2.5. Literatürde yapılan çalışmalar
2.5.4. Yurt içinde matematikte geri bildirim ile ilgili yapılan çalışmalar
Inicialmente, é fundamental esclarecer que elegemos a MCC para a consecução deste trabalho, porque apresenta grande coerência com nosso posicionamento teórico e político na educação, pautando-se na aprendizagem dialógica. Dessa maneira, a MCC estrutura-se a partir de dois eixos principais, o diálogo e a transformação, realizando-se, portanto, intersubjetiva e reflexivamente. Nesse sentido, é “comunicativa porque supera a dicotomia objeto/sujeito mediante a categoria intersubjetividade e crítica (coincidindo com a metodologia sócio-crítica) porque parte da capacidade de reflexão e auto-reflexão das pessoas e da sociedade”. (GÓMEZ et al., 2006, p. 12)
Para aprofundar na abordagem que propõe à MCC, desenvolvida pelo CREA, devemos ter em conta que ela parte de compreensões de três ordens, conforme indicam Gómez et al (2006, p. 12): ontológica (qual a natureza da realidade?), epistemológica (como se conhece a realidade?) e metodológica (como se procede quando se pesquisa a realidade?). Com relação à dimensão ontológica, esta metodologia entende que a realidade afirma-se enquanto realidade natural e ainda como realidade social. Isso porque não depende só do que existe objetivamente, mas constrói-se também mediante os significados que os atores lhe atribuem na interação, já que têm capacidade de linguagem e ação, podendo interpretar o real
125 e se auto-compreender a partir de pretensões de validez. Com isso, a intersubjetividade e o diálogo são as chaves epistemológicas que permitem conhecer a realidade, e compõem a via para a elaboração do conhecimento, ao validar os consensos alcançados comunicativamente. A MCC baseia-se, então, em uma racionalidade intersubjetivamente compartilhada, acontecendo metodologicamente por meio do diálogo, voltado ao entendimento nos âmbitos ético, estético, cognitivo e afetivo, voltados à totalidade do mundo da vida (mundo social, mundo objetivo e mundo subjetivo).
A partir dessa compreensão, na perspectiva da MCC o fenômeno investigado deve ser definido e estudado não apenas pela/o investigadora/or, mas também, e em plano simétrico, pelos sujeitos da investigação: estas/es aportam seus conhecimentos e práticas para a interpretação de algo que conhecem por dentro, seu mundo da vida, e aquela/e contribuem com as teorias científicas, enquanto sistema. Assim, garante-se não apenas que descrevam compreensivamente e expliquem interpretativamente a realidade em foco, mas também que possam encontrar meios e direções para a transformação humanizadora do real.
Com isso, queremos esclarecer que na MCC, que tem entre suas bases a ação comunicativa, está implicado um deslocamento da racionalidade, o qual, de acordo com Flecha, Gómez & Puigvert (2001), já vem ocorrendo gradativamente no processo social que identificam como da sociedade da informação para todas/os. Neste deslocamento, a problemática da racionalidade passa dos domínios estritos do científico social aos agentes da comunicação, num processo em que “as operações de compreensão do observador científico se conectem com a hermenêutica natural da prática comunicativa cotidiana”. (ibid., p. 135). Dessa maneira, é preciso romper com o desnível de linguagem entre a pessoa pesquisadora e quem são os sujeitos da investigação, desnível este que, mantendo-se nas pesquisas, conduz a outro desnível, o metodológico. Nele se distanciam o plano de interpretação da ação do plano da ação interpretada, resultando em reflexões referendadas apenas pelo mundo objetivo. De maneira radicalmente distinta, apontam Flecha, Goméz e Puigvert (2001), a ação comunicativa rompe com tal desnível, exigindo que as investigações focalizem ainda o mundo social e subjetivo, o que só é possível pela comunicação e intersubjetividade. Para isso, conforme a autora e os autores,
a interação depende, desde seu início, de que os participantes possam pôr-se de acordo num juízo intersubjetivamente válido de suas relações com o mundo. Quando descrevemos um comportamento em termos de ação comunicativa, nossos pressupostos ontológicos não são mais complexos que os atribuídos ao ator; os sujeitos que atuam comunicativamente são capazes
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de criticarem-se mutuamente. (ibid., p. 135-6).
