3.3 T EMEL S OĞURMA A NALİZLERİ
3.3.2 ZnO İnce Filmlerin Yasak Enerji Aralıkları
Diante do sofrimento e da impossibilidade de qualquer mobilização subjetiva o sujeito busca alternativas para suportar este sofrimento. O indivíduo então, se protege para “aguentar” o sofrimento, por meio das chamadas estratégias defensivas e contribuem para tornar aceitável o que muitas vezes não deveria sê-lo (MARTINS; KOMANSKY; CIAMPONE, 2006).
As estratégias defensivas ou de defesa, podem ser definidas como:
[...] recursos construídos pelos trabalhadores, de forma individual e coletiva, para minimizar a percepção do sofrimento no trabalho; funcionam através da recusa da percepção daquilo que faz sofrer. Essa eufemização do sofrimento fornece uma proteção ao psiquismo, que torna possível aos trabalhadores permanecer no plano da normalidade, a fim de continuar trabalhando (DE MORAES, 2013. p.153).
Elas funcionam como uma proteção ao psiquismo, o que torna possível aos trabalhadores se manterem no plano da normalidade a fim de continuarem trabalhando (DE MORAES, 2013). São usadas pelos trabalhadores para minimizar o sofrimento e podem ser categorizadas em (BATISTA; FACAS, 2009; DE MORAES, 2013):
• De proteção: consistem em adotar novas formas compensatórias de pensar, sentir e para suportar o sofrimento. São as racionalizações e podem se esgotar com o tempo;
• De adaptação: é a negação do sofrimento e a submissão ao discurso da organização. Fundamenta-se na negação;
• De exploração: é o sofrimento e a defesa como, por exemplo, a autoaceleração. Exigem do trabalhador um esforço superior à sua capacidade e desejo. Faz com que o sujeito mantenha a produção exigida pela organização de trabalho e direcione seus desejos para a excelência. Estas defesas esgotam-se rapidamente. O estudo das estratégias defensivas possibilitou a compreensão do predomínio da normalidade sobre a patologia em contextos de trabalho permeados por adversidades, revelando que os trabalhadores não permanecem passivos, mas buscam maneiras para lidar com o sofrimento e evitar a descompensação psíquica (DEJOURS, 1992). Quando essas estratégias de defesa falham ocorre o adoecimento (BATISTA; FACAS, 2009; DE MORAES, 2013).
Ao se deparar com o sofrimento, os trabalhadores não expressam ou falam diretamente deste sentimento. Na maioria das vezes, ocorre a negação deste sofrimento, de modo que o funcionamento das estratégias defensivas é inconsciente (DEJOURS; ABDOUCHELI, 1994).
As estratégias defensivas podem ser individuais, embora as coletivas pareçam ser mais eficazes por serem reforçadas pela adesão do grupo (DEJOURS, 1992; DE MORAES, 2013). As estratégias defensivas coletivas funcionam como um acordo entre os membros do coletivo, que se empenham em mantê-las, para que o equilíbrio não seja quebrado. Os membros que não as aceitam são excluídos, pois podem colocar, em risco a estabilidade do grupo.
Embora as estratégias de defesa possuam a função de proteger a saúde psíquica por atenuarem a percepção dos trabalhadores em relação aos riscos ou adversidades, elas não promovem a emancipação destes. Apenas cumprem a função de atenuar o sofrimento, sem, todavia proporcionar a cura (LANCMAN; SZNELWAR, 2004). Ribeiro (2011) considera que as
estratégias defensivas são paliativas. A longo prazo, existe o risco dessas estratégias evoluírem para a alienação e descompensação psíquica (DEJOURS; JAYET, 1994).
As estratégias defensivas mais utilizadas são: a racionalização; a aceleração; a negação; o uso de brincadeiras durante o expediente; chegar antes do horário; buscar apoio no coletivo de trabalho; o individualismo; o isolamento; a individualização do sofrimento; a passividade; o silêncio; o distanciamento do cliente; o segredo; o domínio; a agressividade; o desvencilhamento das responsabilidades pela perda de iniciativa e recorrendo sempre aos superiores; o uso de substâncias calmantes; o alcoolismo; e a alienação (DEJOURS; JAYET, 1994; DE MORAES, 2013).
Tentaremos utilizar alguns exemplos para elucidar as estratégias defensivas. Dejours (1992) destaca o exemplo do subproletariado no mundo do subúrbio, onde coletivamente, esta população adota a vergonha e a resistência à doença como forma de eufemizar o sofrimento, pois adoecer, para esta população, significa não trabalhar e, consequentemente, acentuar os problemas financeiros que vivenciam em seu cotidiano, podendo conduzi-los à fome ou mesmo ao óbito.
Outro clássico exemplo revelado por Dejours et al. (1994) são os trabalhadores da construção civil que transgrediam com frequência as regras de segurança, expondo-se ao risco de acidentes, o que representa a estratégia defensiva de negação do medo. Esta estratégia foi observada também em trabalhadores de um centro nuclear (DEJOURS; JAYET, 1994), em trabalhadores de uma indústria de transformação de cana de açúcar (RUMIN; SCHMIDT, 2008), trabalhadores de uma indústria de perfuração em poços de petróleo (FIGUEIREDO; ALVAREZ, 2011) e em trabalhadores da medicina nuclear (DA SILVEIRA; GUILAM; DE OLIVEIRA, 2013). A negação do medo, aliada à valorização simbólica da virilidade, foi identificada frequentemente em coletivos de trabalho masculinos (DE MORAES, 2013).
