2.3 ÇEVRE EĞİTİMİ İLE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.3.2 Yurt Dışında Yapılan Araştırmalar
UNI DAS SOBRE MEI O AMBI ENTE E DESENVOLVI MENTO. O desafio do
desenvolvim ent o sust ent ável: relat ório do Brasil par a a Conferência das N ações Unidas sobre Meio Am bient e e Desenvolvim ent o. Brasília: Secret aria de I m prensa/ PR, 1991.
43 [ ...] Entretanto, em que pese o reconhecim ent o dessas [ ...] prem issas de que elas
envolvem aj ustes globais [ ...] os países, principais interlocutores na ordem am biental internacional, por m eio de seus negociadores, têm procurado salvaguardar o interesse nacional. Agindo dessa form a, t ransform am as preocupações com a sust ent abilidade do sist em a econôm ico hegem ônico e a possibilidade de que ele nos encam inhe para um a situação de risco em m era retórica [ ...] ( Wagner RI BEI RO, op. cit., p. 109)
SACHS ( em 1974) de que é um t ipo de desenvolvim ento que deve ser adaptado a regiões rurais de países não cent rais no sist em a m undial. A respeit o dest a referência, e daquilo que j á regist ram os ant eriorm ent e nest e trabalho, esta acepção suscit a discussões com o a do processo de ocupação com a idéia- eixo de fundos t errit oriais; com o a inserção da associação ent re unidades de conservação de proteção int egral e área rural; em últ im a instância, poderíam os est abelecer um a ligação com o carát er do int ernacionalism o no século XX44.
Out ra frent e relevante est abelecida na CNUMAD foi a conservação da diversidade biológica. Est e processo possui algum as associações com o a utilização de seres vivos com o m at éria- prim a ( biot ecnologia) que exige regulação para acesso pois supõe alt eração das condições de um ser vivo. Em nosso caso, est am os est e processo à Divisão Social e Territorial do Trabalho sugerida no Dia gra m a da Biodiversidade para t ent ar dar cont a do que se ent ende por biotecnologia recom binant e
44 [ ...] O outro acontecim ent o [ o prim eiro é a Revolução I ndust rial] tem m erecido,
provavelm ente, m enos espaço nos text os t radicionais dedicados ao período anterior a 1914, m as foi, em certo sentido, m ais dram ático pelo fato de ter sido um fenôm eno singular não recorrente. Consist iu na oportunidade que o século ofereceu para a ocupação por colonos com uns de áreas enorm es da superfície da Terra. Nunca antes e, por cert o, nunca depois disso, houve algum as décadas tal fart ura de t erras disponíveis: nunca antes, as front eiras da colonização t inham avançado com t al velocidade. Em term os de área, foi aproxim adam ente com o se a chegada à Lua, durante a nossa própria geração, nos tivesse abert o um a superfície pront a para a ocupação e o cult ivo im ediat o [ ...] a descobert a de recursos ultram arinos e seu transporte para a Europa explicam tanto o aum ento da população do continente durante t odos est es séculos quant o o aum ent o do seu nível de vida [ ...] j á vim os que o século XI X conheceu um t ipo de internacionalism o no uso de recursos: as nações desenvolvidas assum iram o direit o de explorar recursos nas nações subdesenvolvidas [ ...] ( J. H. PATTERSON 1975: 16; 27; 39)
( engenharia genét ica) e com o se configura a sua dist ribuição geo-
polít ica. Por out ro lado, a im port ância dest a frent e para a nossa
investigação está no fat o de que ela fom ent a um j ogo político que reúne os principais países envolvidos: os que det êm a biot ecnologia e os que possuem os recursos m at rizes45.
No que se refere à Agenda XXI , Wagner RI BEI RO ( idem , ibidem ) apresent a alguns pont os relevant es para est e trabalho;
- a pret ensão de ser um plano de ação que conform aria o binôm io conservação am biental e desenvolvim ent o;
- o aparecim ent o, ainda que indiret o, do conceit o de pobreza;
- a conceit uação de com unidade local com o um nom e dado pela ONU aos povos vivent es sem a organização de Est ado por representarem form as alternativas de reprodução da vida e pela posse de saberes.
- o est abelecim ento de referenciais sobre m ecanism os de gest ão de recursos nat urais, de part icipação da sociedade civil...
