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12. ÖZEL GÜVENLĠK TEMEL EĞĠTĠM VE YENĠLEME EĞĠTĠMĠ YAZILI VE

12.1. Yazılı Sınav:

Etapa imprescindível na implementação desta pesquisa sob método se deu com a

escolha do campo de pesquisa no qual desenvolveu nosso estudo. Para tanto, faz-se necessário

discorrer sobre o seu contexto e caracterização.

O locus no qual desenvolvemos a investigação foi a rede de ensino público do

Município de Fortaleza. Atualmente, a Capital cearense possui 2.609.716 habitantes (fonte

IBGE-2016). Todo o atendimento à Educação pública regular é composto por duas redes

escolares: uma estadual e outra municipal. O Governo Estadual disponibiliza na Capital cerca

de 170 (cento e setenta) escolas e ofereceu em 2017 135.000 vagas estimadas para matrícula.

Já o Governo municipal dispõe de 287 escolas, ofertando 200 mil vagas para atender o ensino

público. A rede estadual está dividida conforme as regiões e a rede municipal por distritos.

Sendo assim, são 457 escolas em toda a Capital que atendem em média 335 mil alunos no

ensino público de Fortaleza (fonte: páginas institucionais da SEDUC, SME e INEP – Censo

2016).

Na fase exploratória do campo, de início, pesquisamos as páginas institucionais dessas

secretarias, onde obtivemos alguns dados. Posteriormente, fizemos contato com alguns dos

gestores da Secretaria Estadual de Educação (SEDUC-CE) e da Secretaria Municipal de

Educação de Fortaleza (SME), para obtermos dados para a pesquisa por meio de uma fonte

segura, na busca dos contatos com os professores de artes licenciados em Música e informá-

los acerca do estudo em Educação Musical.

Na página institucional da SEDUC, hoje encontramos o seguinte compromisso e

missão: “garantir a educação básica com equidade e foco no sucesso do aluno”. No que tange

ao ensino de Música, na mesma página da SEDUC, encontramos um documento oficial

intitulado “Ensino de Música nas Escolas”

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, ano de 2012, da Coordenadoria de

Desenvolvimento da Escola e da Aprendizagem – CODEA (Anexo A). Esta fonte traz

textualmente o cumprimento com a LDB relativamente à valorização do ensino da Arte no

Estado do Ceará. Segundo citada peça, em 2010, foram 576 escolas de Ensino Médio que

receberam instrumentos musicais repassados pelo Governo do Estado/SEDUC.

As escolas receberam kits sonoros com as seguintes composições: violões acústicos, teclados, flautas doces, timbas pequenas, pandeiros, triângulos... afoxés, surdos mor com baqueta, repiques, ganzás, reco-recos, agogôs, atabaques etc. Mais 50 escolas foram beneficiadas com bandas de fanfarra, com objetivo de preservar nosso patrimônio e aumentar o repertório musical nacional e internacional. Possibilitar, portanto, uma condição de aprendizagem musical através do apreciar, interpretar, criar, improvisar e aprender com os outros. (CEARÁ-SEDUC, 2012, p. 1-2).

Já a Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza – SME, em cumprimento da lei

complementar 169/2014, em 2016, criou o programa Música na Escola e fez a aquisição de

1.700 instrumentos musicais para orquestras, no intuito de fortalecer o Ensino de Música nas

escolas da Prefeitura. Distribui esses instrumentos mediante projetos de Música nas escolas

que especifiquem objetivos, ações com prazo de desenvolvimento e disponibilidade de

instrutor, além de termo de responsabilidade e manutenção do material.

Após o contato com as secretarias estadual e municipal de Educação, foram feitas

algumas visitas às escolas à procura dos participantes da pesquisa, no objetivo de conhecer

melhor as unidades escolares e verificar se elas têm Música em seu currículo. Nesse

momento, estabelecemos o contato com os professores, visando, inicialmente, à apresentação

dos propósitos da pesquisa: investigar a reinserção do ensino de Música nas escolas públicas

16 Este documento remete às principais questões referentes a implementação da Música no currículo das escolas

do Município de Fortaleza, com amparo nas narrativas dos professores no contexto de sua

obrigatoriedade legal.

Estabelecemos, então, os seguintes critérios de inclusão dos professores para

participarem dessa pesquisa: ser professor de Artes, licenciado em Música, que esteja

lecionando nas escolas públicas de Fortaleza em 2017. E percebemos, logo de início, que

temos poucos professores com esse perfil nas escolas públicas de Fortaleza: professores de

Artes licenciados em Música atuantes nas escolas públicas, neste ano.

