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4.2 YYPE Temelli Hazırlanan Kompozitlerin Dayanım Özellikleri

4.2.1 YYPE Temelli Hazırlanan Kompozitlerin Mekanik ve Elektrik Dayanım

A discussão sobre a adolescência é retomada por Lacan em 1974 em seu comentário à peça “O despertar da primavera”, que estava sendo remontada pela Sra. Brigitte Jaques para o

festival de outono do mesmo ano. A peça, originalmente escrita em 1891 por Frank Wedekind, traz como tema os impasses aos quais o encontro com o sexual dá origem na adolescência, e tem quatro personagens centrais: Melchior, Moritz, Wendla e o Homem mascarado. Os finais trágicos contidos na peça - suicídio de Moritz, a morte de Wendla e o envio de Melchior para um instituto correcional - fazem jus ao subtítulo “Uma tragédia na juventude”.

Em seu comentário sobre a peça, Lacan (1974/2003) a define do seguinte modo: “Assim um dramaturgo alemão abordou, em 1891, a história do que é, para os meninos adolescentes, fazer amor com as mocinhas, assinalando que eles não pensariam nisso sem o despertar dos seus sonhos” (p.557). Dessa forma, Lacan entende que, justamente por fazer furo no real, é preciso o recurso da fantasia para que o sujeito adolescente possa saber fazer com a sexualidade. Ele também indica que Wedekind adianta Freud, que em 1891 ainda estava formulando sua teoria sobre o inconsciente e a sexualidade.

Na peça, fica evidente a angústia de Moritz, que se divide entre ser aprovado no ano letivo para não decepcionar seus rígidos pais e a curiosidade em relação ao sexo, sobre o qual nada sabe. Em busca de uma resposta para esse não saber, revira a enciclopédia, mas só encontra “palavras e mais palavras!” (Wedekind,1991, p.14), indicando, com isso, que o conhecimento sobre o sexo escapa à articulação significante. Frente a essa inexistência de saber, Moritz pede que Melchior lhe escreva sobre o que sabe e que coloque o escrito dentro de um livro para que possa ser lido de surpresa.

Melchior, por sua vez, encontra no saber uma forma de tentar articular o desconhecimento sobre o sexo. No entanto, ele se depara com o enigma sobre o gozo feminino e não consegue compreender o prazer de Wendla em ajudar aos pobres. Ele sabe que meninos e meninas são diferentes, mas não sabe bem como as coisas se passam com o sexo oposto, buscando, então, um saber sobre o Outro sexo.

Após ler o manual escrito pelo amigo, Moritz também interroga o gozo feminino:

O que mais me perturbou foi o que você disse sobre as meninas. A sensibilidade delas tem a frescura de uma flor que brota na pedra. Ela ergue a taça (que nenhuma boca encostou) e toma o néctar, enquanto ele queima e brilha. O prazer do homem, comparado a isso, é insosso e miserável.” (Wedekind, 1991, p.38)

Mais uma vez, Wedekind (1991) se adianta em relação à psicanálise, e dá dignidade ao mistério insolúvel sobre o gozo feminino, conforme veremos no próximo capítulo.

Lacan (1974/2003) indica que Moritz e Melchior se posicionam na sexuação de forma diferente. Melchior se encontra na posição masculina, enquanto Moritz se encontra na posição feminina. “O fato é que um homem se faz O homem por se situar a partir do Um-entre-outros,

por entrar-se entre seus semelhantes” (p.558). Como veremos, o grupo dos homens se forma a partir da exceção do pai primevo à lei, é a exceção que faz a regra e forma o conjunto de homem. Capanema (2009), aplicando à peça a orientação lacaniana, nos aponta que Melchior está submetido à função fálica, já Moritz, não, e por isso, na última cena, aparece do mundo dos mortos carregando sua cabeça cortada debaixo dos braços. “É só ali que ele se conta: não por acaso, dentro os mortos, como excluídos do real.” (Lacan 1974/2003, p. 558-559).

