VI. GEMİLERDEKİ BÖLÜMLER VE KULLANILAN DONANIMLAR
VI. 3. Yelken ve Direk
Inicialmente, a impressora 3D popularizou-se no mercado por ter como matéria-prima o plástico para criação de objetos em formato tridimensional90. Com o desenvolver da tecnologia, impressoras 3D ampliaram os tipos de materiais para produção de objetos, tomando em especial consideração a composição química dos materiais a serem usados para objetos de uso pessoal. Há exigência de uso de um material biocompatível sobretudo para a produção de objetos que envolvam tato e gosto, na premissa que não haverá problemas com uma eventual ingestão ou contato com alimentos. Esse tipo de material pertence a categoria de food-safe ou food-friendly. Em contrapartida, materiais cuja composição não apresenta essa compatibilidade, se ingeridas podem ser prejudiciais à saúde.
Considerando que consumidores poderão imprimir objetos de uso diário, como, por exemplo, pratos, canecas, talheres, etc., estes devem ser impressos em material adequado e
food-friendly. O consumidor deve ser instruído para tal uso. O que aconteceria caso o
consumidor, ao olhar um site como o Shapeways ou Thingiverse, se deparasse com uma caneca impressa em 3D no formato do Yoda, de Star Wars, comprasse tal caneca e a utilizasse para tomar um café? Até aí, tudo certo. Ocorre que, na realidade, a caneca não tinha sido impressa no material food-friendly e também não havia qualquer tipo de indicação ou advertência para tanto. Como resolver? Ou ainda, se aquele material específico fosse food-
friendly, mas não pudesse ser aquecido a determinada temperatura e então, derretesse ou se
deformasse? Na primeira hipótese se estaria diante de um possível risco de morte por intoxicação ou grave dano à saúde. Enquanto que no segundo, se estaria diante de danos/prejuízos ao consumidor que sofreu queimaduras e ainda a perda do objeto adquirido por ausência de informações quanto ao uso do produto. Questiona-se novamente: a quem cabe a responsabilidade?
A tecnologia da impressão 3D, enquanto inovadora, também deve pensar no bem-estar e saúde do consumidor que a utiliza, sendo o consumidor final ou mesmo o consumidor- produtor/criador. Será que há riscos à saúde envolvidos? Há emissão de substâncias tóxicas? Como identificar qual material poderá entrar em contato com alimentos, isto é, qual material é
food-friendly? A quem cabe esse tipo de advertência ou fiscalização?91 No Brasil, questões
90 BREAN, Daniel Harris. Asserting Patents to Combat Infringement via 3D Printing: It’s No “Use”. SSRN, 20 jun. 2012. Fordham Intellectual Property. Media & Entertainment Law Journal, v. 23, n. 3, 2013. Disponível em: <http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2088294>. Acesso em: 01 nov. 2015.
que envolvem riscos à saúde ou mesmo projetos que implicam, positiva ou negativamente a saúde do indivíduo, encontram-se sob a tutela da ANVISA92. Para ajudar a ilustrar este ponto, considera-se novo caso hipotético, mas totalmente plausível: hipoteticamente, um consumidor tem acesso a plataforma Thingiverse e opta por um design de um carrinho de brinquedo disponibilizado por terceiro, com intuito de presenteá-lo a seu filho93. Primeiro cenário: não
havia qualquer tipo de aviso quanto ao risco de asfixia para crianças de determinada faixa etária ou mesmo qualquer outra indicação de idade adequada para uso do brinquedo. Segundo cenário: não havia qualquer indicação de que o material utilizado na impressão do brinquedo fosse de uso inadequado para crianças.
Assim sendo, ao presentear o brinquedo à criança de quatro anos, ela o coloca na boca. Algum tempo depois, a criança começa a apresentar sintomas de intoxicação uma vez que o material utilizado, constatou-se, não era seguro ou mesmo adequado, não era food-friendly. Os pais querem recorrer à justiça, mas sobre quem recairia a responsabilidade? Como encontrar o usuário que disponibilizou o design do brinquedo e deixou de fora essas especificações?
