3. TRAKYA’DA ENERJİ SEKTÖRÜ: ENERJİ POTANSİYELİ VE EKONOMİK ANALİZİ
3.2. Elektrik üretim potansiyeli
3.2.2. Yerli kömür
Considerei de todo pertinente questionar as educadoras sobre a ocorrência de conflitos e os seus modos de intervenção nesses momentos. Compreendi que aquando a ocorrência de conflitos entre pares, as educadoras procuram primeiro observar. Segundo as palavras da EC “observar em primeiro lugar (…) deixar ver como é que eles resolvem o assunto, porque eles às vezes conseguem, eles vão dialogando e eles próprios conseguem”. A educadora acredita nas capacidades que as crianças têm para resolver os seus conflitos, dando-lhes tempo, enquanto observa, para essa resolução. Contudo, tem a perceção que ocorrem por vezes situações mais delicadas, em que sente que as crianças precisam do seu apoio. É neste sentido que surge a referência do educador enquanto mediador. Nesta perspetiva o educador não resolve o problema das crianças, mas poderá ajudá-las através de uma mediação pelo diálogo a resolver o problema.
Perante a disputa de um brinquedo, a EC considera que é importante a observação para que assim possa perceber quem tinha primeiro o brinquedo ajudando na resolução do conflito. Este modo de intervenção foi observado e registado na seguinte nota de campo:
As crianças da sala Parque brincavam livremente pelo chão. O G estava a brincar com o prato. O D começou a puxar com muita força, esse mesmo objeto, ambos puxam para seu lado e produzem alguns gritos. A educadora pergunta: “então? Aiai. O que é que se passa?” As crianças continuam a disputar aquele brinquedo, sem qualquer alteração nos seus comportamentos. A educadora volta a questionar as crianças: “Quem é que tinha o pratinho primeiro?” Não obtêm qualquer resposta. A educadora interpela o D e diz-lhe: “D, o prato é do Gestá bem?”. O D não alterou o seu comportamento e continuava a puxar o prato, a força com que age leva-lhe a conseguir o pretendido. O G larga o prato e o D verbaliza: “DÁ”. A
tu à bocado querias o balão” (A educadora retira o prato das mãos do D e entrega-o ao G, dando-lhe o balão). O Dnão quis o balão e persistia em “recuperar” o prato, chegou perto do G e retirou-lhe novamente o prato. A educadora volta a intervir e tira-lhe o prato, entregando- o ao G. O D fica muito zangado começando a afastar todos os brinquedos à sua volta.
[Notas de Campo, 6 de novembro de 2012] Neste conflito é notório o diálogo que ocorre, a educadora procura sempre explicar às crianças o que se está a passar, pois, acredita que “apesar de serem pequenos, eles têm consciência já do que é que está mal, e o que é que não está” (Entrevista EC). Deste modo, a EC vê a criança como um ser que desde cedo compreende o adulto, valorizando a comunicação e explicação das ações sempre que considera pertinente. Apelando sempre a um processo negocial com a criança, “tentar sempre de uma forma procurar convencê-los, negociar com eles, para que eles conseguissem gerir esses conflitos (…) sempre muito bem negociado” (Entrevista EC). Perante os conflitos que levam a uma agressão, a EC defende que “se houver uma atitude então já mais agressiva, uma atitude que eu veja que já põe em perigo a segurança da criança, aí eu já tenho que intervir”. Segundo Hohmann e Weikart (2011) o educador procura intervir sempre de forma a acalmar as situações que levam a agressões.
A EJI refere que a sua intervenção depende muito da situação, considerando importante avaliar o contexto em que ocorre o conflito. Na mesma linha de pensamento, defende, que se “for uma situação que eu vejo que eles conseguem resolver por eles e que não é uma situação de se magoarem, mas que eu vejo que eles são capazes de dar ali a volta, eu acho que temos de lhe dar tempo. Não é de acontecer alguma coisa e o adulto resolver logo ali a questão” (Entrevista EJI). Assim sendo, é notório a valorização da observação nestas situações. Perante a análise do PCG, a educadora salienta que “o adulto tem um papel muito importante como mediador dos conflitos, pois a sua capacidade de observação permite-lhe dar tempo para que as crianças tentem resolver os conflitos entre elas mas, ao mesmo tempo, intervir quando é necessário, ajudando as crianças a dialogarem uma com a outra de forma a encontrarem a melhor solução”. Na seguinte nota de campo é notório a intervenção da educadora:
Ambas as crianças encontravam-se a realizar recortes de revistas colando numa folha branca. A criança D colou uma imagem de um animal que a criança J também queria. A discussão fez-se sentir pela sala, pois a criança J ficou realmente chateada com o facto de já não poder ter a imagem. Neste momento a educadora teve necessariamente de intervir,
tentando acalmar a situação, tentaram em conjunto arranjar uma solução para resolverem o problema. Aproximou-se de ambas as crianças e perguntou:
Educadora: “Expliquem-me calmamente o que se passou, para que em conjunto encontremos uma solução”.
