BÖLÜM 1: KAVRAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
1.9. İş Doyumu ile İlgili Kuramlar 1. Klasik Yaklaşımlar
1.10.1. Çevresel Faktörler
As etapas de definição do campo das propriedades, na estruturação de um Sistema de Engenharia Kansei, são consideradas críticas. Como resultado final são definidos e/ou selecionados produtos representativos do domínio, i.e., produtos que contemplam uma variedade de características (composições de itens versus categorias) representativa para um determinado grupo de consumidores-alvo do produto em desenvolvimento.Algumas fontes de erro podem ser encontradas nas etapas do processo de definição do campo das propriedades em aplicações11 de Sistemas de Engenharia Kansei descritos na literatura científica, de acordo
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De acordo com revisão realizada em 58 artigos com aplicações de Sistemas de Engenharia Kansei, filtrados de um total de 116 artigos sobre Engenharia Kansei coletados em revisão estruturada por Silva e Amaral (2013). No Apêndice C consta uma súmula do procedimento para definição do campo das propriedades aplicado em cada artigo. Utilizou-se como critério para a delimitação da amplitude (i.e. início e término) do processo de “definição do campo das propriedades” em uma dada aplicação de Sistema de Engenharia Kansei, o momento que compreende o início do experimento até o momento imediatamente anterior à atribuição de qualquer vínculo semântico-afetivo, este caracterizado como o processo desenvolvido na etapa de “síntese” da estruturação de um Sistema de Engenharia Kansei. Artigos que não descrevem procedimento para nenhuma das Fases do processo de definição do campo das propriedades foram excluídos da análise, são os seguintes: Tsuchiya et al. (1996), Jindo e Hirasago (1997), Petiot e Yannou (2004), Jiao, Zhang e Helander (2006), Chang, Lai e Chang (2006), Choi e Jun (2007), Delin et al. (2007), Llinares e Page (2007), Llinares e Page (2008), Yan et al. (2008), Chang (2008), Bahn et al. (2009), Zhai, Khoo e Zong (2009),Huynh, Yan e Nakamori (2010), Huang, Tsai e Huang (2011), Galiana, Llinares e Page (2012) e Pearce e Coleman (2013).
57 com a Fase.
Na Fase 1, “coleta de exemplares de produtos representativos do domínio”, são duas as principais fontes de erro a serem apontadas. A primeira é a seleção arbitrária do conjunto de produtosque representará o domínioKanseiinicial.Nas aplicações de Sistemas de Engenharia
Kansei, em geral, não são sugeridos/apresentados métodos para a realização da Fase 1,
afirmação reforçada pelos dados mostrados na Tabela 9.
Trabalhos referem a coleta de exemplares de produtos representativos do domínio como um preâmbulo do experimento, e os produtos e/ou conceitos coletados como dados de entrada, sem uma clara indicação sobre como esses exemplares são obtidos e quem é responsável pela execução desta etapa. Um grupo menor de autores refere que especialistas são responsáveis pela determinação do grupo inicial de produtos representativos do domínio, a exemplo de Hsu, Chuang e Chang (2000), van Lottum, Pearce e Coleman (2006) e Huang, Tsai e Huang (2011). Barnes e Lillford (2009) recomendam o uso do método Mood-Board (McDONAGH et al., 2002 apud BARNES; LILLFORD, 2009). Por fim, há trabalhos em que ocorre uma possível supressão da Fase 1, pois não é indicada explicitamente ou a fase subsequente é realizada com o apoio do repertório/expertise de especialistas.
Exemplos de trabalhos que demonstram tal abordagem são Barnes et al. (2004), Schütte e Eklund (2005), Nishino, Nagamachi e Tanaka (2006), Nordvik, Schütte e Broman (2009), Demirtas, Anagun e Koksal (2009), Kuang e Jiang (2009), Hartono e Chuan (2011) e Noh, Park e Park (2013).
