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2.4. ÇağrıĢım ve Diğer Disiplinler

2.4.2. ÇağrıĢım ve Anlambilim (Semantik)

Ainda durante a minha graduação, no terceiro e no quarto período do curso de Matemática, o professor Marco Túlio Raposo mencionou, durante suas aulas de Física no curso de Matemática da UFSJ, o antigo curso de Ciências, e provocou o questionamento de como era a formação de docentes naquela época, sem o curso de Matemática. Desde então, ele sempre se dispôs a contribuir para nossa pesquisa, compartilhando conosco suas memórias. Foi sua a principal colaboração para a elaboração do projeto inicial do qual resultou esta dissertação, no que tange à contextualização do problema, bem como foi por meio desse professor que conseguimos chegar a possíveis colaboradores que antes não conhecíamos.

Realizamos nossas entrevistas nas cidades de São João del-Rei e Barbacena, e tivemos como depoentes oito professores e um aluno que fizeram parte do curso de Ciências da FUNREI em algum momento entre 1987 e 2001. Sabemos que um grupo de professores atuou desde o período inicial. O professor Marco Túlio Raposo foi um deles e, além dele, as indicações sugeridas pelo professor de alguns nomes, caracterizando o processo que Garnica, Fernandes & Silva (2011, p.235) chamam de critério de rede, bem como os documentos escritos na época do curso de Ciências, foram primordiais para escolhermos nossos entrevistados. Além do professor Raposo, contamos com a colaboração dos professores Murilo Cruz Leal, José Mauro da Silva Santos e Fernando Otávio Coelho, do Departamento de Ciências Naturais (DCNAT) da UFSJ. Professores que ainda hoje atuam no curso de Licenciatura Plena em Matemática, lotados no Departamento de Matemática e Estatística (DEMAT) e que, à época, eram professores do curso de Ciências, também se dispuseram a colaborar com a pesquisa – tal é o caso dos professores Francinildo Nobre Ferreira, José do Carmo Toledo, Marco Antônio Claret de Castro e Romélia Mara Alves Souto. Contamos também com um ex-aluno que concluiu a licenciatura curta em Ciências na FUNREI e, posteriormente, complementou seus estudos de modo a obter a licenciatura plena em Matemática, Aurélio José Parreira. Todos esses professores e o ex-aluno vivem na cidade de São João del-Rei, com exceção do professor José

Mauro, que reside em Barbacena, MG. Alguns ainda lecionam na UFSJ; outros já se aposentaram, mas ainda são professores de outras instituições ou colaboram com o ensino e a pesquisa na própria UFSJ, no âmbito da pós-graduação.

O quadro seguinte fornece-nos um esquema mais claro das pessoas que compartilharam conosco suas memórias. Traz a formação na graduação, função no curso de Ciências e o período de atuação.

Quadro 1: Relação dos entrevistados

Nome Formação Função Período no curso

Aurélio José Parreira Ciências Aluno do curso 1997-2001

Fernando Otávio Coelho Física Professor e coordenador 1998-2003 Francinildo Nobre

Ferreira Matemática Professor

1990-2003, com interrupção para o doutorado entre 1995 e 1999

José do Carmo Toledo Matemática Professor 1990-2003

José Mauro da Silva

Santos Ciências Professor, coordenador e diretor do Centro de Ensino da FUNREI 1980-2003, com interrupção para o mestrado entre 1990 e 1991

Marco Antônio Claret de

Castro Engenharia Professor 1982-2003

Marco Túlio Raposo Ciências

Professor, coordenador, vice-diretor do Centro de Ensino e pró-reitor de ensino de graduação 1987-2003, com interrupção para o mestrado entre 1989 e 1991

Murilo Cruz Leal Química Professor e pró-reitor de

ensino de graduação 1990-1998 Romélia Mara Alves

Souto Matemática Professora 1997-2003

Fonte: Textualizações das entrevistas realizadas pelo autor ao longo de 2015.