Para fazer valer essa perspectiva comunicativa igualitária e planificar a potencialidade da MCC em superar as desigualdades, há duas perspectivas de análise centrais: os fatores que se colocam como obstáculos e os fatores que promovem a sua superação das desigualdades, tendo em vista objetivos de democracia e justiça social. Devemos ressaltar que tais eixos analíticos são próprios da MCC, uma vez que busca contribuir para que os coletivos em situação de exclusão localizem e dimensionem os avanços e as dificuldades que enfrentam no dia-a-dia, para superar as desigualdades nas suas práticas sociais, contextualizadas na sociedade da informação. Para isso é fundamental que as teorias sejam socializadas na interlocução entre pesquisadora/or e sujeitos, num processo que os encoraje e os instrumentalize teoricamente para luta pela transformação nos movimentos sociais. Neste diálogo teórico e cotidiano se dá a racionalidade comunicativa, pela qual as teorias também devem ser revistas e reformuladas por meio do consenso intersubjetivo, ganhando rigor científico. Sendo assim, o enfoque da MCC se afasta radicalmente das concepções teórico- metodológicas objetivista (fixado em uma realidade objetiva) e construtivista (fixado em uma realidade subjetivista), e se distingue também da sócio-crítica65 (tem foco na consciência localizada em um ator solitário), entendendo ainda que não favorecem a superação das desigualdades.
Para facilitar a compreensão da MCC é imprescindível nos determos nos seus pressupostos, mesmo que, com isso, venhamos a repetir algumas indicações já feitas. De acordo com Gómez et al (ibid., p. 41-5), a MCC se apóia:
− no pressuposto da universalidade da linguagem e da ação: a comunicação e a interação são inerentes a qualquer ser humano, portanto, apresentam-se como atributos universais. São capacidades que se viabilizam pela linguagem, a qual permite a todas/os o desenvolvimento cognitivo e o das habilidades comunicativas, que pautam a atuação no mundo com as outras pessoas e o processo produtor de culturas diferentes, não superiores;
− no pressuposto das pessoas como agentes sociais transformadores: mediante as capacidades supracitadas, as pessoas podem refletir e interpretar sua realidade, dialogar intersubjetivamente e atuar na modificação das estruturas. Isso porque, embora na
65 Para aumentar a compreensão dessa distinção, pode-se ver, no anexo 2, o “Quadro das dimensões básicas das
127 aparência (ideologia) as estruturas sejam superiores e inatingíveis, em essência são resultado das interações dos sujeitos;
− no pressuposto da racionalidade comunicativa: a base fundamental das capacidades humanas generalizadas – linguagem e ação –, bem como da opção pelo diálogo igualitário, é a racionalidade comunicativa. Nesta, a linguagem é a via do entendimento e da coordenação da ação, distinguindo-se da racionalidade instrumental em que a linguagem é um meio para atingir determinados fins;
− no pressuposto do sentido comum: as pessoas partejam o sentido comum para suas vidas, a partir de seu contexto cultural e de suas experiências pessoais, bem como de suas consciências. Assim, para se conhecer a maneira como uma ação é concebida, há que se ter em conta o sentido comum de um grupo, partilhando de seu contexto cultural;
− no pressuposto da ruptura com a hierarquia interpretativa: como acúmulo dos postulados anteriores, a metodologia comunicativa crítica entende que as pessoas e a sociedade têm capacidade de interpretação do mundo social. Por isso, participam de pesquisas científicas e suas interpretações são consideradas tão consistentes quanto às de quem investiga cientificamente, cabendo-lhes também o status de intérpretes científicos. O contato direto, a escuta e a coleta dos relatos das pessoas em seus próprios contextos passa, então, a ser elemento chave na investigação;
