2.3. Çevre nedir?
2.3.14. Çevre Bilinci Kazandırmak İçin Sosyal Bilgiler Dersinde Kullanılabilecek Araç-
Destaca-se que os indivíduos engajados nas questões políticas são os intitulados de “exponenciais”, por Witt (2008), ou seja, os comerciantes que possuíam a hegemonia econômica local. No caso específico de Santa Cruz de Sul, esses “exponenciais” eram predominantemente luteranos101:
100 “Durante 11 anos do Império (1878 a 1889), Santa Cruz do Sul foi administrada por Conselhos
(Câmara) que exerciam as funções legislativas e executivas. O Presidente respondia pelo governo e os demais vereadores, em número de seis, eram inspetores de cada um dos seis distritos. Os escritos disponíveis sobre os Conselhos, no período Imperial, não fazem menção à filiação partidária dos eleitos, embora tenham existido, neste período, dois partidos, o Conservador e o Liberal” (WARKEN, 2002, p. 05).
101 “No que diz respeito as profissões exercidas pelos colonos de Santa Cruz do Sul destacasse que:
“86,9% dos católicos, 92,8% dos protestantes e 93,3% da religião mista são agricultores. Dos que atuam como comerciantes, dos 10 profissionais registrados nas 13 linhas, eram todos protestantes (entre os protestantes perfaziam um percentual de 2,3%), não sendo constatado comerciantes católicos
Um dado interessante é a respeito da profissão de comerciante, onde todos são protestantes. Se existia um agricultor católico que exercia concomitantemente a atividade de comerciante, este, na hora do levantamento, não se considerou comerciante. Tal fato pode indicar a pouca importância que era atribuída ao comércio pelo católico, considerando-se predominantemente agricultor.
Com relação ao número de filhos dos casais, é observada uma tendência das famílias católicas terem um maior número de filhos, comparadas às famílias protestantes. Tal situação pode ser explicada em grande parte pelas posturas conservadoras da Igreja Católica em relação ao controle da natalidade, bastante diversa das posturas da igreja luterana que recomenda controle da prole. (KRAUSE, 2002, p. 163-164).
Com essa predominância política e econômica, não é de estranhar a aproximação desses teutos em relação ao PL. Afinal de contas, como já foi referido, a atuação política dos acatólicos foi bastante restrita. A luta pelo PL e de dois políticos engajados a esse partido, de Karl von Koseritz – considerado o porta voz dos teutos, notadamente dos acatólicos – e do tribuno Gaspar Silveira Martins, que defendeu a aprovação da lei Saraiva (1881), possibilitaram a plena participação política dos acatólicos; fizeram com que grande parcela desse grupo étnico aderisse ao PL.102
Mesmo com a predominância do PL em Santa Cruz do Sul, coube a uma então terceira via partidária103 o estabelecimento na referida vila, o PRR:
Também sabemos da existência do clube republicano em Santa Cruz do Sul em 1884 (ano de fundação), apesar de serem apenas 7 sócios fundadores (João Leite Pereira da Cunha, Adão Jost, Vasco de Azevedo e Sousa, Frederico Pedro Lobo D’Ôvila, Carlos Dreher, Ignácio Francisco Hübner, e outro nome que não conseguimos determinar. (KRAUSE, 2002, p. 109).
ou de religião mista. Outras profissões (ferreiro, pedreiro, funileiro, sapateiro, marceneiro, moleiro, professor, costureira, saleiro, carroceiro, alfaiate, agrimensor) perfaziam 3,6% dos católicos, 3,3% dos protestantes e 6,6% da religião mista” (KRAUSE, 2002, p. 162).
102 Vale destacar também a influência da maçonaria nessa adesão ao PL, pois “Observou-se que
durante este período imperial houve um arranjo de certos setores do PL com as lideranças políticas santa-cruzenses (que na sua grande maioria eram comerciantes e ‘industriais’). Curiosa é a identidade desta elite econômica e política local com a Maçonaria – Koseritz e Gaspar Silveira Martins eram maçons e anticlericais, apesar de nem sempre terem relações harmônicas entre si” (KRAUSE, 2002, p. 178).