Escolhemos essas pessoas para comporem nosso quadro de entrevistados utilizando os seguintes critérios: no caso dos professores de Matemática do curso de Ciências, pela sua constante atuação desde seu ingresso na FUNREI e pelo seu compromisso com a vertente do ensino na universidade; entre os professores de outras áreas, por terem ocupado cargos administrativos no curso e na universidade, de modo a ter a possibilidade de entender a estrutura

do curso, bem como os propósitos a que se destinava um curso de formação de professores; no caso do ex-aluno, por ter complementado seus estudos para obter o grau de licenciado em Matemática e por ter escolhido a docência como profissão. Os critérios que utilizamos visaram a contemplar os aspectos importantes em nossa investigação já mencionados, a saber, a estrutura do curso ao longo dos anos, os movimentos internos e externos, bem como o papel da Matemática antes e após a criação das habilitações em Física e em Química.

O processo de contato e negociação com as pessoas para as entrevistas é um momento interessante no qual precisamos “vender o nosso peixe”, ou seja, convencer o possível entrevistado da importância de sua contribuição para o trabalho e conseguir explicar o que almejamos com a contribuição da História Oral. Nessa fase interessante do ato de pesquisar, deparamo-nos com várias formas de responder ao nosso convite, desde pessoas que o aceitaram naturalmente, prontificando-se a colaborar no mesmo instante em que eram contatadas, até pessoas que mostraram certa resistência. Enfim, o momento de contato inicial com os colaboradores foi, como usualmente, um momento de negociação. Após várias tentativas, conseguimos chegar ao grupo de depoentes que colaboraram conosco dando seu testemunho.

Realizamos entrevistas semiestruturadas, as quais foram gravadas em áudio e vídeo. Inicialmente, dissemos que respeitaríamos os entrevistados que optassem pela gravação apenas em áudio, mas nenhum deles apresentou resistência à gravação em vídeo também. Nossa preferência era que as entrevistas fossem gravadas em áudio e vídeo para que fosse possível registrar gestos, expressões e características do entrevistado que somente a gravação em áudio não permitiria. Essas entrevistas foram organizadas com base em um roteiro que objetivou permitir ao sujeito entrevistado trazer à tona suas memórias sobre a formação de professores na FUNREI, no período delimitado, bem como suas lembranças relativas à estruturação do curso e ao papel que cabia à Matemática no período de referência de nossa investigação. Ademais, o roteiro foi construído de forma a incentivar cada colaborador a discorrer sobre temas tais como sua vida pessoal, formação acadêmica e assuntos similares, elementos importantes para a compreensão de nosso objeto de investigação.

Um modelo do roteiro da entrevista encontra-se nos apêndices do trabalho. O plano que adotamos foi baseado no roteiro feito por Martins-Salandim (2012). Ressaltamos nossa opção pela flexibilidade por entender que a entrevista deve ser conduzida não apenas pelo entrevistador, mas também pelo entrevistado, que precisa se sentir confortável para evocar suas lembranças e dar seu testemunho. Em alguns momentos, sabíamos que algumas questões espontâneas poderiam surgir – o que de fato aconteceu – e não nos furtamos a conversar melhor sobre elas e tentar compreender a intencionalidade com que foram evocadas.

De acordo com os parâmetros que vêm sendo adotados pelo GHOEM e em conformidade com alguns autores que se utilizam da História Oral como, por exemplo, Thompson (1992) e Alberti (2007), após a realização das entrevistas fizemos a transcrição, ou degravação, do registro em áudio das entrevistas. A transcrição consiste num primeiro registro escrito, observando cuidadosamente o vocabulário e procurando preservar, na escrita, a linguagem usada. Somente após essa primeira etapa de transcrição é que demos início à textualização das entrevistas, ou seja, à produção de textos editados, nos quais procuramos fazer adaptações de forma a sintonizá-los ao máximo com nossa questão de pesquisa, apoiando a constituição de nossa versão histórica da formação de professores de Matemática na FUNREI, no período de 1987 a 2001.

Os depoimentos que colhemos dizem respeito a um tema específico. Portanto, acreditamos que este estudo se enquadra na perspectiva da História Oral Temática, conforme descrita por Garnica (2003), que se pauta pela intenção de obter depoimentos significativos sobre um tema específico, diferentemente de outra perspectiva denominada História Oral de Vida, que visa compreender experiências vividas pelo depoente sem, contudo, delinear um tema particular. A História Oral Temática pretende reconstituir aspectos vividos pelo entrevistado, examinar com atenção partes das experiências vividas, a partir de questões colocadas pelo entrevistador.

