1. BÖLÜM
2.3. Çoklu Zeka Kuramı
2.3.9. Çoklu Zeka Kuramının Öğretimde Uygulanması
[...] a ação bandeirante ao destruir as Missões (do Tape) e delas levando muitos
índios cativos transformou o território em “terra de ninguém”, entre os anos de
1641-82.(BARROSO, 1992, p.37)
Das Missões do Tape, como já assinalado, restaram somente o gado da Vacaria Del
Mar, o qual passou a ser preado tanto pelos luso-brasileiros quanto pelos espanhóis e
indígenas reduzidos, para comercialização do couro (PESAVENTO, 1984, p.11). Paralelo a este movimento por grupos isolados ao interior do continente, a Coroa Portuguesa buscou consolidar sua presença no Rio da Prata. Com o fim da Monarquia Dual, que perdurou entre os anos de 1580 e 1640, os comerciantes portugueses que haviam adquirido o direito de
asiento158 para negociar em Buenos Aires o perdem159. Estabelece-se, então, a prática do contrabando, que se intensifica após a fundação da Colônia do Sacramento pela Coroa Portuguesa, em 1680, que busca aumentar sua influência sobre o comércio do Rio da Prata. A resposta ao avanço português sobre o território espanhol é imediata com o primeiro ataque à Colônia do Sacramento e expulsão dos portugueses. Dois anos depois, a Colônia é devolvida à Coroa Portuguesa. Segundo Couto:
Essa povoação e o território envolvente – onde os moradores se dedicavam ao contrabando da prata peruana, à criação de gado, ao comércio de couros e à plantação de trigo nas planícies uruguaias – nunca tiveram uma vida fácil, sendo sucessivamente atacados ou destruídos pelas tropas espanholas, apoiadas pelas milícias dos índios missioneiros – os guaranis das reduções da Província do Paraguai da Companhia de Jesus -, treinadas e armadas por oficiais espanhóis e jesuítas (COUTO, 2007, p.309).
Neste ínterim, em 1682, os indígenas missioneiros e os padres da Companhia de Jesus, súditos de Espanha, voltam à margem esquerda do Rio Uruguai (BARROSO, 1992, p.37), refundando as Missões destruídas pelos bandeirantes em meados do século XVII. Moradores de São Vicente, apoiados pela Coroa Portuguesa, fundam dois anos depois a povoação de Laguna (1684) (OLIVEIRA, C. S. 1993, p.20), que se torna a retaguarda para o avanço português na América Meridional.
158
Tratado ou acordo a partir do qual um grupo de comerciantes recebia da coroa espanhola direitos de comércio sobre uma rota comercial ou monopólio de um produto.
159Segundo Couto, “a recusa espanhola em permitir , após a celebração do Tratado de Paz de 1668, a criação de
uma linha comercial entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires levou o regente dom Pedro (1667-1683) a decidir criar um posto avançado lusitano na margem oriental do rio da Prata, a partir do qual os portugueses pudessem
Um novo contexto surge com a descoberta das minas de ouro no centro da colônia portuguesa. A necessidade de gado e mulas para o sustento das atividades mineradoras torna os rebanhos selvagens do continente produto valioso. O território sulino, após quase dois séculos, à margem dos interesses coloniais portugueses, torna-se ponto chave no apoio às investidas no Rio da Prata e economia subsidiária à mineração nas Gerais, principal fonte de rendas da metrópole lusa no século XVIII. Os fundadores de Laguna, descendentes dos bandeirantes escravagistas que exploraram o território em busca de indígenas no século XVII, se tornam os tropeiros do século XVIII, que passam a arrebanhar as tropas de gado chimarrão da Vacaria Del Mar, conduzindo os mesmos para as feiras de Sorocaba. Segundo Singer:
Encetou-se rapidamente intenso comércio de animais principalmente de carga (muares e cavalos) entre o Rio Grande e a zona de mineração, cujo grande entreposto é Sorocaba. É em função deste comércio que se dá o povoamento das planícies sulinas do Rio Grande, com a formação de currais que inicialmente não passam ‘de meros campos de retenção, de simples centros de fixação das manadas arrebanhadas na Grande Planície’ (OLIVEIRA, apud SINGER, 1977, p.145). Já no alvorecer do século XVIII, em 1703, é aberto o caminho do litoral, primeira rota terrestre utilizada para condução do gado da Vacaria Del Mar ao centro da colônia.160 O caminho servia também para fazer ligação entre as distantes possessões portuguesas de Laguna e da Colônia do Sacramento, sendo a primeira um ponto de apoio à última, já que esta estava constantemente sob ataque espanhol.
