3.2 X-I ŞINLARI K IRINIM A NALİZLERİ
3.2.1 Örgü Sabitleri
Outro elemento que a PDT considera em seu escopo é o reconhecimento no trabalho. Para Bendassoli (2012) o sentido do trabalho está vinculado a uma dinâmica de reconhecimento, que seria uma condição indispensável no processo de mobilização subjetiva da inteligência e da personalidade no trabalho. Este reconhecimento pode ocorrer tanto pelos pares como pelos superiores.
Para Lima (2013) o reconhecimento é a forma da retribuição simbólica advinda da contribuição dada pelo trabalhador, pelo engajamento de sua subjetividade e inteligência no trabalho.
Há também o reconhecimento da transgressão. Já foi dito que na contradição entre o trabalho prescrito e o trabalho real, o trabalhador desenvolve um esforço para lidar com este cenário. Por exemplo, diante da impossibilidade de cumprir uma regra, o trabalhador se vê diante do dilema da transgressão (DEJOURS; JAYET, 1994).
No caso da transgressão, observa-se a astúcia do trabalhador (mobilização da subjetividade) denominada de inteligência astuciosa (intelligence de la pratique) que se materializa no macete, trapaça21 ou quebra-galhos. Entretanto, a inteligência astuciosa gera dúvidas no sujeito, que conduz a atitude de forma consciente, embora não tenha a certeza da justeza da solução adotada (DEJOURS; JAYET, 1994; KATSURAYAMA; MORAES; PARENTE; MORETTI-PIRES, 2013).
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No cotidiano social, o termo trapaça é muitas vezes usado, por exemplo, para se referir à transgressão que um sujeito propositalmente realiza num jogo, a fim de sair dele como vencedor. Um truque que envolve uma astúcia, embora não seja aceita como um agir legítimo face às regras tacitamente aceitas pelo coletivo. Em Psicodinâmica do Trabalho, entretanto, o sentido de trapaça não vai ao encontro de dolo, mas designa os procedimentos que permitem a busca de um objetivo, sem seguir as regras (contidas nas prescrições), sem, contudo, trair seus princípios (SILVA; HELOANI, 2013).
Algumas condições psicossociais mobilizam o aparecimento da inteligência astuciosa, tais como a ressonância simbólica e o espaço público de discussão e de deliberação. A primeira (ressonância simbólica) refere-se ao encontro do imaginário do sujeito com a realidade do trabalho. Já o espaço público refere-se à criação de laços entre os trabalhadores ao estabelecerem e compartilharem relações de confiança e cooperação, dependendo de requisitos psicoafetivos (desejo e vontade de cooperação), assim como do estabelecimento de valores e regras (éticas) comuns. (DEJOURS; ABDOUCHELI, 1994).
O reconhecimento da transgressão pode levar o trabalhador à autorrealização aproximando-o da construção de um sentido no trabalho. Quando reconhecido pelo coletivo (pares), passa a legitimar a trapaça perante os seus pares. Quando reconhecido pelos superiores, esta trapaça pode ser incorporada ao prescrito, de modo a modificar a organização do trabalho. Este sofrimento inicial (causado pela contradição entre o trabalho prescrito e trabalho real), que conduz o sujeito à transgressão, quando reconhecido, portanto, o leva ao chamado “sofrimento criativo” (BENDASSOLI, 2012). Entretanto, quando não ocorre o reconhecimento do esforço ou da contribuição do indivíduo, ocorre o chamado “sofrimento patogênico”, que afeta a construção da identidade social, podendo acarretar no seu adoecimento mental ou somático (PIOLLI, 2011).
O reconhecimento ocorre por duas possíveis vias de julgamento: o julgamento da utilidade (ou vertical, advindo da hierarquia superior ou dos usuários do produto ou serviço/clientes)22; e o julgamento da beleza ou estético (ou horizontal, advindo dos pares)23.
22 “O julgamento de utilidade recai sobre a utilidade econômica, social ou técnica da contribuição dada pelo sujeito à
organização do trabalho. O julgamento de utilidade é importante para o sujeito porque lhe confere um status na organização para a qual ele trabalha e, além disso, um status na sociedade” (DEJOURS, 2012. p.367). O reconhecimento de sua atividade como um trabalho e não simplesmente como um hobby, um passatempo ou um lazer é a condição para obter não somente um salário, mas também para alcançar direitos sociais. O julgamento de utilidade é condição para afiliação à sociedade e de inscrição na civitas, como o ilustram todas as lutas por um visto de permanência na França, assim como no estrangeiro. Quando, então, na ocasião de um remanejamento nos quadros dirigentes da empresa ou de uma administração, conclui-se que um empregado até então bem considerado e bem visto é inútil, o sofrimento pode ter consequências deletérias. Basta fazer menção aos temidos efeitos do que se conhece como “posto na geladeira”, isto é, relegar o sujeito às tarefas subalternas ou inúteis, ou ainda a
interdição de trabalhar, mesmo que recebendo salário. Numerosas pessoas “congeladas” são destruídas pela vergonha e pela perda de confiança em si mesmas e mergulham na depressão” (DEJOURS, 2012. p. 367).
23É julgamento dos pares, mais severo certamente, o mais valorizado. Seu impacto na identidade é
considerável. Reconhecido pelos pares, um trabalhador tem acesso ao pertencimento de uma equipe, de um coletivo,
de uma comunidade profissional. O pertencimento é aquilo que pelo trabalho permite conjurar a solidão. Dizemos então que ele, o trabalhador, é um piloto de caça como os outros, que é, então, um pesquisador como os outros, que é uma psicanalista como os outros psicanalistas.
Deve-se ressaltar, entretanto, que estes julgamentos referem-se ao trabalho e não ao indivíduo em si (ALDERSON, 2004; TSCHIEDEL; MONTEIRO, 2013).
O julgamento da utilidade é o proferido essencialmente pelos superiores hierárquicos, que estão em situação de poder aferir a utilidade do trabalho realizado. Pode também advir dos subordinados, por exemplo, no caso de um chefe severo, prejudicando a relação de cooperação entre o grupo; ou dos clientes do serviço, isto é, dos beneficiários da qualidade do serviço prestado, representados pelo usuário, pelo aluno, pelo paciente, etc. (DEJOURS, 2012). Já o julgamento da beleza é aquele proferido pelos pares, de modo a recair não apenas sobre a utilidade do trabalho realizado, mas sobre a estética. Uma bonita forma de fazer, uma demonstração elegante, entre outras formas. Este julgamento conota principalmente a conformidade do trabalho realizado às regras do ofício ou da arte, assim, pode ser emitido apenas por aqueles que realmente conhecem e vivenciam tais regras (DEJOURS, 2012).
Por fim, o trabalho constitui-se, portanto, como fruto do reconhecimento social. Traesel et al. (2011) destacam que o reconhecimento é considerado como o protagonista na construção da identidade e na produção de sentido ao sofrimento no trabalho. Do mesmo modo, Silva (2013) indica que o reconhecimento no trabalho seria análogo a um antídoto contra o sofrimento, viabilizando a sua possível transformação em prazer.