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BÖLÜM II ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ

2.3. ÖĞRETMENLİK MESLEĞİ GENEL YETERLİKLERİ

2.3.1. Yeterlik Kavramı

A política científica implantada nos Estados Unidos na metade do século XX é considerada como o início do processo de apropriação social da ciência, sendo resultado do que é considerada realmente a primeira socialização significativa da ciência: a Segunda Guerra Mundial. É nessa política que nasceu o modelo linear de inovação, que fomentou por mais de 40 anos a grande ciência e que no final do século passou a ser objeto de crítica por diversos fatores, entre eles suas conseqüências indesejadas.

Merino (2008) afirma que desde a aparição da sociedade pós-industrial as relações entre a ciência e o poder (político e/ou econômico) encontram-se cada vez mais complexas, dificultando as distinções entre os fins e os meios do coletivo e das instituições em relação à ciência e tecnologia. O autor diferencia a política científica da política da ciência, como a primeira sendo o conjunto de ações que estabelece um governo visando o desenvolvimento da pesquisa científica, do processo de inovação tecnológica e do uso da C&T para objetivos políticos gerais por meio de financiamento originário de recursos públicos; e a segunda como uma interação entre a ciência e o poder, ou seja, o uso da ciência com o intuito de influenciar a sociedade e como um recurso nas relações internacionais. Para o autor, as políticas científicas são produto de um tipo de política da ciência, no caso, de uso governamental concreto do conhecimento e da produção C&T.

Foi em 25 de julho de 1945 que Vannevar Bush, então responsável pela relação entre o Projeto Manhattan e a Casa Branca (sede do governo americano) enviou ao presidente Harry S. Truman o informe “Science, The Endless Frontier”, em que recomendava diversos pontos que serviram de base para o modelo linear de inovação. Seguem alguns destacados por Merino (2008):

- a necessidade do desenvolvimento científico – o que resulta em nível de vida mais alto, na conservação dos recursos nacionais limitados e no fortalecimento dos meios de defesa;

- a ciência é de responsabilidade do governo – assim como a saúde, o bem-estar e a segurança são de responsabilidade do governo, o progresso científico também deve ser;

- a importância da pesquisa básica – os novos produtos e processos fundamentam-se em princípios e novas concepções, que por sua vez são elaborados pela pesquisa no campo da ciência pura;

- centros de pesquisa básica – são nesses centros que os pesquisadores podem atuar em um ambiente relativamente livre.

O Projeto Manhattan, na opinião de Cuevas (2008), teve diversas repercussões: por um lado se deu conta da importância do conhecimento científico e por outro os cientistas viram a necessidade do trabalho em equipe interdisciplinar, de usar financiamento e de reclamar um lugar na sociedade. Assim, a associação entre ciência e poder ia se tornando cada vez mais evidente.

Para Dagnino (2008), é nesse período, após a Segunda Guerra Mundial e início da Guerra Fria, que a pesquisa científica assume uma forma de organização estatal e militar; e a ciência, definitivamente, passa a ser vista como “o cume e essência da razão e da cultura

humana” e como o “núcleo da organização democrática e racional”, prevalecendo então a visão positiva acerca da ciência e da tecnologia. Também é esse período que marca o antes e o depois quando se trata das relações existentes entre a ciência e a sociedade (CUEVAS, 2008).

O informe enviado por Vannevar Bush presume a explicitação de um contrato social para a ciência do pós-guerra, cujas cláusulas se baseiam no que foi denominado Mitos Inovação e Desenvolvimento (Mitos I+D). Merino (2008) indica cinco mitos:

1. O Mito do Benefício Infinito – mais ciência e tecnologia levam a um maior bem público;

2. O Mito da Pesquisa Sem Travas – qualquer linha de pesquisa científica dentro dos processos naturais tem a probabilidade igual a qualquer outra de oferecer benefícios sociais;

3. O Mito da Responsabilidade – a revisão por pares, a reprodução dos resultados e outros controles da pesquisa científica encarnam os princípios da responsabilidade ética do sistema científico;

4. O Mito de Autoridade – a informação científica tem origem em bases objetivas para a resolução de disputas políticas; e

5. O Mito da Fronteira Sem Fim – o novo conhecimento gerado na fronteira da ciência é independente de suas consequências práticas e morais na sociedade.

Desses, vale destacar neste trabalho o primeiro mito, por ter correspondência direta com o próprio modelo linear de inovação. No modelo linear de inovação a trajetória da pesquisa básica ao produto aplicado segue uma progressão ordenada, começando com a criação de um novo conhecimento na pesquisa básica, depois a pesquisa aplicada, o desenvolvimento de produtos específicos e, finalmente, a introdução desses produtos na sociedade através de canais comerciais ou através de programas governamentais (Merino, 2008).

Foi com esse modelo que os Estados Unidos definiram sua política científica e tecnológica (PCT), o que fez com que outros países de economia de mercado, mesmo já apoiando de alguma forma o desenvolvimento científico, adotassem a PCT de forma emergencial.

Além disso, Dagnino (2008) levanta outros dois fatos que estão diretamente ligados à questão da PCT. Um é que o modelo descritivo, normativo e institucional baseado na cadeia linear de inovação, embora criticado desde os anos de 1960 na América Latina, manteve-se hegemônica no mundo todo até bem pouco tempo. O outro está relacionado com o crescente predomínio da interpretação proporcionada pela Teoria da Inovação, que emerge como uma alternativa à da cadeia linear de inovação. A crítica dessa Teoria à cadeia linear de inovação

se concentra no questionamento do que seria o primeiro elo dessa cadeia, ou seja, na suposição de que o desenvolvimento científico ou a pesquisa básica e os recursos humanos formados resultariam automaticamente ao desenvolvimento tecnológico. Segundo o mesmo autor, o slogan CT+I (Ciência, Tecnologia e Inovação) surge para expressar essa crítica: a capacidade científica não era uma condição suficiente para o tal desenvolvimento tecnológico; e nem para a competitividade entre os países. Seria mais que necessária a inovação. Assim, a partir da visão otimista da Teoria de Inovação, a aliança entre a comunidade de pesquisa e a empresa privada é entendida como o único meio possível para transferir aos indivíduos o conhecimento gerado pela própria sociedade da qual fazem parte.

E se o slogan CT+I surge com uma alternativa à cadeia linear de inovação, o slogan CTS também vem cada vez mais se colocando como uma alternativa ao CT+I, principalmente pela percepção crítica ao domínio do modelo político e sócio-econômico vigente e pela necessidade de um controle maior pela sociedade das questões relativas à C&T (DAGNINO, 2008).

Diante disso e como salienta Cuevas (2008), tem-se a impressão de que a ciência se converteu, em alguns casos, em serva da tecnologia e esta, por sua vez, não leva em conta os malefícios que pode causar para a sociedade. Então, de que tecnologia estamos falando? Aquela da bomba atômica? Ou aquela que salva vidas por meio da prevenção médica? Ou ainda daquela que nos permite ter a sensação de que estamos no fronteira do que há de mais moderno no mundo? Tem mais: trata-se da tecnologia por si só, vista de maneira isolada, ou como resultado de um desenvolvimento científico? Algumas considerações sobre essas questões são de expressiva relevância para as relações tratadas neste trabalho e, portanto, serão abordadas a seguir.