B) KUSURLULUĞU ETKİLEYEN HALLER
2) Zorunluluk Hali
INTERLOCUTORAS DE PESQUISA
Com tantas classes novas eu me considero pobre. Eu moro de favor, mas fiz faculdade porque eu paguei, etc. Isso faz de mim classe media ou baixa?... Pois eu me vejo assim: moro de favor e trampo, tenho carro popular que tá pago, mas foi financiado, não me vejo nem financiando um imóvel....eu tô fu...!...rsrs (Conversa com Cássia, interlocutora de pesquisa, via Whatsapp). As pessoas que compõem o público dessa pesquisa têm em comum muito mais do que o recente acesso às mídias digitais e a constituição de novas redes de apoio e de círculos de amizade por meio delas. São homens e mulheres cujas vidas, nos últimos anos, têm sido modificadas pelo maior acesso a emprego, curso superior, renda mais alta, consumo e pela consequente ampliação de seus horizontes aspiracionais.
Estes são aspectos que marcam transformações, mas que também trazem consigo incertezas em especial com relação à possibilidade de realização efetiva de seus novos desejos e anseios sobre o futuro, assim como tensões pautadas pelo contraste entre as origens sociais subalternas e as possibilidades existentes. Em suma, são jovens pertencentes à parte da população brasileira que discursos governamentais e midiáticos têm definido como “nova classe-média” ou “classe C”, um conjunto de pessoas pobres, que tem ascendido a outros estratos sociais principalmente, segundo esses mesmos discursos, por meio do aumento de renda e, consequentemente, da possibilidade de consumo.
As interlocutoras e interlocutores da investigação apresentam em comum a origem familiar pobre, o que implica que seus pais não cursaram universidade, não tiveram a possibilidade da ascensão social e não puderam aspirar a uma vida melhor em termos econômicos. Soma-se a isso uma dinâmica de acesso à informação e a processos de socialidade que há menos de dez anos atrás não existia para as classes populares brasileiras.
A entrada na rede das pessoas que colaboraram nessa pesquisa aconteceu em meio a um processo tão profundo quanto incerto de transformações sociais e econômicas que parecem ter alargado seus horizontes no contexto das tensões cotidianas que envolvem o fato de serem pessoas vindas “de baixo”. Em outras palavras, sua aparente ascensão recente não tem se dado sem contradições e tensões, as quais tendem a ser ignoradas no tom celebratório que permeia os dados socioeconômicos, os quais também ignoram especificidades de gênero, de relações raciais, de geração, de sexualidade, que compõe as experiências passadas e vivências presentes desses sujeitos.
A sensação de insegurança econômica e social, apesar dos últimos avanços, foi levantada em conversa entre minhas interlocutoras de pesquisa. A frase mais emblemática abre este capítulo e foi dita em um contexto onde elas abordavam, em grupo, a chamada Classe C e os significados que estariam envolvidos por este rótulo. Cássia apontou não entender o que é dito na mídia, recentemente, sobre a chamada Nova Classe Média. A jovem afirmou se sentir pobre mesmo tendo como características aquelas que comporiam este público em ascensão.
Para ela, apesar de ter uma vida melhor que a de seus pais e poder ter acesso à moradia e veículo, os anseios em relação ao futuro, o que aqui chamei de horizontes aspiracionais, ainda são compostos por objetivos não tão palpáveis, tendo em vista, por exemplo, que o sonho da casa própria, fortemente presente na cultura brasileira, ainda não parece possível de ser realizado por ela.
Dessa forma, muito embora o acesso à informação seja um avanço dos últimos anos e componha um processo de melhoria das condições de vida juntamente a entrada no mercado de trabalho no setor de serviços, os sonhos ainda permanecem como tal neste momento da vida. Cássia consegue pagar aluguel, consumir o básico para sua subsitência e financiar um veículo, mas o desejo da casa própria vai ter que esperar.