A principal personagem feminina é Wendla, que inicia a peça brigando com sua mãe devido ao comprimento de seu vestido. Ela diz que se soubesse que teria que usar um vestido tão longo, preferiria não fazer catorze anos e pularia para os vinte. Ela não entende a preocupação de sua mãe em vesti-la de tal modo coberta, pois “nem crianças pequenas, de joelhos de fora, ficam doentes” (Wedekind, 1991, p.5). Constatada a terceira maternidade da irmã, Wendla pergunta à mãe como os bebês vêm ao mundo, pois “com quatorze anos ninguém mais acredita nessa história de cegonha” (p.29). Esse não é, no entanto o único assunto que a interessa. Wendla fica fascinada enquanto houve sua amiga Martha contar de seus espancamentos pelo pai, chegando a dizer que gostaria de ficar em seu lugar.

Em um encontro no campo sexual com Melchior, Wendla pede que ele lhe bata, atualizando sua fantasia masoquista de ser espancada pelo pai, saindo dos jogos infantis para inaugurar-se no campo das relações sexuais. A princípio, ele hesita, mas em seguida consente. Wendla, por sua vez, diz que não dói e sobe as saias para que ele possa acertá-la com mais força, ao que Melchior responde atacando-a com violência e furor. Após o ato, Melchior é tomado pela angústia e foge para a mata soluçando. Com isso, ele demonstra que todo o conhecimento que buscou ter sobre a sexualidade, via o saber formal, não abole o mal entendido do encontro entre os sexos. Nesse sentido, Lacan (1974/2003) afirma: “Notável por ser encenada como tal: isto é, por demonstrar que isso não é satisfatório para todos, chegando a confessar que, se é mal sucedido, é para todo mundo.” (p.557).

Após essa cena, Wendla enfrenta a mãe e diz que não dorme enquanto não souber como os bebês vêm ao mundo e, envergonhada, diz que colocará a cabeça entre as saias da mãe para que esta possa lhe contar. Sra. Bergman explica, articulando o sexo ao amor entre um homem e uma mulher:

Se você quer ter um bebê, você tem que amar o homem – o homem que é seu marido – você tem que amar esse homem, amar de verdade, só como uma mulher pode amar um homem. Você tem que amar tanto – com todo seu coração e todo, tanto que... Nem se pode dizer com palavras. Você tem que amar esse homem de um jeito que uma menina da sua idade ainda não sabe amar. É isso. Pronto. (Wedekind, 1991, p.34)

Num segundo encontro com Melchior, quando este tenta lhe beijar, Wendla diz: “as pessoas se amam quando se beijam... Não, Melchior!” (Wedekind, 1991, p.37). Contudo, Melchior, que não acredita no amor, ataca-a mais uma vez. A relação do casal retrata, portanto, que o ato sexual não se dá, necessariamente, no campo do amor. Nesse ínterim, Wendla, que acredita que é preciso haver amor para que os bebês venham ao mundo, engravida e é obrigada por sua mãe a fazer um aborto, falecendo em decorrência do mesmo.

Aprisionado no desejo dos pais, Moritz se pressiona em relação a fracasso escolar ao mesmo tempo em que se angustia com todas as questões que o sexo lhe suscita. Sem encontrar resposta para tantas questões, o adolescente se suicida. Antes do suicídio, dando a entender que é à pressão imposta pelos pais que seu ato responde, profere:

É assim que tem que ser. Eu não me encaixo. Eles que enlouqueçam, eu não ligo mais. Vou fechar a porta e pronto – liberdade. Chega de me empurrarem para lá e para cá. A pressão. Eu não culpo meus pais. Mesmo assim, eles deveriam estar preparados para o pior. (Wedekind, 1991, p.40)

Porém, mais adiante, diz: “É uma vergonha ter sido homem e não ter conhecido aquilo que é mais humano. ‘Foi ao Egito e não conheceu as pirâmides, senhor?’” (Wedekind, 1991,p.40). Com isso, o personagem demonstra que o embaraço com a sexualidade o impediu de ter um encontro com o Outro sexo, levando-o a esse trágico ato.