A int erpret ação é de que houve algum esvaziam ent o nas propost as por falt a de fluxos de recursos para o plano. Porém o Brasil abraçou
45 “ [ ...] Est e é, em nosso ent endim ent o, o ponto central. Trat a- se de ident ificar quem
vai ganhar e quem vai perder diant e de um a inovação tecnológica im portante, com o é a biotecnologia. A CB é um a tent ativa de organizar este j ogo político, reunindo os principais países envolvidos – com o os que dom inam as tecnologia em biotecnologia e engenharia genét ica e os que possuem as m at rizes nat urais in sit u [ ...] ” ( Wagner RI BEI RO, 2001: 121)
alguns avanços decorrent es da Agenda XXI : na esfera federal, por exem plo, foi criado o Program a Nacional da Biodiversidade. Esse avanço - est a inform ação - pode ser at ualizado com a criação da CGEN ( Conselho de Gest ão do Pat rim ônio Genét ico) .46 Este é um órgão relevante para a investigação dest a pesquisa pois é um m ediador de arranj os de políticas públicas referent es à biodiversidade e aos recursos nat urais.
Ainda sobre a Agenda XXI , t am bém para out ros aut ores47 a int ernalização da ordem am bient al int ernacional t rouxe algum a m odificação no plano das políticas públicas am bient ais int ernas. A Agenda leva ao com prom isso de concretizar o desenvolvim ento sust ent ável. Na prát ica, porém , t eria sido o com prom isso de gerar resultados para a “ Rio+ 5” que provocou a criação em 1997 da Com issão de Polít icas para o Desenvolvim ent o Sust ent ável ( CPDS) e Agenda 21. Destaca- se que esta com issão reuniu m inistérios ligados ao desenvolvim ent o ( MMA, Planej am ent o, Orçam ent o e Gest ão, Ciência e
46 “ [ ...] Controlar o uso com ercial de recursos genéticos e de conhecim ent os
t radicionais é um a obrigação do Brasil com o m em bro da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas. O acordo diz que substâncias derivadas de plantas ou anim ais pertencem aos países de onde foram retiradas, e que conhecim ent os sobre o uso dest es recursos são das populações t radicionais. A quest ão é regulada pela Medida Provisória 2.186/ 2001, publicada no segundo m andat o de Fernando Henrique Cardoso. Sua edição at ropelou três proj et os de lei sobre o assunto – um do deputado Jacques Wagner, um do Execut ivo e outro da senadora Marina Silva, hoj e m inist ra do Meio Am biente. A m esm a MP tam bém criou a CGEN ( Conselho de Gest ão do Patrim ônio Genético) , órgão que aut oriza o uso e coordena as polít icas de pat rim ônio genético nacional [ ...] ” ( Revista Com Ciência Am biental, 2006: 54- 55) .
47 Eunice Eliset e GUGELMI M ( et . al.) – Agenda 21 local no Brasil, I n: LI TTLE, Paul E.
Tecnologia e Relações Ext eriores) , indicando a possibilidade de art iculação interna de set ores que historicam ent e t rabalharam de m odo não art iculado.
Est as iniciat ivas ofereceram insum os para a elaboração pact uada do Plano Plurianual e para a elaboração de seis t em as priorit ários para o Plano de Ação:
- agricult ura sust ent ável; - cidades sust ent áveis;
- infra- est rut ura e int egração regional; - gest ão de recursos nat urais;
- redução das desigualdades sociais;
- ciência e t ecnologia para o desenvolvim ent o sust ent ável;
Foram cont rat ados seis consórcios que elaboraram docum ent os básicos para cada um dos tem as e a sist em atização final ficou por cont a de Washington Novaes48. Apesar de t odos est es esforços a avaliação registrada é a de que, na pauta polít ica, a Agenda 21 cont inuaria sendo política específica da área de m eio am bient e colocando- se ainda o desafio m aior de aum ent ar am plam ent e a divulgação dos propósitos49.
48 Washingt on Novaes: j ornalist a e consult or do prim eiro relat ório nacional sobre
biodiversidade. Participante das discussões para a Agenda 21 brasileira.
49 “ [ ...] alguns m inist érios est ão incluindo a vertente am biental no planej am ento
O país intensificou o debate sobre desenvolvim ent o e sust ent abilidade e parece estar pelo m enos exposta a questão da quebra do paradigm a da suprem acia do econôm ico em det rim ent o das dim ensões social e am bient al. Considera- se que o nível local é por excelência aquele em que se consegue ult rapassar barreiras. Porém considera- se t am bém que a Agenda 21 padece de fat o de divulgação, j á que a com unicação é fundam ental para qualquer processo que se pret enda part icipativo.
