F. Ü Sosyal Bilimler Enstitüsü Yönetim Kurulunun / /201…
2.2. Sosyal Bilgilerin Temelleri
2.2.7. Yeni Sosyal Bilgiler Programının Temel Öğeleri
explanação ou envolvimento com ele. Podem ser textos em que o marcador linguístico está presente, mas não traz diferença significativa ao todo do enunciado concreto em questão, como presença em título de obras citadas nas referências. Inclui também textos em que bullying está relacionado a assédio moral; nossa opção, para voltar maior atenção, é por aqueles em que o uso original feito por Olweus, em diversos momentos, seja respeitado. Finalmente, incluímos textos em outros idiomas, para os quais não cabe a discussão sobre o uso do termo bullying no Brasil. Nessa categoria, apenas diferenciamos qual a situação de cada texto.
Em todo momento nos preocupamos em manter o diálogo com os enunciados e destes entre si, procurando, assim, não perder de vista a estrutura dialógica que os guia. Não se trata de textos estanques, fechados em si mesmos e que rompem um suposto silêncio adâmico (BAKHTIN, 1986). A pura e simples análise da frequência de determinadas palavras pouco diz se não nos mantivermos atentos aos processos presentes na enunciação. Evidentemente, nossa busca por isso jamais será exaustiva, pois a unicidade de um enunciado sempre permite que ele promova novos diálogos com outros enunciados. Trata-se de enxergar algumas linhas gerais do que se está sendo dito sobre nosso objeto ou, em outros termos, como se está tomando esse objeto, como se está fazendo objeto de uma série de enunciados.
Tomadas essas precauções, o prosseguimento do trabalho para outros gêneros textuais já não se mostrou tão árido.
Nosso segundo passo foi estudarmos o conjunto de resumos de dissertações e teses disponível na página de Internet da Coordenação de Aperfeiçoamento de
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Pessoal de Nível Superior (CAPES), respeitando as diferenças textuais e o uso que se faz desse gênero. Para isso, mantivemos os mesmos critérios adotados para os artigos científicos, inclusive na opção pelas áreas “psicologia” e “educação”.
Mediante a constatação da recorrente referência a obras e autores específicos, buscamos os estudos de: Olweus (1993), Bullying at school: what we know and what we can do, que não dispõe de tradução para o português; Lopes Neto e Saavedra (2003), Diga não para o Bullying – Programa de redução do comportamento agressivo entre estudantes; Fante (2005), Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz.
Duas obras não aparecem com frequência significativa nos artigos consultados, mas sabemos de sua relevância pela disseminação junto ao público leigo: Silva (2010b) e Chalita (2008); serão objeto de análise em alguns de seus aspectos.
Por fim, antes que comecemos a debater sobre o que encontramos até aqui, cabe retomar um pequeno alerta do Círculo: prevenir-se de “uma análise abstrata totalmente exaustiva” (BAKHTIN, 1997, p. 335). Sentidos poderão ser criados nos diálogos entre diferentes textos e o que propomos aqui é o que nos parece mais próximo à compreensão de uma produção social – o conceito de bullying – construída com base em nossos referenciais. Não gostaríamos de ser interpretados como ‘juízes’ dos textos e dos autores e autoras citados. Nossa palavra não é um veredito; apenas mais um elo na infinita corrente dialógica.
2.2 Primeiras Considerações
Nosso trabalho pode ser designado metafala, como Amorim (2004) nomeia, ao fazermos falar os textos científicos de outrem. A escrita é um lugar de construção de conhecimentos, com suas especificidades, e não mero espelho. Ela reflete e também refrata. Nossa compreensão responsiva ativa busca o diálogo previamente estabelecido e tenta renová-lo estabelecendo novas conexões e situando-o em uma posição valorativa distinta da original. Ainda que distinta, o resgate da relação com a grande temporalidade do enunciado científico, que o leva a transcender o contexto imediato para situá-lo na grande corrente dialógica dos enunciados, é necessário, ao mesmo tempo em que situamos um novo lugar para sua compreensão com base em nosso próprio texto.
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Como gêneros discursivos secundários, os enunciados relacionados às ciências geralmente possuem mais estabilidade quanto ao estilo e construção composicional; maior complexidade quanto aos temas e sua apresentação; e razoável prestígio sobre outras esferas de atividade.
O gênero discursivo do artigo científico ou paper pode ser caracterizado como altamente especializado e voltado, basicamente, a alimentar bases de dados disponíveis para pesquisadores de diversos níveis. Geralmente, apresentam os avanços mais recentes em um debate com relação a um objeto de pesquisa, ou a uma disciplina ou ciência. É sempre breve, de linguagem técnica e formato estritamente padronizado (conforme cada periódico ou revista científica). Não podemos deixar de citar que se presta, também, a atender critérios de produtividade acadêmica; isto é, publicar artigos científicos é obrigação do intelectual profissional – mesmo quando não tem o que dizer.