− no pressuposto do igual nível epistemológico: chegar a essa igualdade significa admitir que as investigações científicas têm se realizado sobre os sujeitos sociais, num processo desumanizador e com resultados científicos pouco rigorosos. A perspectiva comunicativa crítica rompe com tal desnível epistemológico, ao afirmar que a realidade se conhece comunicativamente. Dessa maneira, se investiga com as pessoas, as quais, ao invés de atuarem como meras informantes da/o pesquisadora/or, participam ativamente na compreensão e na análise da investigação, que se refere a seu mundo da vida em relação com o sistema. Embora pesquisadora/or e sujeitos estejam no mesmo nível da análise, não tem a mesma função: em correspondência com o compromisso e o papel social de cada um, enquanto aos sujeitos da investigação cabe se envolverem “na interpretação com a intenção de chegar a um consenso para a coordenação de suas ações”, a/o investigadora/or se coloca “na conversação para descrever e interpretar a realidade, em busca de decursos de ação simplificados em termos típicos ideais” (MELLO, 2006). Por isso, na MCC, a/o pesquisadora/or tem o papel de expor as teorias científicas para a explicação das problemáticas em foco e os sujeitos aportam suas vivências, conhecimentos e inquietações
128 próprios, a fim de validar ou refutar as teorias científicas, refazendo suas visões de mundo, quando for o caso. Conforme Mello (2002), a igualdade epistemológica que propõe a MCC delineia às/aos pesquisadoras/es das ciências sociais (inclui as/os da educação) uma responsabilidade de dupla face: “assumir compromissos com a construção de transformações sociais e assumir que todos temos condição de compreensão do contexto vivido e de motivações de ação”;
− no pressuposto do conhecimento dialógico: a dicotomia sujeito X objeto é rompida no paradigma comunicativo crítico, tendo em vista o suposto de que o conhecimento nunca está pronto e acabado, a ponto de poder ser uma máxima inquestionável. O conhecimento se produz nas interações contextuais orientadas pelas pretensões de validez e nelas se refaz permanentemente. A realidade e a cultura não são estáticas, mas se modificam pelas interações humanas e pelas relações dos seres humanos com a natureza. Por isso, o conhecimento, cuja função é ajudar a compreender a complexidade do real para melhorá- lo, também não pode ser monolítico, tampouco feito segundo um único ponto de vista, uma única ótica (a da/o pesquisadora/or). Precisa realizar-se considerando diferentes perspectivas a fim de penetrar no objeto localizado na realidade e dele se distanciar, por meio do diálogo entre pesquisadora/or e sujeitos da investigação. Cabe aqui salientar que a orientação metodológica em questão não investiga pessoas, mas, com elas, os fenômenos que edificam.
Diante do exposto, fica evidente a afirmação de Gómez et al. (ibid.) de que a MCC rechaça por completo a ideologia que monopoliza aos grupos escolarizados a participação em processos investigativos científicos. Assim, salientamos, prioriza investigar contextos de exclusão, considerando que o diálogo é transformador, pois proporciona conhecimentos e competências compartilhadas e, por isso, constitui-se na via para mudar contextos desfavoráveis. Sob o enfoque da ação comunicativa, são valorizadas as habilidades comunicativas das/os protagonistas destes contextos, as/os quais estiveram alijadas/os dos meios para se apropriarem das habilidades acadêmicas, por imposições injustas e antidemocráticas. “Parte-se do suposto de que enfrentar tais barreiras produz aprendizagens tanto ou mais valiosas do que as que se desenvolvem com critérios acadêmicos” (ibid., p. 46), portanto, os sujeitos devem fazer parte da investigação também na interpretação dos dados.
Em um diálogo, MCC, Whitaker & Fiamingues (2002) fazem considerações fundamentais, esclarecendo que muitas investigações das ciências sociais, afundadas em ideologias eurocêntricas e urbanocêntricas, vinculam estereótipos que se apresentam como
129 obstáculos epistemológicos à compreensão do homem e da mulher rurais. Segundo as autoras, trata-se de um processo dúbio, em que ideologia e ciência se atrelam gerando desumanização. Assim, exemplificam, se as/os assentadas/os adotam padrões de vida diferentes do urbano industrial, cultivando a terra com técnicas ecológicas, tendo uma vida comunitária e solidária, representam entraves ao desenvolvimento do campo, ao progresso na agricultura; mas, se adotam valores do consumo e da competição, valendo-se de agrotóxico para fazer seus plantios, afastando-se da vida coletiva, são consideradas/os as/os culpadas/os pela degradação ambiental, além de serem vistas/os como grandes egoístas.
