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1.3. İş Doyumuna Etki Eden Faktörler

1.3.2. Çevresel Örgütsel Etkenler (Hijyenik Etkenler)

Os trabalhos de Ismael Roldán Castro e de Maria Rosa Menzio figuram o cenário internacional de experiências que se encontram no âmbito da Educação Matemática e Teatro.

O trabalho de Ismael Roldán Castro

O professor Ismael é licenciado em Ciências Físicas, em Arte Dramática e é Doutor em Ciências da Informação pela Universidade de Sevilla, Espanha, onde atualmente é professor associado do departamento de Comunicação.

Em 2002, Ismael publicou o livro Teatromático no qual conta sua história pessoal enquanto professor e ator, e também apresenta alguns textos dramáticos que envolvem conteúdos matemáticos. Como propósito ao escrever o livro, o professor Ismael descreve em Castro (2002, p. 14 e 15, tradução nossa)

Meu propósito fundamental é que muitos daqueles que sofreram um calvário matemático na escola por serem submetidos a provas de sobrevivência e filtragem elitista, definitivamente se sintam deformados matematicamente, vão para a cama com este livro e ali, morrendo de rir, conciliem placidamente o sonho com a matemática como nunca antes tivessem imaginado. Ao mesmo tempo, espero proporcionar elementos lúdicos para uma didática e divulgação da matemática alternativa, concebida como um autêntico espetáculo teatral que divirta e ensine, possível de se utilizar em contextos variados como a sala de aula, uma semana cultural ou um programa de televisão.

Assim, vê-se que o autor procurou um canal comunicativo para ensinar Matemática com o intuito de torná-la mais sensível e acessível àqueles que se encontram em processo de aprendizagem, que é um dos objetivos da Educação Matemática, segundo Rico & Sierra (2000), a saber, investigar os problemas e buscar soluções didáticas.

Ismael e um amigo acadêmico encenaram diversos esquetes com temas matemáticos e foram premiados num Concurso Europeu: Science on Stage, pela proposta de divulgar a ciência com humor. Apresentaram-se em outros países e deram entrevistas a diversos canais de televisão da Espanha, o que fez com que o trabalho ficasse bastante conhecido.

Por diversas vezes, as apresentações foram feitas a alunos adolescentes e a reação dos espectadores foi muito positiva, pois não esperavam aprender matemática com tanto humor e divertimento.

Em seu livro, Ismael apresenta a expressão “personagens-conceito”. Essa expressão surge da criação de esquetes em que o ator interpreta um conceito matemático, como se esse fosse um personagem, imbuído de características e personalidades próprias que auxiliam a compreender o conceito em si. Assim, Castro (2002, p. 16 e 17) afirma que

Como um ator que interpreta qualquer personagem que se proponha, também pode fazer o mesmo com personagens-conceito e não me refiro a personagens humanos da história da matemática, mas

propriamente a personagens – conceito. Um professor de matemática

(esse ator diário que produz um roteiro que elegeu para representar ao longo de sua vida) está capacitado para se identificar com a essência dos conceitos matemáticos.

Segue um trecho de um dos esquetes presentes no livro de Ismael, “La liberación de la potencia” que ilustra a definição criada pelo autor, personagem- conceito, onde Castro (2002, p. 60 e 61- tradução nossa) expõe

Base: (falando para si) Vamos que estou farta de aguentar sempre a este pesado expoente!

Expoente: (chateado com a raiva no comentário de sua base). Veja, me parece que te excedes um pouco. Realmente, constituo o fiel reflexo de sua vaidade patológica. Também algo que nos chamaram potência.

Base: E o pior desse caso é que ainda tenho que aguentar as insolências de um vaidoso!

Expoente: Vamos ver: meu valor como expoente não representa a sua essência? Acaso eu simbolizo a perpetuação de sua espécie?

Base: Isso eu não nego. Simplesmente se trata de que algum dia eu gostaria de descansar de você um pouco. Você é muito pesado, expoente!

Expoente: Entendi que por esses lugares matemáticos habitam uns seres chamados logaritmos que melhor nos podem ajudar.

Base: Pois agarre forte, que vou buscá-los na velocidade de um raio. [...]

Como se vê, o texto apresenta-se com muito humor, reforçando o que propõe o autor: divertir aquele que lê ou assiste. E, a partir da ideia de personagem-conceito, é possível desenvolver diversos elementos matemáticos de carga bastante abstrata, auxiliando a aprendizagem dos alunos.

