4.1 Öğretmen Anketi
4.1.2 Çalışanlardaki iş güvenliği bilinci
Durante a pesquisa de campo, outro ponto abordado sobre o processo de formulação e implementação das políticas foi a questão dos investimentos previstos nos projetos e programas e como eles estão distribuídos entre os atores envolvidos. De modo geral, a maior concentração de investimentos é destinada ao MTE e às ações de fiscalização, embora também seja reservado um volume significativo para o poder Judiciário, além
154 de uma dedicação à SEDH. Todavia, a destinação que cabe ao MTE também envovle custos com a Polícia Federal, que não possui verbas próprias para estas ações, e com o seguro-desemprego dos trabalhadores, conforme explicita uma das entrevistadas:
Esse programa de erradicação do trabalho escravo, ele é dividido de uma forma assim, meio estranha e altamente teórica. Tem uma parte que ficou para o Judiciário propriamente, pra criação das varas itinerantes. Então assim, esse volume é significativo. Essas varas vêm sendo criadas ao longo do tempo, mas não necessariamente elas têm algum tipo de impacto assim, no trabalho mais rotineiro. Eu me lembro da gente apelar pra vara itinerante, assim, de cabeça, acho que, no máximo, umas duas ou talvez três vezes (...). E uma outra parte, que fica só na Secretaria de Direitos Humanos, para atendimento de pequenos projetos, que eles chamam de Balcão de Direitos. A própria CPT eu acho que implementou alguns balcões com esse recurso da Secretaria de Direitos Humanos. Então, um pedaço desse dinheiro também vai pra Secretaria de Direitos Humanos. (...) A parte que é do Ministério do Trabalho propriamente, tem uma parte que é de atendimento do seguro-desemprego, seguro-desemprego especial, tem a parte que é de custeio da fiscalização propriamente. E esse que é pra custeio da fiscalização inclui a parte da Polícia Federal, que desde 1995 somos nós que pagamos diárias e passagens. Então, a Polícia Federal nunca criou uma rubrica própria pra esse fim, a gente continua pagando pra eles. E tem uma rubrica, até não é de valor muito significativo, mas é de atendimento emergencial às vítimas. Porque, na verdade, o atendimento, em matéria de hospedagem, alimentação e tudo, enquanto se espera o assento provisório, é de obrigação do empregador, mas em algumas circunstâncias especiais, o empregador sumiu, o pessoal vai ficar ali com os trabalhadores esperando, então a gente tem uma rubrica que nos permite pagar hospedagem e alimentação por um determinado período até que se faça o acerto, que foi o acerto que eu te falei, que a gente passou inicialmente. Então, é basicamente isso. E quando, em cada ano, a gente verifica que a gente não vai conseguir executar, por exemplo, 100% dos recursos destinados à manutenção da fiscalização, geralmente, a gente consegue negociar uma troca de rubrica pra aproveitar eventual sobra pra comprar veículo e equipamento (Estado).
Esta concentração de recursos no MTE é vista como importante para que se consiga realizar as ações de repressão, contudo, alguns atores atentam para o desequilíbrio entre as verbas para fiscalização e os investimentos nas áreas sociais que poderiam gerar maior impacto na prevenção ao fenômeno, o que de certa maneira evidencia as quais são as prioridades das políticas de combate ao trabalho escravo:
Acaba que o grupo móvel e o trabalho de fiscalização concentra muito isso. Porque praticamente são sinônimos de ação e combate ao trabalho escravo (...). Não deveria ser, mas acabou virando. E o orçamento com relação à fiscalização reflete muito as ações; nos últimos três anos, (...) principalmente em 2008, 2009, o orçamento foi relativamente bom; pra você conseguir fazer todas essas coisas, precisa de dinheiro e tal. E vamos dizer assim, que a evolução disso, ela acompanha muito as fiscalizações. Mas acho que se fosse destacar, não seria um ponto pra falar
assim: “Ah, aqui está o problema, entendeu, aqui é o gargalo”. Acho que é o
gargalo porque deveria ter mais ações de políticas sociais, mais efetivas, (...) mais dinheiro destinado ao social, não especificamente à fiscalização, mas à saúde, educação, que aí bateria diretamente no combate ao trabalho escravo (Sociedade Civil).
155 Além do MTE, os investimentos nas ações de fiscalização contemplam também o MPT, que tem verbas destinadas para as operações e não percebe na falta de recursos uma restrição para sua atuação, conforme nos aponta um dos entrevistados:
Como qualquer órgão público, acaba havendo um contingenciamento anual. Mas eu não vejo limitação de recurso a não ser que, e aí é uma coisa do imponderável; nós trabalhamos com um orçamento, se o orçamento se esgota, você não pode com uma vara de condão fazer que o recurso surja. O que faz com que as operações se desencadeiem são as denúncias; não é “Ah, tem recurso”. Em novembro mesmo, eu estive na BR163 todinha, que é a Santarém-Cuiabá, levamos uma força-tarefa, 12 policiais, uma coisa grandiosa e tudo mais; uma operação caríssima, dá mais de R$ 90 mil, uma coisa grande, sabe, e não teve nenhuma restrição, nenhuma limitação recursal. Eu acho que diminuição não tem havido, não (Estado).
Vemos assim, que em relação aos atores estatais há certa segurança e respaldo no que se refere aos recursos que lhes permitirão realizar suas ações com um mínimo de estrutura e apoio. Entretanto, quando nos deparamos com os atores da sociedade civil percebemos que os investimentos são mais escassos, se comparados com os órgãos públicos e que estes atores dependem do apoio do governo, do mercado ou de organismos internacionais. A Repórter Brasil, por exemplo, conta com financiamento da OIT e de instituições estrangeiras. A OAB conta com seus próprios recursos, já que é uma associação profissional. O GPTEC obtém apoio de órgãos de fomento à pesquisa. Já a CPT recorre ao Estado e principalmente a entidades de cooperação estrangeiras, conforme relata um dos entrevistados:
Enquanto atores da sociedade civil, nós temos um acesso mínimo dos recursos públicos. Houve liberação de recursos na forma, por exemplo, do programa Balcão de Direitos, organizado pela Secretaria de Direitos Humanos; eu confesso que fizemos dois ou três anos consecutivos por esses fundos, mas a complexidade burocrática exige, o dinheiro é tão pouco (...). Então, usamos para serviços específicos, por exemplo, atendimento a advogado; para o trabalho de prevenção que exige justamente essa grande flexibilidade, adaptações pra ações inéditas, aí a gente tem recorrido a recursos outros, que são de agentes de cooperação, geralmente do exterior (Sociedade Civil).
Contudo, mesmo entre os atores contemplados com investimentos previstos pelo Governo Federal, há certa preocupação sobre a continuidade dos recursos, uma vez que pela primeira vez no histórico destas políticas o contingenciamento orçamentário deste ano atingiu o programa do trabalho escravo, conforme fala uma das entrevistadas:
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O orçamento desse ano, início do governo da Dilma, com esse corte, pela primeira vez atingiu também o programa do trabalho escravo, sabe, foi a notícia que o pessoal me deu. Porque mesmo nos anos anteriores, do Governo Lula, quando tinha contingenciamento e tal, a gente conseguiu preservar a parte do trabalho escravo, mas dessa vez atingiu inclusive o trabalho escravo, o que já é um péssimo sintoma (Estado).
De qualquer forma, não temos como saber até este momento que consequências esse corte orçamentário poderá ter sobre as políticas em andamento, mas esperamos que pelo menos não haja retrocessos nos pontos que já foram avançados até agora.