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7. DESTEK

7.2. Yeterlilik

A cortesia é um fenômeno amplo inerente à natureza social do homem, pois é forjada em meio a práticas sociais. É, portanto, nas relações humanas que ela se manifesta, tanto por meio de atos verbais quanto não verbais, mas sobretudo por meio dos primeiros, já que, as interações humanas se realizam primordialmente por meios linguísticos ou são por eles mediadas. Nesse sentido, “a cortesia é uma atividade linguisticamente pertinente”, podendo manifestar-se tanto por “formulações cultural e socialmente definidas e consagradas quanto por meio de recursos singulares e originais criados no aqui e agora dos atos enunciativos” (Hilgert, 2008: 134).

Em sentido lato, cortesia diz respeito ao trato social, à deferência e consideração com o outro nas diferentes instâncias da vida em sociedade. Consideramos cortês, de acordo com o senso comum, o indivíduo que se dirige ao outro com urbanidade, delicadeza e amabilidade. Assim é que fazer um elogio, cumprimentar alguém, atenuar uma crítica ou uma ordem, oferecer um presente ou portar-se bem à mesa constituem atitudes corteses.

Compreendendo que um domínio abrangente do fenômeno da cortesia diz respeito ao comportamento social como um todo, incluindo desde as noções de “boas maneiras na fala” até as “atitudes à mesa”, Leite (2008: 49) ressalta sua relevância do ponto de vista social, antropológico, histórico e psicanalítico. Tal fato nos leva a crer que o estudo do fenômeno em geral pressupõe o entrecruzamento de diversas disciplinas. Nesse sentido, Bravo (2004a), que concebe a cortesia como um fenômeno sociocultural, reconhece a necessidade de o analista recorrer a enfoques interdisciplinares ao debruçar-se sobre seu objeto de estudo.

Ainda de acordo com Bravo (2004a: 5), embora o sentido corrente do termo possa refletir, “em maior ou menor medida, a alma ‘universal’ da cortesia”, faz-se necessário delimitar sua acepção no contexto dos estudos teóricos sobre o fenômeno. Assim, a autora propõe a introdução de qualificativos que auxiliam nessa delimitação da palavra e, ao mesmo tempo, refletem a história de seus usos com fins científicos. Pode-se falar, então, em

cortesia linguística, cortesia comunicativa, cortesia conversacional e cortesia estratégica. Essa tentativa de delimitação reflete, ainda, a necessidade de

determinar o objeto de estudo de cada disciplina, uma vez que o fenômeno em questão atrai outras ciências que se ocupam em estudar as atividades humanas (Antropologia, Sociologia, Psicologia, etc.).

As duas primeiras denominações, cortesia linguística (objeto de estudo da Linguística) e cortesia comunicativa (objeto de estudo da Linguística e também de outras ciências da linguagem), competem com a de cortesia verbal. Para Bravo (2005: 26), essa terceira denominação delimitaria o estritamente linguístico (as palavras, os sinais supra-segmentais que interferem na emissão

de uma oração), daí a preferência da autora por cortesia comunicativa que incluiria recursos expressivos de natureza não verbal (gestos, por exemplo).

Cortesia conversacional, por sua vez, diz respeito ao que Bravo (2004a: 6)

denomina interação “modelo”, a qual prevê a presença física de, no mínimo, dois falantes em situação “’idealmente’ simétrica quanto a seus direitos” de participação no intercâmbio comunicativo. Para essa autora, a quarta denominação é responsável por estabelecer uma distinção entre o que chama de cortesia normativa (aquela cujas expressões comunicativas são altamente convencionalizadas e ritualizadas) e cortesia volitiva (aquela que depende das escolhas do falante na situação comunicativa).

Quanto ao emprego do termo com finalidade científica, em nossa sociedade, mais um fator se agrega ao que acabamos de expor. De acordo com o senso comum, ser cortês é ser polido. Isso equivale a dizer que os termos cortesia e polidez são sinônimos. No Brasil, os poucos estudos teóricos sobre o tema refletem, em certa medida, essa realidade que observamos no uso corrente da palavra. Assim, em Silva (1998), encontramos polidez e, no mesmo autor (2008), deparamo-nos com a palavra cortesia. De modo idêntico, Galembeck (1999 e 2008) faz uso desses dois termos em seus trabalhos. Hilgert (2008: 134), por sua vez, considera-os sinônimos. Portanto, do ponto de vista científico, o que dissemos nos parágrafos anteriores sobre a cortesia, também se aplica à polidez, uma vez que os dois termos são empregados para descrever os mesmos conceitos e suas formas de manifestação em muitos estudos

Não obstante isso, Villaça e Bentes (2008: 29 - 31), propõem uma distinção entre os termos. Para as autoras, que se baseiam em estudos de Alvarez, o que determina um ato como cortês reside na intencionalidade dos interlocutores em demonstrar que participam do “jogo da cortesia”. Assim, “o comportamento cortês, atualmente, seria menos ritualmente determinado e mais ligado às instâncias subjetivas da interação”. A polidez, por sua vez, seria “uma prática regida por convenções sociais de natureza mais geral impostas ao contrato conversacional”. Essas autoras, entretanto, reconhecem a tendência entre a maioria dos estudiosos em não fazer tal distinção.

No presente estudo, adotamos a posição da maioria dos autores e concebemos polidez e cortesia como sinônimos. Mas, para imprimirmos maior objetividade às nossas reflexões, optamos pelo emprego do termo cortesia, uma vez que os trabalhos mais recentes sobre esse fenômeno, em nosso país, também o adotam. Além disso, entendemos, de acordo com Preti (2008: 218), que os atos de cortesia verbal podem ser encontrados “no emprego de tratamentos gramaticais, na sistemática de troca e tomada de turno, na preservação da face, nos mecanismos de atenuação, nos modalizadores, entre outros aspectos da conversação”, os quais analisaremos nesta pesquisa. Poderíamos acrescentar, ainda, que as formas linguísticas de manifestação de cortesia ou polidez coincidem nas diferentes pesquisas às quais recorremos.

Finalmente, queremos ressaltar que o corpus a ser analisado nesta pesquisa, oferece-nos a possibilidade de exploração de aspectos que Bravo (2005: 26) classifica como “estritamente linguístico”, uma vez que as gravações e transcrições das entrevistas não incorporam recursos expressivos, tais como gestos e expressões faciais, tão importantes na atividade comunicativa. Isso explicaria nossa opção pela denominação ‘cortesia verbal’.

Belgede GÜMÜŞHANE ÜNİVERSİTESİ (sayfa 16-0)

Benzer Belgeler