Whitaker & Fiamingues (ibid.) elencam, ainda, outros preconceitos derivados da relação entre ciência e ideologia, que geram posturas de investigação antidialógicas, apresentadas como armadilhas àquela mencionada compreensão epistemológica. Segundo este paradigma, o homem e a mulher rurais são vistos como a/o outra/o, aquela/e que não sabe, pois não é escolarizada/o. Assim, são pessoas incapazes de ter pensamento elaborado e de obter conhecimentos necessários à superação de sua pobreza. Mas, a/o outra/o pode obter a salvação, aceitando a educação que generosamente lhes estendem as/os especialistas, carregadas/os das boas intenções e portadoras/es das melhores técnicas. Porém, a/o outra/o não quer aprender, ela/e “não participa porque não consegue atingir a importância dos nossos propósitos”. Assim, a visão ideológica torna científica que ela/e é a/o única/o responsável por sua situação de pobreza, ocultando estrategicamente o fato de ser mais uma/m vítima do sistema econômico. Apesar de tudo isso, ignorante e destruidor da natureza que é a/o outra/o, precisa ser transformada/o pelas/os donas/os do conhecimento, que são comprometidas/os com a mudança social e com o desenvolvimento. (ibid., p. 23)
Conforme Whitaker e Fiamingues (ibid.), produzir investigações sérias, respeitosas e verdadeiramente comprometidas com a humanização requer que as/os pesquisadoras/es superem esta ideologia e os preconceitos que ela embasa, valendo-se do conceito de cultura e do diálogo com as mulheres e os homens do rural. Apenas investigações sobre o rural que aportam as leituras de mundo destas pessoas podem lançar uma visão poliocular66 sobre a realidade, explicando-a verdadeiramente. Para a composição deste enfoque sistêmico, Whitaker (2002) acredita que seja imprescindível que o diálogo se dê no cotidiano em que as mulheres e os homens rurais fazem e refazem suas vidas e o mundo. Aprofundando nesta elaboração, Whitaker escreve:
66 Esta é uma expressão usada por Whitaker e Fiamingues (2002), a partir de Edgar Morin, teórico da
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é no cotidiano que se podem colher os dados da transformação cultural, e realizar a observação das práticas culturais – sua desestruturação e sua reconstrução – e é em meio às práticas culturais e o trabalho, que se tecem as representações que organizam os homens, no processo dinâmico em que constroem a História. (ibid., p. 45)
É preciso ressaltar que os cuidados metodológicos apontados pelas autoras nos ajudam a aprofundar na compreensão da MCC de que as investigações sempre devem partir de uma situação real, amparada no quem são e no como se relacionam os sujeitos assentadas/os, voltando-se para uma situação ideal, vinculada ao quem querem ser e como querem se relacionar (GÓMEZ et al., 2006). Daí que o processo investigativo deva pautar-se na recusa aos argumentos de poder, valorizando argumentos de validez, pois são os que permitem que as pessoas possam ir refazendo suas compreensões e suas ações, se educando em comunhão e se existenciando como seres da transformação, cotidianamente.
Como tal postura e tal ação não são as que estão dadas e as que predominam em nossa sociedade capitalista, as investigações embasadas na MCC precisam buscá-las permanentemente. Todas as pessoas envolvidas precisam perseguir posturas solidárias, dialógicas e consensos comunicativos. Para isso, é necessário, de antemão, compromisso social e esforço dialógico, que amparam a superação das situações de opressão e permitem que pesquisadora/or e sujeitos da investigação possam dar a volta toda no objeto investigado. Apenas assim se estabelecem as condições para que os sujeitos possam voltar às partes do mundo da vida, investigadas por eles, e comungar em ações para transformá-lo, perfazendo a práxis.
A partir de tais pressupostos, a MCC requer que a organização da pesquisa e os instrumentos de coleta e de análise dos dados tenham orientação comunicativa, independentemente de serem de natureza quantitativa ou qualitativa. Nesse sentido, devem assegurar a participação dos sujeitos e o uso de diferentes fontes de registro, visando uma descrição densa e fiel da realidade e dos processos da pesquisa, bem como consensos permanentes a respeito das interpretações com os sujeitos da investigação. Gómez et al. (ibid.) indicam, ainda, que a definição dos instrumentos de coleta e análise precisa ter coerência com as necessidades e demandas da pesquisa, ajudando a responder a sua pergunta central.
