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Zira ateşin odunu yiyip bitirdiği gibi kıskançlık da iyilikleri yiyip bitirir.”

Belgede 1. Bölüm. Sevgili Peygamberim 1 (sayfa 170-187)

De acordo com a dissertação de mestrado da professora Mônica Costa (1999) da Universidade Federal de Pernambuco – Ufpe, intitulada “Crise ou Mudança nos Movimentos Sociais? O Caso do Movimento Popular de Saúde”, o surgimento do Mops no Brasil está vinculado a realização dos Encontros de Experiências de Medicina Comunitária – Enemec, e destaca o período de 1979 a 1989 como uma década que foi palco da constituição do referido movimento.

Costa (1999) relata que o I Enemec foi realizado no período de 26 a 29 de agosto de 1979 no município de Lins/SP e contou com o apoio da arquidiocese da cidade. O evento reuniu 332 militantes, com destaque para a participação expressiva de trabalhadores da área de saúde, todos vinculados as experiências de trabalho comunitário da Igreja Católica.

Ana Doimo e Maria Rodrigues (2007), em seus estudos, apontam que durante o I Enemec uma das primeiras conclusões a que se chegou foi que o trabalho que vinha sendo realizado por meio dessas experiências com equipe multiprofissional de valorizar tanto a participação do agente local quanto a saúde comunitária,

significa nada menos do que a incubação do Programa de Saúde da Família e da profissionalização do Agente de Saúde, ambos, reconhecidos, institucionalizados e potencializados pelo governo FHC, contando com a extensa rede para sua implementação (DOIMO e RODRIGUES, 2007, p. 112-113).

A realização do II Enemec aconteceu na cidade de Olinda/PE no período de 17 a 21 de setembro de 1980 e o seu grande diferencial foi a participação significativa de um grande número de militantes ligados a organizações populares (Cf. COSTA, 1999). Os debates desse encontro desencadearam conflitos e marcaram posições políticas opostas por parte de grupos com propostas diferenciadas: por um lado, um grupo que passava a adotar uma concepção de saúde a partir de um viés político, ou seja, a compreensão de que discutir saúde se constituía num espaço de mobilização e de reivindicação dos grupos populares e, que, portanto havia a necessidade de conscientização e politização das camadas populares; em contraposição ao outro grupo que defendia uma concepção de saúde arraigada ao âmbito da assistência, ligado aos trabalhos pastorais da Igreja Católica.

Ainda conforme Costa (1999), em 1981 aconteceu o III Enemec na cidade de Goiânia/GO, oportunidade em que se discutiu a necessidade de um acompanhamento as propostas governamentais relativas à criação do Prevsaúde, como também a construção do entendimento de que a saúde é um dever do Estado e como tal deve ser acessada de forma igualitária e universal; além da defesa na participação da sociedade no processo de elaboração da Política Nacional de Saúde. Destaca a referida autora que foi essa nova forma política de se pensar a saúde que gerou uma nova definição para o Enemec que passou a assumir a identidade de um Movimento Popular de Saúde, criando-se a partir daí uma Coordenação Nacional e uma Secretaria Executiva; momento também em que se elegeu o dia 7 de abril como uma data consagrada ao Dia Nacional de Luta pela Saúde (COSTA, 1999).

Nesse sentido, a referida autora destaca dois fatores fundamentais que justificam a criação do Mops:

A questão da saúde é reconhecida como uma prioridade nas lutas sociais, no entanto sua constituição como luta popular específica, como móvel de ação política surge naquele momento. Outra justificativa para o surgimento do Mops, é o fato da igreja ter protagonizado e impulsionado

este processo e suas restrições institucionais poderiam impedir o desenvolvimento político destes grupos populares... (COSTA, 1999, p. 52).

A tese de doutoramento de Paulette C. de Albuquerque (2003) ratifica as informações de Costa (1999) sobre o processo de criação do Mops, tomando o II e o III Enemec como os momentos fundamentais para o processo de criação do Mops no Brasil:

O 2º Enemec acontece em Olinda, coordenado pelo Prof. João Francisco, hoje da Ufpe. Os relatos de dois entrevistados referem ter sido maior que o primeiro e que já se discutiu a criação do Movimento Popular de Saúde (Mops). Oficialmente é o 3º Enemec, realizado em Goiânia, que cria o Mops nacionalmente (ALBUQUERQUE, 2003, p. 71).

Nesta linha de reflexão Doimo e Rodrigues (2007) notaram: “O Mops é ‘oficialmente’ criado como fruto do empenho do Cepis (Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapiental), berço ongista do dominicano Frei Betto98”. (DOIMO e RODRIGUES, 2007, p. 99). E prosseguem adiante:

(...) era nítida a força hegemônica do ethos vinculado pelo novo ‘movimento popular de saúde’, cujos princípios se definiam pela manutenção da independência e autonomia dos grupos organizados em relação aos partidos e ao governo. ‘Sem atrelamento ao Estado, partidos e instituições, [a estratégia era a de] exigir os serviços de saúde a partir de decisões tomadas pelo povo sem fazer concessões’. Na época, tais princípios geravam uma postura que valorizava a mobilização social e a participação direta, em detrimento da representação institucional, bem como desqualificava condutas de negociações e de ‘atuar por dentro do Estado’ (DOIMO e RODRIGUES, 2007, p. 99-100).

Diante dessas considerações gerais acerca do surgimento do Mops no Brasil, o sociólogo e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública – Ensp, Eduardo Stotz (2005, p. 23), afirma que o “Mops já nasce rachado”. Segundo ele, as divergências no âmbito político e ideológico surgidas da necessidade de se questionar e lutar por mudanças no modelo de assistência à saúde, alteraria o rumo das ações que até então eram desenvolvidas conforme os trabalhos comunitários ligados à igreja.

