3.1. POSTMODERNİTE VE DİN İLİŞKİSİ
3.1.3. YENİ DİNDARLIK BİÇİMLERİ
Uma regra do Português do Brasil é a Harmonia Vocálica variável, em nomes que se exemplifica com os dados constantes do Quadro 6 a seguir.
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Quadro 6: Harmonia com vogal alta
Vogal média [-post] Vogal média [+post]
p[ dir p[ lícia p[ rigo c[ zinha b[ bida c[ zida c[ mitério c[ mida pr[ guiça c[ stume qu[ rido n[ ticiário p[ riquito s[ frida al[ gria c[ rtina m[ nina c[ rrida m[ nino p[ liciais qu[ ria g[ rdura p[ pino g[ rdurosa fal[ cido f[ migueiro pr[ firido b[ nito p[ rigoso desc[ brir v[ stir p[ lítica s[ gurança c[ zidão b[ bia ac[ stumei m[ xido P[ ti m[ dida gas[ lina pr[ ciso inv[ lvi
Nos casos apresentados no Quadro acima, a presença da vogal alta na sílaba seguinte é gatilho para o processo de Harmonia Vocálica de aplicação variável, característico de todos os falares brasileiros.
Todavia, um aspecto importante revelado pelos dados que nos chama a atenção é que, ao lado da harmonização usual na fala informal brasileira, esse contexto no dialeto de Teresina-PI dá margem à emergência de uma variação ternária da média pretônica dentro de um mesmo vocábulo. Isto quer dizer que a tendência à elevação, favorecida por esse
contexto, não refreia a predisposição do uso da vogal média aberta por parte do falante teresinense.
Isto constata que, no dialeto em análise, a vogal alta na sílaba seguinte desencadeia um processo fonológico de considerável variação para a pauta pretônica, confirmando a nossa hipótese da existência de uma variação tripartida no dialeto. Talvez esse fenômeno explique também a aplicação relativamente baixa da regra de harmonia neste dialeto (ver Tabela 13 e Gráficos 7 e 8 do presente estudo).
A constatação desse fenômeno de variação tripartida explica o nosso discurso sobre a concorrência de processos fonológicos no dialeto, pois, se, por um lado, pelo harmonioso comportamento das médias, é cabível se determinar o princípio de Harmonia Vocálica como o mais atuante, por outro, a emergência da média aberta em ambientes desarmônicos empresta-lhe o caráter de vogal default. Representam esses casos os exemplos arrolados no Quadro 7, a seguir.
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Quadro 7: Variação tripartida
Vogal média [-post] Vogal média [+post]
b[ bida ~ b[ bida ~b[ bida c[ rrido ~ c[ rrido ~ c[ rrido m[ xido ~ m[ xido ~m[ xido pr[ mitido ~ pr[ mitido pr[ mitido r cibo ~ r[ c[ bo ~ r[ cibo m[ vido ~ m[ vido ~ m[ vido p[ rdido ~ p[ rdido ~ p[ rdido p[ ssível ~ p[ ssível ~ p[ ssível cr[ scido ~ cr[ scido ~ cr scido s[ frimento ~ s[ frimento~ s[ frimento f[ dido ~ f[ dido ~ f[ dido m[ vimento ~ m[ vimento ~m[ vimento
r[ pitindo ~ r[ pitindo ~ r[ pitindo disp[ sição ~ disp[ sição ~ disp sição cr[ scido ~ cr[ scido ~ cr[ scido n[ vidade ~ n[ vidade ~ n[ vidade pr[ ciso ~ pr[ ciso ~ pr[ ciso f[ ões ~ f[ liões ~ f[ liões acr[ dito ~ acr[ dito ~ acr[ dito m[ tivação ~ m[ tivação ~ m[ tivação
al[ gria ~ al[ gria ~ al[ gria v[ lume ~ v[ lume ~ v[ lume pr[ firido ~ pr[ firido ~ pr[ firido p[ luído ~ p luído ~ p luído f[ liz ~ f[ liz ~ f[ liz p[ limento ~ p[ limento ~ p[ limento s[ rvido ~ s[ vido ~ s[ rvido f[ rtuna ~ f[ rtuna ~ f[ rtuna
pr[ sidente ~ pr sidente ~ pr sidente m[ dificado ~ m[ dificado ~m[ dificado c[ mitério~c[ mitério ~ c[ mitério p[ liciamento~p[ liciamento~p[ liciamento t[ cido ~ t[ cido ~ t[ cido p[ lido ~ p[ lido ~ p lido
Os dados do Quadro acima exibem as três variantes da pretônica no dialeto de Teresina. Os exemplos arrolados confirmam que esse fenômeno só ocorre quando se tem uma vogal alta na sílaba seguinte. Marroquim, ao discutir as vogais médias pretônicas nordestinas, refere-se a esse fato, afirmando que: “As alterações fonéticas das vogais teem entretanto aspecto arbitrário, alcançando umas palavras sem atingir a outras” (1934, p. 52- 53).