Compreender a situação de classe de minhas interlocutoras, bem como o contexto no qual se inserem é a porta de entrada para abordar horizontes de aspiração e o que os compõe. A rede parece ampliar anseios por ascensão e consumo e possibilitar criação de laços afetivos em contextos de insegurança, no entanto, não promove, necessariamente, uma ruptura com situações de desigualdade.
Nesse sentido, vou abordar aqui os discursos midiáticos que promovem o debate da ascensão e as trajetórias de classe dessas mulheres, bem como de que forma o acesso às mídias ocorrem em um contexto recente de melhoria das condições de vida, possibilitando criação de espaço coletivos que dão sustentação em contextos ainda hostis e de incertezas.
O termo que vigora em discursos, principalmente do governo - “Nova Classe Média”– é fruto de pesquisa realizada há mais de uma década pelo Centro de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas. A centralidade do argumento de Marcelo Neri, criador do termo, está posta no aspecto da renda: “nossa Nova Classe Media está compreendida entre aqueles acima da metade mais pobre e um pouco abaixo dos 10% mais ricos pouco depois da virada do século, segundo uma combinação de bases de pesquisas domiciliares.” (Neri, 2011: 20). O tom celebratório atribuído a este processo de ascensão econômica parece não atentar para nenhuma das tensões tratadas por essa pesquisa. Ele reforça a ideia de que tal dinâmica é,
por si só, libertadora e que é possível “batizar” um estrato social de forma a aproximá-lo das classes altas, quase que como um processo de elevação da autoestima de uma população que, supostamente, viveu – mas não vive mais – no limite de sua renda e de seu acesso a bens matérias e simbólicos:
Nova Classe-Média foi o apelido que demos a Classe C há anos. Chamar a pessoa de Classe C soava depreciativo pior do que Classe A ou B, por exemplo. Nova Classe Média difere em espírito da expressão Nouveau riche, que acima de tudo discrimina a origem das pessoas. Nova Classe Média dá o sentido positivo e prospectivo daquele que realizou – e continua a realizar – e sonho de subir na vida. (NERI, 2011, p. 19)
Somam-se a esta vertente acadêmica que celebra a suposta ascensão social das antigas classes populares discursos midiáticos não menos poderosos e que se aproximam mais das pessoas em pauta neste trabalho. Pesquisa realizada pela Editora Abril, entre os meses de março e julho de 2011, que levou o nome de “As poderosas da Nova Classe Média”, buscou traçar o que seria o perfil e os hábitos de consumo de mulheres com aspectos similares aos de minhas interlocutoras. O levantamento de dados aconteceu com 30.600 pessoas em 26 estados, envolveu observações etnográficas, grupos de discussões e entrevistas com especialistas, dentre os quais figura, três acadêmicos e um autor de novela51. O resultado evidencia que se esta “Nova Classe Média” tem um gênero preponderante, ele é feminino, pois são as mulheres que, nestes discursos, tomam a dianteira do consumo.
Este enunciado da “mulher poderosa” se expande para fora das questões que envolvem meramente o acesso a novos bens e mercadorias – que segundo a pesquisa seriam viagens de avião, internet banda larga, smartphones. É reforçado com frequência - principalmente em livros e sites voltados para as mulheres desse estrato social - a necessidade de assumirem as rédeas tanto da esfera profissional quanto da família e das relações afetivas52. Tais discursos alocam-nas em posições aparentemente contraditórias ou, ao menos, tensionadas: por um lado é dada uma ênfase no controle da vida profissional e no acesso ao consumo possibilitado pelo pressuposto processo de ascensão social; por outro lado, também
51 Tratou-se de uma pesquisa da abril Mídia em parceria com o instituto Data Popular, que buscou traçar o perfil
das mulheres da chamada nova classe-média, principalmente com base em dados de consumo. Disponível em: <http://poderosasdanovaclassemedia.com.br/index.html>. Acesso em: 19 ago. 2013.