Leila da Cost a FERREI RA ( 1998) apresent a alguns pont os sobre a int ernalização da noção de prot eção am bient al. De pont o de vist a hist órico há um a m udança lent a e relativa do Brasil a respeito dest a questão desde Estocolm o ( 1972) quando o Brasil liderou grupo de países periféricos que não reconheciam a problem ática am biental no m odelo de desenvolvim ento. Para ela essa m udança se deve em parte ao novo paradigm a t ecnológico que produziu crise no m odelo de desenvolvim ento e provocando tam bém perda de valor com parat ivo em recursos nat urais clássicos; a concepção sobre a poluição t orna- se um est igm a; na variável polít ica ocorre um a t ransição para sit uação m ais dem ocrática.
Mais especificam ente para o Governo Sarney apont a reações à pressão internacional com o a criação do I BAMA em 1989; o aum ent o do rigor no m onit oram ent o e fiscalização de queim adas na Am azônia; a concret ize, na m esm a m edida, na execução do orçam ento e na integração de ações setoriais [ ...] ” ( Eunice Elisete GUGELMI M et. al., 2003: 96)
suspensão t em porária de incentivos e subsídios à pecuária e agricult ura na Am azônia; o apoio ao presidente do I BAMA em conflitos intersetoriais no Governo Federal; e apoio a realização da CNUMAD, no Brasil. Apesar dest es pont os de avanço no Governo Sarney, a aut ora vê retrocesso nest as quest ões no debat e político eleit oral de 1989.
Em 1992, o Brasil, no ent ant o, adotava política ext erior m ais responsável em t erm os de polít icas am bientais globais e é um dos principais países na elaboração da Convenção da Biodiversidade. O Governo I t am ar Franco cria o Ministério do Meio Am bient e, m ant ido desde ent ão em t odos os governos at é o m om ent o. No ent ant o, est a ação m inist erial am bient al ainda perm anece m aj orit ariam ent e desvinculada das dem ais polít icas públicas e de desenvolvim ent o.
De t odos os m odos, a int ernalização de um a ordem am bient al int ernacional t em significado na Constit uição de 1988 na qual est á inserida a prem issa da part icipação. O art igo 225 consagra o dever da preservação am bient al e direit o de uso para as gerações present es e futuras. Dever que se im põem ao poder público e a toda coletividade.
Grandes eixos de m udança global ( inform ática, biotecnologia, novas form as de energia e t elecom unicação, novos m ateriais, gigant esca renovação científica) acabam por ocupar lugar cent ral nas reflexões sobre gest ão econôm ica, social e am bient al. Por outro lado, isso m ost ra que governos não est ão equipados institucionalm ente para essas
m udanças exigindo reform as, novos m étodos nos processos de decisão, novas form as de gestão.
Leila da Cost a FERREI RA ( op. cit .) salient a alguns obj et ivos a serem perseguidos pela polít ica pública quais sej am a ( 1) idéia da construção de um a governabilidade int ernacional - que deve passar a nosso ver que deve passar pelo debat e que inclui as relações de geografia política e m eio am bient e; ( 2) fort e redefinição do Estado no sentido de um a sociedade m ais dem ocrática e sustentável; ( 3) o cam inho no sent ido da convergência ent re desenvolvim ent o econôm ico e prot eção am bient al o que exigiria m aior eficiência energét ica, reciclagem de m at eriais, cont role de poluição, int ervenção norm at iva e regulat ória do Est ado aliada a incentivos de m ercado e am pla coalizão sociopolít ica dos am bient alist as. Observa- se, ent ret ant o, os problem as da est rut ura est at al no sent ido do m ont agem das agências públicas fom entadoras dest es obj et ivos.
Essa quest ão é considerada ainda bast ant e recent e no país. A Secret aria Especial de Meio Am biente foi criada em 1973 j á t endo at ribuições volt adas para a conservação am bient al e o uso racional dos recursos nat urais. Em 1981 est abeleceu- se a Política Nacional de Meio Am bient e que m arca a responsabilidade dos causadores am bient ais. Em 1985 cria- se o Minist ério do Meio Am bient e e Desenvolvim ent o Urbano e o CONAMA ( Conselho Nacional de Meio Am biente) que é am parado pela
criação do ent ão Sist em a Nacional de Meio Am bient e. A const it uição de 1988 t orna- se ent ão o principal m arco dest a época em term os de proj et o nacional porque é resultado de conscient ização e m obilização da sociedade brasileira e prom ove a concorrência dos t rês níveis de governo na problem ática am biental am pliando o papel dos Estados e Municípios no exercício de políticas am bient ais.