Tabela 9. Métodos utilizados para a coleta de exemplares de produtos representativos do domínio
Métodos Referências
Não identificado Jindo, Hirasago e Nagamachi (1995); Tanoue, Ishizaka e
Nagamachi (1997); Nakada (1997); Huang, Sobue e Chen (2003); Huang et al. (2003); Mondragon, Company e Vergara (2005); Lai, Chang e Chang (2005); Lai, Lin e Yeh (2005); Nagamachi, Okazaki e Ishikawa (2006); Henson et al. (2006); Lai et al. (2006); Lin, Lai e Yeh (2007); Chen e Chuang (2008); Tung, Guan e Hsieh (2009); Ergogmus e Koç (2011); Yang (2011a); Yang (2011b); Pham et al. (2011); Smith e Fu (2011); Huang, Chen e Khoo (2012a); Yan, Huyin e Nakamori (2012); Luo, Fu e Korvenmaa (2012); Shi, Sun e Xu (2012); Lin et al. (2012b); Kim et al. (2013)
Especialistas Hsu, Chuang e Chang (2000); van Lottum, Pearce e Coleman
(2006); Huang, Tsai e Huang (2011); Huang, Chen e Khoo (2012b); Luo, Fu e Zhou (2012); Yang e Chang (2012); Lin et al. (2012a)
Mood-board Barnes e Lillford (2009)
Outro ponto importante a ser referido, fonte de erro, relacionado à Fase 1 no processo de definição do campo das propriedades, é a ausência do consumidor no processo de
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seleção do conjunto de produtos inicial. Esta observação é importante, pois há na literatura seminal autores (e.g., SCHÜTTE et al., 2008; NAGAMACHI; LOKMAN, 2011) que recomendam o envolvimento do consumidor no processo de definição do campo das propriedades, com a intenção de minimizar ou evitar a omissão de propriedades consideradas importantes do ponto de vista do consumidor. Isto porque consumidores possuem, em geral, repertório distinto de integrantes da equipe de projeto de produtos (HSU; CHUANG; CHANG, 2000). Apesar disso, na literatura seminal enas aplicações de Sistemas de Engenharia Kansei esse envolvimento ocorre tardiamente, na Fase 2, “identificação/coleta das propriedades do produto”.
Uma das possíveis razões para o não envolvimento do consumidor nas etapas inicias do processo de definição do campo das propriedades Kansei é o alto grau de expertise criativo requisitado para a elaboração de conceitos de produtos e/oude repertório requisitado para análise e tratamento de grande volume de dados pouco estruturados, quando da seleção de produtos pré-existentes no mercado.
As limitações relacionadas à manutenção do envolvimento12 são outro obstáculo, sabendo que um Sistema de Engenharia Kansei requer atualização constante e acompanhamento dos direcionamentos de mercado, e.g. tendências e moda, o envolvimento do consumidor deve ocorrer em uma base contínua, o que tangencia problemas como a indisponibilidade (HODA; NOBLE; MARSHALL, 2010) e pouco interesse, “disposição”, (LETTL, 2007) do consumidor em manter o envolvimento.
Na Fase 2, “identificação/coleta das propriedades do produto”, podem ser identificadas duas principais fontes de erro. A primeira fonte de erro está na dificuldade de mensuração da qualidade dos resultados devido ao caráter subjetivo da maioria dos métodos aplicados. Isto é, como seria possível saber se todas as propriedades críticas/relevantes foram identificadas, seja do ponto de vista do consumidor ou da equipe de projeto do produto? E, quais as implicações da escolha de propriedades pouco relevantes para o mercado que se pretende direcionar o produto em desenvolvimento? Esses questionamentos não são recentes. Trabalhos como os de Barone, Lombardo e Tarantino (2007), Schütte et al. (2008), Yang (2011) já os consideravam. Partem do princípio de que o envolvimento do consumidor é fundamental no processo de identificação das propriedades do produto, o que está explícito no arcabouço desenvolvido por Schütte (2005), Figura 4.