Antes de seu suicídio, Moritz encontra Ilse, uma antiga colega de escola que abandonou os estudos para posar para pintores na Falópia. Ela o convida para entrar em sua casa, mas ele nega, preferindo a morte ao encontro sexual que a jovem lhe ofereceu.

Em busca de respostas para o suicídio do adolescente, suas coisas são vasculhadas, momento em que é encontrado o manual feito a ele por Melchior, nomeado como “O coito”. Constatada a autoria de Melchior, o reitor da escola pronuncia que, “apesar de não justificar a atrocidade [o suicídio], comprova o estado de degradação moral que foi decisiva para o crime” (Wedekind, 1991, p.41). Com isso, Melchior é punido com uma internação no reformatório.

Já no reformatório, sabendo da morte de Wendla, Melchior sente-se culpado e foge para o cemitério, onde se pergunta: “Por que é que ela tem que ser punida por um crime que eu cometi?” (Wedekind, 1991, p.57). Moritz surge na cena, carregando a cabeça debaixo dos braços, e convida o amigo para acompanhá-lo para o mundo dos mortos. Neste momento, surge o Homem mascarado, que expulsa Moritz e convida Melchior a afastar-se do amigo morto. Melchior pergunta ao Homem mascarado se ele é seu pai, e este lhe diz: “Numa hora dessas, seu pai está se consolando nos braços de sua mãe.” (p.60).

O Homem mascarado é “aquele que constitui o fino do drama, e não só pelo papel que Wedekind lhe reserva – o de salvar Melchior das garras de Moritz –, mas porque Wedekind o dedica à sua ficção, tida por nome próprio” (Lacan, 1974/2003, p.559). É ele quem abre a porta do mundo para Melchior e representa um dos Nomes-do-Pai. Vale lembrar que nesse momento de sua obra, Lacan está trabalhando na pluralização do Nome-do-Pai, tomando-o como semblante.

Conforme dito, o Homem mascarado é um dos nomes possíveis do Pai: “Mas o Pai tem tantos e tantos que não há Um que lhe convenha, a não ser o Nome do Nome do Nome. Não há nome que seja seu Nome-Próprio, a não ser o Nome como ex-sistência” (Lacan, 1974/2003, p.559). Sobre isso, Porge (1998) explica que o termo homem mascarado diz bem desse lugar do Nome-do-Pai como semblante, e como nada se sabe sobre esse personagem, ele bem poderia ser uma mulher, já que ele se reduz à sua máscara, a seu semblante. Como veremos no capítulo quatro, há uma afinidade entre a máscara e a mulher. Lacan (1974/2003) diz: “Somente a máscara ex-sistiria no lugar de vazio em que coloco A mulher. No que não digo que não existam mulheres.” (p.559). A mulher poderia ser aí uma versão do Pai.

Cabe ressaltar que, no drama, Moritz questiona ao Homem mascarado o porquê dele não aparecer para salvá-lo de seu suicídio. O Homem mascarado responde que apareceu em seu último momento. Ele apareceu sob a forma de Ilse, convidando-o para o encontro sexual, mas Moritz, no auge do seu embaraço, negou a possibilidade de encontro com o Outro sexo, e se precipitou na cena, por meio de uma passagem ao ato. Já para Melchior, é o Homem mascarado que sustenta a possibilidade da vida. Vimos que na puberdade, ao deparar-se com o pai não todo potente, o adolescente precisará encontrar alguém que incorpore essa função do Pai, que pode muito bem ser uma mulher.

Assim, em seu comentário sobre a peça de Wedekind, Lacan (1974/2003) traz como central para as questões na adolescência, o encontro com o Outro sexo e seu mal entendido inerente. Ele segue a via freudiana da centralidade da sexualidade, mas a isso acrescenta a inexistência da relação sexual. Nesse momento, ele ultrapassa o Nome-do-Pai como único e acrescenta que qualquer um que sustente um ponto de desejo pode fazer essa função. Assim, temos a via aberta para os comentadores lacanianos. Vejamos.

Benzer Belgeler