52 Um exemplo dos discursos da “mulher poderosa”, aquela bem sucedida profissionalmente, mas que também
não deixa de resolver-se na esfera afetiva e amorosa é comum entre os livros de autoajuda direcionados a este público. Dentre os títulos mais famosos figuram: O Que Toda Mulher Inteligente Deve Saber; Mulheres
Ousadas Chegam Mais Longe; Comer, Rezar, Amar; Por que os homens amam as mulheres poderosas, etc. Já
entre os sites estão, principalmente o Bolsa de Mulher e o recente site lançado pela ex-jornalista Ana Paula Padrão, chamado Tempo de Mulher.
há enunciados que as interpelam como responsáveis pela esfera afetiva, pela conquista do par amoroso e pela felicidade do casal.
Já em buscas sobre os supostos homens do mesmo estrato social, me deparei com uma frequência menor e quase inexistente de discursos voltados a eles. Eles surgem de forma secundária nas matérias de jornal, não são o foco dos enunciados sobre consumo e quando são, aparecem como um nicho de mercado muito recente e pouco explorado que tem se preocupado um pouco mais com a aparência, com aquisição de produtos de beleza e que seriam, em outros termos, os novos metrossexuais53.
Em busca pelo Google a diferença com que figuram homens e mulheres nestes discursos fica evidente. O único site que encontrei voltado a discutir o público masculino é denominado “homens da classe c” e é direcionado unicamente a apontar como tem aumentado os números de consumo masculino com cosméticos. No mesmo espaço, publicitários discutem sobre as estratégias recentes de atingir esse público. O debate no site aponta que “a mudança do perfil de consumo no Brasil, a ascensão da classe C, mostrou o quanto se conhece pouco ou quase nada, sobre os gostos do público masculino do segmento das classes populares” 54.
Já as mulheres figuram majoritariamente e quase exclusivamente em todas as matérias de jornais em destaque nos sites de busca. Elas aparecem como a chave que a publicidade deveria usar para abrir as portas para a chamada Classe C ou, em outros termos, para atingir a Nova Classe Média do país. Tal fato surge por conta de um motivo que parece central em todas (ou em quase todas) as reportagens encontradas: são elas as responsáveis por administrar os gastos com o orçamento familiar e mais do que isso, são elas que estão encarregadas de tomar as maiores decisões sobre as despesas da casa, inclusive quanto às despesas dos maridos, no caso das casadas, até mesmo sobre as roupas e produtos estéticos usados pelos parceiros.
Além do apontamento sobre a importância que a mulher que está ascendendo socialmente confere ao orçamento doméstico, à educação dos filhos e ao bem estar da família, os dados que divulgados sobre este público mostram que elas consomem mais tecnologia, viajam mais do que os homens e têm se preocupado com coisas que, antes, só apareciam como relevantes ao chamado “universo masculino”, como por exemplo, potência e
53 Metrossexual é uma junção dos termos “metro” que faz referência a cidade e a metrópole e “sexual”. O
homem chamado metrossexual é aquele preocupado com a aparência e, mais do que isso, se remete a uma forma de vida onde o sujeito teria tempo para cuidar de si e do próprio corpo em meio à rotina de trabalho das grandes cidades.
desempenho dos carros no momento da compra de um veículo, bem como com os recursos dos celulares smartphones. Tais dados, por si só já apontam que se esta Classe C ou “Nova Classe Média” tem um gênero preponderante, ele é feminino, pois são as mulheres que, nestes discursos, tomam a dianteira do consumo próprio e da dos demais membros familiares.
Dos anos de 2009 e 2011 – quando são realizadas as penúltimas PNAD’s que apontam para dados referentes aos rendimentos da classe C e para seu aumento quantitativo e de poder de consumo – até o ano de 2015, muitos foram os discursos, abordagens e mesmo acontecimentos na arena pública que alimentaram a ideia de haver uma nova classe no país. Mais do que isso, houve uma série de maneiras através das quais este estrato da população apareceu na mídia enquanto novo estrato consumidor. Entretanto, mais do que isso, elas figuram como público interessado em reivindicar espaços de ação, de lazer e de socialidade e, também, enquanto sujeito social e político do atual momento da sociedade brasileira. Minha pesquisa de mestrado e esta atual pesquisa têm acontecido ao mesmo tempo em que se tornam fartos e cotidianos os enunciados sobre este público e, principalmente, sobre o suposto protagonismo das mulheres pobres do país.
