unidade de Saúde, também não é prevista a transferência de recursos entre as contas da mesma Organização Social relacionadas a contratos diferentes, mesmo porque esses repasses são calculados com base nos indicadores quantitativos e qualitativos de produção e desempenho especificados nos termos de referência anexos aos contratos. Entende-se que essa prática poderia comprometer o recurso da unidade detentora do montante. Entretanto a Auditoria Geral do Estado (2015) em procedimento operacional realizado sobre os contratos de 2013, observou a ocorrência de valores de empréstimos com as respectivas devoluções entre alguns contratos. Questionada, a Superintendência de Acompanhamento dos Contratos de Gestão apresentou a seguinte resposta, ante a excepcionalidade do achado.
A OSS é selecionada para realizar a gestão de um específico contrato e, para tal, deve receber do estado recursos no montante acordado entre as partes de forma a fazer face aos gastos de custeio e de investimento no período. Ocorre, entretanto que, dada a realidade econômico-financeira do estado, os recursos para custeio mensal têm sido repassados em volume inferior ao contratado, ocasionando a necessidade de uma unidade emprestar recursos para outra unidade pertencente à mesma OSS. Os valores emprestados são contabilizados pela OSS e informados a SACG, que acompanha mensalmente. Tão logo a unidade devedora receba recursos da SES, os valores são devolvidos à unidade credora, zerando o volume de empréstimos. (AGE-RJ, 2015, p. 117)
Segundo dados da Auditoria Geral do Estado (2015), em consulta ao Portal de Transparência no site da Secretaria de Fazenda, e dados da Secretaria de Saúde, os gastos com as Organizações Sociais nos 45 Contratos de Gestão representavam, em dezembro de 2014, 35,85% da dotação orçamentária da Saúde, conforme Quadro 4. Esse percentual é atribuído à gestão de nove Organizações Sociais, conforme Quadro 5, na forma do gráfico da Figura 3, todos a seguir.
Quadro 4. Representação das despesas com OSS no Orçamento da Saúde ANO CG CELEBRADOS CG ENCERRADOS CG em EXECUÇÃO DOTAÇÃO SAUDE GASTOS COM OSS % 2012 31 3 7 4.749.218.525,55 307.714.455,78 6,48 2013 13 4 42 5.647.245.030,70 1.290.520.908,88 22,85 2014 9 1 45 5.702.546.464,36 2.044.238.700,00 35,85
Fonte: Dados Secretaria da Saúde e Secretaria da Fazenda
Quadro 5. Despesas por Contratos de Gestão com Organizações Sociais de Saúde
ORGANIZAÇÕES SOCIAIS DE SAÚDE CONTRATOS DEGESTÃO %
Associação Congregação Santa Catarina R$ 155.250.837,21 7,6% Associação Lar São Francisco de Assis R$ 103.184.929,35 5,0% Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus R$ 475.566.711,58 23,3%
Instituto Data Rio R$ 177.743.023,29 8,7%
Instituto D' Or de Gestão de Saúde Pública R$ 118.668.294,02 5,8%
Instituto dos Lagos Rio R$ 183.591.802,20 9,0%
Pró-Saúde - Associação Beneficente de Assistência R$ 558.556.941,92 27,3%
Instituto Sócrates Guanaes R$ 139.520.460,52 6,8%
Viva Rio R$ 132.155.699,92 6,5%
Total Geral R$ 2.044.238.700,00 100,0%
Fonte: Dados Secretaria da Saúde. Dezembro, 2014. Elaboração própria.
Figura 3. Distribuição de gastos por Organização Social de Saúde