• Sonuç bulunamadı

Egzersiz kaydetme

Belgede SUUNTO KULLANIM KILAVUZU (sayfa 17-40)

3. Özellikler

3.29. Egzersiz kaydetme

No caminho de formação docente, experiências afetivas de muita beleza sempre permearam o frutuoso convívio com os estudantes. Não que tenha inexistido problemas e confrontos, mas não é deles que me lembro, tampouco foram eles mais numerosos do que os bons encontros, os momentos colhidos juntos.

Uma atitude dialógica, de proximidade, de quem quer bem – sem dúvida impõe desafios. Tantas vezes me vi exposto. Tantas vezes me deparei com os próprios limites. Tantas vezes assumi o risco de tentar apesar de tudo. E, sinceramente, no mais dessas vezes os revezes saíram de longe perdendo para a alegria, a afeição, a delícia de compartilhar a construção de saberes e sentires.

Com os estudantes, aprendi e continuo aprendendo. Com tantos deles, cultivo até hoje a amizade, a despeito do curso do tempo. No contato íntimo com os alunos particulares, no começo da carreira, quando ia à casa deles ou eles vinham à minha. Na concepção de cada aula, a individualidade era (e ainda é para mim) sempre um parâmetro de orientação: de que gosta(m), de que não gosta(m), como prefere(m) se expressar, o que lhe(s) traz motivação, qual arte mais o(s) encanta?... Desde as primeiras aulas, na antiga sede da Aliança Francesa de Fortaleza, no centro da cidade, desenvolvi vínculos de afeição e muitas vezes de amizade com os estudantes. Em meio a eles, alguém sempre se aproxima mais. E encontra o coração feito jardim aberto às presenças benfazejas.

Cabe destacar o delicado aprendizado com as crianças. Criei um curso de francês para elas. Sentava-me no chão e recriava minha pedagógica realidade a partir do inesperado que cada criaturinha daquelas me trazia. O lúdico e a arte não encontravam resistência, por motivos óbvios. Acho que era Chaplin quem dizia que não há melhor público nem crítico mais sincero que um menino. A avaliação que faziam do que iam aprendendo, espontânea como as críticas a algumas atividades propostas ou posturas minhas, foi valiosa para mim. E ainda o é.

Na Aliança, mas também na Escola Técnica e na UFC, a adoção de atividades artísticas – com o intuito de nos motivar, de dar vazão à expressão dos afetos, de acessar outras dimensões linguísticas – a mim parece ter sempre favorecido nossas interações, tantos sua fluidez quanto a boa qualidade delas. Diria Elvis Matos (2002, p.59,): ―as atividades artísticas podem desencadear um processo de auto-conhecimento: auto-mineração do precioso ouro dos sentimentos: diamantes emotivos‖.

Maria Isabel da Cunha (1999) já dizia que os estudantes gostam dos professores que se mostram próximos, do ponto de vista afetivo.

(...) quando os alunos verbalizam o porquê da escolha do professor [que consideram bom], enfatizam os aspectos afetivos.

Entre as expressões usadas estão ―é amigo‖, ―compreensivo‖, ―é gente como a gente‖, ―se preocupa comigo‖, ―é disponível mesmo fora da sala de aula‖, ―coloca- se na posição do aluno‖, ―é honesto nas observações‖, ―é justo‖ etc. Essas expressões evidenciam que a ideia de BOM PROFESSOR presente hoje nos alunos de 2° e 3° graus passa, sem dúvida, pela capacidade que o professor tem de se mostrar próximo, do ponto de vista afetivo (CUNHA, 1999, p.69-70, grifo da autora).

Desde o início da caminhada em educação (em 1987), sempre usei a Poesia, a Música e o Rádio78 com a intenção de nos motivar, aos estudantes e a mim, de favorecer a interação

em sala de aula e de criar um ambiente acolhedor para a manifestação e a vivência consciente das emoções e dos sentimentos presentes nessa situação.A pesquisa que fiz durante o mestrado (CASTRO, 2002) me indicou que as atividades interativas (trabalhos em grupo, atividades lúdicas, atividades artísticas) proporcionam prazer, motivam a aprendizagem. Continuo procurando adotá-las constantemente e não para ―quebrar a rotina‖. Os desenhos no quadro me auxiliam a explicar o vocabulário. Crio personagens, como Chico Tripa, Brigulina, o Professor, Isabelle, com os quais invento histórias que ilustram o que estamos estudando. Trago jogos diversos, como o canadense Brin de Jasette (jogo de perguntas muito popular que anima a conversação nos encontros sociais), o Scrabble (palavras cruzadas em tabuleiro). Procuro diversificar os gêneros textuais. Transito entre o literário, o jornalístico, o científico, o publicitário... Procuro motivar os estudantes a buscarem textos de que gostem, a proporem temas, a fazerem de apresentações curtas a aulas completas, de breves linhas de improviso a reflexões escritas sobre o que construímos juntos.

