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Yeni Mardin evinin oluşumunda doğal verilerin etkisi

3. MARDĐN VE MARDĐN EVĐ

3.5. Yenişehir’de Konut

3.5.3. Yeni Mardin evinin oluşumunda doğal verilerin etkisi

Encontramos entre as Folias de Reis que observamos muitos elementos e muitos significados. Os símbolos, como vimos, são elementos catalisadores de força ontológica, ou seja, um bom símbolo remonta a ancestralidade do homem. E a maior força está na intencionalidade coletiva e na possibilidade que o símbolo tem de afetar não somente um único indivíduo, mas todo um grupo.

Vimos nas folias um multiverso, inúmeros mundos que se intercruzam e são repletos de significado para a comunidade, sendo que estas significações são fundamentais para a continuidade do grupo. Ao se associar a Folia de Reis os membros da comunidade passam a interagir em um mundo novo, com uma anatomia totalmente diversa da realidade cotidiana, e, neste mundo, ocorrem milagres. No ponto de vista destes fiéis, existe um mundo de descobertas e de novas cores que conduzem suas vidas para um momento de plenitude e totalidade.

O que realmente existe é um elemento ontológico. O homem ainda vive, mesmo que subterraneamente, os mitos primordiais, ou seja, o seu primeiro contato com a significação do tempo e do espaço. Por isso, a constituição de um tempo/espaço sagrado parte do rememorar estes momentos iniciais que constituíram a humanidade. Em verdade, o homem ainda usa o mesmo processo de constituição de mundo para viver os dias atuais, mas, como muito do que vemos está codificado, não há mais um “espanto”, como havia nas origens.

Contra esta atitude natural, a fenomenologia nos ensina a olhar de forma suspeita. Ela ensina a suspender o juízo e a buscar pela a essência de cada fenômeno que nos é revelado. A fenomenologia, juntamente com a teoria da performance, cria uma base teórica que dialoga e conduz nossa reflexão para o entendimento destas origens existenciais.

Por isso podemos dizer que uma epifania é algo que movimenta uma cultura inteira, constrói cidades e estabelece pactos entre grupos sociais, pois é um elemento intencional que aparece de forma estranha, excepcional e cria uma aura totalmente diferente de um gesto cotidiano.

122 | P á g i n a Neste aspecto observamos as manifestações como a performance do bastião e a encenação da Folia de Reis como um todo, vemos um momento excepcional que está num registro de intensidade da atenção que submete a audiência a um estado de consciência diferenciado. Este momento então garante ao participante da manifestação poder absorver os gestos simbólicos e, com isso, ser levado ao mais profundo do seu interior e a encarar o aspecto ontológico de si mesmo.

Diante desta convicção, podemos afirmar que o gesto ritual é “soteriológico”, ou seja, tem o poder de reconstituir o mundo dos participantes. Isso se intensifica no caso do fiel, porque este está intrinsecamente ligado ao símbolo. Este por sua vez tem uma recepção muito mais profunda, pois conhece os gestos de cada momento da performance.

Eliade mostra que o gesto tem o poder de resgatar a memória perdida e de restituir a origem por um ato mágico. É uma cura.

Analisamos como é a performance do bastião e vimos como cada gesto, cada palavra está repleta de símbolos sagrados. Estes símbolos vêm à vida a partir da performance do folião.

Este gesto parte de um primeiro instinto de teatralidade do homem que, a partir de uma imitação de ações, constitui seu mundo e dá sentido para cada momento de seu ato.

Para esta entrada no mundo dos símbolos, da teatralidade e da soteriologia, apropriamo-nos da hermenêutica de Paul Ricoeur, que ofereceu um caminho metodológico com a Triplice Mímese, a nos conduzir na construção dos modelos que confluíram para um estudo comparado com o conceito de comportamento restaurado, ou performance.

Schechner propõe que este momento entre o rito e uma encenação são elementos da performance. São ambos os elementos que compõem o comportamento performático. Existe entre uma encenação folclórica e uma experiência de fé elementos que são congêneres, que podem tender a elementos de juízo estéticos, de entretenimento ou elementos de mudança social, ou seja, eficácia, em muitos casos em que as folias cantam em eventos culturais.

123 | P á g i n a Porém pode aparecer no meio da audiência um fiel. Nestes casos o rito se torna diferente, se constitui uma nova ordem e ela é ligada à eficácia, porque nesse instante o que o fiel quer é de caráter ontológico.

Portanto, entre a eficácia e o entretenimento existe uma linha tênue. Toda e qualquer performance, tanto a que tende ao entretenimento como o que tende à eficácia, levam a audiência a um estado alterado de consciência, a um momento extracotidiano.

A audiência é transportada para um ambiente simbólico. Este é o que Victor Tuner chama de Liminaridade. Mas, independente do transporte, pode ocorrer performances que desencadeiam transformações permanentes. São os elementos dos dramas sociais os quais tanto fala Turner.

Juntamente com Eliade, Schechner propõe que todo e qualquer gesto “performado” tende às origens. É um comportamento restaurado, na medida em que sempre, de uma forma ou de outra, depende de um treinamento ou de uma tradição. Portanto, a performance do bastião está ligada a esse elemento de restituição de um gesto inaugural.

No caso da promessa ou do pedido ao poder simbólico dos “Santos Reis”, cada folião estabelece uma rede de significado que tem um valor novo: o de constituir um novo mundo. Diante da doença, da tristeza ou do devir angustiante da vida, a promessa de uma vida renovada está presente em cada instante de cada performance. Há, portanto, em muitos casos, mais de um transporte. Com isso, há uma transformação da existência. Vemos como uma seguidora de “Santos Reis” se determina a fazer o bastião por sete anos, acreditando na melhora do irmão acidentado. Mais importante do que o próprio restabelecimento do irmão, a seguidora está diante de um momento único: ela está “performando” sua fé, se determinando como bastião por sete anos. E, com isso, recriando o mundo circundante e restabelecendo uma nova ordem existencial.

Assim como seguem os mestres, que são depositórios destas tradições, existe, portanto, um processo de renovação do mundo a partir da tradição. Muitas vidas são modificadas, são restabelecidos ritmos sociais diferentes e um novo mundo nasce da antiga tradição. Portanto, a rememoração que cada performance instaura cria um novo mundo.

124 | P á g i n a Uma relação dialética entre a tradição e a atualização do mundo pelo gesto fundador, mostra que a performance restabelece um estado extracotidiano e que ao fazê- lo, desvela símbolos que são de grande transformação ontológica.

O limite entre a tradição e a renovação passa pela performance e esta, por sua vez, traz novos parâmetros para a vida social.

As manifestações da cultura popular estão aí há séculos para garantir e preservar a constituição do mundo. Elas são mananciais de símbolos repletos de cultura ancestral. O gesto produzido in illo tempore está novamente presente em cada gesto atual do bastião. Por um comportamento restaurado, por um rememorar a tradição a partir do ato intencional, o folião cria nova ordem.

O gesto desse momento é o gesto que salva o homem de um estado de passividade. A performance libera símbolos que constituem um mundo sagrado e este gesto intencional doa sentido à vida. E só é possível esse jogo graças à capacidade humana de dar significados ao mundo e aos muitos mundos que povoam a nossa base existencial.

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