98 Doimo e Rodrigues (2007) enfatizam o protagonismo do Frei Betto no trabalho de criação das comunidades Eclesiais de Base – Cebs na cidade de Vitória/ES com base nos princípios da Teologia da Libertação, e com o apoio da arquidiocese de orientação progressista promoveu nos anos de 1973, 1974 e 1975 os encontros nacionais dos Cebs em Vitória.

O I Congresso Nacional do Mops, ocorrido entre 13 e 17 de julho de 1994 na cidade de Goiânia, teve a pretensão de reunir as tendências que se formaram desde a cisão que aconteceu quando da criação do movimento, como vimos acima. Stotz (2005) assinala os desdobramentos que ocorreram após o encerramento do congresso:

Mas, não há acordo possível com a linha proposta de um movimento de ‘massa’, organizado pela base para lutar por um outro sistema de governo. A divisão acaba por inviabilizar a implementação da política proposta, pois é aprovada com uma diferença de apenas seis votos (...) alguns profissionais de saúde e professores universitários comprometidos com a educação popular que não aceitam a proposta mantêm-se em contato por meio de Articulação Nacional de Educação Popular em Saúde surgida em São Paulo no ano de 1991. A articulação toma a forma da Rede de Educação Popular e Saúde em 1999 (...) O processo molecular de reorganização que culmina com a criação da Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde (Aneps), no I Encontro Nacional realizado em Brasília nos dias 5 e 6 de dezembro de 2003 (STOTZ, 2005, p. 25).

Cabe observar, portanto, como fica o protagonismo do Mops enquanto único articulador até o surgimento da Aneps no Brasil. Qual o significado do Mops e da Aneps? Há sobreposições de papéis? Fica claro para os militantes as possíveis diferenças entre as finalidades dessas organizações? Parece-me que essas questões merecem um debate mais profundo junto aos militantes99 das mesmas.

Na atualidade, o Mops no Brasil se encontra num processo de reestruturação em vários Estados, conforme demonstra o quadro a seguir:

99 Durante a abertura oficial da Oficina Nacional sobre o Movimento Popular de Saúde realizada em abril de 2008, em Brasília, os militantes do Mops também ligados a Aneps se apresentaram como militantes desta última, tal comportamento foi chamado à atenção pela coordenadora do Mops/SE Simone Leite que presente ao evento suscitou junto aos participantes uma reflexão sobre o porquê do militante omitir a sua vinculação com o Mops numa oficina nacional em que está se discutindo a rearticulação do movimento em escala nacional. Esse debate foi apimentado quando um militante do Rio Grande do Sul questionou a condução política das ações na Aneps, dando a entender que se trata de um grupo de “doutores” que iluminados ditam como as coisas devem acontecer. O certo é que os conflitos a respeito do papel da Aneps emergiram nesse momento, o que aponta a necessidade de um melhor entendimento sobre as especificidades de cada uma e a sua contribuição frente à defesa do SUS e a um novo modelo de sociedade.

QUADRO 2

PANORAMA DO MOPS NO BRASIL - JULHO/2009

REGIÕES ESTADOS SITUAÇÃO ATUAL

INEXISTENTES CONTATOS REESTRUTURAÇÃO ATIVO

AC sim - não -

AM sim - não -

NORTE RR sim - não -

AP - Randolh e

Dercio sim sim

PA - Gerson e

Valdomiro

- sim

RO sim - não -

TO - Mafalda sim sim

MA - Roseliane e

Constância sim sim

PI - Laureni e

Geovane sim sim

CE sim - - - BA - Silvio e Sandra - sim NORDESTE RN sim - - - PB - Palmira - - PE - Ednalva e

Oris sim sim

AL - Fernando Dores e Maria José sim sim SE - Simone , Irmã Vandete, Magno, ... - sim

MT - Suely sim sim

CENTRO MS - Marisa sim não

OESTE GO - Francisca sim sim

DF - Silveria,

Deusa sim sim

PR - Livaldo sim sim

SUL SC - Rosi sim sim

RS - Xandeco sim não

MG - - - não

SUDOESTE SP - Luzia,

Juliana sim sim

ES sim - - -

RJ sim - - -

FONTE: Coordenadora do Mops/SE/2009 – Simone Leite Elaboração própria

Conforme depoimento da coordenação do Mops/SE, de uma forma geral, as atividades desenvolvidas pelos movimentos de saúde apontados como ativos em vários Estados, ocorrem de uma forma descontínua, diferente do movimento de

Sergipe que mantém as suas ações ininterruptas há quase duas décadas. Na opinião de Simone Leite, de uma forma geral o Mops está sendo reestruturado pois dos antigos militantes muitos ocuparam cargos nas administrações, outros desistiram e estão em outras trincheiras, mas ainda é um movimento de referência na saúde, e existem militantes acreditando no movimento como forma de organização popular.

O coordenador do Mops da Bahia e também membro da Coordenação Nacional do Mops, Sílvio Leal, apresentou uma retrospectiva histórica das ações do Mops no Brasil referentes ao período 1979-2007, durante a realização do X Encontro Estadual do Mops/SE no mês de julho de 2007 em São Cristóvão/SE100,

(Ver Anexos). Esse resgate histórico permitiu visualizar o percurso de lutas encampadas pelo movimento durante a sua trajetória de ações com destaque para os vários espaços políticos conquistados no terreno das disputas em que contraria os objetivos do projeto político hospitalocêntrico.

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