12 Com freqüência o envolvimento do consumidor é uma atividade pontual e temporalmente limitada, sujeita a
defasagem. Este tipo de envolvimento é orientado pela perspectiva tradicional de envolvimento do consumidor, cujas características são citadas em Sawhney, Verona e Prandelli (2005).
59 Conforme referem Barone, Lombardo e Tarantino (2007) uma propriedade do produto é relevante quando influencia a atitude do consumidor quanto um determinado produto. Entretanto, os métodos aplicados para a realização da Fase 2, em parte, não contribuem para uma identificação confiável já que são pouco estruturados, de cunho qualitativo, e podem apresentar um viés muito grande associado ao grupo de participantes, i.e., grupos diferentes podem prover resultados com dissimilaridades. Este é o caso de métodos como: opinion of expert panel (HARTONO; CHUAN, 2011; LUO; FU; KORVENMAA, 2012), opinion of consumer panel (DEMIRTAS; ANAGUN; KOKSAL, 2009; LUO; FU; KORVENMAA, 2012), video ethnography (HENSON et al.,2006), Focus Group Interview (FGI) (BAHN et al., 2009; HARTONO; CHUAN, 2011; NOH; PARK; PARK, 2013),
brainstorming (YAN; HUYIN; NAKAMORI, 2012).
Tais métodos dependem do repertório dos envolvidos, o que aumenta o nível de subjetividade no processo de identificação das propriedades do produto. Métodos mais estruturados também são utilizados em aplicações de Sistemas de Engenharia Kansei, como é o caso do Morphological Analysis (LUO; FU; ZHOU, 2012) e HIEs deconstruction method (LIN et al., 2012a). No caso do segundo, um fluxograma e template desenvolvido por Kwahk e Han (2002) torna o processo de identificação do campo das propriedades sistemático e objetivo, porém está limitado a produtos eletrônicos. Na Tabela 10 é apresentada a lista de métodos utilizados para apoiar a realização da Fase 2, identificadas nas aplicações de Sistemas de Engenharia Kansei.
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Tabela 10. Métodos utilizados para a identificação/coleta das propriedades do produto
Métodos Referências
Morphological Analysis Luo, Fu e Zhou (2012); Chen e Chuang (2008); Hsu, Chuang e Chang
(2000); Yang (2011b); Lin, Lai e Yeh (2007); Lai, Lin e Yeh (2005); Lin et al. (2012b); Shi, Sun e Xu (2012); Luo, Fu e Zhou (2012)
Survey Jindo, Hirasago e Nagamachi (1995)
Brainstorming (GRINSAETH, 2005) Yan, Huyin e Nakamori (2012)
Focus Group Interview (FGI) Henson et al. (2006); Bahn et al. (2009); Hartono e Chuan (2011); Noh,
Park e Park (2013); Lin, Lai e Yeh (2007); Lai, Lin e Yeh (2005)
Video ethnography Henson et al. (2006)
Literature survey: documents about product, manuals, other
Bahn et al. (2009); Hartono e Chuan (2011); Demirtas, Anagun e Koksal (2009); Chen e Chuang (2008)
Opinion of expert panel Bahn et al. (2009); Hartono e Chuan (2011); van Lottum, Pearce e
Coleman (2006); Luo, Fu e Korvenmaa (2012); Demirtas, Anagun e Koksal (2009); Lin, Lai e Yeh (2007); Lai, Lin e Yeh (2005); Lai, Chang e Chang (2005); Chen e Chuang (2008); Shi, Sun e Xu (2012)
Opinion of consumer panel Luo, Fu e Korvenmaa (2012); Demirtas, Anagun e Koksal (2009)
Mood-Board (McDONAGH et al. 2002) Barnes e Lillford (2009)
HIEs deconstruction method
Designers, expert users e advanced users
Lin et al. (2012a) Schutte e Eklund (2005)
A segunda fonte de erro está relacionada ao tipo de produto e/ou objeto de estudo13. Para grande parte dos produtos manufaturados, do tipo bens de consumo, há uma lista excessivamente longa de propriedades, i.e., elevada “granulosidade”, que tende a aumentar quanto maior a complexidade do produto em termos de sistemas, subsistemas e componentes. A elevada granulosidade está diretamente associada ao objeto de estudo definido, ou seja, “o
que” ou “qual parte” do produto será avaliada. Nagamachi e Lokman (2011) recomendam a
seleção de “objeto de estudo” com escopo mínimo possível, com o propósito de evitar equívocos e inconsistências nas análises.
