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Zeytin örneklerinin fenolik profil, toplam fenolik madde ve antioksidan

4.7 Temel Bileşenler Analizi 54

4.7.1 Zeytin örneklerinin fenolik profil, toplam fenolik madde ve antioksidan

Já nos perguntamos antes e retornamos à questão: Porque o autor escreveu um evangelho? Sabemos que este é relativamente tardio (20 ou 30 anos depois dos Sinóticos) e que o caráter polêmico e apologético está centrado em questões principalmente cristológicas, mas também eclesiológicas, escatológicas e éticas. Esse estilo é muito claro no texto. O autor queria dar respostas a essas questões.63 Baseia-se na sua condição de testemunha ocular e auricular (Jo 1,14; 19,35; 1Jo 1,1.3) e na tradição da fé da Igreja. Os adversários, ao contrário, por não serem testemunhas, por prescindir da tradição, chegaram a uma compreensão falsa de Jesus. Para fundamentar sua defesa, o autor do QE observa o passado de Jesus partindo do seu próprio presente. Esta situação hermenêutica se caracteriza pela mistura de dois horizontes: o do presente e o do passado. Quer dizer, procura-se ver a pessoa histórica de Jesus de Nazaré partindo das questões que se discutem no presente. Os termos gnosiológicos do QE demonstram esse método joanino do reconhecimento histórico de Jesus. Termos tais como: ver, escutar, conhecer, saber, dar testemunho, recordar. Já no Prólogo do QE nota-se que a comunidade joanina se apropriou de conceitos da teologia e sabedoria judaicas e confessava a encarnação do Logos celeste repudiando a

62 TUÑI, José-Oriol. Escritos Joaninos e Cartas Católicas, p. 86-87.

63 Em recentes pesquisas sobre o Evangelho de Tomé, Elaine Pagels faz interessantes afirmações que

confirmam o que afirmamos e diz que muitos acadêmicos estão convencidos atualmente de que o QE, provavelmente escrito no final do século I, resultou de um intenso debate em torno de quem Jesus era – ou é. A autora comparou o QE com o de Tomé e chegou a conclusão que o QE foi redigido no auge da polêmica para defender certas opiniões sobre Jesus e rejeitar outras. Isso tudo faz conhecer e saber, segundo a autora, do que este Evangelho é a favor e a que ele se opõe. Cf. PAGELS, Elaine. Além de toda crença. O Evangelho desconhecido de Tomé, p. 42.

visão gnóstica do evento da revelação, para a qual o critério de salvação era a rejeição radical da esfera terrena e humana.

Helmut Koester escreve claramente a esse respeito dizendo que a primeira parte do QE (2 – 12) tem o objetivo de analisar critérios tradicionais para o reconhecimento da revelação, como vimos anteriormente com Bultmann. Essa análise é introduzida pela descrição da reação daὅ peὅὅoaὅ aoὅ milagὄeὅ ἶe Jeὅuὅ e pela ἵὄítiἵa ἶoὅ “juἶeuὅ” a Jesus. A crítica aos milagres e a polêmica contra os judeus são, sem dúvida, segundo Koester, tópicos já presentes na tradição. O autor do QE, contudo, recorre a essa tradição para discutir um problema fundamental, ou seja, o dilema da documentação visível da presença divina, que é facilmente aceita porque confirma desejos e preconceitos religiosos já existentes, ou que é rejeitada porque não combina com critérios teológicos preconcebidos.

Os desdobramentos posteriores demonstram que toda a polêmica e os conflitos que a comunidade teve de enfrentar ajudaram a definir a identidade da mesma e foi decisivo na história das comunidades joaninas separadas. Podemos dizer que a

Primeira Carta de João é um testemunho importante desse desdobramento. A posição

teológica do seu autor ainda está muito ligada à do autor do QE. 1Jo não é uma carta propriamente dita – diz Helmut Koester. Não há endereço nem conclusão. Parece ser de fato um tratado polêmico que procura intervir na controvérsia sobre a interpretação da tradição joanina e do QE. O autor deste escrito identifica os oponentes como pessoas que negam a validade do credo da comunidade (1Jo 4,2-3) e entra em debate com eles. Vai além de uma simples defesa do QE contra uma interpretação gnóstica; ele expande a teologia joanina apropriando-se de outros conceitos que eram correntes no cristianismo sírio e também nas comunidades da missão paulina. Segundo Koester,

o autor desta 1Jo é um político da igreja dos círculos joaninos que nela trata de aspectos práticos da continuação do legado joanino. Por seus esforços, a tradição joanina, e especialmente o QE, seriam finalmente bem recebidos pela igreja em geral.

Podemos entender agora, mais que antes, para que foi escrito o QE e por que encontramos tão marcadamente esse estilo polêmico e apologético centrado nas questões cristológicas como foco mais evidente. O autor queria dar respostas seguras a essas questões e iluminar os passos dos membros da comunidade no caminho certo, segundo a verdadeira fé em Jesus Cristo, o Messias e Filho de Deus (Jo 20,30).

