• Sonuç bulunamadı

N D E S U JE IT O S DIG PPST FR MLD SSW

Figura 1 - representação gráfica do número de sujeitos e seus desempenhos em cada teste para a variável ter ou não OM.

22 Tabela 5 - representação do desempenho dos sujeitos para as variáveis ter ou não OM, e apresentaremresultados normais ou alterados no teste Dígitos Dicóticos.

Tabela 6 - representação do desempenho dos sujeitos para as variáveis ter ou não OM, e apresentaremresultados normais ou alterados no teste Fala no Ruído.

Tabela 7- representação do desempenho dos sujeitos para as variáveis ter ou não OM, e apresentarem resultados normais ou alterados no teste PPST.

Tabela 8- representação do desempenho dos sujeitos para as variáveis ter ou não OM, e apresentaremresultados normais ou alterados no MLD.

DÍGITOS DICÓTICOS NL ALT COM OM 3 4,80% 19 30,20% SEM OM 5 7,90% 35 55,60% VALOR P 0,716 FALA NO RUÍDO NL ALT COM OM 9 17,30% 8 15,40% SEM OM 18 34,60% 17 32,70% VALOR P 0,725 PPST NL ALT COM OM 17 26,20% 7 10,80% SEM OM 26 40,00% 15 23,10% VALOR P 0,494 MLD NL ALT COM OM 21 35,00% 4 6,70% SEM OM 18 30,00% 17 28,30% VALOR P 0,009*

23

DISCUSSÃO

A amostra deste estudo foi composta por 78 sujeitos, deles 49 eram do sexo feminino (62,8%) e 29 do sexo masculino (37,2%).

A tabela 3 demonstra que há maior ocorrência de otite média em crianças do sexo masculino, no grupo composto pelos sujeitos com história de otite média. Das 28 crianças que compõem esse grupo, 19 são meninos e nove são meninas. Esses achados vão ao encontro dos resultados de Lubianca et al (1993) que, em estudos epidemiológicos, verificaram que meninos têm episódios de otite média mais longos que as meninas. Os autores sugerem que crianças do sexo masculino teriam mais histórias de infecções de orelha média por terem função tubária e transporte muco-ciliar menos eficientes que as crianças do sexo feminino.

O gráfico apresentado na figura 1 demonstra o desempenho para cada teste segundo a variável ter ou não otite média. Pode-se notar que os testes Dígitos Dicóticos e SSW, com resultados alterados, apresentam maior número de ocorrência nos sujeitos com otite média. Essa doença, em si, não pode ser a responsável por alterações nas habilidades auditivas mediadas pelo sistema nervoso central, porém, sua presença interfere diretamente em atividades importantes para o processamento da informação auditiva. Um exemplo, claro e consistente, é a sua interferência na função do reflexo acústico. A literatura mostra que, em presença de líquido ou doença na orelha média, o reflexo acústico apresenta-se elevado ou ausente. Simmons (1964) já demonstrava que o reflexo acústico tem papel importante na sintonia da relação sinal/ruído, na

24 manutenção das estruturas da orelha em tarefas de atenção. Se uma criança, durante todo o desenvolvimento da função auditiva, apresenta problemas de orelha média e como conseqüência ausência da atividade do reflexo acústico, isso pode trazer, em longo prazo, implicações para o processamento auditivo das informações que recebe.

Esses dois testes avaliam a integração e a separação binaural, ou seja, a habilidade do paciente em dirigir a atenção a apenas uma orelha. A otite, por ser a causa da ausência de reflexo acústico, pode estar relacionada à inconsistência das respostas para as mensagens de fala, já que pode produzir flutuação na recepção do sinal acústico.

Os achados dessa pesquisa, porém, não permitem afirmar que a otite média seja um fator determinante para a alteração no exame, já que há maior ocorrência de alterações nos dois testes, aconteceu nos sujeitos sem histórico de otite média. Talvez essa relação não tenha sido encontrada porque os dois testes em questão são considerados testes para avaliar a função auditiva superior, relacionada às áreas acima do tronco encefálico. Pereira et. al (2001) concluíram que, nos testes de processamento auditivo, não há diferença significativa entre o desempenho das crianças com histórico de otite média e as crianças sem este histórico.

Na análise do desempenho nos dois grupos de crianças que compuseram a amostra desta pesquisa, para os testes Fala no ruído e PPST (tabelas 6 e 7), pôde-se constatar que não há diferença estatisticamente significante entre os dois grupos. Parece estranho que isso não ocorra, pois, se há presença de líquido na orelha média, haveria aumento de latência nas medidas do potencial evocado do tronco encefálico e

25 do limiar de reflexo acústico ou sua ausência e, então por que razão, especialmente no teste de fala no ruído, a otite média não produziu interferência?

Colombani et al (1993) constataram que as crianças com histórico de otite média erravam mais nos testes de reconhecimento de fala em presença de ruído.

Katz e Tillery (1997) acreditavam que a otite média poderia ser condição ruidosa, pois o fluido acumulado próximo à cóclea poderia produzir um ruído que prejudicaria a percepção de fala, logo, a decodificação estaria alterada. Portanto, o teste Fala no ruído apresentaria resultado alterado nessas crianças.

Os resultados achados no MLD, representados na tabela 8, vão de encontro dos resultados de Hall e Grose (1995) que, em seu estudo sobre os efeitos na audição binaural da otite média crônica em longo prazo, concluíram que o MLD do grupo com OME não é significativamente diferente daqueles do grupo de controle, mesmo que, uma proporção pequena dos sujeitos com história de OME continuasse a ter limiares menores do que o normal no MLD. Esse é um dos poucos estudos sobre a relação entre a presença da OME e o desempenho no teste MLD. Apesar dos estudos citados na literatura enfatizarem que a OME pode ser a causa de alterações da função auditiva central em crianças durante o seu desenvolvimento, apenas o teste MLD mostrou essa relação.

O teste MLD tem sido considerado sensível para problemas no nível do tronco encefálico (Bellis,2003), o fato de ele se apresentar alterado nas crianças com OME pode mostrar a relação entre a OME e suas conseqüências sobre as atividades do tronco encefálico baixo. No trabalho de Hall e Grose, apesar de os dois grupos não

26 serem altamente diferentes, o grupo das crianças com otite média apresentou alteração da função binaural por conta da otite, mostrando que a alteração causada por ela não é de nível cortical, mas sim de tronco cerebral.

27

CONCLUSÃO

Após este estudo, pôde-se verificar que:

• O grupo com histórico de otite média apresentou diferença estatisticamente significante quando se comparou o desempenho dos dois grupos no teste MLD;

• Não foi encontrada diferença estatisticamente significante entre os dois grupos para os testes SSW, dígitos dicóticos , Padrão de freqüência e fala em presença de ruído;

Muitos estudos apontavam a otite média como fator de risco para alterações centrais, porém neste estudo apenas o MLD coincidiu com esses achados, demonstrando que as alterações por conta da infecção são dadas no tronco encefálico baixo, não no córtex, como vários autores hipotetizavam.

28

Benzer Belgeler