O trânsito entre Laguna e a Colônia do Sacramento se fazia por terra com mais intensidade embora a travessia dos rios Mampituba, Tramandaí, Canal do Rio Grande e Arroio Chuí, dificultassem esse meio. Muito pior seria, costeando o litoral devido aos perigos que apresentava por ser muito extenso, arenoso e varrido por ventos fortes (OLIVEIRA, C. S., 1993, p.23).
Em 1714, a expedição de João de Magalhães percorre o caminho do litoral, saindo de Laguna e chegando até Sacramento. No caminho, a sul da foz da Laguna dos Patos, encontra rebanho de gado selvagem e entra em contato com os indígenas Minuanos e Charruas que ocupavam a região (OLIVEIRA, C. S., 1993, p.23). Após a volta a Laguna, nova expedição é organizada em 1718. Descendo novamente ao sul, na altura de Tramandaí, os expedicionários se dividem, metade segue a sul, pelo caminho do litoral, e a outra metade dirige-se a oeste,
160Segundo Oliveira, com a fundação da “Colônia do Sacramento e de Laguna, logo começou o trânsito entre as
duas localidades e se tem notícia que, em 1703, Domingos da Filgueira faz o percurso a pé com mais 5 companheiros, partindo da Colônia pelo interior, chegando à Lagoa do Castilho Grande e daí continuando pelo
litoral até Laguna, onde deu notícias do que tinha visto em sua aventura.” (OLIVEIRA, C. S., 1993. p. 22). O
relato da viagem de Domingos da Filgueira foi transcrito por Guilhermino Cesar em seu livro, “Os primeiros
com o objetivo de desbravar as terras desconhecidas (OLIVEIRA, C. S., 1993, p.23). Provavelmente, pela primeira vez, desbravam e tomam conhecimento dos ótimos campos existentes na região para o arrebanhamento do gado; e também, curiosamente por terra, “redescobrem” o Lago Guaíba com suas margens oferecendo ótimos atracadouros. Contudo a atividade dos tropeiros prescinde de um porto, sendo a única atividade náutica necessária à condução das tropas, à transposição do gado em balsas na foz do Rio Grande. O restante do percurso até o centro da colônia é feito por terra. O litoral do Lago Guaíba parece que somente ganha importância após a sedentarização destes tropeiros ao tornarem-se estancieiros e iniciarem os primeiros núcleos urbanos da região, os quais necessitam, para a comunicação e provimento de gêneros não obtidos na região, de um meio de transporte mais eficiente. Enquanto isso os tropeiros, de certa forma, ficaram de costas161 para o Guaíba, priorizando os caminhos terrestres que ligavam Laguna à Colônia do Sacramento.
No ano de 1725, ocorre a primeira expedição oficial de reconhecimento do território, também comandada por João de Magalhães, iniciando o povoamento da região da atual cidade de São José do Norte162, e vindo a instalar-se, em 1728, nas imediações de onde surgiria a freguesia de Viamão163. Segundo Oliveira:
Em 1728 a grande invernada natural formada pelo Rio Gravataí, Lagoa dos Patos, Rio Guaíba e Rio Capivari já estava ocupada por grande quantidade de gado e nele já se encontravam arranchados João de Magalhães e os que a ele se vieram reunir. Nesse lugar fixou residência e requereu sesmaria que lhe foi concedida 27 anos depois (1755), pelo Governador Gomes Freire de Andrade, confirmada pelo Rei de Portugal cinco anos depois da concessão (OLIVEIRA, C. S., 1993, p.24).
O avanço português a sul do limite determinado pelo Tratado de Tordesilhas, e a possibilidade de incorporação da área compreendida entre Laguna e Sacramento à Coroa Portuguesa, fez com que, em 1724, fosse fundada Montevidéu pelos espanhóis, objetivando cortar a comunicação entre Laguna e a Colônia do Sacramento.
161 Para Riopardense de Macedo “[...] apesar da riqueza do grande estuário e da promessa que constituía a
formidável rede navegável, os primeiros sesmeiros que ocuparam e requereram terras na área mais próxima do
Guaíba voltavam às costas aquela riqueza e se prendiam a Viamão [...]”. (MACEDO, 1968. p. 43).
