1.3 PROBLEM CÜMLESĐ
2.1.1. Yurtiçinde Yapılan Araştırmalar:
Cremos que ao falar de produção familiar é necessário esclarecer o que se define por
família, num sentido genérico –o que, por outro lado nos permite ter uma primeira base
conceitual para a idéia de produção familiar, conceito que é empregado de certa maneira
abusiva em seu uso, pois muitas vezes não se esclarece em que sentido é entendido ao se falar
em agricultor familiar. Aqui utilizamos a definição de família tal como é empregada por
Filgueiras, que diz o seguinte:
“La familia es una relación entre personas, no es una relación entre posiciones. De ahí el carácter no sustituible que tienen sus miembros y la naturaleza básicamente diferente que representa la familia cuando analizamos instituciones intermedias en la sociedad. La diferencia radical entre un sistema y otro, o entre un tipo de organización y otra es éste. La familia tiene que recrearse permanentemente a través de la vigencia de un contrato, de lazos de consanguinidad o de un acuerdo de confianza mutua entre partes.” (FILGUEIRAS 1997: 77)
“...a partir de un sustrato biológico ligado a la sexualidad y a la procreación, se concibe a la familia como institución social que regula, canaliza y confiere significado social y cultural a estas dos necesidades. Incluye también la convivencia cotidiana, expresada en la idea del hogar y del techo: una economía compartida, una domesticidad colectiva, el sustento cotidiano, junto a la sexualidad “legítima” y a la procreación. En esa familia “clásica” la división de tareas sigue líneas de género y de generación”. (JELIN 1997: 29)
Ressalta-se, assim que o funcionamento da família é diferente de outros tipos de
instituições sociais, ou seja, não é fácil pensar que não tenha conseqüências a falta de algum
integrante da família na instituição –o que, entretanto, nas instituições formais, não acontece,
pois o contrário é, inclusive, uma condição para seu normal funcionamento. Quando falamos
de mudanças nas instituições formais, falamos da mesma instituição, mas quando fazemos
referência a mudanças nos integrantes da família normalmente falamos já de outra família, ou
seja, pensamos num tipo de unidade que deixa então de existir e é quando se origina outro.
A falta de uma estrutura vertical formal na família não significa que exista
menos autoridade que nas instituições formais; também nela existe autoridade, mas o
problema é o de como se processa e como se constrói. A autoridade na família experimenta
uma influência muito grande de outras instituições da sociedade: a igreja, a imprensa, o espaço
político. Uma vez que a família é uma instituição altamente dependente das pessoas e da
posição que ocupam na estrutura social, revela-se ser muito influenciável pelo que acontece,
pelas mudanças e transformações de macro-escala que ocorrem na sociedade (cf.
FILGUEIRAS 1997). No caso da família produtora na agricultura intensiva, essas influências
operam de forma permanente pelo fato de se localizar num espaço rural-urbano; quer dizer,
sua localização geográfica não se dá em lugar muito longe do espaço tipicamente urbano; por
outro lado, os serviços que o Estado oferece, como luz elétrica, telefone, transporte público,
escola de primeiro e segundo grau, pronto-socorro, permitem uma percepção mais próxima
de lazer e relacionamento das famílias, nas quais os jovens procuram na cidade o lazer;
entretanto, a constituição dos casais e de muitos casamentos se realiza entre integrantes das
famílias desse mesmo espaço, ou seja, não se trata só de uma questão de geografia física, mas
também econômica, humana e social.
Esse espaço rural-urbano desenvolve um tipo de família que tem na produção agrícola
intensiva sua base econômica, o que origina uma forma de “visualizar” o mundo e
determinados valores culturais. Essa família se encontra muito influenciada pela proximidade
física e cultural da família urbana, pelo que certas formas de agir e de se organizar
correspondem a essa integração. Isso, porém, não significa que deixam de ser rurais ou que se
transformam em famílias urbanas morando na periferia da cidade, mas apenas que não são
mais aquelas típicas famílias rurais da época, por exemplo, anterior à Segunda Guerra
Mundial.