Coloco 2015 como marco final da análise, tanto porque foi o ano em que decidi ir à Baixada Fluminense, o campo situado da pesquisa, pela última vez, tendo em mente que 2016 seria o momento de escrita da tese e de encerramento da pesquisa in loco; quanto pelo fato de que houve uma virada nos discursos acerca da população pobre do país por conta do momento político em que nos encontramos. A tese, vale ressaltar, foi redigida no refluxo de crise econômica, com taxa de desemprego de 11%55, com queda na economia e em meio a um contexto político conturbado.
O debate em torno das benesses direcionadas às classes populares como acesso à educação e moradia dos anos de governo petista foi substituído pelo discurso da crise, por aqueles contrários ao governo e promotores do impeachment da presidenta Dilma Roussef e de um golpe parlamentar-jurídico que envolveu, em solo nacional, articulações obscuras entre o Congresso e do Supremo Tribunal Federal56. Atualmente, assistimos a um retrocesso de políticas sociais que não abordaremos aqui, tendo em vista que não alteram o panorama deste trabalho por conta de ainda não transformarem o acesso à internet e o que compõe os horizontes de aspiração desses sujeitos.
55 Disponível em: http://br.advfn.com/indicadores/pnad/2016. Acesso: agosto de 2016.
56 Para maior acesso a informações sobre o que aconteceu na política brasileira nos últimos anos e sobre o golpe,
segue a referência: ANDERSON, Perry. O golpe no Brasil, segundo Perry Anderson. In: O outro Lado da Notícia. Sem data de publicação (s. d.). Disponível em: <http://outroladodanoticia.com.br/2016/04/25/o-golpe- no-brasil-segundo-perry-anderson/>. Acesso em 08 jan. 2017.
Como marco de divulgação de discursos sobre a melhora de vida dos pobres do país temos referências midiáticas como a novela Avenida Brasil, veiculada pela Emissora Rede Globo de televisão no ano de 2012, cujos personagens centrais da trama eram moradores de um bairro fictício da periferia do Rio de Janeiro, o Bairro do Divino. Na novela, uma das personagens principais era o jogador de futebol enriquecido, Tufão, que decide construir sua mansão no próprio bairro pobre onde nasceu em meio à vizinhança formada pelo boteco do Silas, pelo salão de beleza da Monalisa e pelas atrapalhadas de Suélen, a piriguete da trama, de origem colombiana, que quer se casar e todo custo para melhorar de vida.
Também no ano de 2012, engrossando o caldo das novelas, a mesma emissora nos apresentou Cheias de Charme, no horário das dezenove horas, cujo roteiro se pautava centralmente pela vida das empreguetes, uma mistura de empregada doméstica com piriguetes, que montam um trio musical e ficam famosas ao apresentar nas letras de música o cotidiano das mulheres dedicadas a cuidar da casa dos outros e a fazer faxina. A novela retrata a trama cotidiana que enredava os dilemas em torno dos quais essas mulheres se desdobravam em torno de múltiplas jornadas de trabalho.
As empreguetes, esforçadas em compor uma boa aparência, sempre repleta de brilho, nos esmaltes coloridos e nos cabelos alisados, fazem sucesso com o vídeo na internet. A novela foi uma das primeiras a apresentar, em contexto brasileiro, a rede online como possibilidade de publicização do trabalho e da construção de celebridades instantâneas ou sub celebridades, pessoas desconhecidas que fazem sucesso com produções próprias divulgadas na rede, como o caso das empreguetes da novela.
Ambos os roteiros se esforçavam por positivar a vida dos pobres e apontar a centralidade dos projetos de ascensão social desses sujeitos, sejam eles concretizados através da relação afetiva, por meio de um trabalho divulgado via YouTube – que nas tramas ganha outro nome – ou pelo chamado esforço próprio e mérito como é o caso de Tufão, jogador de futebol.
