A primeira iniciativa de implantar a educação superior no Ceará ocorreu por empreendimento do Bispo de Fortaleza, Dom Luís Antônio, com a fundação do Seminário Episcopal do Ceará em 10 de outubro de 1864, tornando-se o seu primeiro reitor.
O Seminário Episcopal, criado pela Lei nº 1.144 de 27/09/1864, foi uma instituição católica de formação eclesiástica, responsável pela formação do clero no chamado processo de romanização da Igreja Católica no Brasil.
O Instituto Teológico Pastoral do Ceará (ITEP), situado no prédio do conhecido Seminário da Prainha, na cidade de Fortaleza, é o sucessor direto do “Seminário Episcopal do Ceará”. O ITEP foi credenciado pelo MEC, em 2002, como uma IES privada – filantrópica,
com cursos de Filosofia e Teologia e de pós-graduação em Ética Teológica e Psicologia da Religião.
Ressaltamos que a primeira instituição de ensino superior destacou-se na fé e na política do Ceará.
Nos moldes do governo brasileiro, a primeira instituição de ensino superior foi a Faculdade de Direito do Ceará, fundada em 21 de fevereiro de 1903, em Fortaleza, pelos Drs. Nogueira Accioli e Tomás Pompeu de Sousa Brasil (filho).
Passados 51 anos, o idealista Antônio Martins Filho, um dos mais eminentes fomentadores da fundação da primeira universidade no Ceará, reuniu as instituições de educação superior já existentes em Fortaleza e tornar-se-ia "O Reitor" da vindoura instituição, fundada em 1954, a atual Universidade Federal do Ceará (UFC).
Por meio da Lei Federal nº 2.373 de 16/12/1954, ainda que num meio provinciano, mas numa ação transformadora que repercutiu na vida econômica e social, foi instalada a primeira universidade cearense em 1955, tendo como Reitor Antônio Martins Filho, que ocupou o cargo até 1967. Direcionado para a criação de uma infraestrutura, instituiu a Imprensa Universitária, adquirindo o atual prédio da Reitoria e da casa de José de Alencar e proporcionando condições para que a universidade pudesse continuar crescendo.
A UFC, com sede em Fortaleza, possui campus nos bairros do Pici, do Benfica e do Porangabussu e três unidades, fora da sede, nos municípios de Quixadá, Juazeiro do Norte e Barbalha, com cursos de graduação e pós-graduação.
Decorridos quatorze anos, nasce a primeira instituição de ensino superior pública estadual, a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), por meio da Lei Municipal nº 214 de 23/10/1968. Seu nome deve-se ao rio que corta a cidade, o Rio Acaraú. O Poder Executivo Estadual, através da Lei nº 10.933 de 10 de outubro de 1984, criou sob a forma Autárquica a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), dotada de personalidade jurídica de direito público e autonomia administrativa, financeira, patrimonial, didática e disciplinar, com sede no Município de Sobral e jurisdição em todo o Estado do Ceará.
A UVA foi a pioneira na interiorização da formação acadêmica no Ceará, promovendo assim o desenvolvimento social da macrorregião de Sobral/Ibiapaba que, atualmente, compreende 29 municípios, ocupando uma área de 16.662,9 km² ou 11,2% do território cearense. Atualmente, no município de Sobral, a UVA possui quatro campis nos bairros da
Betânia, do Junco, do Derby e do Cidao, bem como 14 unidades, fora da sede, que são denominadas de campus avançado de difusão tecnológica.
Na década de 1970, surgiram duas novas instituições de educação superior no município de Fortaleza: uma pública estadual e uma privada.
Em 17 de abril de 1971, os conselhos Curador e Diretor da Fundação Edson Queiroz decidiram criar a Universidade de Fortaleza (UNIFOR). E, em 1973, fundada pelo grupo Edson Queiroz, por iniciativa do empresário Edson Queiroz, concretizar-se-ia o sonho de se criar um centro impulsionador da pesquisa e da educação superior no Estado do Ceará. Nascia, assim, a primeira instituição privada – filantrópica – a, então, Universidade de Fortaleza (UNIFOR), por meio de Decreto Federal nº 71655 de 04/1/1973.
A história da Universidade Estadual do Ceará (UECE) começou em 18 de outubro de 1973 com a Lei número 9.753, que autorizou o Poder Executivo Estadual a instituir a Fundação Educacional do Estado do Ceará (FUNEDUCE).
Em março de 1975, o Conselho Diretor da FUNEDUCE criou a Universidade Estadual do Ceará, por meio de Decreto nº 11.233 de 10/3/1975, tendo incorporado ao seu patrimônio as Unidades de Ensino Superior já existentes na época: Escola de Administração do Ceará, Faculdade de Veterinária do Ceará, Escola de Serviço Social de Fortaleza, Escola de Enfermagem São Vicente de Paula, Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos, além da Televisão Educativa Canal 5. Seu primeiro Reitor foi o Prof. Antônio Martins Filho, também fundador da UFC.
