2.6. İlgili Araştırmalar
2.6.1. Yurt İçinde Yapılan Araştırmalar
Ouro Preto apresenta 19,37 km2 de áreas legalmente protegidas, 69% do total da área estudada (Figura 5.11). Pode-se observar que grande parte da cidade, devido à motivação de ocupação, instalou-se em APP.
Figura 5.11: Representação gráfica da distribuição das APP relativas aos topos de morro, à
hidrografia e à declividade do perímetro urbano de Ouro Preto.
Vale destacar, pois, a importância da conservação da vegetação nas APP por motivos ligados à conservação dos recursos hídricos, da paisagem, da diversidade e heterogeneidade de espécies animais e vegetais. Atua também na melhoria das condições climáticas e acústicas e na estabilidade geológica, protegendo o solo e assegurando o bem- estar da população humana atual e futura.
A Figura 5.12 (ANEXO VI) apresenta a localização dos 19,37 km2 de APP inseridas no perímetro urbano de Ouro Preto e as respectivas tipologias de usos do solo.
Os valores relativos aos diferentes tipos de uso do solo das APP do perímetro urbano de Ouro Preto e as respectivas áreas totais e porcentagens relativas estão representados na Tabela 5.7.
Tabela 5.7: Uso do solo das APP relativas aos topos de morro, à hidrografia e à declividade do perímetro
urbano de Ouro Preto.
Área total da APP 19,37 km2 100 %
Arruamento 0,66 km2 3% Área Construída 2,05 km2 11% Solo Exposto 0,97 km2 5% Vegetação Herbácea 7,69 km2 40% Vegetação Arbustiva 5,52 km2 29% Vegetação Arbórea 2,19 km2 11%
Revegetação com Eucaliptos 0,27 km2 1%
Pode-se observar que 19% (3,68 km2) das áreas das (APP) do perímetro urbano encontram-se antropizadas, constituídas de áreas construídas, arruamentos e solo exposto, demonstrando indisciplina na utilização do solo. Essa situação pode provocar inúmeros impactos ao ambiente e riscos à população, pois a antropização favorece enchentes, deslizamentos, assoreamentos, entre outros problemas relacionados à falta de planejamento dos espaços urbanos.
Destaca-se também que dos 81% de áreas verdes remanescentes, 40% se encontram cobertas com vegetação herbácea, como a de campo rupestre, porém as demais áreas verdes podem indicar que a mata nativa (vegetação arbórea e arbustiva) já foi alterada e/ou retirada.
De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo (1990), o Ministério do Meio Ambiente (2005), a Connecticut River Joint Commissions (2008 apud CAMPOS, 2010), além de autores, como Sopper (1975), Coelho Neto (1994), Guerra & Cunha (1996), Zanini (1998), Boin (2000), Soares (2000), Hinkel (2003), Linder & Silveira (2003) Calheiros et al., (2004) Casseti (2007), Criado (2008), Ineti (2008) e Campos (2010), as APP favorecem o aumento da infiltração, principalmente de águas pluviais, diminuindo o volume e a força das águas superficiais que não se infiltram no solo,
Na Tabela 5.8, podem-se ver as porcentagens de áreas construídas irregularmente em APP, sendo que as de declividade acentuada são as que apresentam maior número de ocupações irregulares, com 18% de áreas construídas.
Tabela 5.8: Uso do solo nos diferentes tipos de APP (declividade acentuada, topo de morros e hidrografia) inseridas no
perímetro urbano de Ouro Preto.
Tipologia de Uso Tipologia de Área de Preservação Permanente - APP
Declividade Topo de Morros * Nascentes e Rios Lagoas
Arruamento 4% 3% 3% 5% Área Construída 18% 10% 9% 12% Solo Exposto 6% 5% 3% 6% Vegetação Herbácea 41% 41% 36% 44% Vegetação Arbustiva 22% 30% 31% 31% Vegetação Arbórea 8% 10% 17% 2%
Revegetação com eucalittos 1% 1% 1% 0%
* Para os 10 locais onde foram aplicadas as determinações legais.
