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Çalışma Yaşamında Cinsiyete Dayalı Ayrımcılık Alanları

2. POZİTİF AYRIMCILIK

2.3 Çalışma Yaşamında Cinsiyete Dayalı Ayrımcılık Alanları

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define qualidade de vida (QV) como “a percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive, em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”34. Para a OMS, qualidade vida relacionada à saúde é um

conceito abrangente, que pode ter significado variável para diferentes populações e culturas34.

A conceituação de QV inclui dois componentes principais: a subjetividade e a multidimensionalidade. A subjetividade refere-se ao entendimento de QV na perspectiva do paciente. Enquanto a multidimensionalidade faz referência à medida das diferentes dimensões da vida do paciente, incluindo bem-estar físico, habilidade funcional, bem-estar emocional e social35.

Na área da saúde, a relação entre saúde e QV, embora de forma bastante inespecífica e generalizante, existe desde o nascimento da medicina social nos séculos XVIII e XIX quando investigações começaram a referendá-la e fornecer subsídios para políticas públicas e movimentos sociais36. O estado de saúde passou

a ser relacionado cada vez mais à QV, a ponto de se procurar a “qualidade de vida relacionada à saúde”37.

O tema tem despertado o interesse de pesquisadores que estudam as repercussões das doenças crônicas, efeitos de medicamentos, dentre outros, na QV38,39. No âmbito da clínica o interesse está relacionado à ocorrência ou tratamento

de doenças que podem influenciar a percepção do conceito.

Uma análise do número de publicações sobre QV, cujo levantamento foi realizado pela autora desse trabalho, evidencia o crescente interesse pela área: em 1985, a busca utilizando o termo qualidade de vida na base de dados Medline registrava somente 197 artigos, em 2005 era 11.248, e em 2015 já chegou a 15.737.

Ao longo das últimas décadas, a avaliação de QV tem influenciado as políticas e práticas da área de saúde, haja vista que os determinantes e condicionantes do processo saúde e doença são multifatoriais e complexos.

Assim, saúde e doença configuram processos compreendidos como um

continuum, relacionados aos aspectos econômicos, socioculturais, experiências

saúde contribui para monitorar o processo de tratamento, comparar diferentes estágios da doença e facilitar a tomada de decisão clínica, bem como os cuidados em saúde40.

O impacto da doença na QV dos pacientes está sendo, cada vez mais enfatizado em ensaios clínicos terapêuticos como um desfecho relevante41.

No paciente clínico, as dermatoses podem afetar a autoimagem e têm grande potencial para desencadear processos que afetam a autoestima, contribuindo para provocar sentimentos que podem se manifestar por ansiedade, tristeza ou até mesmo quadros depressivos42.

A literatura tem mostrado que, apesar de assintomático e sem repercussão quanto à saúde física e contágio, o melasma tem um impacto negativo significativo na QV de seu portador43,44.

Estudos evidenciam que dermatoses de baixa morbidade provocam impacto semelhante a doenças como asma e epilepsia, corroborando a premissa que doenças de pele prejudicam a autoimagem e têm potencial para conduzir à depressão e à ansiedade, tanto quanto as doenças sistêmicas graves45. Apesar de

não serem ameaçadoras à vida e nem fisicamente debilitantes, podem afetar gravemente funções psicológicas, laborais e sociais dos indivíduos46.

Em estudo realizado com 109 puérperas portadoras de melasma, constatou- se que a aparência da pele, frustração e constrangimento foram os itens que receberam uma maior pontuação, indicando o grau de incômodo causado pela dermatose43.

Sabe-se que a intensidade do prejuízo na QV é proporcional ao tempo que a pessoa acometida convive com o melasma47.

Estudo realizado com homens portadores de melasma mostrou que os mesmos também são acometidos em virtude de causar situações constrangedoras decorrentes da aparência desagradável, além do estigma social, atrelado ao fato de ser uma doença que acomete mulheres grávidas48. Outro estudo com esta mesma

base populacional evidenciou que, ao contrário das mulheres, os homens não utilizam maquiagem para camuflar a mancha, o que provocou piora significativa na QV, em comparação aos homens sem desordens pigmentares49.

Na prática clínica, quando se considera o impacto das manchas sobre a pele, imediatamente valoriza-se toda a dimensão emocional do problema, circunstâncias estas que não tem como ser desconsideradas. Porém, devem traduzir o real significado que abarca o conjunto de comportamentos e atitudes frente às manchas50.

Na dermatologia, é essencial que os profissionais de saúde avaliem a QV das pessoas acometidas por doenças pigmentares, pois a resposta e a adesão ao tratamento dependem de boa relação profissional51. Pesquisadores na área de

enfermagem têm se dedicado a estudar esta questão considerando que muitas queixas e problemas podem ser resolvidos ou atenuados quando as pessoas se sentem ouvidas, compreendidas e respeitadas pelos profissionais51,52.

A literatura tem mostrado a importância da escuta ativa e ressalta que não é uma tarefa fácil, pois é necessário ter disponibilidade para esta ação, que por sua vez, faz refletir sobre a forma de pensar e de descartar ideias pré-definidas sobre um problema52.

Assim, destaca-se a necessidade da equipe de saúde em ampliar seu campo de visão e dar sentido às questões do outro como uma pessoa única, com suas

próprias necessidades e expectativas. Vale ressaltar que esse modo de se relacionar requer disposição interna, interesse e respeito pelo outro52.

Neste contexto, a Efermagem pode trazer importante contribuição com sua atuação na atenção integral à saúde, incluindo ações de promoção, prevenção e educação em saúde, além do encaminhamento adequado dos problemas, dentre eles, as manchas de pele53.

1.3 Questionários de avaliação da qualidade de vida relacionada à