Optamos, também, por apresentar nossos entrevistados pelo seu nome completo, por entender que uma particularidade da História Oral é dar voz aos sujeitos da história. Por esse mesmo motivo, fizemos questão de manter as textualizações no trabalho, garantindo, assim, que as memórias de nossos colaboradores fiquem aqui registradas, preservando suas lembranças e remetendo às narrativas que nos ajudaram a constituir a nossa narrativa sobre a história da formação de professores de Matemática em São João del-Rei.

Acreditamos que cautelas de cunho ético não podem ser desconsideradas para a realização das entrevistas. Assim, inicialmente, enviamos os seguintes modelos de documentos/formulários para serem submetidos e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa (COEP) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): uma carta de apresentação inicial da pesquisa; um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE); um roteiro para as entrevistas; uma carta para submissão das textualizações à apreciação dos depoentes para sua aprovação ou proposta de adequações, alterações, inclusões e/ou exclusões; uma Carta de Cessão de Direitos dos documentos produzidos para assinatura, considerando a aprovação do material apresentado, bem como autorizando a divulgação dos nomes dos entrevistados. Essa documentação procurou garantir que parâmetros éticos adotados pela UFMG em suas pesquisas

com seres humanos fossem cumpridos e que nossos entrevistados tivessem assegurado o respeito às suas vontades e desejos para com as entrevistas.

Precedendo a realização das entrevistas, cada colaborador leu e assinou um TCLE já devidamente aprovado pelo COEP/UFMG, no qual foram apresentadas todas as condições para a realização da entrevista e no qual foi salientada a necessidade de que o colaborador autorizasse o uso de todo o material produzido (gravação, transcrição e textualização) como resultado das entrevistas. Sabendo que isso é fundamental, tentamos estabelecer ao máximo uma relação de confiança e respeito para com nossos entrevistados, de modo a possibilitar que se sentissem à vontade para tecerem questionamentos acerca do roteiro ou apresentarem sugestões para ele, bem como para mostrarem algum material que julgassem útil para complementar seus depoimentos. As datas e horários das entrevistas foram definidos pelos entrevistados, de acordo com sua disponibilidade, e, assim, o que pretendemos foi deixar cada um de nossos colaboradores tranquilo e à vontade para (re)construir sua versão sobre a formação de professores de Matemática na FUNREI, entre os anos de 1987 e 2001.

Por fim, cada colaborador leu e assinou uma carta de cessão de direitos sobre a entrevista realizada, o que permitiu que pudéssemos utilizar as entrevistas na pesquisa e praticar nosso movimento de análise. Essas cartas encontram-se anexadas à dissertação e podem ser examinadas no final do trabalho.

No próximo capítulo, abordamos uma parte da história da formação de professores no Brasil – especialmente de professores de Matemática –, trazendo à cena dois momentos importantes: a criação das Licenciaturas Curtas e a das Licenciaturas em Ciências. Sendo o curso que investigamos uma Licenciatura Curta em Ciências, cremos que levar em consideração as condições de sua criação passa por entender o contexto maior, nacional, da formação de professores na época.

4 FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL E LICENCIATURAS – UM BREVE APANHADO

Em primeiro lugar,

Uma [...] observação se faz necessária: a história da profissão docente, ao menos no Brasil, não corresponde a uma história contínua, de progressiva e crescente profissionalização [...] (VICENTINI & LUGLI, 2009, p. 24).

Com essa observação queremos, assim como as autoras acima citadas, enfatizar que, num país de dimensões continentais como o Brasil, tentar entender a história da formação docente de maneira homogênea é tentar, ingenuamente, buscar uma história fictícia, que nada tem a ver com a realidade. Ao contrário, é preciso ter em vista a diversidade social desse grupo e as diferentes condições a que foi (é) submetido. Deste modo, considerando essa dinâmica de “idas e vindas”, a história da formação de professores no Brasil contém processos que, por vezes, consolidam a profissão docente e a fortalecem, e, por vezes, há processos que trazem conquistas não tão expressivas ou sequer trazem conquistas, dependendo do grupo que se analisa. Consequentemente uma parte dos docentes pode estar à frente de outra parte, no que concerne à profissionalização.

Benzer Belgeler