Salienta-se, ainda, que os republicanos também se fizeram presentes nas lojas maçônicas. Principalmente após o ano de 1889, pois “com a República Velha e o PRR local, muitos líderes do PRR santa-cruzense, comerciantes e industrialistas participaram da maçonaria. Figuras em destaque como o ‘industrialista’ Wilhelm Schreiner, o político, comerciante e ‘industrialista’ Rodolfo Eifler, Jorge H. Eichenberg (político de destaque local na transição da Monarquia à República), Gaspar Bartholamy (foi intendente de Santa Cruz do Sul, do PRR), sobre o fundador da ‘indústria’ de artefatos de borracha, Jorge Hoezel, entre outros – também luteranos”. (KRAUSE, 2002, p. 179).
103 Considera-se a primeira via partidária o partido que estava no poder, o PL; a segunda via partidária,
a oposição histórica de mais de meio século na política imperial, o PC; e a terceira via seria o PRR, partido que não se identificava na defesa da monarquia, sendo propagador do regime republicano, fundado no Rio Grande do Sul no ano de 1882, e dois anos mais tarde, em Santa Cruz do Sul.
Tal grupo só teve vez no poder com o advento do regime republicano, no ano de 1889. Mas essa ascensão ao poder não significava a submissão dos partidários do PL. Inclusive, eram hostis com o grupo mandatário do poder no estado. A prova disso está no primeiro documento encaminhado pela Câmara Municipal de Santa Cruz do Sul após a Proclamação da República:
A Câmara Municipal de São João de Santa Cruz, em 02 de dezembro de 1889, solicita que seja cancelada a deposição e extradição de Gaspar Silveira Martins e que o Governo Provisório do País recoloque Gaspar Silveira Martins no Governo do Rio Grande do Sul.
Joaquim José de Brito Presidente da Câmara104 O teor da correspondência exemplifica bem dois aspectos santa-cruzenses: primeiro, a força dos políticos ligados ao PL e a Gaspar Silveira Martins naquela vila; e, segundo, que a resistência política desse grupo ao PRR era forte.105 Isso era um inconveniente para o novo governo republicano, que “não permitia lideranças locais que não fossem de seu agrado, em especial quando estas apresentavam uma representação política que não buscava uma relação de subalternidade e mantinha uma residência para aderir ao PRR” (KRAUSE, 2002, p. 112).
Tal ordem representava uma característica diferenciada do Rio Grande do Sul durante a Primeira República, quando a figura do Coronel que detinha o poder estava mais vinculada a sua fidelidade ao líder do partido do que, necessariamente, o fato de possuir o maior poder econômico local.106
Dessa forma, a maneira mais tangível de se atingir o poder era a cooptação:
104 Informações obtidas no Correspondência localizada no AHRS: Lata: 151; A.MU – 206; Maço 206. 105 “Podemos constatar que a Proclamação da República em Santa Cruz do Sul e os indícios do período
republicano no município não foram recebidos pelas lideranças locais com total indiferença. A reação ao ‘mandonismo’ de Castilhos e a resistência de alguns ‘chefes’ locais vêm nos demonstrar este fato” (KRAUSE, 2002, p. 119).
106“Enquanto que nos outros estados a dominação política local e regional era exercida, quase sem
exceção, pelos maiores latifundiários, permitindo que se parta do pressuposto de que posição socioeconômica e posição política se sobrepunham, havia no Rio Grande do Sul freqüentes exceções a esta regra, de modo que se pode falar de um tipo especial de coronelismo. Se o ‘chefe natural’ de um município não agradava ao presidente do estado, este enviava um funcionário ao lugar, a fim de tomar conta da política local. Esta liderança não decorria então da posição social dentro da sociedade local ou regional, mas do respaldo que o governo estadual lhe dava” (GERTZ, 1987, p. 44, apud KRAUSE, 2002, p. 112-113).