Embora as vogais médias fechadas, [ , sejam produzidas nesse ambiente, o número de vezes em que elas emergem é no geral inferior a realizações de [ Isto quer dizer que a vogal média aberta não depende de contexto linguístico categórico para a sua realização.
Há, portanto, no dialeto teresinense, uma tríplice pronúncia no contexto de vogal alta: a) uma pronúncia com as médias elevadas motivada pelo traço de altura da vogal subsequente; b) uma pronúncia imposta pela vogal default do sistema; c) uma pronúncia com a média fechada. Todavia, as freqüências de usos recorrentes nos dados atestam a predominância da vogal média aberta que se estende de forma irrefreável nesse ambiente (Gráficos 1 e 2 do presente estudo).
Por outro lado, há ainda um bloco de palavras que apresentam uma vogal alta na sílaba seguinte, mas que favorecem a ocorrência de vogais médias abertas e não permitem a possibilidade de outra variante, como mostra o Quadro 8 a seguir.
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Quadro 8: Produção categórica de vogais médias abertas em contexto de vogal alta
Vogal média [-post] Vogal média [+post]
v[ rdura s[ lução d[ putada pr[ cissão r[ ligão r[ tina r[ sidência s[ luço t[ rrível d[ cumento l[ gumes c[ rrupto mat[ rial p[ pulação r[ tirante c[ rrigido r[ sidencial c[ lunável r[ vista h[ rrível d[ lícia c[ ligação r[ sistiu r[ dízio m[ dicina m[ lusco d[ rrubar s[ lícito r[ gionais p[ puloso d[ dicação r[ busta d[ licada s[ licito v[ sícula c[ tidiano c[ rimonial n[ turno d[ lito pr[ fissão pr[ juízo esp[ rtivo
Embora o contexto para a Harmonia esteja satisfeito, os exemplos acima privilegiam a média baixa. Parece que o falante reconhece esse contexto como favorável à emergência da vogal default no sistema.
Especificamente, nestes itens lexicais não se observou nenhuma variação, o que sugere ser categórica a produção das médias abertas quando a Harmonia não se aplica. Este último formato de variação confirma que o único ambiente em que o falante deixa de produzir a vogal média aberta é o contexto de vogal média oral fechada na sílaba seguinte, que, por meio de uma legítima concordância de traços, favorece naquela posição a média
de mesma altura. Isto explica a abundância das vogais médias abertas atestadas probabilisticamente no dialeto.
5.3 CONCLUSÃO
Especificamente sobre a variação encontrada no dialeto de Teresina-PI, constata- se que, ao lado da opcionalidade por parte do falante em realizar a média aberta, marca dialetal, há ainda a presença de uma variante média fechada que se realiza, majoritariamente, nos contextos em que se tem uma vogal seguinte de mesma altura, como também a realização de uma variante alta motivada pela presença de uma vogal alta na sílaba seguinte. Entretanto, um número expressivo de palavras produziu a média aberta em contextos que nos chama atenção pelo seu caráter desarmônico para a aplicação da regra de abaixamento. Foi, então, com base na abundância da presença da vogal média aberta e sua estranha emergência em ambientes inusitados à regra que governa o dialeto, que definimos como uma vogal default a vogal baixa.
6 COMPARAÇÃO DE RESULTADOS, EM TERMOS DE FREQUÊNCIA,