Deste escopo, os autores sugerem a identificação de uma quantidade de categorias elevada, em geral acima de 100, para que sejam obtidos resultados satisfatórios e viáveis do ponto de vista estatístico. Esta recomendação, ainda que apoiada por exemplos encontrados na literatura seminal, apresenta limitações no que concerne à replicação em experimentos Kansei. Nas aplicações de Sistemas de Engenharia Kansei os autores têm restringido seus experimentos a produtos simples, ou simplificações de produtos, como uma forma de minimizar o escopo de estudo, com implicações diretas na quantidade de propriedades identificadas. Na Tabela 11 são listados os objetos de estudo, “survey targets”, selecionados
61 nos experimentos Kansei revisados.
Tabela 11. Objeto de estudo nas aplicações de Sistemas de Engenharia Kansei
Tipo de
produto Objeto de estudo Referências
Veículos Velocímetro e layout de painel de carro Jindo e Hirasago (1997) Adequação lateral de veículos versus design
de calotas
Luo, Fu e Zhou (2012)
Carros de passeio Lai, Chang e Chang (2005)
Crash pads de veículos e revestimento interno de veículos (wallpaper e flooring)
Bahn et al. (2009) Displays de veículos (HUD) Smith e Fu (2011) Conforto em veículos Tsuchiya et al. (1996)
Interior de veículos Tanoue, Ishizaka e Nagamachi (1997) Aparelhos
eletrônicos
Telefones celulares Lin et al. (2012a), Kuang e Jiang (2009), Chen e Chuang (2008), Jiao, Zhang e Helander (2006), Shi, Sun e Xu (2012)*, Yang e Chang (2012), Lin, Lai e Yeh (2007), Lai, Lin e Yeh (2005), Lai et al. (2006), Yang (2011a)*, Hsu, Chuang e Chang (2000)* eBarone, Lombardo e Tarantino (2007)
Ícones em máquinas digitais Tung, Guan e Hsieh (2009)
PDAs Lin et al. (2012b)
Câmeras fotográficas digitas Chang (2008)
Câmeras digitais Yang (2011b)
Vestuário Sapatos Pearce e Coleman (2013), Nagamachi, Okazaki e Ishikawa (2006) e van Lottum, Pearce e Coleman (2006)
Estampas de tecido Huang, Sobue e Chen (2003)
Embalagens Aparência de frascos de perfumes Huang, Chen e Khoo (2012b) Embalagens para produtos de limpeza Delin et al. (2007)
Embalagens de creme hidratante Henson et al. (2006) Garrafas de bebidas Barnes e Lillford (2009) Garrafas para bebidas Luo, Fu e Korvenmaa (2012)
Decoração Porcelanas Kutani Huynh, Yan e Nakamori (2010)
Xícaras artesanais Kutani Yan, Huyin e Nakamori (2012)
Pinturas a óleo Huang et al. (2003)
Folhas de ouro Kanazawa Yan et al. (2008)
Cálices de vidro Petiot e Yannou (2004)
Torneiras de cozinhas Demirtas, Anagun e Koksal (2009) Assoalhos de madeira Nordvik, Schütte e Broman (2009) Móveis Componentes de salas de estudo Ergogmus e Koç (2011)
Cadeiras de escritório Jindo, Hirasago e Nagamachi (1995) Estandes para feiras de negócios Huang, Tsai e Huang (2011) Construção
civil Prédios urbanos recém-construídos, em Valencia Llinares e Page (2007) Music halls da Espanha Galiana, Llinares e Page (2012) Bairros da cidade de Valencia Llinares e Page (2008) Máquinas-
ferramenta Battery drill
Huang, Chen e Khoo (2012a) Aparência de máquinas-ferramenta Mondragon, Company e Vergara (2005) Interruptores em veículos do tipo máquina-
ferramenta
Schütte e Eklund (2005) Assentos de motorista de máquinas-
ferramenta para a construção civil Nakada (1997) Intangíveis Estratégias de investimento no mercado de
