BÖLÜM 1: KAVRAMSAL ÇERÇEVE
1.3. Çocuk Dergiciliği
O GATT é um acordo para a institucionalização entre as suas partes contratantes de três regras básicas (21): a) não aumentar as tarifas comerciais; b) não impor restrições quantitativas (cotas) ao comércio; e c) assegurar a condição de “nação mais favorecida” a todos os outros membros do GATT.
Cada um dos signatários do Acordo se compromete, portanto, a conceder aos demais um tratamento igual, sem discriminações, nas suas relações comerciais. O Acordo permite, no entanto, zonas de livre comércio ou uniões aduaneiras, além da negociação entre países menos desenvolvidos sem a extensão das preferências aos países industrializados.
O mecanismo básico de funcionamento do GATT e principal instrumento da liberalização comercial são as Conferências de Negociações de Tarifas. Elas aconteciam a cada três anos e seu procedimento era negociar bilateralmente produto a produto para sua posterior multilateralização, o que era muito difícil e trabalhoso.
A VI Conferência do GATT (Rodada Kennedy, 1964-1967) teve mais êxito e foi mais importante do que as cinco precedentes porque abrangeu mais produtos e conseguiu reduções maiores, graças à introdução do corte linear sobre todas as tarifas, reforçando dessa forma a natureza multilateral das negociações e acelerando a liberalização tarifária.
A VII Conferência do GATT (Rodada Tókio, 1973-1979), que já comportava 99 países, foi a primeira a tratar das barreiras não tarifárias. Foi feito um inventário deste tipo de obstruções ao comércio agregando-as em cinco grandes categorias: medidas derivadas da participaçãoo dos poderes públicos no comércio exterior; formalidades aduaneiras; normas impostas aos produtos de importação; barreiras quantitativas, acordos bilaterais etc.; e normas relativas a níveis de preços etc.
A VIII Conferência do GATT (Rodada Uruguai, 1986-1994) foi a maior (105 países no início), mais longa e a última, pois decidiu-se pela auto-dissolução do GATT e pela criação da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 1995. Nesta Rodada houve inovações importantes: a primeira é que os EUA e a UE reconheceram os países em vias de desenvolvimento de industrialização recente (NIC’s) como parceiros necessários, deixando
de ser o GATT um fórum apenas para negociação entre países desenvolvidos. A outra inovação da Rodada Uruguai foi a proposta dos EUA de adotar uma concepção mais ampla do comércio: comércio de bens, mas também de serviços, propriedade intelectual e investimentos. Já não é só a liberalização do comércio que importa, cogita-se em “disciplinas internacionais que implicariam em congelamento das estruturas econômicas de poder” (22). Segundo Nogueira Batista (23), “a Rodada Uruguai tem duas grandes vertentes: uma no sentido Norte–Norte, com o contencioso entre EUA e a CEE a respeito dos subsídios agrícolas, e outra no sentido Norte–Sul em que se evidencia, sob a liderança dos EUA, o propósito de integrar os países em desenvolvimento numa economia mundial reorganizada de forma a preservar as vantagens competitivas de que goza o mundo desenvolvido em termos de capital e, sobretudo, tecnológicos”.
Sobre o conjunto de Conferências do GATT diz o mesmo autor (24): “Não obstante as diferenças que se evidenciaram de uma Rodada para outra, todas registram grandes linhas de continuidade cuja evocação pode ajudar a entender melhor as características da Rodada Uruguai ora em curso. São três essas linhas: a) a concentração sobre problemas tarifários; b) o foco sobre produtos industriais; e c) a virtual marginalização dos países em desenvolvimento. O grande sucesso do GATT na liberalização comercial, ao longo de três décadas, ficou, assim, por definição, restrito à redução das barreiras tarifárias dos países desenvolvidos para produtos manufaturados, o que se fez, vale ressaltar, a níveis muito baixos(...)”