O autor propõe que os textos de seu livro sejam usados em escolas e sejam apresentados, por exemplo, em semanas culturais e que o professor possa atuar junto com seus alunos, argumentando também que não se pode esperar que toda a prática docente seja realizada a partir dos recursos teatrais, que esses devem ser um complemento.

Iniciativas como a do professor Ismael parecem colaborar com a ideia de educação para o desenvolvimento da sensibilidade estética, proposta por Read (2001), pois, segundo o autor, desenvolvendo-se modos de expressão sob todos os aspectos, desenvolve-se a sensibilidade e a possibilidade da compreensão de saberes.

O trabalho de Maria Rosa Menzio

A professora e atriz italiana Maria Rosa Menzio sempre gostou muito de escrever, então decidiu escrever textos que ligassem teatro e matemática. Seu primeiro texto teatral sobre matemática referia-se a Saccheri, matemático que pensou em geometria não-euclidiana, pioneiramente. Para realizar seus trabalhos, a autora escolhe um matemático ou cientista conhecido por suas obras e, então, estuda a vida desses cientistas, que são cheias de lacunas. Então ela preenche, com sua imaginação, tais lacunas e produz textos sobre as vidas desses cientistas. (Menzio, 2004).

Alguns textos teatrais de Menzio estão publicados na internet e é possível baixá- los gratuitamente. De fato, o foco da autora está na história de vida dos cientistas e de suas descobertas, enquanto a apresentação de conteúdos matemáticos não parece ser, de fato, o cerne de seu trabalho. Pensando no viés moral que Read (1986) dá à educação, as peças de Menzio, para aqueles que a contemplam, promovem o

desenvolvimento das faculdades relativas ao sentimento e à moral e educam pela experiência. (Read, 2001).

No site http://www.teatroescienza.it/chi_sono.htm, é possível notar que, em geral, as apresentações das peças foram realizadas em comitês científicos, não ocorrendo em espaços escolares para crianças e adolescentes. A abordagem de seus textos para esse público nos daria outro olhar sobre seu trabalho, pensando em seu caráter formativo.

Menzio (2005) apresenta reflexões sobre teatro e ciência em textos publicados na página da Universidade de Torino – Polymath. Nesse portal, a ideia é contribuir para práticas de ensino de Matemática e divulgação da ciência, por meio do exemplo de vida de famosos cientistas e matemáticos. Para a professora, o teatro é um instrumento fundamental para o ensino e divulgação do conhecimento científico (Menzio, 2004)

Em um de seus textos para o portal Polymath, Menzio (2005) comenta sobre Bertold Brecht que escreveu “Leben des Galilei”, traduzida como “Vida de Galileu”, por volta de 1938. Nesse texto, o autor procura discutir as relações de um cientista com a sociedade e as implicações do uso da ciência, humanizando a figura do cientista, assim como Menzio procura fazer com seus textos.

Outro texto que Menzio (2005) apresenta é o do filósofo matemático Imre Lakatos, intitulado “Provas e refutações”. Segundo Andrade (2008), nesse texto

Em vez de apresentar símbolos e regras de combinação, ele apresenta seres humanos, um professor e seus alunos. Em vez de apresentar um sistema construído a partir de seus primeiros princípios, apresenta um choque de opiniões, raciocínios e contra-raciocínios. Ele apresenta a Matemática crescendo a partir de um problema e uma conjectura, com uma teoria adquirindo forma sob nossos olhos, no calor do debate e da discordância, a dúvida cedendo lugar à certeza e, em seguida, a novas dúvidas. Enfim, Lakatos estuda a Matemática, que, segundo sua concepção, é uma ciência que cresce por um processo de críticas sucessivas, de refinamentos de teorias e do processo de teorias conflitantes.

A proposta de Lakatos caminha na direção de ensinar e discutir sobre a forma de se ensinar o conteúdo matemático pelo processo no qual o filósofo acredita: críticas

sucessivas. A peça de teatro, em si, apresenta-se como um acessório para demonstrar essa prática. Esse texto, que foi publicado em 1963, já traz a ideia de utilizar a linguagem teatral para discutir aspectos educacionais e com o propósito de ensinar conteúdos pela experiência artística, o que nos remete a Dewey (Carneiro, 2013).

Os professores Ismael Roldán Castro e Maria Rosa Menzio podem ser considerados importantes personalidades no que diz respeito à Teatro e divulgação de Ciência, em especial, Matemática. Os textos dramáticos desses autores são fontes para trabalhos que podem ser realizados no contexto escolar, sob a perspectiva de que a arte educa e sensibiliza. A vivência, ou a experiência, teatral sendo tratada em conjunto com a ciência faz com que a última seja vista de maneira mais sensível, distante dos educandos.