I. BÖLÜM
2.5. ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR
2.5.2. Yurt DıĢı AraĢtırmalar
A quarta dimensão do espaço - o tempo - pode ser
considerada uma potencialidade da imagem
computadorizada. A imagem técnica por um lado ganha autonomia e por outro perde seu valor enquanto árbitro da verdade. A realidade não precisa mais ser 'representada' pela imagem, através da fotografia ou do vídeo, cuja 'verdade' da imagem corresponde à realidade, cujo tempo é passado. A imagem computadorizada possibilita a autonomia da imagem, uma 'verdade' paralela à realidade, ou seja, a imagem é também o real, não 'representa' uma realidade, seu tempo é o presente, ela acontece paralelamente à realidade à qual se refere ou não. O suporte técnico não é apenas o veículo das imagens, mas também parte do processo. O computador permite o modelamento da realidade, sem que seja necessária a presença da realidade, ou seja, a realidade não é tomada, como na fotografia ou no vídeo, mas recriada. O computador não serve, como as câmeras, para capturar um instante da realidade, mas para processar uma nova realidade, a realidade da imagem. A imagem não é a realidade a que se refere, mas também não é apenas 'representação' dessa realidade. A imagem técnica é potencialmente uma terceira coisa, uma imagem realidade, uma 'imagem-tempo'.
O problema da imagem computadorizada enquanto 'representação' é que ela se tornou tentadoramente manipulável. Atualmente, a imagem é produto da
tecnologia, não mais apenas fruto da criação, ou da cópia mecânica ou técnica, mas está sujeita aos limites das possibilidades tecnológicas. Vemos a colagem se dissolver em pura imagem, não é mais possível distinguir entre uma foto da realidade e uma colagem de diversos elementos que nunca estiveram juntos na realidade. O hibridismo das imagens na era tecnológica traz também a possibilidade da falsificação. A imagem enquanto 'representação', além de não 'desvelar' o mundo, também não é mais necessariamente o correspondente da realidade, senão possibilidades, tanto de 'retratar' a realidade, quanto de falsificá-la.
Para tirar proveito da potencialidade da imagem computadorizada enquanto 'registro' da arquitetura, não podemos apenas considerá-la enquanto 'representação', mas sim como imagem independente, imagem realidade referente à arquitetura, porém passível de interação por ser presente, e não passado. Conforme nos mostra Lévy,205 as linguagens
de 'programação orientadas para objeto' permitem a relativização das imagens (objetos), por consistirem em "agenciar as interações de entidades distintas capazes de realizar certas ações e de trocar mensagens umas com as outras."206 A partir da 'programação orientada para objeto', o
computador possibilita a autonomia da imagem e também a interação 'real' entre as imagens/objetos programadas e o observador, que deixa de ser passivo, tornando-se ativo, desempenhando o papel de usuário.
Existem duas tendências de pensamento sobre a imagem na pós-modernidade, sendo que ambas derivam da autonomia da imagem com relação à realidade. A primeira, de certa forma apocalíptica, prevê a substituição do mundo pela imagem, por seu simulacro. A segunda, considera a possibilidade da coexistência da realidade e da imagem enquanto realidade. Essa última vem a ser um
205 LÉVY, Pierre. As Tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática.
[Traduzido por Carlos Irineu da Costa]. Rio De Janeiro: Editora 34, 1993.
206 LÉVY, Pierre. As Tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática.
desenvolvimento da primeira, e é onde se encontra a imagem do 'registro' proposto neste trabalho. Encarando a imagem como uma possibilidade a ser somada, e não como uma concorrente, ou substituta do mundo (da realidade), evidencia-se a necessidade de apropriação tecnológica em novos caminhos. Para que a imagem supra demandas como 'presentar' ou 'registrar' a arquitetura, faz-se necessário uma alteração não apenas da maneira como entendemos a imagem historicamente - enquanto 'representação' - mas uma mudança de apropriação tecnológica. A alteração do paradigma imagético/perspectívico (vinculado à representação) para o paradigma computacional (onde a imagem ganha autonomia com relação à realidade), depende diretamente da 'correta' apropriação da tecnologia. Quando dizemos 'correta' apropriação da tecnologia, não estamos separando a apropriação em certa e errada, cartesianamente, senão levantando a hipótese de que a maneira como o computador tem sido utilizado na criação e manipulação da imagem, não tem sido 'correta' se vislumbramos a informática como a tecnologia potencial para o desenvolvimento da imagem baseada num novo paradigma, que não o perspectívico, que não apenas 'representação'. Machado declara que toda tecnologia nasce velha, porque surge para suprir uma demanda já existente, sendo inspirada no antigo e adequada ao presente, ou seja, o aparelho de vídeo cassete traz para casa o velho 'cinema', surge como 'eletrodoméstico' possibilitando que se veja os filmes antigos.207 Assim como o vídeo, as outras tecnologias que
surgem, devem ser exploradas em sua potencialidade, não apenas enquanto suprimento de uma demanda que já é passada, desde que é suprida com o seu surgimento, mas enquanto potencial presente e futuro, induzindo o surgimento de novas demandas, e consequentemente a instauração de novo desenvolvimento tecnológico para supri-las. Em suma, toda tecnologia nasce velha e tende a morrer velha se não houver uma mudança de paradigma.
207 Arlindo Machado em palestra intitulada "Tendências Mais Recentes da Mídia Arte" no
seminário Arte e Mídia na Era Eletrônica - perspectivas e experiências, promovido pela Comuna - março/abril/maio de 1997 - Belo Horizonte/MG.
Na arquitetura, a tecnologia da informação está prestes a morrer velha, se não houver uma urgente alteração de paradigma. Infelizmente, como veremos na próxima seção, o computador não tem sido potencialmente usado pela arquitetura. A imagem computadorizada da arquitetura tem sido frequentemente mera 'representação', tal como estabelecida no Renascimento pelo paradigma perspectívico. Não vemos a inclusão das dimensões do tempo e do comportamento, conforme estamos discutindo, com autonomia da imagem, senão tentativas redutoras de interação que transformam o 'usuário' em 'telespectador' de animações de imagens pré-programadas, ou no máximo, dando ao observador algumas opções de caminhos, todos pré-programados. Não há tempo presente, não há interação real. A imagem está amarrada às suas bases perspectívicas, e 'representa' seu objeto, não tem intenção de existir por si mesma, com autonomia.