3. VERİ ZARFLAMA ANALİZİ VE BİR UYGULAMA
3.6. Çıktıların Analizi
Nos termos do art. 348 do CPC, a confissão é o termo de declaração voluntária em que o indivíduo admite como verdadeiro um fato que lhe é considerado prejudicial, alegado pelo Fisco (parte diversa). Nesse sentido, o preenchimento das informações digitais, no cumprimento do dever instrumental informatizado, é uma confissão?
Em direito tributário, uma confissão constitui o fato jurídico tributário, emitindo a correspondente norma individual e concreta, nas hipóteses de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Já na hipótese de lançamento de ofício, a confissão, com outras provas produzidas, também constitui o crédito tributário. Nos casos de parcelamento, a figura da confissão constitui o crédito tributário.
Susy Gomes Hoffmann198 considera que a confissão por parte do sujeito passivo deve ser vista com restrições, pois a obrigação tributária, perante o princípio da legalidade, decorre exclusivamente de lei, e não de ato de vontade das partes, de modo que, mesmo que o sujeito passivo confesse em algum momento do processo a ocorrência do fato jurídico tributário na forma enunciada no lançamento tributário e depois se provar que aquele fato não ocorreu, aquela confissão não terá força para constituir a obrigação.
Nesse sentido, há entendimento jurisprudencial entendendo que a confissão não impede que a dívida seja contestada posteriormente:
AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA INSTITUÍDA PELA MUNICIPALIDADE POR EDITAL, COM SUPORTE EXCLUSIVO NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO MUNICIPAL QUE CONTÉM DISPOSIÇÕES GENÉRICAS ACERCA DO TRIBUTO. INVIABILIDADE. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA. CÁLCULO DO LANÇAMENTO
198 HOFFMANN, Susy Gomes. Prova no direito tributário. Campinas: Copola, 1999, p. 210.
EFETUADO COM BASE APENAS NA TESTADA DOS IMÓVEIS DIRETAMENTE ALCANÇADOS PELA OBRA E NÃO NA SUA VALORIZAÇÃO. CONFISSÃO DA DÍVIDA
QUE NÃO IMPEDE A CONTESTAÇÃO JUDICIAL QUANTO AOS ASPECTOS LEGAIS DO TRIBUTO.
INEXISTÊNCIA DE REVOGAÇÃO DOS ARTS. 81 E 82 DO CTN PELA EC N. 23/1983 DA CF/1967. ILEGALIDADE MANIFESTA DO TRIBUTO. INEXIGIBILIDADE. SENTENÇA QUE JULGOU PROCEDENTE O PEDIDO MANTIDA. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO IMEDIATA DA LEI 11.960/2009. ALTERAÇÃO DE OFÍCIO. RECURSO NÃO PROVIDO. O fato gerador da Contribuição de Melhoria é o acréscimo do valor do imóvel localizado nas áreas afetadas direta ou indiretamente pela obra pública. “A instituição de contribuição de melhoria está condicionada à prévia edição de norma legislativa. O fato do Código Tributário Municipal fazer remissão genérica às normas fixadas no artigo 82 do CTN, não supre os requisitos nele expressamente exigidos”(Apelação Cível em Mandado de Segurança n. , rel. Des. Luiz Cézar Medeiros, j. 17.05.2001). ‘É ilegal exigir a contribuição de melhoria decorrente da reurbanização de via pública utilizando como base de cálculo o custo do empreendimento distribuído exclusivamente na proporção da testada dos imóveis diretamente alcançados pela obra (Apelação Cível n. , de Balneário Camboriú, rel. Des. Newton Janke, j. 28.07.2009)’ (AC n. de São Bento do Sul, rel. Des. Sérgio Roberto Baasch Luz, DJE 11-10-2011)” (Apelação Cível n. , de Rio Negrinho, relator Des. Jorge Luiz de Borba, j. 25.6.2012). As alterações trazidas na Lei n. 9.494, de 10 de setembro de 1997, com a redação dada pela Lei n. 11.960, de 29 de junho de 2009 – que uniformizou a atualização monetária e os juros incidentes sobre todas as condenações judiciais impostas à Fazenda Pública – possui aplicabilidade imediata, inclusive em relação àquelas demandas ajuizadas anteriormente à edição da novel legislação. Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível n. , da comarca de Timbó (2ª Vara Cível), em que é apelante Município de Timbó. Primeira Câmara de Direito Público decidiu, à unanimidade, negar provimento ao recurso e, de ofício, reformar em parte a sentença tão somente para redefinir os consectários decorrentes da mora, nos termos da Lei n. 11.960/2009. Custas legais. (TJ-SC – AC: 20130393974 SC 2013.039397-4 (Acórdão), Relator: Gaspar Rubick, Data de Julgamento: 29/07/2013, Primeira Câmara de Direito Público Julgado)
Assim, vemos que nenhuma confissão tem como prerrogativa impedir que se discuta sobre a existência do crédito tributário, uma vez que este nasce com a ocorrência do fato jurídico previsto na norma geral e abstrata, não podendo tal situação ser alterada pela vontade do sujeito passivo.
É o que acontece no caso do parcelamento: uma vez confessada a dívida e aderido ao parcelamento, o contribuinte pode, posteriormente, entrar com medida judicial cabível para discutir a referida dívida.
Entretanto, enquanto não contestada pelo contribuinte, mediante a produção de provas, a confissão permanece no ordenamento jurídico com força probatória relativamente aos fatos que reconhece como verdadeiros.
Nesses termos, a confissão é o veículo introdutor do fato no ordenamento jurídico, nos casos de lançamento por homologação. Nas hipóteses de lançamento de ofício, é necessário que o Fisco efetue o lançamento com base não só no termo de confissão, como também nas demais provas apuradas, ressaltando que não é irretratável.
Fabiana Del Padre Tomé199 destaca que a confissão, assim como qualquer outro meio de prova, não é plena, nem irretratável, deve ser analisada pelo julgador, junto com outras provas produzidas pelas partes, antes de determinar o fato jurídico, ou ilícito tributário, modificativo ou extintivo.
Além disso, a confissão pode ser anulada pelo julgador nos casos de erro, dolo ou coação.
Desse modo, podemos afirmar que o preenchimento das informações digitais pelo sujeito passivo no cumprimento do dever instrumental pode ser vista como uma confissão, uma vez que constitui o fato jurídico tributário nos tributos, sujeito ao autolançamento e, nas demais modalidades, serve de fundamento para o fisco lançar de ofício com outras provas colhidas. Mas isso não significa que tais confissões não possam ser contestadas, conforme visto acima, porque, por mais que as informações tenham sido prestadas pelo contribuinte, o sistema digital muitas vezes o engessa, fazendo com que ele preencha algo diverso do fato ocorrido, por não ter outra opção no preenchimento. Ou seja, por se tratar de sistema digital, há casos em que o evento tributário não se amolda em nenhuma das hipóteses discriminadas no sistema digital do fisco; com isso, o contribuinte
199 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. 3. ed. São Paulo: Noeses, 2012, p. 125.
tem que preencher dados diversos do evento tributário e, posteriormente, discutir o que foi confessado.
Portanto, a figura da confissão está bem presente nas novas técnicas de cumprimento do dever instrumental, e o contribuinte deve estar atento.
5.3.3 Prova ilícita como meio de prova no dever instrumental