ações
Pham et al. (2011) Sistemas de Telecomunicação Multimídia Noh, Park e Park (2013) Serviços em hotel de luxo Hartono e Chuan (2011)
Alimentos Tipos de beneficiamento de café Nishino, Nagamachi e Tanaka (2006)
Chás engarrafados Kim et al. (2013)
Materiais Acabamento em garrafas e chapas de vidro Barnes et al. (2004) Superfícies de materiais plásticos Choi e Jun (2007)
Nas Fases 3 e 4, respectivamente “determinação do grau de importância” e “seleção das propriedades do produto”, pode ser identificada como principal fonte de erro a utilização de métodos qualitativos, ou não utilização de método/sistematização alguma, para a execução das Fases, em oposição ao uso de métodos quantitativos.
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feitas por Turato (2005, p. 511), métodos qualitativos podem ser definidos, para o propósito deste trabalho, como métodos que utilizam procedimentos ajustáveis e que requisitam do repertório do pesquisador (i.e. “pesquisador e seus sentidos”, nos termos utilizados pelo autor) e, consequentemente, dos envolvidos na aplicação, para a obtenção de um resultado. Este resultado, considerando a variedade no repertório técnico entre indivíduos, baixo controle das variáveis e procedimentos ajustáveis, é de baixa reprodutibilidade, em oposição aos resultados obtidos utilizando métodos quantitativos, nos quais são utilizadas técnicas estatísticas para o tratamento dos dados (TURATO, 2005).
O uso de métodos qualitativos, ou não utilização de método/sistematização, para a seleção das propriedades do produto pode ocasionar problemas como: (1) desbalanceamento entre propriedades consideradas importantes para consumidores e pela equipe de projetos; (2) desbalanceamento entre propriedades que se espera “avaliar” na Etapa de Síntese do Sistema de Engenharia Kansei e propriedades que devem estar presentes com a finalidade de caracterizar o produto para contextualizar a aplicação (e.g. consumidores são requisitados a “avaliar” uma dada propriedade, item/categoria, “cor/azul” em canetas, e não isoladamente, sem a localização da propriedade no “survey target” adequado); (3) dificuldade na redução das propriedades a uma quantidade exequível do ponto de vista da seleção de produtos representativos do domínio (Fase posterior), considerando que quanto maior a quantidade de propriedades selecionadas, maior a quantidade de produtos representativos do domínio e, finalmente, mais extensas e confusas as entrevistas a serem realizadas na Etapa de Síntese de um Sistema de Engenharia Kansei; e, (4) seleção de propriedades que possam interferir/influenciar negativa ou positivamente na avaliação de uma(s) propriedade(s) em especial.
Na Tabela 12 estão listados os métodos utilizados para a realização das Fases 3 e 4, quando referidos, nas aplicações de Sistemas de Engenharia Kansei, conforme revisão de literatura. Não consta na Tabela 12 o trabalho de Smith e Fu (2011) que aplica procedimento, não método específico, para a seleção das propriedades do produto. Demais trabalhos, como Jindo, Hirasago e Nagamachi (1995), Nakada (1997), Nordvik, Schütte e Broman (2009) e Erdogmus e Koç (2011), e outros descritos no Apêndice C, não aplicam ou não informam claramente qual procedimento para a realização das Fases 3 e 4.