Cunha (2011), que desenvolveu uma pesquisa sobre a prática docente dos professores

de Artes de Fortaleza, exprime que uma das primeiras dificuldades na implementação da

Música diz respeito ao fato de ainda termos poucos professores formados em Música lotados

na disciplina Artes das escolas públicas de Fortaleza; dado igualmente evidenciado em nossa

pesquisa e que se assemelha aos resultados encontrados por Azevêdo (2013) que, noutro

ensaio, também, detectou a falta de docentes com formação em Música ministrando a

disciplina Artes nas escolas públicas na cidade de Juazeiro do Norte – Ceará.

Azevêdo (2013, p. 36-37) ainda considera que tal aspecto se evidencia em virtude de a

legislação educacional ainda destinar à escola a escolha das áreas artísticas a serem

trabalhadas no componente curricular de Artes. Para a autora, isto evidencia que

[...] entre a Música, as Artes Cênicas, as Artes Visuais e a Dança, qualquer ou quaisquer delas podem ficar fora do planejamento. Isso é, em regra, o que geralmente acontece. Com essa liberdade quase absoluta, as escolas podem, ainda, determinar a carga horária das disciplinas. Com isso, a prática é que, em geral, as aulas de Arte aconteçam apenas uma vez por semana, em uma aula com duração de cinquenta minutos. No Ensino Médio, é comum que se ofereçam essas aulas apenas no primeiro ano, ficando o segundo e o terceiro anos sem qualquer contato com as atividades da referida disciplina.

Assim, igualmente aos estudos e pesquisas apresentados, consideramos que essa falta

de formação em Música do professor configura grande obstáculo para que a Música possa

figurar adequadamente e para que se cumpram os objetivos essenciais à formação integral do

educando.

No decurso de nosso estudo, e obedecendo ao critério inicialmente estabelecido para a

escolha dos participantes, esclarecemos que a quantidade de professores de Música

entrevistados dependeu da motivação destes professores em participarem da pesquisa em tela.

Destacamos, entretanto, que apenas um dos professores contatados não se interessou por

participar da pesquisa. Obtivemos, pois, uma excelente receptividade dos docentes de Música

à proposta. Respeitados esses critérios iniciais de escolha dos participantes, foi constituído um

grupo de sete docentes, os quais se disponibilizaram a contribuir com a pesquisa por meio de

suas narrativas e experiências profissionais, pessoais e musicais.

Na etapa deste estudo, que corresponde à implementação da pesquisa em si, optamos

pelas entrevistas narrativas para descobrirmos como esse professor de Música da escola

pública ensina seus conteúdos, no sentido de identificarmos suas práticas com base na voz dos

próprios professores entrevistados, sem deixarmos de considerar nossas observações e

interações estabelecidas com estes profissionais.

Desse modo, as entrevistas narrativas destinadas aos docentes foram utilizadas como

instrumento de coleta de dados para registrar, por meio de um gravador, as falas dos

professores. Para essa etapa, elaboramos uma pergunta deflagradora, desde o conteúdo e das

informações reunidas, nas observações coletadas e nos referenciais incorporados no percurso

da busca ora relatoriada.

Assim, as entrevistas foram realizadas de 10 de fevereiro a 03 de março de 2017, com

professores licenciados em Música que lecionam em escolas localizadas nos bairros de

Parangaba, Messejana, Henrique Jorge, Cajazeiras, Bom Jardim, Granja Portugal, Passaré,

Parquelândia, Antônio Bezerra e José Walter, totalizando dez bairros da Capital do Ceará e

um total de 12 escolas. (ver mapa ilustrativo em Apêndice B, no qual destacamos os bairros

onde se localizam as escolas desses professores de Música).

Referidas entrevistas narrativas intencionaram abordar as temáticas que envolvem os

objetivos da pesquisa e as principais dificuldades dos docentes, assinaladas pelo grupo, em

face da implementação das Leis 11.769/2008, 13.278/2016 e 13.415/2017, no intuito de

desvendar suas percepções e expectativas quanto ao ensino de música e demais linguagens

artísticas (Teatro, Dança e Artes Visuais) e seus conteúdos.

Guiado por estes procedimentos e instrumentos até aqui utilizados, buscamos

compreender, na produção docente, como se constitui o habitus musical na formação desses

educadores, no sentido de melhor elucidar as nuanças (contradições e possibilidades), com

base nesses elementos com relação ao panorama das escolas de Fortaleza, e quanto ao

componente curricular de Música, contribuindo, assim, para a sua efetivação no Ensino

Público.

A seguir mostraremos a escolha do método de análise dos dados, na escuta das

narrativas, nossa intenção foi obter por meio das experiências o conhecimento desses

professores, o seu aspecto intersubjetivo, a implementação de um habitus, para, assim,

podermos desvelar as epistemologias que há no ensino de música de Fortaleza.

Benzer Belgeler