Ant ônio Carlos DI EGUES ( 1993) e Bert ha BECKER ( 1997) , acom panhando est es processos de int ernalização de dim ensões da política am bient al, t ecem considerações que vão no sent ido da relação geografia política e m eio am bient e. Para o prim eiro a abordagem sobre os recursos nat urais acaba ganhando um cunho m enos cent ralizador do pont o de vist a geopolítico, m as com fort e influência int ernacional, com o aparecim ent o de conceit os difundidos por organizações am bient ais int ernacionais. Est e aut or apresent a alguns fat ores que acabam por prom over a com binação t em ática ent re geografia polít ica e m eio am bient e50:
- ‘a rápida devast ação de florest as’ o que sugere m edidas t errit oriais de prot eção, recuperação e rest auração indicadas no SNUC;
50 [ ...] A criação de parques e reservas têm sido um dos principais elem entos de
est rat égia para a conservação da natureza, em particular nos países do t erceiro m undo ( ...) houve um a com binação de fat ores que explicam esse aum ent o da preocupação m undial pelas unidades de conservação [ ...] ( Antônio Carlos DI EGUES, 1993: 220)
- ‘a perda da biodiversidade planet ária’ o que coloca o Brasil com o foco privilegiado de interesse am bient al: país m egadiverso;
- ‘a disponibilidade de fundos int ernacionais para a conservação’ que se dirigem priorit ariam ente para as políticas t errit oriais do SNUC de im plantação de unidades de conservação conform e pode- se inferir da TABELA 02 ( p. 47) ;
- ‘a possibilidade de geração de renda pelo ecot urism o em
parques’ que se coloca com o at ividade privilegiada nos dias
at uais para as unidades de conservação;
- ‘a conservação se t ransform ando em im port ant e arm a polít ica para as elites dom inant es dos países do t erceiro m undo’.
Bert a BECKER ( op. cit.) , por sua vez, t orna explícit o que a dim ensão político- territ orial dos vet ores am bient ais produz um a nova
m alha t écno- polít ica51. Dent ro deste quadro a aut ora propõe alguns
pont os a serem considerados na interpret ação dest e processo:
- a fragilização do Est ado Federal e desm ont e da m áquina est at al a part ir do governo COLLOR;
- a ausência de um proj et o nacional dem ocrát ico;
51 [ ...] A crise do Estado e a redem ocratização da sociedade no Brasil, som ada às
pressões ext ernas m anifest am - se num a profunda m udança na política territorial a part ir de m eados da década de 1980, configurando a nova fase do ‘desenvolvim ento sust entável’; a variável am bient al – entendida com o recursos naturais, patrim ônios nat ural e cultural, conhecim ent o e prát icas sociais – foi incluída no discurso e na definição de políticas [ ...] ( Bertha BECKER, 1997: 06)
- a negociação diret a de elit es regionais com a econom ia- m undo; - as m últ iplas form as de organização da sociedade civil;
- o afloram ent o do t ecido social em com plexidade ( nova m alha t écno- polít ica) .
Esses novos recortes associam - se im ediat am ent e a novos agent es, o que dem onstra que a problem ática am biental é um a densidade, um agregado que int eressa com o discussão m ais dem ocrática de um a política de ordenam ent o t errit orial52. A variável am bient al sugere com
certa clareza at é, t ant o nos processos oriundos da ordem am biental int ernacional quant o nas acom odações da dim ensão da política pública int erna, que um a face dest e t odo est e universo está volt ado para novos recort es t errit oriais que colocam o Sist em a Nacional de Unidades de Conservação com o foco privilegiado de interesse e m ediação. As tabelas 01 e 02 abaixo podem dem onst rar este vocacionam ent o do Brasil.
TABELA 01
52 [ ...] as ONG’s que atuam não apenas na luta pela dem arção das áreas a serem
prot egidas, m as tam bém com o consultores nos planos de m anej o; os sindicat os, sob com ando do Conselho Nacional de Seringueiros, são igualm ente um ator de prim eira grandeza; e as com unidades. Com o apoio internacional j á cit ado [ ...] ( I dem , 1997: 09)
N ÚMERO DE ÁREAS PROTEGI DAS POR DÉCADA N O MUN DO E N O BRASI L