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Tabela 12. Métodos utilizados para a determinação da importância e seleção das propriedades do produto
Métodos Referências
KJ Method (similarity matrix) Schütte e Eklund (2005); Yang e Chang (2012); Lai et al. (2006); Lin, Lai e Yeh (2007); Lai, Lin e Yeh (2005)
Principal Component Analysis Huang, Sobue e Chen (2003); Huang et al. (2003)
Frequency analysis Hartono e Chuan (2011)
Pareto diagram Hartono e Chuan (2011); Barone, Lombardo e Tarantino (2007)
Kano Model Hartono e Chuan (2011)
Semantic Maps/ Semantic differential survey (repertory grid technique)
Barnes e Lillford (2009)
Multiple Dimension Scaling (MDS)
Experts
Lai et al. (2006); Lin, Lai e Yeh (2007); Lai, Lin e Yeh (2005); Shi, Sun e Xu (2012)
Mondragon, Company e Vergara (2005); van Lottum, Pearce e Coleman (2006); Yang e Chang (2012)
Na Fase 5, “seleção/definição de produtos representativos do domínio Kansei”, podem ser identificadas duas principais fontes de erro de acordo com o tipo/natureza do produto representativo do domínio. Considera-se produtos de três tipos/naturezas: protótipos físicos e/ou virtuais (mock-ups) e produtos pré-existentes no mercado.
O primeiro problema é o balanceamento das propriedades no conjunto de produtos representativos do domínio. Isto é, a presença das propriedades, itens/categorias, nos produtos selecionados, de modo que seja possível separar o efeito de cada propriedade individualmente14.
Para o caso em que a equipe de projeto decide pela seleção de produtos pré- existentes no mercado há um agravante, a disponibilidade dos produtos no mercado. Esta limitação dificulta a seleção de uma quantidade mínima de produtos representativos do domínio, pois produtos existentes no mercado apresentam uma variedade de combinações de propriedades que regidas por “tendências de mercado”, o que acarreta redundância ou ausência de determinadas propriedades, dificultando a avaliação de propriedades específicas, raras ou inovadoras. Esta separação é mais simples quando os produtos representativos do domínio são elaborados utilizando prototipagem física ou virtual, pois é possível desenvolver protótipos com combinações de propriedades ótimas utilizando técnicas estatísticas. Uma técnica aplicada é o fractional factorial design layout, conforme sugerido pelos autores van Lottum, Pearce e Coleman (2006).
O balanceamento das propriedades no conjunto de produtos representativos do
14 van Lottum, Pearce e Coleman (2006) ilustram um problema de balanceamento da seguinte forma: “se há
somente dois sapatos com a ponta quadrada, ambos são pretos e ambos são avaliados como contemporâneos, é difícil identificar se os sapatos são contemporâneos porque possuem o mesmo tipo de ponta ou a mesma cor”.
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domínio também é importante para o funcionamento adequado dos métodos para análise estatística multivariada, como é o caso da Teoria de Quantificação Tipo I (NAGAMACHI; LOKMAN, 2011), e tem influência direta na quantidade de produtos representativos do domínio. Por exemplo, de acordo com Nakada (1997), para o correto funcionamento do método de análise estatística multivariada, o número de objetos analisados (i.e., os produtos representativos do domínio) deve ser maior que a quantidade de propriedades existente, itens/categorias. Como consequência, produtos complexos requisitam, necessariamente, um maior número de produtos representativos do domínio Kansei (HUANG; CHEN; KHOO, 2012a). No entanto, a quantidade de produtos representativos do domínio dependerá, além da quantidade de propriedades em consideração, de aspectos como natureza do produto, complexidade e quantidade de produtos que pode ser apresentada, realisticamente, na Etapa de Síntese Kansei (van LOTTUM; PEARCE; COLEMAN, 2006), já que um elevado número de produtos representativos do domínio pode resultar em questionários extremamente longos e tediosos15 para os entrevistados (SCHÜTTE, 2005; HUANG; CHEN; KHOO, 2012a).