Tendo esse exemplo como referência, em 2015, uma iniciativa chamada de Clean
Strands94, foi criada com o objetivo de verificar se impressoras 3D usam materiais que emitem toxinas quando em uso e se essas emissões de fato causariam danos para a saúde e para o meio ambiente. A solução era o desenvolvimento de um selo de aprovação para filamentos utilizados que são safe, tanto para brinquedos destinados a crianças pequenas que poderão colocá-los na boca, como também para qualquer outro produto/objeto impresso que possa vir a entrar em contato com alimentos ou ingeridos indiretamente. Constatou-se que há
Nota: Em conversa com Eduardo Lopes, fundador do Garagem Fab Lab em São Paulo, falamos sobre uma consultoria da qual ele participou para a implantação de um laboratório de pesquisa em impressão 3D de próteses e órteses. Acharam que seria necessário um aval da ANVISA, por envolver questões relacionadas à saúde, mas tal autorização não foi necessária. Assim, não há como afirmar que questões envolvendo impressão 3D seriam regulamentadas pela ANVISA necessariamente. Portanto, a indagação permanece: a quem cabe esse tipo de fiscalização? Se não a ANVISA, quem?
92 AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. ANVISA. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/>. Acesso em: 10 abr. 2016.
93 Cf. Anexo I.
94 SPIECZNY, Rachel. CLEAN STRANDS, LLC. Testing and Certification for 3D printing filament! Kickstarter, 02 jul. 2015. Disponível em: <https://www.kickstarter.com/projects/2115371267/clean-strandstm- seal-of-approval-for-3d-printing-f>. Acesso em: 14 abr. 2016. Ver: AUGUR, Hannah. 17 Kickstarter 3D
Projects Live Right Now. All 3D printer, 26 mai. 15. Disponível em: <https://all3dp.com/kickstarter-3d-
escassas informações quanto a segurança dos diferentes filamentos existentes e tipos de emissões que as impressoras 3D produzem ao utilizarem determinados filamentos.9596
Infelizmente, a iniciativa não se concretizou por falta de fundos, mas a ideia deve ser considerada como uma possível solução para essa questão, devendo ser iniciada antes mesmo de começarem a surgir casos como esses no Brasil. A ideia de criar um selo ou etiqueta para brinquedos, tanto para informar do risco de asfixia como também para informar ao consumidor se o material é seguro quanto ao tato e ingestão, deve ser considerada desde já. Não existe nada de novo nessa ideia, nessa solução. O novo é apenas sua aplicação a objetos impressos em 3D. Brinquedos costumam vir com uma advertência quanto à idade apropriada ou alertando o perigo caso uma criança engula o brinquedo ou partes dele. O mesmo deve ser feito para brinquedos ou qualquer outro objeto que possa entrar em contato direto com o consumidor. A advertência ou mesmo um selo deve acompanhar o objeto indicando que se trata de um objeto impresso em 3D, o material utilizado e se este é food-friendly ou safe ou, caso contrário, deixar claro que se trata de material não adequado para ingestão ou contato com alimentos. Portanto, retoma-se às tradicionais indagações: a quem cabe a responsabilidade em caso como este, que envolve uma criança que acabaria intoxicada por falta de instrução? A plataforma Thingiverse, por não verificar a falta de advertência? O terceiro que disponibilizou o design e não advertiu quanto ao material que deveria ser utilizado ou que apenas indicou um material que não era adequado? A empresa que imprimiu o objeto? O intermediário? O printer?
Visando encontrar informações que auxiliem na elaboração de respostas e feedback críticos para algumas das indagações aqui postas, considerou-se como possibilidade de efeito uma aproximação a fontes diretas, através de contatos com empresas nacionais e internacionais do setor, com o intuito de formular um possível entendimento de como operam esses players frente o papel do potencial consumidor e como elaboram planos de ação frente a resultados problemáticos como, por exemplo, a falha da tecnologia ou da impressão em si. No entanto, tal tarefa se mostrou complicada dado que as empresas, por um lado, parecem não
95 ZACUTO, Brad apud SPIECZNY; CLEAN STRANDS, op. cit. “A disponibilidade de impressoras 3D de fácil acesso para crianças inaugurou um novo mundo de designs inovadores e de expressões criativas que conectam o mundo digital e o mundo físico. Isso é uma ferramenta educacional poderosa para os educadores, como também passa a ser um meio pelo qual estudantes possam se engajarem em autênticas soluções para problemas reais existente no mundo e sua aplicação”. Tradução livre.