Para Renato Meirelles – sócio diretor do instituto de pesquisa Data Popular, considerado especialista neste estrato da população e procurado pela British Broadcasting Corporation (BBC) para conceder entrevista para o site sobre o sucesso da novela –, em matéria lançada no contexto de auge da novela, a novidade de Avenida Brasil é trabalhar com o que ele chama de "aspiracional possível". Em suas palavras, "É o aspiracional que está ao alcance das mãos. Para ele, o espectador vê a novela e pensa, 'se eu trabalhar um pouco, eu
consigo ter um bar como o do Silas, ou um salão como o da Monalisa57. O Tufão enriqueceu, mas olha, ficou no bairro dele'". O diretor de Núcleo, Ricardo Waddington, em entrevista concedida a Folha de São Paulo, em meio ao contexto de sucesso de Avenida Brasil afirmou, "A imagem do morador que sonha em sair do subúrbio é muito cristalizada. Nossa ideia foi fugir disso e criar um subúrbio gostoso e alegre, onde exista prosperidade".
Vale ressaltar que nesta tese a noção de horizonte de aspiração se distingue da ideia de “aspiracional possível” defendida por Meirelles ao abordar como a novela trabalha com os anseios das classes populares brasileiras. Muito embora as referências que figuram na mídia sirvam para construir sonhos, desejos e plano de futuro, entendemos horizonte de aspiração como aquilo que não necessariamente compõe o plano do possível, muito embora diga respeito ao cotidiano mais prático.
Tanto Avenida Brasil, quanto Cheias de Charme, trouxeram à cena a representação de uma periferia batalhadora, que acessa novos bens de consumo, dentre eles celulares e computadores e que transita melhor entre as hierarquias estabelecidas por renda. Neste contexto, de reforço da ideia de possibilidade de aspiração e de inserção na dinâmica das mídias digitais, ficou bastante evidente para mim, enquanto pesquisadora, a necessidade de compreender em que medida essa ascensão acontece de fato e quais os aspectos que a envolvem para além da mudança nos padrões de renda que, pelo que parece, não apontam para uma transformação efetiva da situação socioeconômica.
Juntamente à celebração do surgimento de uma nova classe social via produção cultural de massa, como o caso das novelas citadas, houve outra esfera na qual aparecem as demandas, permeadas por incertezas e inseguranças, dessa juventude que busca melhores condições de vida. Trata-se da arena do debate público e dos movimentos sociais, onde tivemos o acontecimento dos rolezinhos, no início do ano de 2014, movimento de jovens das regiões periféricas do Rio e de São Paulo que ocuparam os espaços dos shoppings centers com manifestações culturais, entoando letras de funk e rap. Os rolezinhos eram marcados pela internet, via Facebook, e no horário estipulado os jovens se encontravam no espaço, adentravam os shoppings em grupos grandes, cantando e fazendo coreografias. Muitos shoppings tiveram seus expedientes cancelados por conta do receio dos proprietários e lojistas de que acontecessem momentos de furtos e vandalismo; em outros casos, os estabelecimentos
57 Vale chamar a atenção da leitora e do leitor neste momento do texto para o termo “aspiracional”, como sendo
diferente do que uso no trabalho e o qual explicitei na introdução do texto. Para Renato Meirelles, “aspiracional possível” se refere única e exclusivamente às aspirações econômicas dos sujeitos dentro de uma dinâmica restrita ao mercado. Neste trabalho, fazemos uso da ideia de horizontes de aspiração, expandindo a análise para as múltiplas facetas que compõem os anseios subjetivos.
conseguiram liminar na justiça que autorizava impedir a entrada de garotos “suspeitos” no interior dos espaços, ou seja, jovens negros e pobres com trajes específicos e com uma corporalidade que marca algumas populações das periferias do país.
Se na tela da TV, principalmente por meio das novelas, a relação entre ricos e pobres era mais flexível e, aparentemente democrática e pacífica; nas ruas as insatisfações eram visíveis e os conflitos entre classes e pautados também por relações raciais eram evidentes