1.4 Os “judeus” no Quarto Evangelho e em 8,31-59

1.4.1 Quem eram os “judeus” do QE?

ἢὄeἵiὅamoὅ ἶiὅtinguiὄ e ἶefiniὄ ὃuem eὄam oὅ Ἰκν αῖκδ ἶo ἣEέ ἡ evangeliὅta parece ser de uma aversão odiosa sem limites para com os judeus. Quem são afinal os Ἰκν αῖκδο ἡ autoὄ ἶo QE era anti-ὅemitaο ἡὅ “juἶeuὅ” eὄam o ἶemὲnio peὄὅonifiἵaἶo pelo autor?64 ἠo texto evangéliἵo eὅὅeὅ “juἶeuὅ” ὅão iἶentifiἵaἶoὅ ἵom aὅ autoὄiἶaἶeὅ

64 Elaine Pagelὅ ἶiὐ ὃue a intenção ἶo autoὄ ao uὅaὄ o teὄmo “juἶeu” eὄa paὄa aὅὅoἵiaὄ a figuὄa mitológiἵa

de Satanás a uma oposição humana específica, implicando em primeiro lugar Judas Iscariotes, em ὅeguiἶa, aὅ autoὄiἶaἶeὅ juἶaiἵaὅ e, poὄ último, “oὅ juἶeuὅ” ἵoletivamenteέ Deὅἶe o iníἵio ἶo ἣE o autoὄ tὄaça aὅ linhaὅ ἶe ἴatalha entὄe oὅ “filhoὅ ἶa luὐ” e oὅ “filhoὅ ἶaὅ tὄevaὅ”, emἴoὄa, neὅte ἵaὅo, a luz seja especifiἵamente ὄepὄeὅentaἶa poὄ Jeὅuὅέ Depoiὅ ἶe teὄem “oὅ juἶeuὅ” tentaἶo apeἶὄejá-lo por pronunciar blasfêmias – reivindicandoo nome divino (8,58) – Jesus declarou: É necessário que

façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo (9,4-5). Pagels diz assim que os leitores do

QE são, portanto, avisados de que os fatos que ele descreve servem para julgar e condenar como “filhoὅ ἶaὅ tὄevaὅ” aὃueleὅ ὃue paὄtiἵipaὄam ἶa ἶeὅtruição de Jesus. Pagels conclui dizendo que as várias descrições do diabo feitas pelo autor do QE e pelos demais evangelistas correlacionam-se com a “hiὅtóὄia ὅoἵial ἶe ἥatanáὅ” – isto é, com a história do crescente conflito entre grupos que representavam os seguidores de Jesus e a oposição a eles. E que ao apresentar a vida e a mensagem de Jesus nesses termos polêmicos, os evangelistas pretendiam sem dúvida fortalecer a solidariedade do grupo. Isso parece ser muito peculiar e real na comunidade joanina. Sobre as conseqüências que esta forma apresentada no QE produziu ao longo dos séculos posteriores e a relação dos cristãos com os judeus, iremos aprofundar no decorrer da pesquisa nos capítulos seguintes. Cf. PAGELS, Elaine. As

judaicas: não com a gente de Jerusalém ou da Judéia, menos ainda com a nação judaica no seu ambiente, mas simplesmente com os homens que têm o poder e a influência que lhes conferem o direito de falar no lugar de todos os outros. Mas porque tanta hostilidade para com eles? Devemos considerar a natureza especificamente religiosa do antagonismo entre Jesus e os judeus neste Evangelho. Entre tantos motivos, esse é o primeiro e o essencial. Como escreve John Ashton, a finalidade essencial dos judeus no QE é aquela de representar e simbolizar a dureza de coração e a incompreensão humana diante da revelação de Jesus.65

Percorrendo algumas perícopes do QE encontramos conflitos e controvérsias ἶeἵlaὄaἶoὅ entὄe Jeὅuὅ e oὅ “juἶeuὅ”έ Deἶuὐimoὅ aὅὅim o ὃuanto a ἵomuniἶaἶe teve que se esforçar para travar um diálogo e buscar respostas sólidas para confrontar-se ἵom o “ἶifeὄente” ἶe ἶentὄo e ἶe foὄa, ὃue naὅ ὃueὅtὴeὅ polêmiἵaὅ, é aὅὅunto meὅmo de família.66 O autor nos dá a impressão, porém, que o cristianismo e o povo judeu pertencem a dois mundos totalmente diferentes. Jesus mesmo, sua mãe e seus amigos, são descritos de tal modo que se pode esquecer que eles são judeus. O Evangelho é cheio de palavras duras contra os judeus: eles não conhecem Deus (8,19), tem o diabo por pai e imitam suas obras (8,44), e mesmo se procuram o salvador, não o encontram, porque eles morrerão nos seus pecados (8,21). K. Wengst nos faz entender melhor que iἶentifiἵaὄ ὃual o “juἶaíὅmo” ὃue ὅe apὄeὅenta no ἣE impliἵa em examinaὄ a ὄelação concreta entre a comunidade joanina e aquilo que o próprio Evangelho chama de

