A Contabilidade é muito antiga e sempre existiu para auxiliar as pessoas a tomarem decisões, controlando o patrimônio do proprietário.
Os primeiros vestígios de atividade contábil situam-se por volta de 8.000 a.C., na antiga Mesopotâmia, onde hoje se situa o Iraque, no Oriente Médio.
No século XIV, houve a necessidade de abertura de novas rotas marítimas e as nações que conduziam esta expansão necessitaram da técnica contábil desenvolvida pelas cidades do norte da Itália, a fim de controlar as transações comerciais. Esta técnica contábil veio a ser denominada Escola Contista, e teve como figura principal Luca Pacioli, um frei italiano que sistematizou e popularizou o sistema de partidas dobradas, publicando a primeira edição de sua obra clássica, um livro que expunha o sistema de partidas dobradas.
Segundo Hendriksen e Van Breda (1999, p.39), “O Livro escrito por Pacioli era intitulado Summa de arithmetica, geometria, proportioni et proportionalità. Apareceu em Veneza em 1494.”
2.2.2. Do Século XV ao século XVII
A partir do século XV, finaliza-se a fase empírica da Contabilidade e inicia a era de estagnação.
Conforme Hendriksen e Van Breda (opus cit., p.45),
O historiador Raymond de Roover considerou o período de 1494 a 1800 uma fase de estagnação da Contabilidade. Essa caracterização é um pouco injusta, porque esse período se iniciou com uma era de descobrimento e encerrou-se como uma era de revolução. O mundo foi transformado, e isso condicionou a Contabilidade.
O sistema italiano de partidas dobradas se espalha pela Europa e países baixos; e nesse período houve poucas mudanças nas técnicas de escrituração; entretanto, as obras publicadas começaram a indicar modificações, embora praticamente não tenham ocorrido avanços na Contabilidade.
Hendriksen e Van Breda ainda comentam que poucos avanços ocorreram na Contabilidade nos séculos seguintes, período este marcado por grandes descobrimentos ( como o das Américas por Colombo) e pelo início da Revolução Industrial. As mudanças se deram pelas viagens marítimas que foram feitas para exploração e descobertas de novas terras e, para a realização dessas viagens, havia a necessidade de financiamentos; para que isso ocorresse, foram criadas empresas de capital conjunto que teriam uma importância muito grande para a Contabilidade. (p. 38; 46).
Os valores investidos na expedição eram contabilizados e, ao final da expedição, quando esta realizava-se efetivamente, apurava-se, pelo confronto entre receitas e gastos de investimento e das despesas, o resultado.
De acordo com Tinoco e Kraemer (2008, p.20),
Esse resultado, calculado normalmente para cada expedição, era então repartido entre os sócios comanditários – ocultos – e os não ocultos, os que efetivamente participavam da sociedade com o trabalho e o engenho, ou seja: os recursos humanos.
2.2.3. Do Século XVIII ao Século XIX
Segundo Hendriksen e Van Breda (apus cit., p.46), “A era da estagnação acabou com o segundo avanço muito importante para a Contabilidade nesse período: o advento da Revolução Industrial”.
A partir do nascimento da Revolução Industrial, o primeiro sistema de custos foi criado para que houvesse uma compreensão dos recursos que estavam sendo empregados nos produtos das novas fábricas.
Tinoco e Kraemer (apus cit., p.20) comentam que:
Com a revolução da manufatura e a produção em larga escala, nos séculos XVIII e XIX, fazia-se necessário apuração mais rigorosa de custos, de investimentos, de resultados, de posições financeiras, de informações sobre ativos, passivo e patrimônios, bem como de controles e de divulgação das informações aos interessados nos negócios da sociedade, que são seus usuários.
No século XIX, a invenção das estradas de ferro e do telégrafo encorajou a dispersão das atividades econômicas em vastas extensões territoriais e testemunhou o advento de grandes companhias de distribuição, fazendo com que novos indicadores contábil-financeiras fossem usados para avaliar o desempenho de cada um desses centros de negócio, muitas vezes separados entre si por imensas distâncias.
No final do século XIX, houve o surgimento dos primeiros conglomerados empresariais que forçaram a tecnologia contábil a adaptar-se para controlar o desempenho e consolidar as atividades de empresas com múltiplas subsidiárias e unidades de negócio.
2.2.4. O Século XX
No século XX, houve uma grande evolução na Contabilidade, essas mudanças ocorreram por conta das demonstrações do retorno do capital investido, do crescimento e do desenvolvimento das instituições responsáveis pela regulamentação da Contabilidade:
• o AICPA (American Institute of Certified Public Accountants), 1887;
• a SEC (Securities and Exchange Commission), 1934;
• o CAP ( Committee on Accounting Procedure), 1936;
• o APB (Accounting Principles Board), 1959;
• e o FASB (Financial Accounting Standards Board), 1972.
Marion e Iudícibus (2000, p.36) afirmam que:
De maneira geral, poderíamos dizer que o início do século XX presenciou a queda da chamada Escola Européia (mais especificamente a Italiana) e a ascensão da chamada Escola Norte-americana no mundo contábil.
Hoje em dia, entretanto, a tendência é rumo à harmonização internacional das normas contábeis, adotando o modelo do IASC (International Accounting Standards Committee), de inspiração anglo.
Já Atkinson, Banker, Kaplan e Young, (2000, p. 46) afirmam que “As origens do uso de informação gerencial contábil podem ser encontradas nas experiências de duas empresas, no início do século XX: DuPont e General Motors”. e que, para que pudessem apoiar o crescimento de empresas multidivisionais diversificadas, muitas inovações nos sistemas de contabilidade gerencial ocorreram nas décadas iniciais do Século XX .
Em relação ao futuro, Hendriksen, Van Breda (1999, p.49) comentam que
A Contabilidade ainda está para tirar proveito das novas invenções que prometem revolucionar a divulgação financeira como hoje a conhecemos.
Em lugar de razonetes haverá bases de dados das quais os dados financeiros será apenas uma parte.
Uma versão simplificada dessas bases de dados será transmitida por linha telefônica aos usuários.
As empresas não precisarão escolher um método de reconhecimento das receitas, pois serão capazes de oferecer uma variedade de métodos aos acionistas para suas análises.
Terá havido uma verdadeira revolução na contabilidade quando toda essa informação for acessível aos investidores.
Tudo o que é necessário para transformá-la em realidade é aplicar a tecnologia disponível.