2.7 Polimerik Malzemelerin Dayanımının Arttırılması
2.7.1 Çapraz Bağlama
2.7.1.1 Geçici Çapraz Bağlar
Freud publica, em 1905, os “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”, quando anuncia a existência da sexualidade infantil e descreve as vicissitudes da vida sexual e suas implicações psíquicas. Nesse texto, a sexualidade é separada em dois tempos lógicos, sexualidade infantil e puberdade, intercaladas pelo período de latência.
A puberdade é o momento em que ocorrem as mudanças que levam a sexualidade à sua configuração final. É quando a pulsão sexual, que era predominantemente auto-erótica e parcial durante a infância, conjuga-se em um objeto sexual único, subordinada agora ao primado da zona genital. Até esse momento, o desenvolvimento sexual feminino e masculino não se diferenciavam muito, pois ambos estavam sob o primado fálico e a atividade auto- erótica das zonas genitais era idêntica. É somente a partir da puberdade que o desenvolvimento sexual começa a divergir.
Nesse período, ainda, a pulsão sexual coloca-se a serviço da reprodução, uma vez que adquiriu a maturação biológica para isso: crescimento da genitália externa e o desenvolvimento dos genitais internos. A isso, Freud (1905/2006) acrescenta que a pulsão tornou-se altruísta. Com a possibilidade de execução do ato sexual, há, para os homens, um novo alvo sexual, a saber, a penetração do membro numa cavidade e, “ao mesmo tempo,
consuma-se, no lado psíquico, o encontro do objeto para qual o caminho fora preparado desde a tenra infância” (p.209). O objeto sexual segue um protótipo traçado já na infância - o seio materno - sendo o encontro com o objeto na puberdade um reencontro, uma vez que é baseado nas primeiras experiências de satisfação.
Dessa forma, na escolha objetal realizada pelo púbere, resta algo do primeiro e mais importante vínculo sexual – a amamentação. Assim, seria mais fácil que os filhos escolhessem como objetos sexuais as mesmas pessoas a quem amam desde a infância. No entanto, durante o período de latência, ganhou-se tempo para que se erguesse a barreira do incesto. Esta é,
acima de tudo, uma exigência cultural da sociedade, esta tem de se defender da devastação, pela família, dos interesses que lhe são necessários para o estabelecimento de unidade sociais superiores, e por isso,
em todos os indivíduos, mas em especial nos adolescentes, lança mão dos recursos necessários para afrouxar-lhes os laços com a família, os únicos que eram decisivos na infância[itálicos nossos] (Freud, 1905/2006, p.213).
A escolha de objeto, portanto, consuma-se, inicialmente, no plano da fantasia, no campo das representações destinadas a não se concretizarem e, após o repúdio à escolha objetal incestuosa fantasiada, ocorre uma das realizações psíquicas mais significativas na puberdade: o desligamento da autoridade dos pais.
Em 1914, em seu texto sobre o narcisismo, Freud (1914/2004) indica que existem duas formas de escolha objetal: a anaclítica (ou por veiculação sustentada) e a narcísica. A primeira forma é esta, já presente no texto de 1905, que trata da escolha objetal baseada nas primeiras experiências de satisfação, tendo como modelo a mãe ou quem em seu lugar se ocupa dos primeiros cuidados com a criança. Já a escolha objetal do tipo narcísica ocorre quando “a escolha de seu futuro objeto de amor não se pauta pela imagem da mãe, mas de sua própria pessoa” (p.107). Todavia, ambos os caminhos estão presentes em todos os seres humanos, havendo o privilégio de um ou outro caminho.
Freud (1905/2006) esclarece que desde a mais tenra infância já se reconhece bem as disposições femininas e masculinas, mas a atividade auto-erótica das zonas erógenas infantis é idêntica em ambos os sexos, “e essa conformidade suprime, na infância, a possibilidade de uma diferenciação sexual como a que se estabelece depois, na puberdade” (p.207). No período infantil, a sexualidade feminina tem um caráter inteiramente masculino, pois o órgão sexual estimulado nas meninas, o clitóris, é homólogo ao masculino. Em nota de rodapé acrescentada em 1915, Freud indica que no conceito de feminino e masculino mais utilizado em psicanálise não se trata nem do biológico nem do sociológico. É no sentido de atividade
(ligado à masculinidade) e passividade (ligado à feminilidade) que os termos masculino e feminino devem ser considerados.