Cabe aqui retomar nossa questão de pesquisa: quais fatores são obstáculos e quais são transformadores para que assentadas/os construam um empreendimento econômico solidário
131 agroecológico, a partir da incubação, ao compartilharmos interpretações com membros do Grupo Viverde de Agroecologia, que vivenciam esse processo, com foco na autogestão e na participação?
Com base nesta pergunta, definimos como instrumentos de coleta e análise de dados o diário de campo, as entrevistas qualitativas em profundidade, os relatos de vida cotidiana, as observações comunicativas e os grupos de discussão comunicativos. Passamos à descrição breve de cada um:
- Diário de campo: inspirado em Braga (2007), entendemos que o diário de campo configura-
se como sendo um texto escrito aberto, pelo qual a/o pesquisadora/or registra as interações, as reflexões e as observações que realizou a partir das vivências no contexto investigado. De acordo com Lopes (2002), os diários devem registrar o convívio com as/os participantes da investigação não apenas por meio de suas falas, mas de uma descrição densa do espaço, das formas de realização da cultura, das sutilezas dos gestos, configurando uma escrita rica em detalhes. Neste propósito, os diários devem ser confeccionados logo depois das interações com os sujeitos, buscando riqueza de detalhes. Conforme Lima (2002), esta riqueza pode ser garantida pelo uso de desenhos na confecção dos diários, os quais precisam, ainda, sinalizar as preocupações que guiam a/o pesquisadora/or. Em nosso caso, os diários também serviram para registrar algumas análises que fizemos com os sujeitos da pesquisa;
- Entrevistas qualitativas em profundidade: as entrevistas consistem em interlocuções
gravadas em áudio e orientadas a partir de um roteiro flexível de questões abertas, elaborado com o objetivo de compreender situações anteriores de vida dos sujeitos, bem como as estratégias que utilizavam para solucionar problemas e os recursos individuais ou coletivos acessados para isso (tecnológicos, palavras, gestos) (CREA, 1998-8, p. 74-5). A fim de favorecer a comunicação, o roteiro precisa ser compartilhado com as pessoas antes da entrevista e o local e horário definidos anteriormente com os sujeitos, buscando um contexto favorável para a interlocução. A/o pesquisadora/or sempre deve compartilhar as leituras teóricas que tem para ajudar a compreender as questões apontadas pelos sujeitos. É preciso que a cooperação nas análises seja uma busca assumida desde o início das entrevistas, quando a/o pesquisadora/or retoma o propósito do estudo e a importância de que o sujeito participe das interpretações. Após as entrevistas, o pesquisador procede à transcrição das gravações e realiza um segundo encontro para se chegar a um consenso sobre os resultados registrados e aprofundar em temáticas importantes para responder à questão de pesquisa.
132 cotidiana dos sujeitos da pesquisa. Realiza-se a partir de um roteiro de questões referidas às maneiras como as pessoas atuam, refletem e encontram soluções para os problemas do seu dia-a-dia, o que pode servir, ainda, para detectar aspectos do passado e sonhos para o futuro (GÓMEZ et al., 2006, p. 80). O roteiro deve ser pensado tendo em vista a questão de pesquisa. Por meio do relato, busca-se a compreensão do mundo da vida, num processo em que quem investiga aporta as teorias, contrastando com as vivências e saberes cotidianos da pessoa investigada. Da mesma maneira que as entrevistas, o roteiro precisa ser visto com as pessoas antes do relato e, no início deste, é preciso retomar o papel que têm de interpretação. Após esta interação de pesquisa, as transcrições são feitas e realiza-se um segundo encontro para se chegar a um consenso sobre os resultados registrados e aprofundar em aspectos ainda poucos explorados. O local e a o horário dos encontros são definidos em conjunto com as pessoas.
- As observações comunicativas: de acordo com Gómez et al. (ibid., p. 83-86), as
observações comunicativas são importantes por permitirem que a/o pesquisadora/or presencie diretamente o fenômeno em estudo, conhecendo as preocupações, os problemas e a realidade social em detalhes, o que dificilmente se alcançaria de outras formas. Assim, a observação se direciona às ações, atitudes, habilidades, características da linguagem verbal, formas de resolver problemas em determinado contexto e maneiras de nele participar e interagir. Nesse sentido, são fundamentais para que os saberes tácitos sejam explicitados e, ainda, para listar as diferentes habilidades empregadas em cada atividade. A natureza participativa e