96 Cf. MADDA, Mary Jo. The maker movement isn't just about making and electronics. Ed Surge Talks to MIT's Mitch Resnick, 2016. Disponível em: <https://www.edsurge.com/news/2016-05-23-the-maker- movement-isn-t-just-about-making-and-electronics-edsurge-talks-to-mit-s-mitch-resnick>. Acesso em: 24 mai. 2016.
saber (ainda) como agir porque a) não haviam pensado nessas questões como problemáticas e, portanto, não têm uma resposta concreta e b) pensaram, mas não querem se comprometer com suas respostas e assim, ignoram o contato. Por outro lado, existe a empresa entusiasmada, que responde de forma aberta, pensando talvez no benefício de serem mencionadas e ganharem alguma repercussão. Ambas as situações são compreensíveis e de se esperar. Assim, por meio de suas respostas acredita-se ser possível começar a vislumbrar como algumas das questões aqui colocadas podem vir a ser pensadas no Brasil.
4 O QUE PENSAM AS EMPRESAS, ADVOGADOS E JUÍZES: DIFERENTES PONTOS DE VISTA QUANTO Á TECNOLOGIA E SUAS IMPLICAÇÕES
Aqui, como aludido anteriormente, observa-se através de uma aproximação direta, entre outros players, três empresas - duas internacionais e uma nacional, que tem a impressão 3D como veículo comercial. Este procedimento tem como objetivo ilustrar o papel desta tecnologia no mercado: o seu funcionamento e relação com o consumidor. A escolha dessas empresas não é aleatória, são empresas que apresentam distintos aspectos comerciais da tecnologia 3D.
A primeira, Cammada, é uma empresa nacional que funciona como intermediária, uma plataforma online de impressão 3D. Como plataforma virtual, disponibiliza variados serviços de impressão 3D. Neste espaço, o consumidor tem o poder de escolha entre diferentes aspectos relacionados ao serviço de impressão desejado e por fim, concluir a atividade de aquisição com a garantia de receber o seu produto em casa. A opção de observar o know-how da empresa Cammada resultou da recomendação de terceiros que já tiveram contato com ela e, sobretudo por ser uma novidade no mercado. Enquanto a 3D Hubs é uma empresa internacional de funcionamento similar ao da Cammada, mas destoa no sentido de possuir um especifico mecanismo de disputa. A razão de escolha pela 3D Hubs é sua atuação no mercado internacional. No entanto, como será explicado, a tentativa de contato feito com a 3D Hubs não logrou êxito. Dessa forma, as informações sobre seu funcionamento e estrutura comercial foram encontradas no seu site, acessível a qualquer pessoa interessada em utilizar os serviços que a empresa oferece. Em contraposição, a escolha da Empresa Internacional 3D, é por ser esta uma das maiores empresas internacionais que fabricam e vendem impressoras 3D e tecnologias afins. Apesar de seus representantes fornecerem informações e respostas às perguntas enviadas, sua participação não se deu de forma esperada e com o interesse previsto. Mesmo assim, foi possível compreender o seu funcionamento e postura frente aos seus consumidores.
A seleção de entrevistas com profissionais que atuam na área jurídica de interesse neste estudo atingiu seu objetivo: incluir pareceres de advogados da área de propriedade intelectual, de direito do consumidor e da área da tecnologia, especificamente em casos que envolvam a impressão 3D. A escolha individual de cada um dos profissionais entrevistados deve-se a sua maior acessibilidade e disposição de participação. As perguntas postuladas são
essencialmente as mesmas para todos os profissionais, com pequenas alterações diretamente vinculadas a área de interesse e atuação de cada um.
Finalmente, incluo a entrevista com a juíza de direito, Flávia Castro, que atua na Vara Cível do Rio de Janeiro, mas que conhece a tecnologia 3D e já vislumbra seu impacto em diversas áreas do direito.
A partir das observações obtidas de diferentes pontos de vista, tanto no mercado comercial da tecnologia 3D, como em âmbito legal, formula-se possíveis respostas às perguntas postuladas e um esboço de análise legal, com o objetivo de tornar mais compreensível as problemáticas presentes neste segmento do mercado.