Entendemos que o PRR adotou, nos primeiros anos da república em Santa Cruz do Sul, uma política de ‘cooptar’ ou formar algumas lideranças naturais da localidade, isto quando não conseguia indicar um ‘funcionário’ ao lugar. Neste sentido, o Partido do Centro Católico cumpriu um papel importante, na medida em que possibilitou em alguns momentos uma aglutinação de forças locais para não permitir o fortalecimento maior dos federalistas (pois o partido do Centro Católico tinha seus quadros políticos naturais de Santa Cruz do Sul). (KRAUSE, 2002, p. 119).
Buscando efetivar o predomínio político local, o PRR passou a intervir fortemente na estrutura administrativa santa-cruzense. E segundo estudo dos atos do governo do estado, o ano de 1891 apresentou uma forte intervenção estadual na sob o ponto de vista militar em Santa Cruz do Sul. Tal fato, assim como em São Lourenço do Sul, está associado ao contexto pré-eleitoral de maio do referido ano. Assim, pelo Ato nº. 213, de 31 de março de 1891107, o governo estadual nomeou oficiais para a Guarda Nacional da “Comarca de São João de Santa Cruz”:
O vice-governador do Estado, autorizado por avisos do Ministério da Justiça de 6 de fevereiro, 24 e 27 de março do ano findo, resolve nomear o tenente Francisco Ferreira de Britto para o posto de Capitão secretário geral do comando superior de guarda nacional da Comarca de São João de Santa Cruz, e para o tenente coronel comandante, do 114 corpo de cavalaria da referida comarca o cidadão Adão Jost.
E o Ato nº. 214, de 31 de março de 1891108, que visava a organizar o 114º corpo de cavalaria da Guarda Nacional da comarca de “São João de Santa Cruz”:
O vice-governador do Estado, tendo em atenção o decreto n. 279, de 24 de março do ano findo, resolve organizar o 114º corpo de cavalaria da Guarda Nacional da comarca de São João de Santa Cruz, criando por ato desta data, pela forma seguinte:
Capitão-cidadãos: Ernesto Zietlovo; João Luiz de Moraes; José Werlang; Oscar Gressler; Frederico Strohschön; Humberto Roberto Carlos Puhlmann; Pedro Billig; Jorge Jochims.
Tenente-cidadãos: Carlos Arend; João Cristiano Zinn; Fernando Krielovo; José Ferrera Chaxim; José Bender; Antônio Augusto Ferreira de Brito; Luiz Gittinger; Ricardo Graovander.
Alferes-cidadãos: Eduardo Frantz; João Baptista da Silva Branco; Carlos Becker; Francisco Genz; Carlos Meinhardt; Pedro Heinrich Filho; Eduardo Gressler; Jorge Fockim.
107 Coletânea das Leis e Resoluções da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. ALRS: Biblioteca
do Solar dos Câmaras.
Esses dois atos foram assinados pelo então vice-governador Fernando Abbott. Pode-se constatar que, dessa forma, o PRR começou a impor na estrutura administrativa local políticos vinculados ao PRR. Chama atenção a grande presença de teutos que estavam ligados ao partido republicano e o engajamento dos mesmos na guarda nacional, fato esse que também destoa de São Lourenço do Sul, onde a participação teuta na guarda nacional era irrelevante.
Mas, apesar da aludida diferença de Santa Cruz do Sul em relação a São Lourenço do Sul, alguma coisa esses municípios tiveram em comum nesse ano: a oposição consubstanciada na eleição de 5 de maio de 1891 na União Nacional e na União Republicana derrotou o PRR nas urnas. Após a derrota, na referida eleição, o PRR estabeleceu uma nova estruturação na guarda nacional através do Ato nº 586 de 14 de junho 1891109, que organizando o 28º Corpo de Cavalaria de Guardas Nacionais de São João de Santa Cruz, muito visando desse fortalecer militarmente sua base política local.
Apesar da derrota em alguns municípios nas eleições constitucionalistas de 1891, o PRR saiu vencedor. Contudo, no ano de 1891 o PRR sofreu um golpe que o derrubou do poder e trouxe muitas complicações na ordem política estadual, esse golpe ficou conhecido como governicho.