Tschiedel e Monteiro (2013) identificaram o endurecimento emocional, a racionalização e negação do medo ou do perigo como estratégias defensivas de agentes de segurança penitenciária frente às adversidades do trabalho que conduzem ao sofrimento. Destacam-se como elementos adversos no trabalho desta categoria profissional a precariedade das condições de trabalho, como a superlotação dos presídios, o baixo número de funcionários, a falta de credibilidade perante as autoridades, a execução da revista íntima de quem atua diretamente no sistema prisional, além do
stress inerente da profissão, já que lidam em seu cotidiano com indivíduos marginalizados e
Observando como enfermeiros lidam com o sofrimento da profissão, principalmente derivado da íntima relação com a vida e com a morte, foram identificadas algumas estratégias defensivas com aspectos alienantes, tais como: evitar a comunicação com o paciente e com familiares, o distanciamento do paciente, o distanciamento emocional e a valorização dos procedimentos técnicos, aliada à diminuição da relação interpessoal (TRAESEL; MERLO, 2011).
Na pesquisa com assistentes em administração na Universidade do Maranhão foram encontradas as seguintes estratégias defensivas: a) o descomprometimento com as tarefas; b) a passividade de alguns servidores frente à sobrecarga de trabalho aliada à presença de estagiários; c) o silêncio frente à impotência das imposições da chefia; d) a percepção de que os colegas são relapsos e descompromissados, reforçando a passividade; alguns servidores apontam a estabilidade e a remuneração, como reforçadores para se capacitarem, já que não obtêm reconhecimento dos superiores; práticas clientelistas também foram citadas como referentes ao descomprometimento, isto é, não valeria a pena investir neste trabalho, já que não existe o reconhecimento; a preguiça e a ausência foram relatadas como forma de combater a estrutura organizacional fincada em um modelo técno-burocrático, estimulando o desânimo; a postergação de despachos, para chamarem a atenção, já que não são notados (RIBEIRO, 2011). Partindo
destas observações, em nossa pesquisa esperamos encontrar alguns comportamentos que possam ir ao encontro dos revelados acima. Acreditamos também, que um possível pressuposto em nossa pesquisa, é a utilização da remoção como um mecanismo de adaptação (ou fuga) da situação, migrando para um “novo” ambiente organizacional da instituição.
Por fim, é importante ressaltar que apesar de importantes, o uso exacerbado das defesas pode inclusive, originar novas patologias sociais, como a sobrecarga, a servidão voluntária e a violência (CARRASQUEIRA; BARBARINI, 2010). Todavia, utilizar estratégias defensivas pode ser positivo à medida que colabora com o equilíbrio psíquico e propicia a adaptação às situações emocionalmente desgastantes. Porém este comportamento pode ocultar o sofrimento psíquico quando o induz a uma estabilidade psíquica artificial, adquirindo assim, uma dimensão patológica que afeta tanto ao atendimento dos objetivos do trabalho como na vida social (MORRONE, 2001).
Síntese do Capítulo
Pensando nas questões abordadas nesta dissertação, foi construído um esquema com o intuito de sintetizar esta relação dinâmica que envolve o prazer e o sofrimento no trabalho, por meio da Figura 1.
Figura 1 – Esquema sintético da dinâmica prazer-sofrimento no trabalho
Em suma, a Figura 1 sintetiza os diferentes elementos envolvidos na PDT. O processo se inicia no confronto entre o trabalhador (portador de histórias, anseios e valores) com o cenário do trabalho, que é isento de neutralidade, na medida em que propicia o prazer ou o sofrimento.
O encontro ocorre entre a organização prescrita do trabalho (cerceado de regras e normas) com o trabalho real, no qual o trabalhador, muitas vezes, se vê impossibilitado de executá-lo, exceto pela utilização da inteligência astuciosa, que se materializa na transgressão. Este encontro é denominado de Ressonância Simbólica.
O sofrimento e o prazer podem integrar o trabalhar. No caso do sofrimento, este pode ser propulsor de mudanças por meio da mobilização subjetiva do trabalhador. Quando o sujeito se depara com um problema, experimenta o fracasso e busca uma solução, na esperança de aliviar este sofrimento. Este investimento subjetivo, conduzido pela inteligência astuciosa, objetiva subverter o sofrimento em prazer. Por essa via, o sofrimento se torna criativo. Este processo é potencializado pela cooperação, pelos espaços de discussão e pelo reconhecimento. Em contrapartida, quando a rigidez da organização de trabalho confronta a subjetividade do trabalhador e impede a transformação desse sofrimento, este pode tornar-se patogênico.
O sofrimento patogênico conduz o trabalhador à adoção de estratégias defensivas, que podem ser individuais ou coletivas. Estas estratégias, entretanto, são mediadoras deste sofrimento, mas nem sempre conseguem ressignificá-lo no longo prazo, de modo a funcionar como um paliativo, No longo prazo, podem conduzi-lo à alienação e, consequentemente, à patologia.
3 A ADMINSTRAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA, AS IFES E OS
SERVIDORES TÉCNICO-ADMINISTRATIVOS.
Para adentrarmos a realidade do servidor técnico-administrativo em educação, acreditamos que se faz necessário, apresentar um breve histórico da Administração Pública Brasileira, com ênfase para o seus estilos de administração, assim como situar um breve panorama das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).