2.4 Kavram Olarak Yeterlik
2.4.1 Öz Yeterlik
O grupo de entrevistados unanimemente considera que vivemos hoje num mundo bem mais perigoso que há alguns anos atrás, atribuem esse motivo a maior presença e maior variedade de drogas, fato que segundo os sujeitos entrevistados, gera mais violência. Referem que atualmente as gerações de jovens têm sido menos comprometidas e respeitosas com os pais e outras pessoas mais velhas. Consideram também, em unanimidade, que a vida nos centros urbanos é bem mais perigosa e estressante, e que a presença do stress é um risco não somente à saúde, mas também um risco social. Reconhecem que o stress pode ser um desencadeador da violência, gerando agressões interpessoais e podendo levar a morte.
Hoje em dia com aumento da violência e presença de drogas é mais perigoso que antigamente, quando havia mais respeito dos filhos com os pais (E4, E8, E12, E19, E20, E24, E26, E28).
Stress é um risco, muita gente morre por causa do stress (E6, E13, E16). Corre-se mais riscos nas grandes cidades devido à vida urbana e a pior qualidade de vida (E6, E4, E7, E30).
Risco depende é de cada um, da informação, da educação, da escolaridade que se tem para se julgar (e se colocar) em risco ou não (E27).
Instrução, educação e diálogo são formas de controle dos riscos (E16, E19, E22, E28, E30).
Quem não tem pai para lhe defender deve ser mais precavido (E13).
Num contexto social e material de falta, há mais risco e vulnerabilidade e não há cuidado à saúde (porque não há aprendizado) (E1, E13, E15, E18). A vivência dos riscos e sua percepção vão se modificando ao longo da vida (E3, E19).
É desvelada a sexta categoria empírica a partir das representações de que hoje vive-se num mundo bem mais perigoso que antigamente:
Vive-se atualmente numa sociedade bem mais perigosa que antes; O conjunto das entrevistas mostrou que as representações em torno do risco ressaltam seu caráter contingencial, como risco na vertente sociológica. Consideram que o risco faz parte do cotidiano, e sendo inerente à vida humana sempre se está diante dele, contudo utilizamos recursos que visam minimizar ou balizar esses riscos na vida diária. Ressaltam ainda que apesar do risco ser parte da vida, não se pode pensar nele o tempo todo, senão não se vive; ao refletirem, concluem que pensar nos riscos é ter que pensar na morte, e isso não é agradável, então evita-se pensar.
Riscos são, em parte, contingência e escolha, limiar entre bem e mal, mas há riscos que precisam ser corridos (E27, E30).
Quem tem DCNT tem mais risco de morrer (E3, E19).
Risco é privar-se do sono e ter de enfrentar situações ruins (E1).
Riscos são inevitáveis e os administramos diariamente com cuidados que os balizam (E20, E27, E28).
Riscos são inerentes à vida, mas não se pode pensar neles o tempo todo senão não se vive e nem se sai de casa, pois em todo momento se está em risco (E14, E17, E23, E24).
Pensar nos riscos é ter que pensar na morte (E16).
É desvelada a sétima categoria empírica a partir das representações de risco como contingência do mundo:
Risco como contingência do mundo;
O conjunto das entrevistas revelou ainda a concepção de risco como possibilidade de escolha, ou seja, existem normas que balizam a vida cotidiana e minimizam os riscos. No entanto, a adoção dessas normas ou não dependem
da escolha do indivíduo e, consequentemente, definirão sua postura como um sujeito que vive mais ou menos em risco.
O grupo de entrevistados reconhece, algumas vezes, a necessidade de adoção das normas, mas revela a impossibilidade de se seguir a norma o tempo todo. Consideram que a vivência do risco vai se modificando ao longo da vida, de forma a aumentar a quantidade e a complexidade do que se percebe como risco, em suas trajetórias.
Reconhecem que uma postura dita ‘de paz’, ou tranquila, minimiza os riscos e que a educação, informação e diálogo são ferramentas geralmente utilizadas pelos pais, educadores ou responsáveis como forma de tentar controlar ou conter o risco.
Normas para manter a saúde são chatas e não é tão satisfatório quanto colocá-la em risco (E23).
Não se pode pensar em saúde o tempo todo, nem viver a norma o tempo todo, ninguém é cem por cento certinho (E14, E24, E25).
Álcool prejudica a saúde, quem diz só beber socialmente, ‘mente’ (E20). Risco depende é de cada um, da informação, da educação, da escolaridade que se tem para julgar (e se colocar) em risco ou não (E27).
Hábitos saudáveis, bom ambiente e convivência com boas pessoas diminuem os riscos (E1, E2, E3).
Instrução, educação e diálogo são formas de controle dos riscos (E16, E19, E22, E28, E30).
A vivência dos riscos e sua percepção vão modificando ao longo da vida (E3, E19).
Pessoas boas e tranquilas estão menos expostas aos riscos (E1, E9). Transgredir é bom, porém perigoso, então é um risco (E23, E24). Aprendizados sobre limites e riscos se iniciam desde a infância (E19).
Risco é fazer algo sem planejamento (E12, E26).
Prevenção faz parte de cada pessoa, da maneira como ela vive e concebe os riscos (E26).
É constatado que a construção das RS sobre risco realmente acompanha a trajetória de vida.
É desvelada a oitava categoria empírica referente ao risco como escolha, nas normas, passíveis de serem acatadas ou não:
Risco como possibilidade de escolha: Acatar a norma ou
As categorias empíricas encontradas foram, então:
1) Aprendizado desde a infância como base do cuidado e autocuidado;
2) Diferenças na concepção e no objetivo da promoção da saúde por faixas etárias;
3) Descompasso entre promoção da saúde e cultura médica ainda imperativa nas práticas e concepções de cuidado em saúde;
4) Idade e hereditariedade das DCNT;
5) Legado do pensamento higienista e da noção miasmática: entrave para compreensão e prevenção das DCNT;
6) Vive-se atualmente numa sociedade bem mais perigosa do que antes; 7) Risco como contingência do mundo;
8) Risco como possibilidade de escolha: acatar a norma ou transgredi-la?
Os agrupamentos realizados com as representações por objetos ou temas, e com auxílio das linhas do tempo, que representam as trajetórias de vida permitiram a sintetização dos 30 esquemas, para construção de um uma linha do tempo síntese e convergente, conforme pode ser visualizada a seguir:
Categorias Teóricas
A partir da síntese e do afunilamento das categorias empíricas foi possível desvelar três grandes categorias, ou categorias teóricas, e assim compreender a consolidação das construções sociais e subjetivas dos sujeitos a respeito dos objetos promoção da saúde e risco relacionados à DCNT conforme pôde ser demonstrado na linha síntese e na categorização que se seguiu. Apresentamos, as categorias teóricas emergidas:
1) Promoção da Saúde: Uma prática distante
2) A cultura da idade na base dos modos de lidar com a saúde e doença
3) Sociedade de Risco