Prova-se, com os resultados da Tabela 5.8, a negligência e inércia do poder público em fiscalizar as APP, evidenciando a necessidade de um planejamento eficiente da malha urbana, principalmente das áreas legalmente protegidas, conservando as APP que ainda não foram ocupadas e degradadas e implementando medidas de recuperação das que se encontram em estágio de baixa proteção.
Cabe frisar que a pressão local para construção de imóveis é fator que dificulta propostas do Plano Diretor da cidade, como proteção do meio ambiente, utilização racional dos recursos naturais e ocupação do solo, compatíveis com o objetivo maior de elevar a qualidade de vida da população, implementar programas de remanejamento de assentamentos localizados em áreas de risco, garantir reabilitação de áreas degradadas (Programa de Reabilitação de Áreas Degradadas), incluindo ações destinadas à recuperação de áreas sujeitas a processos erosivos e de aterro, entre outras.
De acordo com Benjamim (2010 apud SCHÄFFER et al., 2011), o simples cumprimento do Código Florestal é a melhor e mais efetiva ação para prevenir os prejuízos
grande fragilidade e importância, como as nascentes e os cursos d’água em geral, as encostas e os topos de morro, que devem ser mantidos com vegetação nativa. Parecem óbvias, porém infelizmente essas ações são ignoradas por significativa parcela da população, não se tratando apenas da população de baixa renda.
• Áreas propícias para expansão urbana
Oliveira (2010) realizou análises temporais do uso e ocupação da área urbana de Ouro Preto, de 1950 a 2004, destacando 10 áreas que, nas últimas décadas, sofreram adensamento populacional no perímetro urbano, sendo possíveis alvos de crescimento futuro, como se pode observar na Figura 5.13.
Área 1 - São Cristovão (montante) Área 2 - Morro São Sebastião Área 3 - São Francisco
Área 4 - Nossa Senhora de Lourdes e Jardim Alvorada Área 5 - Morro da Queimada
Área 6 - Morro São João
Área 7 - Nossa Senhora da Piedade Área 8 - Taquaral
Área 9 - Santa Cruz
Visando a complementar o estudo das áreas disponíveis para expansão, conforme Oliveira (2010), neste trabalho foram quantificadas as áreas que não apresentam infraestrutura (arruamento e áreas construídas) e que não se enquadraram como APP. A localização dessas áreas, dispostas para expansão urbana, está representada na Figura 5.14 (ANEXO VII). Elas correspondem a 21,7% (5.960.677 m2) do total da área estudada, resultado obtido pela subtração da área do perímetro urbano e das APP, de acordo com a legislação citada e as áreas constituídas por construções e arruamentos.
Com a sobreposição das bases cartográficas (Figura 5.13, elaborada por Oliveira (2010), e a construída no presente estudo, Figura 5.14, é possível observar que as áreas 1, 2, 3, 5 e 6, apontadas por Oliveira (2010) como áreas com tendências para expansão, não são adequadas para ocupação, uma vez que se encontram na Serra de Ouro Preto, apresentando grande parte enquadrada, segundo a legislação, como APP de declividade e topos de morro. A área 8, citada por Oliveira (2010), não se localiza no perímetro urbano de Ouro Preto, não sendo, portanto, avaliada neste estudo. Apenas as áreas 4, 7, 9 e 10 se apresentam, portanto, como áreas regulares e mais adequadas para futuras ocupações, de acordo com a legislação vigente, no que se refere às APP.
Destaca-se também que, de 5,28 km2 de áreas compostas por arruamentos e áreas construídas, no perímetro urbano de Ouro Preto, 51,5% (2,72 km2) estão instaladas em APP, ou seja, em áreas legalmente protegidas, que não deveriam conter nenhum tipo de ocupação. Assim, os dados informam que somente 48,5% (2,56 km2) das construções estariam regulares na cidade, de acordo com o Código Florestal Brasileiro e a própria Lei Municipal Complementar n.º 93/11.
É importante salientar ainda que, em muitas das áreas regulares e propícias à expansão urbana, se encontram-se importantes remanescentes florestais urbanos, que devem ser previamente estudados antes de qualquer supressão, uma vez que prestam os serviços ambientais das APP suprimidas, sendo importantes, por manter a diversidade biológica e fluxo gênico das populações locais.
Sendo assim, para desenvolver uma expansão urbana ordenada, a cidade necessita de outros estudos e ferramentas que auxiliem o planejamento, a fim de evitar problemas, como intensificação do tráfego de veículos pesados, falta de infraestrutura urbana, saneamento precário, execução de obras irregulares nas encostas da cidade.
5.4 Confronto de leis aplicáveis ao estudo proposto
Neste tópico são realizadas análises relativas à nova proposta de redação do Código Florestal Brasileiro, ora em discussão no Senado Federal, segundo o qual as APP dos topos de morro se extinguiriam, enquanto para as matas ciliares dos rios e córregos passaria a largura para 15 metros nas laterais. Neste tópico também são aplicadas as diretrizes da Lei Federal n.º 6.766 /79, que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano e reduz a faixa lateral das áreas de preservação das nascentes, rios e córregos para 15 metros.
A Figura 5.15 apresenta a porcentagem e localização das áreas do perímetro urbano de Ouro Preto que se enquadrariam como APP, de acordo com a nova proposta de redação do Código Florestal Brasileiro, representando 45% do perímetro, o equivalente a 12,49 km2.
Figura 5.15: Representação gráfica da distribuição das APP relativas à aplicação ao perímetro urbano de
perímetro urbano da cidade teria o valor das APP reduzido para 12,49 km2, portanto uma redução de 35,51% das áreas que deveriam ser protegidas, como estabelece a legislação atual.
A Figura 5.16 (ANEXO VIII) apresenta a localização das APP inseridas no perímetro urbano de Ouro Preto, identificadas de acordo com as diretrizes da nova proposta de redação do Código Florestal e as respectivas tipologias de uso do solo. Cabe salientar que as discussões com relação ao novo texto ainda não terminaram, pois a proposta foi apenas votada na Câmara e está aguardando a votação do Senado, onde podem ocorrer mudanças.
Os valores referentes aos tipos de uso do solo para as APP, com as respectivas áreas totais e porcentagens relativas, para o perímetro urbano de Ouro Preto, segundo a nova proposta de redação do Código Florestal, estão representados na Tabela 5.9.
De acordo com a Tabela 5.9, pode-se observar que 16% (2,038 km2) das APP do perímetro urbano estão antropizadas, com a presença de áreas construídas, arruamentos e solo exposto.
Tabela 5.9: Conjunto de APP do perímetro urbano de Ouro Preto, de acordo com a nova proposta
de redação do Código Florestal Brasileiro.
Área total da APP 12,49 km2 100 %
Arruamento 0,35 km2 3% Área Construída 1,02 km2 8% Solo Exposto 0,65 km2 5% Vegetação Herbácea 4,91 km2 40% Vegetação Arbustiva 3,68 km2 29% Vegetação Arbórea 1,69 km2 14%
Essa perda de áreas protegidas pode agravar os problemas já existentes em Ouro Preto, favorecendo o aumento da velocidade de escoamento superficial das águas pluviais, a aceleração da erosão, a diminuição da quantidade de água infiltrada no solo, devido à possível retirada da vegetação e ao consequente favorecimento de deslizamentos nas encostas e de assoreamento dos cursos d’água. Cabe frisar que deslizamentos e outros fenômenos geológicos/geotécnicos envolvem outras particularidades, como características geológicas, geotécnicas e pedológicas do terreno e uso do solo.
A redução da faixa de preservação permanente dos rios e córregos acarreta também diminuição no desempenho das suas funções ambientais. De acordo com o
Connecticut River Joint Commissions apud Campos (2010), a faixa de 10 a 15 metros apresenta a função de estabilidade dos taludes e a faixa de 30 metro apresenta a função de suporte/habitat para biodiversidade aquática e remoção de nutrientes da água. Com a diminuição das faixas marginais de preservação, a única função ambiental desempenhada pela APP seria a de estabilizar os taludes, ficando as demais perdidas. Mas, para tanto, é de suma importância manter a vegetação nativa.
Complementando as discussões, podem-se citar autores, como Metzger et al. (2010) e Ab’Saber (2010), que mostram que a nova redação da Lei Federal nº 4.771/65 favorece um aumento significativo das emissões de CO2, descumprindo o acordo firmado pelo país, recentemente, no Copenhagen Climate Conference 2009, onde foram estabelecidas metas de redução ou limitação do crescimento das emissões de gases do efeito estufa, até 2020.
A Figura 5.17 apresenta a relação de perdas de APP, comparando-se o Código Florestal vigente e a nova proposta de redação, para o perímetro urbano de Ouro Preto.
5, 31 10,6 0 1, 84 3,45 0,85 1, 39 3,37 5,04 8, 75 11 ,3 2 19,00 28 ,5 0 25 ,3 5 39, 69 64 ,4 7 10 0, 00 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00 100,00 P or ce n ta ge m ( % ) Área cons truida Arru amen to Reve getaç ão co m Eu calip tos Solo Expo sto Vege tação Arb órea Vege tação Arb ustiv a Vege tação Herb ácea APP total Uso do solo
Relação de Perdas entre o Código Florestal vigente e sua nova proposta de redação
Nova Proposta de Redação do Código Florestal Código Florestal em Vigor
Figura 5.17: Representação gráfica da relação de perda de áreas verdes, considerando-se o Código Florestal vigente
e a nova proposta de redação, no perímetro urbano de Ouro Preto.
No caso específico de Ouro Preto, pode-se observar que a nova proposta do Código Florestal implica diretamente a perda de proteção de 2,57% de área de vegetação arbórea, 9,50% de área de vegetação arbustiva e 14,34% de área de vegetação herbácea, representando 26,41% de áreas verdes sujeitas à supressão.
Também foram aplicadas as diretrizes determinadas pela Lei Federal nº 6.766 (BRASIL, 1979), que restringe a APP de 30 para 15 metros de largura nas faixas marginais de córregos e rios inseridos em áreas urbanas. Os valores referentes aos tipos de uso do solo, para o perímetro urbano de Ouro Preto, com as respectivas áreas totais e porcentagens relativas estão representados na Tabela 5.10.
Tabela 5.10: Aplicação da Lei Federal nº 6.766 para as APP relativas à hidrografia para o perímetro
urbano de Ouro Preto.
Área total da APP 3.462.872 m2 100 %
Arruamento 94.249 m2 3% Área Construída 260.255 m2 8% Solo Exposto 116.776 m2 3% Vegetação Herbácea 1.183.677 m2 34% Vegetação Arbustiva 1.136.741 m2 33% Vegetação Arbórea 626.753 m2 18%
Revegetação com Eucaliptos 44.419 m2 1%
De acordo com o Código Florestal vigente, complementado pela Lei Municipal n.º 93/11, o perímetro urbano da cidade apresenta 5,51 km2 de APP de hidrografia, porém, com a aplicação da Lei Federal nº 6.766/79, essas áreas passam a ter 3,46 km2, sendo que 14% (0,47 km2) se encontram antropizadas com a presença de áreas construídas, arruamentos e solos expostos.
Com a aplicação das diretrizes propostas na Lei n.º 6.766, observa-se uma perda de 2,05 km2 de APP, segundo o Código Florestal Brasileiro, dos quais 1,62 km2 são áreas de remanescentes florestais constituídos por vegetação herbácea, arbustiva e arbórea.
Contudo se pode-se observar que a Lei n.º 6.766 (BRASIL, 1979) deve ser urgentemente revista, pois conflita com as determinações impostas pelo Código Florestal. Ela é indutora de ocupações de áreas irregulares, podendo propiciar inúmeros riscos para a população que se instalar nesses locais.