No ano de 1986, diante da necessidade de intensificar a interiorização do ensino superior, foi criada, no município do Crato, uma nova instituição pública estadual – a Universidade Regional do Cariri (URCA), por meio de Lei Estadual nº 11.191 de 09/6/1986, pertencente à macrorregião do Cariri/Centro Sul, que é composta de 42 municípios, ocupando uma área compreendida de 28.879,9 km² ou 19,4% do território cearense.
A URCA possui seis campis, três no município de Crato, dois no município de Juazeiro do Norte e um no município de Santana do Cariri, onde funciona o Museu de Paleontologia, mostruário de uma das mais importantes reservas de fósseis do período cretáceo.
Em março de 1993, foi criada a Secretária da Ciência e Tecnologia – SECITECE, a quem compete planejar, coordenar, fiscalizar e supervisionar as atividades pertinentes ao ensino superior no âmbito do Estado, como também formular diretrizes estabelecidas pelo governo.
O Deputado Federal Ariosto Holanda licenciou-se para exercer o cargo de Secretário da Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (SECITECE), no período de 1995 a 1998 e, posteriormente, no período de 1999 a 2003. Em meados de 1995, implantou o programa de educação tecnológica, cujo projeto previa a criação de três Centros de Ensino Superior Tecnológicos e de 40 (quarenta) Centros Vocacionais Tecnológicos. Essas instituições deveriam atuar, de forma integrada, em cada região, desenvolvendo atividades nos diferentes níveis de ensino profissionalizante.
Em 1997, o Decreto nº 2.208 regulamentou a educação profissional e o Programa de Expansão da Educação Profissional (PROEP), que favoreceu ao Estado a sua inclusão através de projetos para implementar os Centros de Ensino Superior Tecnológicos (CENTECs) e os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs).
No ano de 1999, retomou-se o processo de transformação das Escolas Técnicas Federais em Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs). Portanto, por meio de Decreto Federal s/n em 22/3/1999, o CEFET do Ceará foi autorizado a ministrar cursos superiores de tecnologia.
Em 2005, a Lei 11.195 de 18 de novembro de 2005 estabeleceu a expansão da oferta da educação profissional que ocorrerá, preferencialmente, em parceria com Estados, Municípios e Distrito Federal, setor produtivo ou organizações não-governamentais que serão responsáveis pela manutenção e gestão dos novos estabelecimentos de ensino.
O atual Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), com sede em Fortaleza, possui seis campis já implantados nos municípios de Cedro, Juazeiro do Norte, Maracanaú, Crato, Iguatu e Quixadá. Dentro do Programa de Expansão da Rede Federal, correspondente à 1ª fase, foram implantados os campis nos municípios de Limoeiro do Norte e Sobral em 2009, encontrando-se em processo de implantação os campis dos municípios de Acaraú, Aracati, Canindé, Crateús, Jaguaribe e Tauá, Taboleiro do Norte.
As instituições de educação superior cearenses estão organizadas sob as seguintes categorias administrativas (ou formas de natureza jurídica):
Pública: são instituições criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público, que podem ser federais, estaduais e municipais.
Privada: são instituições mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.
As IES privadas podem organizar-se como:
Instituições privadas com fins lucrativos ou particulares em sentido estrito;
Instituições privadas sem fins lucrativos, que podem ser: confessionais, filantrópicas e comunitárias.
Distribuindo as IES cearenses cadastradas no INEP no ano de 2007 por macrorregiões de Planejamento e Desenvolvimento do Estado, verificamos conforme tabela 1 que há uma significativa preponderância de IES nas macrorregiões que correspondem à Região Metropolitana de Fortaleza e Cariri/Centro Sul, enquanto em outras há escassez e até inexistência.
Tabela 1: Distribuição de IES nas Macrorregiões do Estado do Ceará no período de 1954 a 2007
Macrorregião N %
Região Metropolitana de Fortaleza 31 60,8
Litoral Oeste 0 0
Sobral/Ibiapaba 5 9,8
Sertão dos Inhamuns 0 0
Sertão Central 1 2,0
Baturité 0 0
Litoral Leste/Jaguaribe 3 5,9
Cariri/Centro Sul 11 21,5
Total 51 100%
Fonte: Dados da Pesquisa
Em análise a estudos de conhecimento das macrorregiões e ao quantitativo expresso na tabela acima, mostraremos um breve esboço dos indicadores significativos dessas macrorregiões, destacando municípios sede ou campus avançados das IES cearenses, que propõem a interiorização da educação superior como fator de desenvolvimento socioeconômico da região na qual se inserem.
5.2 Desenvolvimento das macrorregiões de planejamento cearense