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4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA

4.2. Yumurta Kalite Kriterleri

4.2.5. Yumurta kabuğu Ca, Mg ve P konsantrasyonları

Além das contribuições de Vygotsky no âmbito da defectologia, o aparato teórico fundamentador desta pesquisa será a neuropsicologia Sócio-Histórico-Cultural, em especial, aquela avançada pelo legado teórico de Alexandr Romanovich Luria (1902-1977) e suas aplicações práticas decorrentes do seu programa científico.

No início do século XX, na Rússia posteriormente intitulada URSS, Lev Semenovich Vygotsky, Alexei Nikolaivich Leontiev e Alexsandr Romanovich Luria formaram a tríade científica na qual buscava ir além da dicotomia vigente na psicologia europeia entre psicólogos naturalistas e fenomenólogos (Hazin et al., 2010).

No âmbito da história da Psicologia, a tríade possibilitou reflexões teóricas que iam de encontro à Psicologia Científica (amparada por estudo correlacional e experimental), bem como à Psicologia Compreensiva – amparada pela fenomenologia e hermenêutica (Cornejo, 2005).

A perspectiva Sócio-Histórico-Cultural foi além do reducionismo das concepções empiristas e idealistas, na medida em que tentava compreender como processos naturais, tais como maturação física e mecanismos sensoriais, interagem com a cultura para construção das funções psicológicas complexas (Akhutina & Pylaeva, 2011; Freitas, 2002; Hazin et al., 2010; Luria, 1992).

Com premissas epistemológicas do materialismo histórico-dialético, a psicologia Sócio- Histórico-Cultural define o homem como ser construído e constitutivo dos significados acumulados historicamente e socialmente compartilhados. Graças à linguagem, o homem é construído por significados imbricados nas relações dinâmicas e interdependentes com a sociedade, a cultura e a história. Mas, ao mesmo tempo, é temporal no espaço e em suas

ações, devido à capacidade autocrítica de refletir e problematizar o que foi feito no passado e o que está sendo feito no presente. Há intenção permanente de promover um ciclo virtuoso de destituir o instituído, em busca da evolução pessoal e histórico-cultural (González Rey, 2005).

À perspectiva teórica inaugurada pela psicologia Sócio-Histórico-Cultural subjazem quatro premissas de base. A primeira defende que a inserção em ambiente sócio-histórico- cultural tem implicações diretas sobre a estruturação das funções psicológicas superiores em estágios relacionados, à medida que se processa a imersão nas práticas socioculturais. A segunda informa que as funções psicológicas superiores, embora tenham suporte biológico irrefutável, não podem ser compreendidas como produto biológico direto. Tal premissa converge com a terceira, a qual argumenta que o funcionamento psicológico complexo está fundamentado nas relações sociais estabelecidas entre o sujeito e o mundo, imersos em uma dimensão histórica e cultural (Eilam, 2003; Hazin et al., 2010).

Já a quarta premissa, relaciona-se ao papel do universo simbólico na constituição do ser humano. Argumenta-se que as relações estabelecidas entre o indivíduo e o mundo não são diretas, mas requerem que a ação do primeiro sobre/com o segundo seja mediada por instrumentos, signos e sistemas simbólicos, notadamente a linguagem verbal (Hazin & Meira, 2004; Oliveira, 2000; Vygotsky, 1991; Vygotsky & Luria, 1996).

Destarte, o desenvolvimento humano não é embasado por processo contínuo e homogêneo, uma vez que se pressupõe o estabelecimento de uma relação de aprendizagem e comunicação constante entre o organismo e o contexto sócio-histórico-cultural em que este se desenvolve, ou para o qual se direciona. Acredita-se que a interdependência natureza/cultura, mediada por instrumentos, signos e sistema simbólico, desencadeia modificações estruturais e funcionais, tendo em vista as possibilidades de redefinições sinápticas mediante influencias

socioculturais e ambientais (Ciasca, Guimarães, & Tabaquim, 2006; Eilam, 2003; Muszkat, 2006).

As quatro premissas supracitadas permitem compreender o desenvolvimento humano a partir de níveis de análise distintos, porém complementares. A saber, o nível histórico, filogenético, ontogenético e microgenético (Oliveira, 2000; Vygotsky, 1991; Vygotsky & Luria, 1996).

O nível histórico refere-se às aquisições sociais, históricas e culturais da humanidade, da comunidade e do momento histórico no qual se revela a ação humana. O filogenético versa pelo desenvolvimento das espécies e às especificidades de cada uma destas. Neste nível, pensar sobre o universo simbólico como constituinte do ser humano, necessariamente implica pensar sobre o salto qualitativo que o homem deu, enquanto espécie animal (Cornejo, 2005; Hazin et al., 2010).

O nível ontogenético refere-se ao desenvolvimento cognitivo, comportamental e socioafetivo dos sujeitos, contemplando as mudanças estruturais e funcionais que ocorrem ao longo da vida. Parte-se do pressuposto que os estágios de internalização, atravessados nas relações interdependentes entre homem e contexto sociocultural, gradativamente, permitem que funções elementares transformem-se em funções qualitativamente diferentes (Hazin et

al., 2010).

O desenvolvimento ontogenético debruça-se sobre a compreensão da linha natural de desenvolvimento (curso maturacional) imbricada à linha cultural. Nesta perspectiva, admite- se que, após imersão no universo simbólico, os processos psicológicos inferiores, inicialmente independentes (funcionamento unimodal), são agregados a redes complexas capazes de produzir significados (funcionamento polimodal) e, consequentemente, possibilitam a emergência da consciência (Hazin et al., 2010; Vygotsky, 1991).

Neste nível é factível perceber que percepções sensoriais transformam-se em ideias, conceitos e pensamentos, permitindo o distanciamento das contingências do aqui e agora para uma dimensão mais reflexiva, intencional e transformadora (González Rey, 2005; Hazin et

al., 2010; Luria, 1981; Mello, 2008).

Conforme Freitas (2002), a psicologia Sócio-Histórico-Cultural procura refletir o indivíduo em sua totalidade, articulando dialeticamente os aspectos externos com os internos, considerando a relação do sujeito com a sociedade à qual pertence. Assim, sua preocupação central é encontrar métodos que possibilitem estudar o ser humano como unidade de corpo e mente, ser biológico e ser social, membro da espécie humana e participante do processo histórico. A perspectiva teórica em questão fornece subsídios para a integração complementar da perspectiva nomotética e idiográfica no desenho metodológico de pesquisas, assim como agrega a dimensão sociocultural no processo de pesquisa e nas propostas de intervenções clínicas/neuropsicológicas (Haase et al., 2008; Hazin et al., 2010).

Benzer Belgeler