Da mesma forma que o sistema financeiro e monetário internacional foi se desorganizando, o sistema comercial também sofreu a deterioração dos seus princípios e normas fundamentais. "Postulados básicos como la cláusula de la nación más favorecida, la no discriminación, el multilateralismo, la liberación de los intercambios y el trato preferencial no recíproco han venido siendo substituidos paulatinamente, conforme lo dictaba el interés de los países industrializados, por conceptos tales como condicionalidad, discriminación, graduación, comercio controlado, restricciones ‘voluntarias’, penetración ‘aceptable’ de mercados, medidas flexibles, bilaterales y unilaterales “ (25).
Na década de oitenta, graças aos processos de ajuste e às conseqüentes modificações nas políticas econômicas da região, nas quais se dava prioridade ao setor
externo das economias, particularmente à promoção das exportações para poder saldar o balanço de pagamentos desequilibrado pelo peso da dívida externa, a América Latina viu-se obrigada a reexaminar a inserção da região no comércio internacional e a sua posição negociadora nos foros pertinentes. Existe, portanto, uma estreita ligação entre as restrições comerciais dos países desenvolvidos e a capacidade de pagamento da dívida externa do Terceiro Mundo.
O papel do SELA nesse processo foi de um foro de consulta e coordenação regional no campo das negociações internacionais que se inciaram em 1982 e se intensificaram em 1986 com o início da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais. A Secretaria Permanente do SELA se colocou como uma secretaria técnica a serviço dos governos dos Estados–Membros, estabelecendo uma simbiose que revelou o SELA como um foro útil e válido para se expressar interesses comuns da região ante a Comunidade Internacional, mesmo em foros como o GATT em que prevalece a ação nacional sobre a regional. A Secretaria Permanente desenvolveu o seu trabalho de preparação de documentos de base para as reuniões de consulta e coordenação, que além de análises continham propostas, e de elaboração de Informes Técnicos sobre a Rodada Uruguai. Graças a esse trabalho as divergências em matéria de serviços foram totalmente superadas, e estabeleceu-se uma plataforma comum da região neste assunto. Em agosto de 1989 o XV Conselho Latino-Americano aprovou uma Decisão na qual os Ministros adotam uma plataforma comum e fixam uma posição ante as principais matérias da Rodada Uruguai.
Quando as negociações se encaminhavam para uma crise e as potências comerciais se eximiam de qualquer responsabilidade, a América Latina e Caribe, atuando no marco do SELA, defendia o multilateralismo, no sentido de respaldar e reforçar o sistema de comércio multilateral mediante (26):
a) o respeito irrestrito ao princípio de não discriminação;
b) um efetivo trato diferenciado e mais favorável para os países em desen- volvimento;
c) a proscrição de todo acordo de repartição de mercados ou comércio ad- ministrado;
d) a proibição de qualquer ação unilateral à margem do marco legal do Acordo Geral; e
e) a manutenção de um sistema plenamente eficaz e reforçado para a solução de divergências.
Segundo a Secretaria Permanente, para os países da região não há uma opção viável a um sistema multilateral de comércio. Um fracasso da Rodada Uruguai implicaria um sério risco de quebra do consenso básico em torno a regras e disciplinas fundamentais do sistema multilateral de comércio, que seria substituído por um sistema baseado mais em relações de poder do que de direito. Para a Secretaria Permanente, "La opción del bilateralismo, de la integración regional y de la integración de la región y Estados Unidos, como prevista en la Iniciativa para las Américas, es complementaria a la opción multilateral y no podria ni debería ser considerada como una alternativa a un eventual fracaso de la Ronda Uruguay y el debilitamiento del sistema multilateral de comercio” (27).
Graças à unidade de pensamento e ação que a América Latina e o Caribe conquistaram no SELA, é possível dizer que houve uma mudança substantiva nas relações de poder, sendo hoje improvável que ocorram mudanças no sistema multilateral de comércio sem consulta aos países em desenvolvimento. Isto traz também uma maior responsabilidade para a região. Neste sentido o papel do SELA como foro de consulta e coordenação e como gerador de propostas torna-se mais importante.
B) Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento