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II. KURAMSAL ÇERÇEVE İLE İLGİLİ YAPILAN ÇALIŞMALAR

2.1. Örgüt Sağlığı

2.1.7. Yurt İçinde Yapılan Araştırmalar

JORNALÍSTICA CARACTERÍSTICAS

ANÚNCIO Dizer o que aconteceu ou o que vai acontecer; dizer o que alguém disse (forma de marcar a relevância do dito).

DESCRIÇÃO Relatar as etapas do fato, seus personagens, comportamentos, atitudes e circunstâncias; ou mostrar um quadro da situação em que conste seus aspectos mais importantes.

DEMONSTRAÇÃO Provar a relevância, validade ou veracidade do que foi anunciado ou descrito. ARGUMENTAÇÃO Fazer inferências a partir do dito ou do realizado.

PERSUASÃO Convencer o interlocutor da importância e da veracidade do relato. Quadro 2 – Formas e características da enunciação jornalística.

Adaptado de: Vizeu, 2003, p. 115.

Ainda sobre esse assunto, Fausto Neto (1999, p. 80-84) também apresenta três dispositivos analíticos para verificar as ―vozes‖ dos jornais e suas competências, as quais são identificadas a partir da utilização de certos dispositivos enunciativos por meio dos quais os jornais exercem sua competência.

a) Voz avaliativa: expressa por meio de expressões de julgamento, tais como o uso de advérbios de modo e outras que denotam juízos de valor, no caso, qualificadores. Assim, o jornal põe em relevo o acontecimento noticiado, assim como se reveste de um discurso de autoridade, com o qual exerce sua competência — posicionar-se perante ele, solidarizar-se a opiniões ou refutá-las, sob a bandeira de defender o leitor e o interesse coletivo.

b) Voz programativa: expressa por meio de expressões de caráter conclusivo, ou aquelas que induzem o interlocutor a tomar uma posição ou agir de determinado modo, como se fosse a conduta mais apropriada. Aqui, o jornal cumpre um papel de ―agendamento‖ de comportamentos ao enfatizá-los e propô-los como corretos.

c) Voz sentenciadora: aqui, o jornal assume a função de um ―tribunal‖, em que profere sentenças a serem cumpridas. Isso ocorre por meio de expressões declarativas por meio das quais se emitem julgamentos em relação aos fatos tratados e seus desdobramentos. Assim, o jornal não apenas ―ordena‖ as instituições a agirem conforme seus desígnios, mas faz o mesmo também com o público, interpelando-o a seguir tais ―ordens‖.

Isso confere poder à afirmação, segundo a qual acontecimento e enunciação cada vez mais se equivalem, o que permite pensar que, se a enunciação é uma 'tomada de palavra' através de processos singulares de apropriação feita junto à linguagem pelo sujeito, por sua própria conta e risco, as diferentes instituições midiáticas produzem, a partir do ―saber jornalístico‖ - por exemplo -, e segundo enunciações singulares, seus respectivos projetos de construção e de visibilidade da verdade. Cada jornal constrói por meio de suas modalidades discursivas a oferta de sua respectiva referência (FAUSTO NETO, 1999, p. 17-18).

Quanto à coerência, Fairclough (2001a, p. 171) diz se tratar de um atributo que não é inerente ao texto, mas atribuído pelos seus intérpretes – incluído o próprio autor. Logo, não segue critérios lógicos, mas varia conforme o propósito de quem o lê – fato que pode gerar determinações e ambivalências nas inúmeras interpretações possíveis de um texto.

Em relação à intertextualidade, Fairclough (2001a, p. 114) afirma que a ―propriedade que têm os textos de ser cheios de fragmentos de outros textos, que podem ser delimitados explicitamente ou mesclados e que o texto pode assimilar, contradizer, ecoar ironicamente, e assim por diante‖. Esse conceito é entendido como um sinônimo da heterogeneidade

mostrada cunhada por Authier-Revuz, da mesma forma que a interdiscursividade (da qual

falaremos depois) equivale à heterogeneidade constitutiva.

Um ponto interessante tratado por Fairclough (2001a, p.134-135) sobre essa questão diz respeito ao caráter de historicidade da intertextualidade. Com base nos trabalhos de Julia Kristeva (a quem se atribui a origem desse conceito), ele explica que, por meio da intertextualidade, insere-se a história nos textos e os textos inserem-se na história. Em outras palavras, esse diálogo entre textos permite que textos antigos (citados) sejam revistos, retrabalhados e ganhem perspectivas diferenciadas, novas leituras – gerando-se dessa maneira textos novos, com existências e identidades próprias. Tal constatação nada mais é do que uma reiteração do caráter dialógico da linguagem, como já foi dito anteriormente.

Como ferramentas para a análise da intertextualidade, Fairclough (2001a) cita quatro delas, todas também vistas em Maingueneau (1997):

Representação de discurso: referem-se às manifestações mais conhecidas de

intertextualidade ou, nas palavras de Maingueneau (1997; 2004) e Authier-Revuz (1990), às formas de discurso relatado, tais como:

1) Discurso direto: quando o enunciador ―dá a palavra‖ para outra fonte manifestar-se, ou cita-a ao longo do discurso – por meio de aspas ou travessões.

3) Citação: quando, ao longo do discurso, o enunciador faz menção a palavras de outro, destacando-as com sinais gráficos;

4) Discurso indireto livre ou figuras semânticas: quando as vozes do sujeito e do outro se confundem e, a partir dessa aparente ―confusão‖, surgem significados específicos (BRANDÃO, 1993).

No discurso midiático, geralmente se vê o ―apagamento do eu‖. Isso ocorre quando o ―eu‖ enunciador desaparece do texto, criando o efeito de que tanto os acontecimentos relatados quanto os personagens envolvidos é que ―falam por si mesmos‖. Há, nesse caso específico, a junção de um discurso citante (a apresentação/contextualização de um acontecimento pelo jornalista) com a de um discurso citado (a transcrição da fala de uma fonte). Esse fenômeno está presente nos discursos relatados ou em qualquer outro que se apoie em um segundo, e indicam quando o enunciador não é responsável pelo enunciado (MAINGUENEAU, 2004).

Pressuposições: São proposições existentes no texto, já tidas como estabelecidas, mas

que não estão expressas claramente – embora sejam perceptíveis a partir de pistas detectáveis na organização do texto. Fairclough (2001a) enquadra nesse tópico também as negações, tidas também como pressuposições, as quais se manifestam gramaticalmente (a partir do uso de termos de negação, como o advérbio não) ou semanticamente (a frase ―a existência de extraterrestres é uma mentira‖ equivale a ―a existência de extraterrestres não é verdade‖).

Metadiscurso: trata-se de um tipo peculiar de intertextualidade, resultante da

―construção pelo enunciador de níveis distintos no interior de seu próprio discurso‖ (MAINGUENEAU, 1997, p. 93). A partir desses níveis, o enunciador coloca-se em uma posição de distanciamento de seu próprio discurso, de modo a controlá-lo e manipulá-lo conforme seus propósitos. Essas manifestações metadiscursivas podem ocorrer a partir de expressões evasivas, retificadoras, paráfrases, etc.

Ironia: também uma forma intertextual peculiar, ela ocorre quando há uma

dissonância entre o significado de um enunciado e a função para a qual ele se serve em um discurso, de acordo com o enunciador. A identificação dessa não correspondência entre o significado original e o significado operacionalizado vai depender do intérprete, conforme as pistas intra e extratextuais que puder detectar.

Análise da prática social

Na análise da prática social, o conceito de hegemonia estabelece-se como uma matriz, pois é com base nas relações de poder que as práticas discursivas serão interpretadas, de

forma a verificar se estas se configuram como mecanismos para a reprodução, manutenção e sustentação de um poder vigente – ou, ao contrário, para o seu combate, desestruturação e transformação (MAGALHÃES, 2001).

Para tal, dispomo-nos de duas ferramentas principais. Uma delas irá verificar as relações existentes entre os discursos com outros tipos de discursos existentes, ou entre ordens de discurso diversas. Trata-se, novamente, de uma relação dialógica, em que tipos e ordens discursivas se transformam mediante um ―enfrentamento‖, reproduzindo dessa maneira a luta hegemônica na sociedade. É dessas relações que a interdiscursividade irá se ocupar.

Para a análise da interdiscursividade, Fairclough (2001a, p. 161-164) propõe alguns instrumentos importantes na definição dos elementos constituintes das ordens do discurso, os quais permeiam as relações discursivas. Vamos a eles:

a) Gênero: O conceito de gênero diz respeito a conjuntos relativamente estáveis de convenções que representam atividades sociais socialmente consagradas, como as entrevistas de emprego, uma conversa informal ou um artigo assinado no jornal. Essas características inerentes ao gênero não dizem respeito apenas aos textos produzidos, mas todos os elementos intervenientes em seus processos de produção, distribuição e consumo.

b) Estilo: O estilo de um texto varia conforme: a) o tipo de relação existente entre os interlocutores – informal, íntimo, oficial, etc.; b) o modo como este é emitido (verbal, escrito ou uma combinação de ambos); c) ou o modo, levando-se em conta os interlocutores, gêneros e discursos, como nos casos dos ―escritos informais‖ ou das ―falas oficiais‖.

c) Discurso: Aqui, Fairclough se refere às dimensões do texto construído ou, de outro modo, às formas particulares como tais discursos são construídos, conforme os assuntos ou áreas de conhecimentos a que se enquadram.

Fairclough (2001a; 2001b) trata como fundamental para a ACD o trabalho cominado dos conceitos de intertextualidade e interdiscursividade com o de hegemonia, pois é a partir daí que a ACD irá contribuir efetivamente para uma mudança social, ao situar os discursos em um contexto de mudança sócio-histórica e cultural. Assim, o cenário de instabilidade entre esses discursos (já que estão atrelados a contextos particulares) e a transformação entre eles, decorrente desse ―cenário de luta‖, contribuirão para uma modificação – ainda que lenta e gradual – não apenas dos discursos individuais, mas das ordens de discurso e, por conseguinte, das práticas discursivas e das instituições sociais.

Pode-se considerar uma ordem de discurso como a faceta discursiva do equilíbrio contraditório e instável que constitui uma hegemonia, e a

articulação e rearticulação de ordens de discurso são, consequentemente, um marco delimitador na luta hegemônica. Além disso, a prática discursiva, a produção, a distribuição e o consumo (como também a interpretação) de textos são uma faceta da luta hegemônica que contribui em graus variados para a reprodução ou a transformação não apenas da ordem de discurso existente (por exemplo, mediante a maneira como os textos e as convenções prévias são articulados na produção textual), mas também das relações assimétricas existentes (FAIRCLOUGH, 2001a, p. 123-124).

A segunda ferramenta de análise da prática social também se relaciona com as lutas hegemônicas, mas atua de outro modo. Ela vai verificar como os discursos e ordens discursivas agem como construções ideológicas, formas simbólicas cuja função é justamente a implantação/reprodução/manutenção de relações de dominação – ou também, ao contrário, para a sua contestação/desestruturação/transformação.

Originalmente, Fairclough apoiara-se nos estudos de Louis Althusser sobre ideologia – embora em obras mais recentes ele tenha se valido de teóricos ligados ao Realismo Crítico para tal. Diferentemente de Althusser, que subestimou o papel do sujeito como possível agente nas práticas ideológicas (papel destinado apenas às estruturas), Fairclough recomenda também tratar desse aspecto segundo a abordagem dialética. Dessa forma,

Os sujeitos são posicionados ideologicamente, mas são capazes de agir criativamente no sentido de realizar suas próprias conexões entre as diversas práticas e ideologias a que estão expostos e de reestruturar as práticas e as estruturas posicionadoras. O equilíbrio entre o sujeito ‗efeito‘ ideológico e o sujeito agente ativo é uma variável que depende das condições sociais, tal como a estabilidade relativa das relações de dominação (FAIRCLOUGH, 2001a, p. 121).

Neste trabalho, utilizaremos as concepções de ideologia de Thompson (2002, p. 75- 76). Sua abordagem segue uma concepção crítica, preocupada em verificar o entrecruzamento entre as formas simbólicas e as relações de poder, de modo a entender como esses mecanismos simbólicos atuam em implantar e manter relações de dominação dentro de contextos socioculturais específicos e historicamente determinados – já que essas formas simbólicas não são, per se, ideológicas.

Por formas simbólicas, conceito fundamental dessa abordagem, Thompson (2002, p. 79) entende-as como ―um amplo espectro de ações e falas, imagens e textos, que são produzidos por sujeitos e entendidos por eles e outros como construtos significativos‖. Tais formas podem ser linguísticas, não linguísticas (por exemplo, as imagéticas) ou quase linguísticas (por exemplo, em uma peça composta por textos e imagens).

A partir desses parâmetros, Thompson (2002, p. 81-89) estabelece um quadro analítico com o qual pretende estudar os modos de operação da ideologia. Este quadro mostra-se particularmente útil para os propósitos de nossa pesquisa, pois dá especial atenção ao uso dos recursos linguísticos como mecanismos de construção simbólica. Segundo o autor, isso se dá segundo cinco modos:

1) Legitimação: manifesta-se quando as relações de dominação existentes são veiculadas e interpretadas como justas e dignas de apoio. Essa legitimação pode se dar por meio de estratégias como a racionalização, em que é construída uma cadeia de raciocínio, argumentos e construções lógico-discursivas para convencer os indivíduos de que uma determinada construção simbólica é legítima, merecendo sua adesão; a universalização, em que acordos e interesses particulares são tratados e interpretados como de interesse coletivo; e a narrativização, em que tais construções são inseridas em uma tradição histórico-cultural e fariam parte de um legado.

2) Dissimulação: ocorre quando as relações de dominação são, de algum modo, ocultadas, negadas ou disfarçadas, de modo que elas sejam interpretadas de forma distinta da original. Essa dissimulação manifesta-se por meio de estratégias de deslocamento, em que designações e conotações feitas a um objeto são transferidas a outro, positivas ou não; eufemização, em que há uma valoração positiva de um objeto, em geral a partir da minimização de aspectos instáveis e negativos; e tropo, quando se utilizam figuras de linguagem (tais como a sinédoque, a metonímia e a metáfora) com esses mesmos propósitos.

3) Unificação: há operações desse tipo quando as relações de dominação procuram estabelecer uma unidade entre os indivíduos, interligando-os a partir da construção de uma identidade coletiva, independentemente de quaisquer diferenças que poderiam desuni-los. A unificação se opera por meio de estratégias de padronização – as formas simbólicas são padronizadas e partilhadas entre os indivíduos, constituindo-se em referenciais comuns – e de simbolização, voltada para a construção de símbolos com o objetivo de constituir uma identificação coletiva.

4) Fragmentação: aqui, as relações de dominação se estabelecem e se sustentam a partir da segregação de elementos tidos como negativos para a ordem constituída, mobilizando assim os grupos dominantes para tal. Isso se dá a partir de estratégias de diferenciação, em que se procura enfatizar as características que diferem o grupo apartado dos demais, com vistas a acentuar a divisão entre eles; e expurgo do outro, que nada mais é do que criar um inimigo, o qual deve ser combatido por ser algo tido como ameaçador para os indivíduos, ou um desafio a ser superado.

5) Reificação: por fim, os modos de reificação atuam de modo que situações transitórias sejam representadas como naturais ou permanentes – a partir da eliminação ou ocultação do caráter sócio-histórico dessas formas simbólicas. Isso ocorre por meio de estratégias de naturalização, em que criações sócio-histórico-culturais são interpretadas como elementos naturais; eternização, em que essas criações são vistas como perenes, imutáveis, transcendentes à própria sociedade; e nominalização/passivização, em que sentenças, ações e personagens envolvidos são transformadas em nomes ou construídas sob uso de verbos na voz passiva, em que se prioriza os processos em detrimento dos indivíduos agentes e das ações, sendo retratadas como fenômenos espontâneos, atemporais e duradouros.

Para facilitar a utilização desses modos e estratégias, utilizamos um quadro-resumo elaborado por Ramalho e Resende (2006):