Na “transformação da menina em mulher” (Freud, 1905/2006, p.208), que ocorre na puberdade, há uma nova onda de recalcamento, fazendo sucumbir na menina a sexualidade masculina. Um novo órgão, então, precisa ser impelido a assumir o lugar do clitóris. Dessa forma, quando há a excitação sexual da mulher, “o próprio clitóris é excitado e compete a ele o papel de retransmitir essa excitação às partes femininas vizinhas, assim como lascas de lenha resinosa podem ser aproveitadas para atear fogo num pedaço de lenha mais duro” (p.208). Contudo, para que isso ocorra, é necessário um tempo em que a moça fica insensível. É apenas quando a mulher consegue transmitir sua excitabilidade do clitóris para a vagina (órgão feminino por excelência) que ela muda de zona erógena dominante, ao contrário do homem, que conserva a sua desde a infância. Assim, temos uma diferença fundamental na puberdade feminina e masculina: enquanto na primeira temos uma nova onda de recalcamento da sexualidade (masculina), nos homens, a puberdade traz um grande avanço na libido.
Sobre o desligamento da autoridade parental, Freud (1914/2006), baseando-se em sua própria relação com os mestres da época de escola, trata do assunto em seu texto sobre a psicologia escolar. Ele assinala que é difícil compreender se o que mais influencia os jovens alunos são as ciências ou a personalidade de seus mestres, e crê que, “para muitos, os caminhos das ciências se passavam apenas através de nossos professores.” (p.248). Essa relação privilegiada com os mestres se dá, uma vez que os professores aparecem como figuras substitutivas às quais serão transferidas todas as expectativas ligadas ao pai. Freud (1914/2006) ainda generaliza, ao dizer que as figuras substitutivas, como os professores, por exemplo, serão sempre provenientes da imago dos pais e irmãos, como uma certa “herança emocional” (p.249), com toda a ambivalência que ronda a relação com os pais.
Esse encontro com os primeiros mestres se dá na segunda metade da infância, quando ocorre, no complexo de Édipo, a separação do menino do pai (ele não fala, nesse texto, sobre as meninas), momento em que o pai desce da posição do mais poderoso dos seres para um ser criticável que não supera as expectativas do filho. Assim, indica Freud (1914/2006):
De seu quarto de criança, o menino começa a vislumbrar o mundo exterior e não pode deixar de fazer descobertas que solapam a alta opinião geral que tinha sobre o pai e que apressam o desligamento de seu primeiro ideal. Descobre que o pai não é o mais poderoso, sábio e rico dos seres; fica insatisfeito com ele, aprende a criticá-lo, a avaliar o seu lugar na sociedade; e então, em regra, faz com que ele pague pesadamente pelo desapontamento que lhe causou. Tudo que há de admirável e de indesejável na nova geração é determinado por esse desligamento do pai (Freud, 1914/2006, p.249).
O que Freud nos mostra, com isso, é a importância da existência de figuras que possam preencher o lugar de ideal para os púberes, que se encontram nesse momento tão singular do desenvolvimento psíquico. O ideal é o que Freud vai nomear como Ideal do eu, instância secundária em relação ao Eu Ideal. Este se constitui num período pré-edípico e se traduz numa dimensão imaginária ligada ao narcisismo perdido dos pais, que dá à criança uma sensação de onipotência e perfeição. Já o Ideal do eu é uma nova forma de ideal, já atravessada pelos valores culturais e morais, e pela experiência de castração. É a forma a partir da qual o sujeito busca recuperar a perfeição narcísica perdida com o recalcamento advindo do Édipo, sendo o que projeta diante de si como seu ideal.
O que Freud (1914/2006) propõe em seu texto sobre a psicologia escolar é que neste momento em que o pai não preenche mais esse lugar de ideal, os professores (e/ou outras figuras) poderiam ocupar esse lugar. Ele dá ênfase, com isso, à importância de que haja figuras balizadoras que possam dar uma orientação aos jovens no momento em que o pai perde um pouco seu lugar.
Passaremos à leitura de Lacan da formalização freudiana sobre o Édipo, pois é nesse momento que o adolescente fará sua escolha na posição sexuada, bem como encontrará sua solução após a castração.