J: “O D colou esta imagem do porquinho na folha dele e era minha. E agora eu já não posso colar no meu trabalho”.
Educadora: “J então mas podemos encontrar uma solução. O que acham que podemos fazer?”
J: “Não sei…” ( A chorar)
Educadora: “Tu desenhas tão bem podes tentar desenhar essa imagem”.
(Contudo, a criança J continuou muito agitada, sem aceitar essa solução. A educadora manteve-se inicialmente como observadora, intervindo quando compreendeu que as crianças não estavam a ser capazes de falarem e conversarem as duas, em prol da resolução do problema).
[Notas de Campo, 12 de março de 2013] Outra perspetiva defendida pela EJI é o facto de procurar incutir nas crianças normas cívicas, o pedir “se faz favor”, o “desculpa”, refere que “faz parte da nossa convivência, dos nossos valores”. Referindo que numa disputa de brinquedos por exemplo, intervém de forma a transmitir esses valores, relembrando as crianças se pediram “se faz favor” ou se podiam utilizar o brinquedo, ou se realmente pediram desculpa após uma conduta menos correta. Na ata nº 7 encontra-se registado “[é] importante pedir aos amigos e dizer se faz favor, isto quando queremos qualquer coisa que o amigo tem”.
Esta profissional acredita que, por vezes, tem de tomar uma atitude mais assertiva nos momentos em que está a ocorrer um conflito; no seguinte exemplo pode-se verificar o modo de dialogar/ intervir em certos momentos: “não estas a saber brincar, olha, os teus colegas não estão a gostar, tu estás a perturbar a brincadeira, eles já te disseram como é que tu devias e tu não estás a conseguir. Portanto, o melhor é ficarmos aqui os dois sentados um bocadinho e vais-me tentar explicar o que é que tu querias, e depois quando achares que és capaz, és tu que me vais dizer e podes voltar à brincadeira”. A educadora ao intervir dialogando deste modo e até retirando a criança da brincadeira, procura apoiar a criança a refletir sobre o sucedido. Assisti também a muitas trocas de lugares a pedido da educadora; o seguinte exemplo retrata esse modo de intervenção:
A educadora verbaliza: “ Já pedi ao T e a A para ouvirem e respeitarem os amigos que estão a partilhar connosco algo importante, como não são capazes de estar juntos agradecia que o Atrocasse de lugar.” (A Criança troca de lugar sem contestar o pedido da educadora).
(Notas de Campo, 7 de março de 2013) Nesta mesma perspetiva, retirar a criança do que estava a fazer, a EC salienta que, por vezes, precisa de intervir, ajudando as crianças a encontrarem uma solução. Contudo, nem sempre essas soluções e essa forma de dialogar modifica a conduta da criança. Se o mesmo se verificar a EC defende que “[a criança] vai ter de ser punida por um tempo”. Perante as suas palavras, “tu tiras-te o livro àquele menino, então é assim vais ficar a pensar, mas ficas sentado, mas é um tempo curto, o livro vai ficar ao pé de mim” (Entrevista EC). Esta educadora refere ainda que “quando estamos a incutir uma regra mas eles também não aceitam, nós também temos que sabermo-nos impor”, procurar colocar a criança na situação do outro e verbalizar isso “se ele te tivesse dado um pontapé também te doía. O que tu fizeste não está bem feito” (Entrevista EC). Na mesma linha de pensamento, a EJI apela também a um sentido de reciprocidade, colocando a criança na posição do outro, dando o seguinte exemplo: “olha tu gostaste que te fizessem isso? Quando tu estavas a apresentar o projeto tu ficaste tão chateada de ela não ouvir, e agora estás a fazer o mesmo”. Ambas as educadoras procuram reconhecer os sentimentos das crianças, para que deste modo não se sintam inseguras e para que sintam que o adulto as apoia nesses momentos de conflito. A EC refere ainda que “devemos saber dizer um “não” e devemos zangarmo-nos com eles quando é realmente necessário zangarmo-nos”. Procurando dialogar de modo a que a criança compreenda que a educadora se encontra realmente zangada com a sua atitude.
