BÖLÜM II: KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.1. KURAMSAL ÇERÇEVE
2.1.3. Çoklu Zekâ Kuramı (ÇZK)
2.1.3.2. Çoklu Zekâ Alanları ve Hayat Bilgisi Etkinlikleri
A literatura sobre a formação e composição de domicílio do jovem está associada à transição para a vida adulta e à mudança da estrutura familiar. O jovem adulto, dependendo dos eventos superados no seu ciclo de vida e da sua condição socioeconômica, pode se encontrar em determinada situação domiciliar. Cada uma dessas etapas superadas responde por um potencial de formação e um determinado tipo de arranjo domiciliar.
A constituição de um novo domicílio está ligada diretamente à saída dos jovens da casa dos pais. Isto implica numa maior autonomia por parte dos jovens adultos. O jovem deixa de ser filho e passa a ser um dos responsáveis pelo domicílio, sua condição torna-se dependente dos seus próprios recursos.
Ao sair de casa o jovem opta pelo arranjo que mais lhe convém, o qual pode ser sozinho, com colegas ou arranjos familiares através do casamento ou coabitação, ou mesmo com seu filho, formando uma família monoparental. Entre os motivos para saírem de casa, além do casamento, destacam-se o trabalho e o estudo. A diferença entre cada um consiste principalmente no nível de autonomia de cada um, em especial o motivo estudo, o qual, geralmente, ainda implica em dependência econômica ao domicílio de origem.
Entre os jovens brasileiros, o arranjo que se destacava em 2000 era o casal com filhos, com 68,10% (CAMARANO et al., 2006). No entanto, a ausência de
dados longitudinais e pesquisas específicas não permitem confirmar se esse arranjo é realmente o arranjo formado no exato momento da saída da casa dos pais ou o arranjo final de um processo que envolve morar sozinho ou com colegas e a união. Pesquisas recentes indicam o crescimento da participação desse segundo caminho no curso da vida dos jovens adultos (CARVALHO, 2009).
Entre os arranjos com tendência crescente de participação estão os casais de dupla renda e sem filhos, os chamados casais DINC (Duplo Ingresso, Nenhuma Criança). Neste caso, tanto o homem como a mulher estão no mercado de trabalho e optaram pela não parentalidade. Apesar de ainda representar um número pequeno de famílias, cerca de 2 milhões, os autores identificaram um aumento de 1% entre 1996 e 2006, chegando a 3,7%, segundo dados da PNAD. A maioria dos chefes desses domicílios tem idade entre 20 e 39 anos (68%), sendo que aproximadamente 35% estão entre 20 e 29 anos. Diversos desses casais estão estudando e apresentam uma escolaridade acima da média, a maioria tem escolaridade acima de 11 anos de estudo (BARROS et al. (2008).
Com relação à diferença entre os sexos, as mulheres saem antes de casa. A idade média de formação de família, que, no caso brasileiro, está bastante associado à idade, à primeira união e/ou casamento (TAB. 2.2) é inferior entre as mulheres.
TABELA 2.2 – Idade Média ao Casamento no Brasil Sexo 1986 1991 1995 2000 1996 2006
Mulheres 22,30 - - - 22,68 21,35
Homens - 25,88 26,13 26,44 - -
Fontes: IBGE – Censo Demográfico 1991 e 2000; DHS (1986 e 1996); Ministério da Saúde – PNDS (2006). Metotologia SMAM – Singulate Mean Age of Marriage - Hajnal (1953).
Há certa flutuação da idade ao primeiro casamento entre as mulheres, variando cerca de um ano entre 1986 e 2006. Esta constatação de pequena queda na idade média feminina corrobora o resultado obtido em Oliveira (2005). Entre os homens observa-se uma tendência crescente na idade média, o que torna a
diferença entre as idades médias ao casamento de homens e mulheres cada vez maior.
Contudo, como discutido nos subitens anteriores, a formação familiar está acontecendo cada vez mais tarde. Há o fenômeno do prolongamento da juventude, que é consequência de certo nível de manutenção de dependência dos filhos em relação a seus pais. Os filhos, apesar de possuírem autonomia em diversas atividades, por exemplo, no trabalho, mantêm certo nível de dependência, percebida principalmente na corresidência com seus pais.
No Brasil, Camarano et al. (2006) observaram que a proporção de domicílios nos quais o jovem (15 e 29 anos) ocupava a posição de responsável ou cônjuge reduziu quase 10% em 20 anos, chegando a 23,9% nos anos 2000. Houve redução do arranjo casal com filhos entre esses jovens, enquanto os
outros arranjos tiveram sua participação elevada, como famílias
monoparentais, indivíduos morando sozinhos, etc. Simultaneamente, houve a elevação da participação dos jovens que trabalham e um aumento na proporção dos que conciliam estudo e trabalho, ambos contribuindo de alguma forma no orçamento familiar. O arranjo mais comum para esses jovens que adiam a saída da casa dos pais, em 1980, era casal com filhos, ou seja, o filho adulto morando com seus pais. Mas em 2000 a proporção desse arranjo diminuiu, enquanto aumentou a participação de outros arranjos, como a família monoparental com jovem adulto. Também observou-se uma redução dos jovens que trabalham e um aumento daqueles que estudam e trabalham.
Heilborn et al. (2002) observaram que o adiamento da saída da casa dos pais é mais comum entre jovens da classe média e está associado positivamente à parentalidade. Isto é, jovens de classe média que não haviam tido filhos, com ou sem renda própria, tinham maior probabilidade de permanecerem na casa dos pais. Isto se deve a um acordo entre as partes, em que o jovem recebe conforto e tempo para capacitação e poupança, sem invasão de privacidade, e oferece companhia para os pais.
Os jovens de camadas populares, devido à necessidade de trabalhar, formam família e saem de casa mais cedo. No entanto, possuem uma relação negativa
entre parentalidade e adiamento, ou seja, continuam morando com os pais mesmo após o nascimento do filho (HEILBORN et al., 2002). Portanto, esse processo de continuidade no domicílio de origem expande-se para outros membros do domicílio, além dos filhos, os netos, esposas etc. É uma nova forma de transição no processo de formação da família – as famílias conviventes. São famílias que se formam no próprio domicílio de origem e que compartilham simultaneamente orçamento e bens duráveis. Em 2000, essas famílias representavam 12,71% dos domicílios particulares permanentes, segundo o Censo Demográfico (IBGE, 2000). De uma maneira geral, as famílias conviventes estão em piores condições socioeconômicas que as residentes nos seus domicílios (TOMÁS, 2007).
O levantamento dos aspectos discutidos neste capítulo sobre as mudanças nos arranjos domiciliares, transição da vida adulta e formação e composição de domicílios com jovem adulto no Brasil serão resgatados no Capítulo 4 para a definição das categorias domiciliares e para a escolha das variáveis individuais do modelo hierárquico. As variáveis trabalhadas levam em consideração as características do jovem adulto, bem com de sua família.