Consideradas essas características e as necessidades apresentadas no capítulo anterior, agrupamos vinte artigos que têm o bullying como seu tópico principal. Tomando por base essas publicações, elencamos autores e autoras mais citados, a fim de compreendermos com quem se dá o diálogo mais frequente para a definição de bullying e quais os objetos de sentido que daí emergem.
O trabalho de organização das informações foi realizado duas vezes e disposto em tamanho grande, de modo a facilitar visualmente a identificação de possíveis relações.
Uma categorização que compreendemos dos artigos científicos selecionados para nosso estudo coloca as nuances da composição desses enunciados.
O grupo mais numeroso que reunimos foi o dos trabalhos experimentais. No que estudamos, são sempre pesquisas envolvendo pessoas ligadas a uma instituição educacional (escolas, com exceção de um estudo em instituição de medidas socioeducativas). Predominam os trabalhos demográficos, marcados por métodos quantitativos, em que grandezas estatísticas são atribuídas, expressando a frequência de respostas dos sujeitos, geralmente a questionários com perguntas de múltipla escolha, escalas de 1 a 5 ou simplesmente de resposta positiva-negativa. O segundo subgrupo é das pesquisas crítico-descritivas, em que métodos qualitativos ou mistos são presentes e, assim, a fala dos sujeitos envolvidos no bullying se ouve.
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Além disso, caracterizam-se por debater o tema e não simplesmente demonstrar sua ocorrência em um contexto social escolhido.
Encontramos artigos de revisão bibliográfica, que buscam atualizar e organizar os conhecimentos sobre o objeto. Podemos dividir esse grupo em dois: revisões sistemáticas, com o objetivo de organizar o que há publicado a respeito do objeto, seguindo um método bem delineado para levantamento e seleção de textos. Há também revisões não sistemáticas, que apresentam o objeto como novidade e abordam textos sem levar em conta características como relevância, referencial teórico, área de especialidade etc. Basta abordar o objeto para que seja incluído.
Por fim, deparamo-nos com o grupo que compreendemos como caracterizado pela crítica ou ‘polêmica’, em que se destacam os textos que questionam o uso do termo bullying e sua disseminação, textos sobre o fenômeno ou sua própria existência.
Outra possibilidade de compreensão dos textos foi dividi-los pelos seus temas, em quatro grandes grupos, aproximando-os pelas relações que podem ser estabelecidas entre si. Nossa compreensão é mais um diálogo a ser tecido com eles; a compreensão que nosso leitor e outros pesquisadores que se debrucem sobre eles possam fazer, possivelmente, venha a destacar outros elementos, novas nuances, estabelecendo outros sentidos que enriqueçam o debate sobre o fenômeno em questão.
Dessa forma, compomos quatro grandes grupos: 1) Textos que se voltam a teorizar sobre o bullying; 2) textos que abordam a relação dos atores escolares com o bullying; 3) caracterização demográfica do bullying; 4) a relação entre o bullying e a sobredotação. O debate sobre cada um desses grupos encontra-se ao longo de todo o trabalho de análise. Essa espécie de categorização que estabelecemos nos dá a compreensão geral da preocupação com o bullying na produção acadêmica brasileira: a tentativa de lhe dar alguma sustentação teórica, conhecer suas formas de ocorrência e disseminação, incluindo sua relação com circunstâncias específicas. Contudo, não é a única que estabelecemos, nem nos prendemos a ela como condutora de nossa análise.
A busca por estabelecer fundamentos teóricos para o bullying está presente em dez dos artigos selecionados, ou seja, metade de nossa amostra. Constatamos a
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necessidade de se compreender o fenômeno em questão, o que já se reflete desde as tentativas de tradução do termo e de estabelecer a que o conceito se refere.
Deste grupo, quatro textos são de debate conceitual, com a resenha sobre o livro de Silva (2010b), a crítica ao uso do termo bullying, uma revisão bibliográfica geral e um texto abordando o ciberbullying.
Importante elemento, vindo dessa revisão bibliográfica sistemática que realizamos em periódicos científicos, foi o rol de autores com os quais o diálogo era mais frequente. Mais precisamente, quais autores foram mais citados ao tentar se conceituar bullying.
As obras de Lopes Neto (2005), Fante (2005) e textos de Olweus, são os mais empregados para se definir bullying e também para contribuir com sua discussão em diversos pontos. Vários outros autores são citados isoladamente; contudo, a importância desses três nomes para compreendermos o estabelecimento do conceito de bullying é inegável.
Passemos, então, ao percurso histórico e conceitual do objeto em questão. Ele incluirá o estudo mais pormenorizado de algumas obras capitais para sua compreensão e o debate de conceitos pertinentes.
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