Então, esse tipo de organização familiar possui determinadas características próprias que
pautam diferenças com a família urbana, mas também é influenciada por essas questões, as
quais procuraremos desenvolver mais adiante, antes disso, entretanto, gostaríamos de
acrescentar o que diz Filgueiras:
“La familia –a diferencia de las instituciones formales– tiene un ciclo de vida: nace, crece y muere. Puede haber muchas variantes en esto, pero en general una familia tiene sus etapas: se constituye la pareja, luego tiene los hijos –es un cambio sustantivo–, después los hijos abandonan el hogar, fallece alguno de los cónyuges.(...) Hay un ciclo, estrechamente asociado al ciclo de vida de los miembros de la familia. En una institución formal esto no pasa; su dinámica, las desiciones que se toman, son totalmente ajenas al ciclo de vida de los miembros”. (FILGUEIRAS 1997: 78)
Ora, nas últimas décadas, ao nível estrutural ligado à economia, as principais mudanças
oconrrem pela ruptura do tipo de organização familiar centrada no contribuinte único, que nos
aspectos culturais, existe uma forte ênfase na auto-realização, na racionalidade e nos aspectos
materiais da vida, tendências às quais não fogem as famílias do espaço rural-urbano.
No Uruguai as mencionadas tendências também tiveram um impacto, com
especificidades próprias por se tratar de um país que integra a América Latina –subcontinente
que apresenta um conjunto de situações próprias– e pelas características próprias do país e de
sua sociedade. Pode-se falar que até os últimos 20 anos o sistema “breadwinner” predominava
na sociedade uruguaia, isto é, o homem trabalhando fora do lar trazendo o sustento econômico
e a mulher realizando as tarefas domésticas e se encarregando dos filhos. Ora, esse sistema
começou a mudar a partir do ingresso da mulher no mercado de trabalho, num contexto de
ajuste estrutural do Estado, com o que se quebra o esquema de divisão de papéis dos gênero no
interior da família. Associado a esse padrão familiar de “breadwinner” existia também uma
estrutura de autoridade, poder e legitimidade no interior da família; essa característica da
família é perfeitamente compatível, então, com a idéia de que o chefe da família é o homem, o
qual se localiza num lugar central de autoridade e poder, no que se baseia a estrutura familiar.
Além de existir um modelo de maternidade ou paternidade, existe um modelo central de
autoridade familiar. É o que diz Filgueiras:
“Con los cambios que vienen ocurriendo, las bases de legitimidad y de sostenimiento de la forma de autoridad al interior de la familia se ven erosionadas, y en particular el rol del hombre. El acceso de la mujer al trabajo extradoméstico no solamente significa un equilibrio en términos de ingresos y de aportes a la familia y más simetría entre las dos partes, sino que también tiene una serie de implicaciones sobre la autoridad y la organización al interior de la familia.” (FILGUEIRAS 1997: 76)
As mencionadas mudanças na sociedade uruguaia como um todo tiveram impacto de
forma diferente na família produtora agrícola, já que , por um lado,dizem respeito basicamente
à família de perfil urbano e a família agrícola continuou, por outro, a ser geradora dos bens
na produção hortícola na atual fase de produção intensiva com pacotes tecnológicos modernos:
ela sempre trabalhou no estabelecimento, porque a unidade doméstica também é produtora de
bens materiais para a subsistência da familia. O que aconteceu, e foi possível confirmar
empiricamente através da pesquisa de campo levada a efeito, é que a mulher agora faz parte da
estrutura produtiva na divisão social do trabalho, seja na área administrativa ou como
colheiteira: seu trabalho deixou de ser um trabalho “invisível” de ajuda ao esposo.
Ora, se observou que muitas mulheres não se apercebem ou não têm uma percepção
dessa situação e é aqui onde a estrutura de autoridade e poder da família do sistema
“breadwinner” ainda se faz presente: na produção familiar o homem continua como o eixo
central do poder e da tomada das decisões; a mulher apenas pode opinar e fazer sugestões, as
quais muitos produtores (dirigentes sindicais principalmente) acham uma forma de intromissão
por parte das mulheres, “nas coisas dos homens”.
Observa-se então que, por um lado, as novas tecnologias de produção tiveram impacto
sobre a divisão social do trabalho na unidade familiar produtiva, ao integrar a mulher e os
jovens estruturalmente como mão-de-obra “visível”, e por outro lado essas mudanças
produtivas no interior da família não repercutiram na estruturação do poder familiar, já que
este continua nas mãos do homem.