Chegar ao Bosque de Letras com meu violão foi por vezes o suficiente para causar estupor ou gracejos, críticas veladas ou declaradas. Aquilo não parecia sério – levantava muita poeira, deslocava o mofo. Algumas práticas, tão emboloradas quanto autoritárias, são abaladas tão simplesmente pela manifestação de algo diferente. Diversas vezes os colegas me advertiram que priorizasse os conteúdos, que tivesse cuidado para os estudantes ―não confundirem as coisas‖, que evitasse inclusive ter muita proximidade com eles. Para esses profissionais, lugar de aluno é no silêncio mesmo. Ou pedindo a palavra para dar a resposta certa e precisa, tão esperada pelo inquisidor. Mesmo os abraços sinceros, os beijos carinhosos, as declarações de amor, de amizade, de admiração incomodam. Os estudantes, por outro lado, quase sempre se mostraram acolhedores e entusiasmados com a abordagem pedagógica que impregna meu fazer docente: a de ser quem sou, não um personagem, de viver com poesia cada instante nosso, de compartilhar o que sabemos, sentimos e vivenciamos, de assumir os caminhos e descaminhos de nossa humanidade, deveras humana, deveras hermana.

A atitude de me requestionar, penso eu, também tem favorecido a sinceridade e a profundidade das relações estabelecidas, especialmente na Escola Técnica e na UFC em que a

78 Em sala de aula: leitura, audição, compreensão e criação de poemas e outros textos; audição e interpretação de músicas e de emissões radiofônicas; encenação de diálogos criados pelos estudantes, simulando situações reais; exibição e discussão de filmes; apreciação de fotografias; uso de desenho para ilustrar explicações ou narrativas.

superação da adolescência e a assunção da vida adulta por parte dos estudantes requer cuidado com os mínimos gestos, com os valores realçados, com as atitudes prenhes de postura ética.

Assisti a tantos exposés (apresentações orais de um tema) preparados por meus alunos, a tantas aulas, a tantas encenações de diálogos, tantas canções interpretadas, tantos poemas lidos e comentados, tantos jogos em seu entusiasmo, tantas hesitações, tantos erros, tantas quedas, tantos soerguimentos, tantos alçar-voo, tanta transcendência do amiudado aprendizado das regras... Com eles e elas, estudantes, descobri como sou pouco, mas quão imenso é o que juntos podemos fazer.

Outro aspecto deveras relevante em minha práxis docente é o fato de que, no caso de línguas estrangeiras, os conteúdos comunicativos nos levam a falar de nós mesmos (CASTRO, 2002). Pelo que me conste, nem mesmo em língua materna, temos de nos voltar tanto para o que pensamos e sentimos e vivemos. Os estudantes e professores de línguas estrangeiras têm de conversar e escrever sobre si mesmos, se apresentarem, descreverem os membros da família ou amigos ou uma pessoa conhecida que admiram, têm de contar lembranças de infância e de outros momentos importantes, de expor projetos para o futuro, de descer aos detalhes do que fazem pela manhã ao levantar, têm de emitir opiniões e debater assuntos polêmicos, como a pena de morte e a eutanásia, têm de falar dos sentimentos e emoções que vivenciaram em diversas circunstâncias... Esse contexto, necessário à aprendizagem de uma outra língua, diferente da(s) que já falamos, é propício para a vivência dos afetos, para o estreitamento dos vínculos entre os envolvidos, para a interação, para o conhecimento mútuo. Não conheço outra disciplina que exija que se fale tanto de si e que se conheça um tanto do outro. E isso não acontece sem que se transcenda, ainda que discreta e inconscientemente, a cisão entre razão e afetividade.

Com os estudantes, em sala de aula e fora dela tenho sempre convivido. Nas aulas, como disse, a arte se faz presente, ora como manifestação artisitica que apreciamos e com que aprendemos, ora como linguagem adotada para trabalhar os conteúdos e buscar novos caminhos, mais belos, para chegar aos objetivos. O desenho então é, por exemplo, como citei, usado para explicar alguns termos, para criar historietas na lousa, para trazer personagens que invento e com os quais literalmente ilustro o que digo. O violão anima as aulas em que estudamos e cantamos canções. O rádio marca presença com trechos de programas culturais ou de entrevistas ou noticiários ou publicitários que revelam aspectos culturais e linguísticos a que nos dedicamos. A fotografia, as artes plásticas, as histórias em quadrinhos, os jogos... de cada fonte, tanta riqueza, tanta aprendizagem compartilhada. Diálogos são criados e encenados pelos estudantes. Eles são convidados a propor textos e atividades dessas

naturezas. Procuro ouvir, incentivar, orientar, me aquietar, deixar acontecer... Sempre convido os estudantes a refletir sobre as aulas, a ver como (futuros) professores cada instante nosso.

Destaquei há pouco que no estudo de línguas estrangeiras (LE) (CASTRO, 2002), a gente é levado a falar de si, de seu dia, de lembranças, de projetos pro futuro, de opiniões sobre vários assuntos – talvez seja mesmo a disciplina em que mais as pessoas têm de conversar sobre si mesmas. Ora, fazer isso com arte é em todo contexto motivador. No âmbito da formação de professores de LE, estar consciente disso é essencial, mesmo que seja pra aprender também os limites para essas conversas sobre si. A mim interessa mais como encorajar para que aconteça.

