2. DÜNYADA VE TÜRKİYE’DE ÇAY ÜRETİMİ
2.2. TÜRKİYE’DE ÇAY ÜRETİMİ VE TÜKETİMİNİN TEMEL
2.2.2. ÇAYKUR Çay İşletmeleri
Novamente é importante observar o papel contraditório das legislações urbanísticas. A sua presença não é a garantia do cumprimento da função social da cidade. Por outro lado, a sua ausência remete a possibilidade de uma ampla ação por parte daqueles que procuram se aproveitar do monopólio do solo urbano se antecipando aos possíveis entraves a serem criados pelas legislações.
O processo de ocupação do Recreio São Jorge e do Novo Recreio revela essa situação. É a partir dessa articulação que se observa que o surgimento de outras periferias na metrópole traz consigo a negação dessas mesmas periferias. Diante de uma situação já constituída, em que milhares de pessoas se vêem instaladas num lugar desprovido quase que totalmente de equipamentos urbanos, o poder público é colocado numa situação contraditória: por um lado, e até por uma questão política, ele se vê na necessidade de tentar dotar esses lugares de equipamentos urbanos; por outro lado, ao proceder dessa forma, ele concorre no sentido de intensificar o processo de valorização do espaço. Essa situação fica evidenciada no caso de governos de caráter progressista.
No caso de governos conservadores, o que se observa é a atuação do poder público caminhando na direção de contemplar interesses privados.
A negação da periferia é aqui entendida como o processo de transformações que, numa projeção futura, possibilitaria uma situação de nova pressão sobre os moradores de áreas então consideradas periféricas. Essa pressão é o resultado da ampliação do processo de especulação imobiliária, que se põe enquanto tendência no sentido de promover outras reconfigurações espaciais nos lugares então tidos como periféricos. É necessário destacar que, no contexto da metrópole, a atual conjuntura que apresenta o capital especulativo, cada vez mais vinculado à produção imobiliária, leva a uma tendência de aceleração do processo de surgimento de outras periferias.
É também necessário destacar que, nas mais variadas etapas de transformações no território da metrópole, a propriedade privada tem de ser realizada enquanto tal. Acompanhando a lógica das rápidas transformações na metrópole, a propriedade privada pode, inclusive, se realizar a margem da lei. O histórico de formação de loteamentos clandestinos e irregulares não é recente. No entanto, a aquisição de lotes em áreas tidas como irregulares ou clandestinas é uma constante no território da metrópole. Os compradores destes lotes, também seguem a lógica da realização da propriedade privada. No entanto, neste primeiro momento, a propriedade privada passa a sê-lo enquanto potência, já que juridicamente ela é irregular e, portanto, nesse sentido ainda não existe enquanto tal.
Devido à impossibilidade de alcançar a propriedade fundiária através das regras e condições impostas pelo mercado imobiliário, os compradores de lotes de áreas irregulares e clandestinas apostam na resolução futura da situação fundiária de sua não- propriedade. Esse quadro mantém-se enquanto um importante componente na reposição da periferia. A condição de transe também se revela em função da expectativa criada quanto às ações do poder público. No entanto, o poder público encontra-se numa situação ambígua em relação à realização da propriedade. Alguns aspectos dessa situação serão expostos abaixo.
A situação fundiária irregular possibilita uma nova etapa da realização da propriedade, esta feita através da reintegração de posse.
Os depoimentos colhidos nas entrevistas revelam o caso de uma situação- problema criada a partir de interesses específicos (privados) que deverá ser herdada e tentará ser solucionada pelo poder público. Para melhor entender essa questão, nos
remetemos ao depoimento de Irmã Sonia a respeito do processo de ocupação do Recreio São Jorge e do Novo Recreio:
O Recreio também, essa parte do Cabuçu ele demora mais pra se desenvolver. Você mesmo pode perceber o que nós temos em matéria de comércio, em matéria das próprias casas. A gente não vê muito desenvolvimento no Cabuçu, agora no Recreio ele já é assim o desenvolvimento maior, monstruoso pode-se até dizer. Porque se você passa na avenida que liga né, que pega da Vila Galvão até o Centro de Guarulhos por aqui via Taboão, Cabuçu ele fica meio que escondido porque o Cabuçu cresceu. Mas o Cabuçu cresceu dentro do vale através das montanhas, agora o Recreio não. O Recreio já expandiu. Antigamente só existia o Recreio São Jorge; agora tem o Novo Recreio. O Novo Recreio se deu através eu não sei se você já ouviu falar da imobiliária Continental. Então, o Novo Recreio ele se deu através se eu não me lembro o ano agora mas teve uma época das eleições em que Walter Luongo se candidatou.
Por outro lado, a ocupação mais recente no Recreio São Jorge e Novo Recreio revelam também a mobilidade populacional intrametropolitana. Essa mobilidade apresenta a trama de lugares, no sentido de que o morar (reduzido, na maioria dos casos, à condição de habitat, para Lefebvre), para a população de baixa renda, muitas vezes significará uma situação de confinamento. Dessa forma, o sentido do urbano se esvai, já que para essa população o acesso aos equipamentos urbanos torna-se cada vez mais dificultado pela necessidade de morar nessa situação de confinamento. Ao se remeter ao caso da metrópole enquanto um espaço que se reproduz, agora mais intensamente, tendo no seu solo o alvo do capital especulativo, constata-se que o morar para a população de baixa renda que aí vive, é um exercício cada vez mais complexo. Essa condição leva a população de baixa renda a se mover ao longo do território da metrópole, numa busca incessante pela tentativa de solução do problema da moradia. É esse movimento que apresenta reflexos sobre a formação de outras periferias, agora devendo ser tratadas enquanto um fenômeno da metrópole. Essa análise parece encontrar respaldo nesse outro trecho do depoimento da entrevistada (Irmã Sonia):
Então ali falta de tudo, tudo, tudo, tudo. Porque essas primeiras pessoas foram pegas de um lugar e jogadas no outro sem preparação nenhuma (...)
(...) Algumas (pessoas) vêm de Guarulhos, mas a grande maioria
também vem de São Paulo, praticamente se eu não me engano, esse pessoal que tá aqui veio de São Paulo de um lugar chamado Buraco Quente, existe um lugar que chama Buraco Quente.
Outro aspecto surgido das falas relaciona-se às formas de ocupação do Cabuçu. Nesse sentido, aparecem tanto referências ao termo invasão, quanto relatos que se referem à compra de lotes. Com relação ao primeiro caso, foi feita a consulta a um laudo técnico da Prefeitura de Guarulhos (nº 017/95), que aponta "invasão organizada" no Recreio São Jorge. Por outro lado, alguns depoimentos apontam a ocupação a partir do processo de compra e venda de lotes.
Foto 8 - Caminhão especial de coleta de lixo no Novo Recreio. Autora: Sandra Emi Sato