No contexto de estágio observei conflitos entre crianças e o adulto, e neste sentido, a intervenção do educador deverá ser muito bem pensada e refletida podendo adequar a sua intervenção à situação em causa. No seguinte acontecimento podemos verificar o modo de agir da educadora de Creche:
No momento da sesta uma criança entra em conflito com a educadora. Esta criança não queria dormir e começou numa medição de forças. A educadora procurou sempre de forma tranquila explicar-lhe que era hora de dormir, e que tinha que se deitar. A criança continuava a conversar e a destapar-se. A educadora procurava tapá-lo mas este negava a sua ajuda. A educadora conversou mais uma vez com a criança, dizendo-lhe: “Se não te queres tapar, não é preciso mas tens de ficar deitado como os teus amigos e em silêncio que é hora de
dormir”. A educadora procurou desviar a sua atenção para outras crianças, mas a criança continuava com um olhar desafiador, sentando-se no catre, procurando a sua atenção. Deste modo a educadora deitou-se junto a ele, tentou deitá-lo, e conversou muito pacificamente de forma a acalmá-lo em todo aquele momento, chegou mesmo a cantarolar.
(Notas de Campo, 12 de dezembro de 2012) Neste caso específico, a EC procurou não medir forças com a criança, transmitindo serenidade e compreensão através do seu diálogo. Pois, segundo as suas palavras, “às vezes não devemos mesmo insistir, porque acabamos por entrar em conflito com ele” (Entrevista EC). Sou levada a crer que a educadora acredita que a "(…) atitude geral do professor construtivista para com os conflitos das crianças deve ser a de permanecer calmo e controlar suas reações” (DeVries e Zan, 1998:113).
Considero importante referir uma perspetiva defendida por ambas as educadoras, a atribuição da responsabilidade à criança perante a conduta menos correta que teve. Em ambos os contextos observei o adulto a incentivar a criança a pedir desculpa à criança “lesada”. A EJI referiu-me o seguinte exemplo: “Olha, estragaste o livro da tua colega, rasgaste-o, agora como é que vamos fazer? São acidentes que acontecem, é preciso prestares mais atenção porque também não gostavas que rasgassem o teu livro”. Neste caso específico a educadora procura que a criança se coloque na situação do outro, questiona-a para a procura de uma solução, responsabilizando-a perante os seus atos. Pois, segundo Hohmann e Weikart (2011) os adultos procuram envolver as crianças na resolução dos problemas, para que sejam elas a encontrar uma solução e ter responsabilidade nessas escolhas e decisões.
É importante salientar outra atitude do adulto, muito destacada EJI, “a de valorizar aquilo que [a criança] é boa” (Entrevista EJI), procurando também que as crianças que se destacam mais de forma “negativa” participem de uma forma mais visível. Esta profissional acredita que é fundamental incentivar a criança para uma melhoria das condutas negativas. Ao analisar os diários de grupo, constatei diversos registos por parte do adulto da sala, valorizando os comportamentos positivos de algumas crianças: “Gostei muito do empenho que o T tem tido durante o projeto das formigas. E que a M tivesse percebido que os adultos estão cá para ajudar”; ou “Gostei muito do empenho e do trabalho autónomo que o grupo do projeto das tartarugas está a fazer” (diário da semana de 22 a 26 de outubro). A EC também procura valorizar as conquistas realizadas pelas crianças. Contudo, refere que as não valoriza
bom”. Deste modo, “é valorizar no momento certo, dizer e valorizar a criança naquelas pequenas conquistas que ele fez” (Entrevista EC).
Por fim, considero importante salientar que, perante as observações que realizei neste contexto educativo, a EJI incentiva as suas crianças a resolverem os seus problemas sozinhas e a tentarem resolvê-los antes de escreverem no Diário, “[o]s adultos encorajam as crianças em conflito a falar umas com as outras (…)” (Hohmann e Weikart, 2011:90) acreditando na capacidade que as crianças apresentam em resolver os seus problemas sozinhas. O seguinte exemplo demonstra o modo como a educadora incentiva as crianças a resolverem os seus problemas: “DF não tem mal nenhum o DC escrever no diário, ele está no seu direito. Mas tal como conversámos à pouco, seria importante conversarem primeiro para tentarem resolver as coisas”. Recorri às minhas notas de campo para exemplificar este modo de intervenção: “D aborda a educadora sobre a caneta que queria e o amigo tinha. A educadora responde-lhe do seguinte modo:
“D, eu acho que consegues resolver isso sozinho, não consegues ir conversar com o teu amigo?”. O D afasta-se, e tenta resolver o problema” [Notas de campo, 21 de maio de 2013].