O segundo problema é o efeito halo, citado por Barone, Lombardo e Tarantino (2007), decorrente da influência de propriedades ou fatores de contexto que atuam como ruído e direcionam a avaliação dos produtos representativos do domínio e de suas outras propriedades. De acordo com os autores, há o halo verdadeiro e o halo ilusório. O primeiro ocorre devido às limitações do respondente/consumidor em decompor um produto para avaliação. Neste caso a presença ou ausência de uma determinada propriedade afeta a avaliação feita pelo consumidor. Um exemplo seria a influência que o aspecto externo de um carro poderia ter na impressão de consumidores relativamente ao conforto da cabine interna na posição do motorista. Para minimizar o halo verdadeiro não basta a delimitação teórica do
survey target, mas o desenvolvimento de estratégias para eliminar ao máximo as fontes de
ruído no processo de avaliação, seja desenvolvendo protótipos ou alterando produtos pré- existentes.
O segundo tipo, o halo ilusório, ocorre devido à influência de fatores associados ao contexto. Um exemplo é a influência que uma dada marca por ter na avaliação de embalagens de molho para salada. Este tipo de halo pode ser de difícil controle, pois está relacionado, em parte, ao repertório e experiências de respondentes/consumidores, sendo bastante variável.
15Por exemplo, no trabalho de Han et al. (2004), consumidores foram requisitados a avaliar 50 tipos de telefones
celulares, utilizando 10 palavras Kansei, i.e. cada entrevistado realizou 500 avaliações. No trabalho de Nagamachi e Lokman (2011) é apresentado outro exemplo, no qual 20 produtos representativos são avaliados por 100 palavras Kansei, resultando em 2000 avaliações.
65 A decisão por selecionar produtos pré-existentes no mercado ou definir produtos com características “controláveis” utilizando técnicas de prototipagem física ou digital dependerá de aspectos como: (1) do propósitodo(s) pesquisador(es), e.g., a equipe de projeto pode ter por objetivo avaliar/identificar propriedades mais relevantes para consumidores a partir de produtos pré-existentes (obter feedback do mercado consumidor), ou testar a variação de cores em um produto específico já desenvolvido pela empresa ou, ainda, requisitar avaliação de produtos conceituais e suas respectivas propriedades; (2) das condições de pesquisa, e.g., os produtos a serem avaliados na Etapa de Síntese Kansei podem apresentar proporções/dimensões que inviabilizam a apresentação dos produtos reais para um dado conjunto de potenciais consumidores/avaliadores; (3) do tipo de produto que se pretende desenvolver, e.g., produtos mais inovadores, com propriedades inexistentes no mercado, podem requisitar prototipagem física ou virtual, diferindo de produtos em que se pretende realizar somente inovações incrementais; e, (4) do survey target que se pretende avaliar, e.g., produtos mais complexos podem necessitar de prototipagem para delimitar o survey target a ser avaliado por consumidores, e evitar a influência positiva ou negativa de outros aspectos do produto.
De acordo com Barone, Lombardo e Tarantino (2007) os protótipos virtuais e produtos pré-existentes seriam mais adequados às fases iniciais do processo de desenvolvimento de produtos que protótipos físicos, considerando que os primeiros consumiriam menor tempo e recursos para a confecção. Isto é, o processo de definição do campo das propriedades torna-se mais dispendioso quando opta-se pelo desenvolvimento de protótipos. Em suma, protótipos físicos são utilizados para o caso em que não há disponibilidade de produtos no mercado que contenham as propriedades que se espera avaliar, i.e., produtos com propriedades inovadoras. Facilitam o balanceamento de propriedades, a minimização do efeito halo, e a definição do conjunto mínimo de produtos representativos do domínio Kansei, pois pode-se aplicar técnicas estatísticas para este propósito. São