No contexto da tese, esse aspecto é importante em minha atuação como professor- poeta-comunicador que usa arte para construir experiências afetivas (trans)formadoras. E levar esta reflexão para a sala de aula é também essencial, ou seja, é o caminho da partilha: passar a levar para os estudantes esse conjunto: que em LE se fala de si, que a arte pode contribuir, que as experiências afetivas (trans)formadoras devem ser discutidas na formação de professores de LE – e isso passa pelo desafio de conseguir falar delas, trazê-las à consciência e ao debate, dizer delas em LE, tanto que às vezes os estudantes recorrem às vezes à língua materna. Em LE, se fala de si mas isso nao é discutido na formação, a não ser no sentido de fornecer os elementos lingüísticos e limitar a invasão da privacidade; ora, de freios, estamos bem servidos.

Em meio às memórias de tanto vivido que não alcanço aqui relatar ou que as palavras mesmas se negam a expressar, recordo um poema que muito diz de tudo, entre mim e os estudantes. Este nasceu de um dia em que me imaginei, me vi e senti no futuro, bem velhinho, pronto a me aposentar, prestes a sair de cena. Fui até o dia em que daria a aula derradeira nos versos de um poema escrito em 1999 e dedicado ―aos meus alunos de hoje e outrora, em verdade os de sempre‖.

A Última Aula

A minha vida é toda pautada na palavra e na interação com o outro. Quantos cursos, quantas aulas assim começaram ou se encerraram! Tantas citações e provérbios e poemas copiei na lousa,

coloquei nas provas e exercícios! Tantas lições! O tempo todo eu quis aprender o que estive ensinando...

O Tempo, aliás, é mesmo o maior mestre: o eterno habita o instante. É vital colher cada instante. Fazer toda aula como se fosse a última...

Muitos mestres e mensagens voltam à baila em meu peito de poeta e professor. Vejo a sala de aula a me acolher amiga.

Olho minhas alunas e meus alunos com ternura e serenidade. Sei que eles irão além desta vivência

e guardo deles as mais delicadas e intensas lembranças.

Alegro-me em recordar que também vai inscrita uma parte de mim neles, porque somos todos Um.

Tenho aprendido com eles a ser aprendiz para sempre. Tenho visto e sentido coom é belo cada um de nós:

que milagre cada ser humano em sua aprendizagem e imperfeição! Inifnita caminhada conjunta tecemos em nosso dia-a-dia...

Aprendi que sou pouco e pequeno.

Aprendi também que o que tenho de extraordinário é ser filho de Deus, herdeiro da luz, como todos os meus iguais.

Entendi que amar se aprende amando

e que o verdadeiro Amor a si e aos outros é dádiva atemporal. Entro em sala para esta última aula.

Vejo meus companheiros e companheiras de viagem.

Procuro as palavras mais poéticas e percebo que o silêncio traz sem alvoroço nem engano a mensagem maior, a da Voz Interior. Não sou eu que deixarei o derradeiro conselho.

Esta é a hora humilde e altruísta de sair de cena. Mas posso lhes falar do que sinto e penso,

de como tenho aprendido a viver bem e a morrer um pouco a todo momento. Quero lhes dizer que houve outros alunos e outras alunas que amei e ainda amo. Vejo neles vocês e sinto em vocês a presença deles.

Vim me despedir dizendo que no coração vocês ficam.

Para além dos nossos nomes e papéis, algo maior nos une. Isso me conforta. A vida é um milagre. A morte é uma bênção para desfrutarmos do milagre. A morte nos grita: Viva! Viva bem.

O segredo não está nos livros. Os Iluminados não vivem por nós nossa vida. O maior mistério é que não há mistério algum.

E esse não haver é o que há envolto na magia que a gente cria. Olho os rostos todos ao meu redor. Sinto-me acolhido. Encaro vocês como meus pares.

E preciso dizer bem alto que sou muito grato a todos com quem tenho convivido. E a Deus, sobretudo. Em tudo e em todos. Como quer que O compreendam. Vou dizer a que vim. Sim, estou aqui para dar a última aula.

São dadas as aulas, já perceberam, eu sei.

São dadas porque ninguém compra nem vende este tesouro que é a interação, flor do humano convívio.

Eu que creio que vimos ao mundo aprender

e que aprendemos a metade nos conhecendo e outra metade com os outros, eu que faço versos, eu que amo meus Amigos e minhas Amigas,

eu que nem sei como concluir este poema,

eu quero deixar tudo continuar seu caminho, o texto, a aula, cada um de vocês. Espero encontrá-los com paz, amor, fé e saúde.

Espero que as adversidades fortaleçam a todos.

Eu vivo no colo do Tempo. No mais, amante da palavra, escuto falar

o silêncio...

(BELTRÃO, 2007, p.88-91)

Belgede SUUNTO KULLANIM KILAVUZU (sayfa 17-40)

Benzer Belgeler