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HİKÂYELERİN ÖZETLERİ

12. Zaman Torbası

A Pedagogia Histórico-Crítica é a proposta pedagógica de Saviani, que a organizou a partir de uma concepção dialética.

Para tanto, baseou-se, inicialmente, nos textos de Paulo Freire que inseriu a educação no plano das lutas de classes e do francês Bordieu-Passeron, que via a escola como aparelho ideológico a serviço da burguesia.

A partir disso, criou o que originalmente chamou-se de pedagogia revolucionária, posteriormente definida como pedagogia histórico-crítica.

A pedagogia revolucionária é crítica. E, por ser crítica, sabe-se condicionada. Longe de entender a educação como determinante principal das transformações sociais, reconhece ser ela elemento secundário e determinado (...) entende que a educação se relaciona dialeticamente com a sociedade. Nesse sentido, ainda que elemento determinado, não deixa de influenciar o elemento determinante. Ainda que secundário, nem por isso deixa de ser instrumento importante e por vezes decisivo no processo de transformação da sociedade. (Saviani, 2003, p. 65).

A educação é vista no seu caráter contraditório, onde ocorre a articulação da análise dos condicionantes sociais à sua dimensão histórica.

A educação tem uma função política (que ninguém mais discute) e também de que essa função da educação é contraditória e, portanto, a classe dominante se empenha em colocar a educação a seu serviço, ao mesmo tempo em que as classes dominadas, os trabalhadores, buscam articular a escola tendo em vista os seus interesses” (Saviani, 1994, p. 17).

É uma pedagogia articulada com interesses populares que preconiza a necessidade de métodos de ensino eficazes capazes de: valorizar a iniciativa do aluno sem abrir mão da iniciativa do professor; viabilizar o diálogo entre professor e aluno, sem deixar de lado o diálogo com a cultura acumulada historicamente; investir em atividades que partam do interesse dos alunos, os ritmos de aprendizagem e desenvolvimento psicológico, sem desconsiderar a sistematização lógica dos conhecimentos (ordenação e gradação lógica no processo de transmissão e assimilação do mesmo).

“Os métodos que preconizo mantêm continuamente presente a vinculação entre educação e sociedade (...) professor e aluno são tomados como agentes sociais (...)” (Saviani, 2003, p. 70).

Saviani define passos para o processo de ensino-aprendizagem. O primeiro deles é a tomada da prática social, comum a professores e alunos, como ponto de partida do ensino.

O segundo seria o levantamento dos principais problemas postos pela prática social, definido pelo professor como “problematização”.

Trata-se de se apropriar dos instrumentos teóricos e práticos necessários ao equacionamento dos problemas detectados na prática social. Como tais instrumentos são produzidos socialmente e preservados historicamente, a sua apropriação pelos alunos está na dependência de sua transmissão direta ou indireta por parte do professor. (Saviani, 2003, p. 71).

O terceiro passo consiste na instrumentalização, que nada mais é do que viabilizar que as camadas populares se apropriem das ferramentas culturais necessárias à luta social em direção à sua libertação.

Catarse é o nome dado ao quarto passo, que se traduziria na incorporação dos instrumentos culturais, transformados em elementos concretos para a transformação social.

Vale observar que Saviani se utilizou de algumas idéias de Gramsci para descrever este passo: “elaboração superior da estrutura em superestrutura na consciência dos homens”

(Gramsci, 1978, p. 53 apud Saviani, 2003, p. 72).

É importante ainda lembrar que, para Saviani, a educação supõe uma desigualdade entre educador e educando no ponto de partida e igualdade no ponto de chegada (o que supõe uma heterogeneidade real e uma homogeneidade possível).

“A educação, portanto, não transforma de modo direto e imediato e sim de modo indireto e mediato, isto é, agindo sobre os sujeitos da prática” (Saviani, 2003, p. 73).

E o professor ainda completa a idéia da seguinte forma:

A teoria em si (...) não transforma o mundo. Pode contribuir para a sua transformação, mas para isso tem que sair de si mesma e, em primeiro lugar tem que ser assimilada pelos que vão ocasionar, com seus atos reais, efetivos, tal transformação. Entre a teoria e a atividade prática transformadora se insere um trabalho de educação das consciências, de organização dos meios materiais e planos concretos de ação; tudo isso como passagem indispensável para desenvolver ações reais, efetivas. Nesse sentido, uma teoria é prática na medida em que materializa, através de uma série de mediações, o que antes só existia idealmente, como conhecimento da realidade ou antecipação ideal de sua transformação. (Saviani, 2003, p. 73).

Desta forma, ele conceitua educação como “atividade mediadora no seio da prática social global” que tem como papel a socialização do saber socialmente produzido, que, como a sociedade, não é estático, pois está sempre em movimento.

Uma discussão que emergiu, para Saviani, na discussão do saber foi justamente a relação entre o erudito e o popular. Ele tenta superar esta discussão ao afirmar que eles não devem ser encarados como dois tipos de saberes isolados e opostos, visto que um está contido no outro e vice-versa.

“Nem o saber erudito é puramente burguês, dominante, nem a cultura popular é puramente popular. A cultura popular incorpora elementos da ideologia da cultura dominante que, ao se converterem em senso comum, penetram nas massas”. (Savini, 1994, p. 21)

Mesmo os grupos que, como os nossos, dividem e hierarquizam tipos de saber, de alunos e de usos do saber, não podem abandonar por inteiro as formas livres, familiares e/ou comunitárias de educação. Em todos os cantos do mundo, primeiro a educação existe como um inventário amplo de relações interpessoais diretas no âmbito familiar. Esta é a rede de trocas de saber mais universal e mais persistente na sociedade humana. (Brandão, 2004, p. 31-32).

Neste estudo, serão também abordadas a seguir, algumas idéias relacionadas à área da educação de Antônio Gramsci (1891-1937) que, junto com Paulo Freire (anteriormente citado), têm contribuído para embasar as reflexões sobre a dimensão educativa no Serviço Social.