65 Cf. ASHTON, John, Comprendere il Quarto Vangelo, p. 137.

66 John Ashton ἵhama ἶe “feὄoὐeὅ ὄixas familiaὄeὅ”, ἵomo ὅe tiveὅὅe aἵumulaἶo muito ὄanἵoὄέ ἤefeὄem-

judeus e mundo.67 Com isso entendemos melhor ainda as causas da ruptura entre a ἵomuniἶaἶe joanina e oὅ “juἶeuὅ”, ὃue não aἵeitaὄam nem ὅeguiὄam Jeὅuὅ ἑὄiὅtoέ

1.4.2 O posicionamento do autor do QE diante dos “judeus”

Fazemos notar também que o evangelista põe muita ênfase na afirmação que Jesus é o Messias, precisamente o que alguns judeus negavam. Com mais freqüência que os Sinóticos o autor usa o nome Christós ΦΥλδ σϛ), e é o úniἵo ὃue tὄanὅἵὄeve o nome εeὅὅiaὅ ΦΜ έαμ), 1,ἂ1λ ἂ,ἀἃέ Iἶentifiἵa a ἑὄiὅto ἵom figuὄaὅ pὄeanunἵiaἶaὅ no Antigo Testamento: o Servo de Javé (1, 29.34), o cordeiro de Deus (1,29), o rei de

Israel (1,49), o Santo de Deus (6,69). Na primeira parte do Evangelho apresenta Jesus

posicionando-o diante das instituições de Israel: a expiação, o Templo, o culto (2 – 4), as festas (Sábado, Páscoa, Tabernáculos, Dedicação (5 – 10). Poderíamos justificar essa atitude do evangelista como reação diante da incredulidade dos judeus. Há uma atitude polêmica em relação a eles: em 10,34-36, com estilo rabínico, defende-se o direito que tem Jesus de ser chamado Filho de Deus (cf. 8,44-47.54.55; 9,28). A maneira mesma de usar a expressão os judeus, denota esta atitude controvérsia (aparece 70 vezes no QE contra 6 ou 7 vezes em cada um dos Sinóticos): em boa parte se usa o termo técnico para designar as autoridades religiosas, especialmente as de Jerusalém, que são hostis a Jesus. Em algumas passagens se vê claramente que o termo os judeus não expressa o aspecto técnico, geográfico ou religioso: em 9,22, por exemplo, ao mencionar os parentes do cego de nascença, que eram provavelmente judeus, se afirma que eles tinham medo dos judeus, ou seja, dos fariseus que investigavam o assunto. Em outras passagens se alternam as denominações os judeus, os sumos sacerdotes, os fariseus: cf. 1θ,ἁέ1ἀέἀθλ θ,1ἁέ1θὅλ Φoὅ juἶeuὅ ǁ εἵ 1ἃ,1 Φo

Sinédrio). Há também textos que falam positivamente dos judeus. Sobressai o texto 4,22 onde o Jesus joanino afirma de modo absoluto: a salvação vem dos judeus – e não dos samaritanos ou dos pagãos. Noutros textos os judeus acreditam nele (8,31; 12,10-11). A família de Lázaro, Maria e Marta é judia e amigos íntimos de Jesus. Nicodemos é judeu e admira Jesus. Outros duvidam ou interrogam-se sobre a verdade de Jesus (7,15; 10,19.24).68

Observamos ainda que no QE desapareceram algumas classificações próprias dos Sinóticos, como saduceus, herodianos, zelotas, publicanos, escribas, pecadores, justos, pobres, ricos, etc. Esta diferença dos Sinóticos, que é uma simplificação e uma generalização, pode ser devida à mudança de perspectiva histórica que aconteceu depois do ano 70, após a guerra judaica, como vimos no contexto sócio-cultural acima. O judaísmo do tempo em que o Evangelho foi escrito era o judaísmo farisaico. Nesta época os judeus que creram em Jesus Cristo eram chamados de cristãos; quando os cristãos empregavam o termo judeus, sem ulterior qualificação ou explicação, se referiam aos que haviam rejeitado a Jesus e permaneciam fiéis à Sinagoga. O autor joanino usa este termo com uma forte conotação polêmica: para ele os judeus pertencem ao “mundo”, ou seja, ao grupo dos homens que se opõem a Jesus, que não o aceitam com a luz; a sua oposição não é contra a raça ou a nação enquanto tais, mas é contra a resistência em crer em Jesus. A obstinação dos judeus dos tempos da composição do Evangelho se vê como a continuação da atitude das autoridades de Jerusalém que manifestou hostilidade e rejeição ao Messias. A acusação mais evidente que o autor faz aos judeus é a da incredulidade; ele não ataca, como fazem os Sinóticos, a hipocrisia ou as doutrinas e práxis morais dos fariseus. O problema da observância ou não da Lei não é o objeto da discussão com os judeus. O que está no

centro das controvérsias é o problema da fé, da fé em Jesus Cristo. É de natureza essencialmente religiosa o motivo das controvérsias e hostilidade para com eles. Aceitar a divindade de Jesus era um dos motivos para disputas e discussões.

Benzer Belgeler