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Para desenvolver o processo de avaliação das crianças, contatavam-se com os pais/responsáveis, tanto na própria unidade de internação, como por ligações telefônicas, após alta hospitalar. Em decorrência disso, procuravam-se os prontuários no SAME para extrair dados pertinentes de identificação, endereço e telefones para contatos posteriores.

Entretanto, antes de fazer esse contato, já nos certificávamos que a criança estava dentro dos critérios de elegibilidade, por meio da data de nascimento, cálculo da idade cronológica e/ou idade corrigida.

De posse dessas informações, fazíamos o contato com os pais/responsáveis por telefonema, em seguida, o convite para participação no estudo, que, na maioria das vezes, agendava-se para o dia seguinte. Mediante a aceitação, esclarecíamos quanto ao horário e localização da avaliação.

Depois de confirmada a avaliação com os pais/responsáveis, seja para turno da manhã ou a tarde, eram convocadas duas enfermeiras, integrantes do Projeto de Pesquisa Saúde do Binômio Mãe-filho do Departamento de Enfermagem da UFC (SABIMF/UFC),

para compor a equipe de profissionais examinadores. Além das avaliadoras, convocávamos outro representante para se responsabilizar pela filmagem do teste.

No intuito de ter profissionais treinados para a prática da avaliação neuromotora de crianças, em 2008, o SABIMF realizou treinamento para nove enfermeiras e três acadêmicas de enfermagem, com aplicação do HINT, em doze crianças (três do sexo masculino e nove, feminino), nascidas a termo.

O SABIMF faz investigações na área de saúde da criança e da mulher/mãe, que, ao longo dos anos, vem produzindo estudos, com ênfase no cuidado da mãe, do RN, nas Unidades de Internação Neonatal, Alojamento Conjunto, Enfermaria Mãe-Canguru, bem como a participação da família no tratamento e recuperação da saúde do binômio.

O espaço físico promovido pelo LabCom_Saúde/UFC/CNPq e recursos materiais, como filmadora marca Sony 3.0 mega pixels, DVD-R, colchonetes, brinquedos, fita métrica e impressos foram fornecidos pelos projetos de pesquisa, a saber: Saúde do Binômio Mãe- filho/UFC , Validação do Harris Infant Neuromotor Test em língua portuguesa/UFC/CNPq e Uso de tecnologias para avaliação e promoção da saúde da criança: enfoque no desenvolvimento neuromotor e visual /CNPq, essenciais para realização deste estudo.

A coleta de dados ocorreu no período de julho/2009 a agosto/2010, e consistiu em etapas metodológicas:

4.5.1 Primeira avaliação

Nesse momento, a criança se encontrava entre o intervalo de idade de três a 10 meses. Por meio da leitura do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) (APÊNDICE A), orientavam-se pais/responsáveis quanto aos objetivos do estudo, ao método de filmagem, além da importância de continuidade do estudo, com avaliação consecutiva, após sessenta dias. Em seguida, solicitamos assinatura do documento, para início do processo de investigação que consta de dados dos pais/responsáveis, sobre condições socioeconômicas, bem como os relacionados à saúde da criança. Assim, foi contemplado, com a participação direta de cada avaliador no preenchimento, que se realizou em torno de 10 min.

Para iniciar avaliação, colocamos a criança sobre o colchonete, deixando-a, de fralda para possibilitar seus movimentos. Durante o teste, utilizamos brinquedos de plástico coloridos, argola vermelha de aproximadamente 15 centímetros de diâmetro e livro Black on White Hoban, (1993), para avaliar as habilidades motoras e visuais da criança. A cena

ocorria livremente, até a criança atender todos os itens da escala, em torno de 20 min e, simultaneamente,foi gravado um vídeo de todo este procedimento, por um colaborador.

Em algumas situações, crianças se apresentaram chorosas e inseguras, pelo qual, solicitávamos aos pais aproximação, para a criança sentir-se mais aconchegada e, prontamente realizar seus movimentos. Às vezes, a filmagem era interrompida para que a criança se acalmasse. Em continuidade, os profissionais avaliavam a criança que se expressava, espontaneamente, e registravam-se a pontuação de itens correspondentes, sem expor os valores atingidos.

Posteriormente, encaminhavam-se essas avaliações, até uma semana depois, para orientadora/pesquisadora identificar o somatório de pontos atingidos e analisava-os conforme tabela de classificação de escores totais do HINT (ANEXO E). A partir disso, reconheciam-se os valores dos escores das crianças atingidos.

Segundo Harris, Megens e Hayes (2004), a criança com escores inesperados para a idade, em qualquer aplicação do teste, deve ser encaminhada aos serviços especializados, bem como pais/responsáveis devem receber orientações, sobre o resultado final da avaliação. 4.5.2 Filmagem / Segunda avaliação

Indicam a filmagem para estudo de ações humanas complexas, difíceis de ser integralmente captadas e descritas por um único observador, minimizando a questão da seletividade do pesquisador, uma vez que a possibilidade de revisão de imagens gravadas direciona atenção do observador para aspectos despercebidos, para maior credibilidade do estudo (LOIZOS, 2002; PINHEIRO; KAKEHASHI; ANGELO, 2005).

Durante a primeira avaliação, foi realizada a filmagem de cada criança para, 30 dias depois, os mesmos avaliadores pontuarem o desenvolvimento neuromotor da criança. Considera a filmagem uma ferramenta para observação, de forma mais aprimorada do objeto de estudo (LOIZOS, 2002).

As imagens do vídeo foram assistidas de forma pausada, no intuito de avaliar o desempenho motor da criança, visualizando maiores detalhes. Esta fase ficou a critério de cada examinador escolher hora e local para analisar o vídeo e fazer a devida pontuação, entregando a seguir à autora da pesquisa.

Conforme Pinheiro, Kakehashi e Angelo (2005) a observação precisa ser, antes de tudo, controlada e sistemática para que se torne instrumento válido e fidedigno de

investigação científica, o que implica planejamento cuidadoso do trabalho e preparação rigorosa do observador

4.5.3 Terceira avaliação

Esta etapa ocorreu, em torno de dois meses, após a primeira avaliação. Situações em que o atendimento à criança, não ocorreu após 60 dias a primeira avaliação, adotamos o critério de inclusão de realizar avaliações mais próximas, respeitando o limite de um mês para mais ou para menos, conforme a idade prevista.

Logo, para algumas crianças, por motivo de saúde que apresentavam e pela dificuldade de encontrá-las novamente por contato telefônico, a terceira avaliação realizou-se dias antes ou depois de 60 dias.

Na ocasião da terceira avaliação, à medida que a criança realizava os movimentos, os avaliadores procediam da mesma forma, individualmente, observavam-na e registravam a pontuação no HINT. Essa etapa transcorreu em menor tempo, pois a criança se encontrava com idade mais evoluída, aproximadamente, dois meses a mais da primeira avaliação, o que lhe permitiu maior repertório de movimentos, atingindo marcos de desenvolvimento.