162
A frota de João de Magalhães, como ficou conhecida, estabeleceu-se na margem norte do canal da Lagoa dos
Patos, próximo à atual São José do Norte. De lá realizavam a travessia, a nado, do gado arrebanhado na “Vacaria do Mar” e recebiam impostos por manterem os índios Minuanos longe do negócio. (MONTEIRO, 1979 apud
TORRES, 2010, p.25).
163
O uso do solo na faixa litorânea, entre Tramandaí e São José do Norte, foi tão intensivo pela atividade pecuária que em poucos anos encontrava-se esgotado. Segundo A. Rodrigues, citado por Riopardense de
Macedo, “as pastagens mantiveram-se até a dominação espanhola de 1763 a 1777, durante a qual foram
destruídas pela seca e pela grande aglomeração de gado e cavalhadas. Desagregada a camada de terra vegetal, os ventos reinantes revolveram as areias e formaram a sucessão de cômoros [...]” (RODRIGUES, apud MACEDO,
A preocupação da Corte de Madri com a penetração lusitana na região platina levou à fundação de Montevidéu, tendo por objetivo o isolamento do enclave português, cortando-lhe as ligações terrestres com o Rio Grande [do Sul] (COUTO, 2007, p.310).
Na busca de um melhor caminho para o transporte do gado para Sorocaba164, no início da década de 1730, o tropeiro Cristovão Pereira de Abreu estabeleceu uma nova rota. Segundo Ana Lúcia Herberts, Cristovão Pereira de Abreu “alterava o roteiro do litoral [...] para o interior, atravessando os atuais Estados de Santa Catarina e Paraná pelo Planalto” (HERBERTS, 2009, p.124). O caminho do sertão, como era conhecido, partia dos Campos de Viamão em direção a norte, subindo a serra, seguindo pelo alto do planalto até Sorocaba. A região dos campos, como já referido, formava uma invernada natural propícia para a reunião e engorda do gado trazido pelo caminho do litoral. Razão que explica o porquê de ter sido a primeira região onde a Coroa concedeu sesmarias165 no continente. No ano de 1732, foi concedida a primeira sesmaria a Manuel Gonçalves Ribeiro, no local conhecido como Parada das Conchas (OLIVEIRA, C. S., 1993, p.27). No mesmo ano, segundo Oliveira, “estabeleciam-se os três sesmeiros que dariam início ao povoamento e ocupação do atual Município de Porto Alegre”. Para Pesavento:
Ao iniciar a terceira década do século XVIII, a devastação do rebanho já começara a comprometer o tropeio de gado, pelo que se tornou interessante tanto da Coroa quanto dos particulares a apropriação da terra. Nesse contexto, processou-se a distribuição pela Coroa de sesmarias para o estabelecimento de estâncias de criação que garantissem o fornecimento regular para as minas (PESAVENTO, 1999, p.9). Os tropeiros fixam residência nos campos de Viamão166, tornando-se estancieiros.
A maioria desses “povos” reunidos nas “estanças” dos tropeiros transformaram-se em vilas e cidades, que se costuma denominar “cidades do gado”. Nessas condições
estão Viamão, Santo Antônio da Patrulha, Osório (antiga Conceição do Arroio) e, entre outras, Porto Alegre (SPALDING, 1967, p.16).
Desta forma, os principais pontos de parada do caminho das tropas e as maiores sedes de estâncias começam a dar origem aos primeiros povoados da região.
164 Os tropeiros queixavam-se das “[...] dificuldades do litoral sulino, especialmente com os obstáculos
da travessia dos rios Tramandaí, Mampituba e Araranguá, que provocavam perdas de animais com a
ação turbulenta das suas águas na direção do mar.” (HERBERTS, 2009, p.124).
165 Eram terras devolutas, medindo em regra 3 léguas por 1 légua. (PESAVENTO, 1999, p.141). A concessão de
sesmarias tem origem em lei portuguesa de 1375, Lei das Sesmarias, que objetivava a concessão de terras para o seu cultivo e, ao mesmo tempo, o povoamento do território (RHODEN, 1999. p.141).
166Segundo Macedo, a cidade de Viamão existiria como “povoação, desde muito cedo. Substituiu Laguna como