31.12.2011 Bilanço Net Değeri
17 YATIRIM AMAÇLI GAYRİMENKULLER
Segundo Constantino (2012, p. 47):
No Brasil, segundo um estudo do Ipea, as empresas estatais foram responsáveis por rombos de quase 1,5% do PIB entre 1986 e 1991. A valores atuais, isso seria uma sangria de quase 70 bilhões de reais por ano, ou mais de mil reais gastos extra por domicílio Brasileiro.
As grandes empresas estatais brasileiras causavam um enorme dano à economia. A necessidade de reduzir os gastos abusivos que as empresas causavam aos cofres públicos era óbvia. A falta de eficiência e produtividade dessas firmas não representava retorno algum ao capital público investido.
Em 1962, o Brasil tinha uma população de aproximadamente 74 milhões de pessoas e contava com apenas 1,3 milhão de linhas telefônicas. Uma densidade consideravelmente de 1,7 telefones por cada 100 habitantes. A privatização surgiu como forma de revolucionar e reestruturar o setor, dando eficiência e possibilitando o acesso às tecnologias a famílias de diferentes classes sociais (NOVAES, 2000).
Devido à necessidade, o processo de privatização brasileiro foi iniciado em julho 1981 após um Decreto Presidencial que criou a chamada Comissão Especial de Desestatização que objetivava principalmente o fortalecimento do setor privado da economia e a limitação da criação de novas empresas estatais (ALTHAUS JUNIOR, 2002).
Conforme Nestor e Mahboodi (1999 apud Althaus Junior, 2002, p. 27):
Durante a década de 1990, até o final de 1999, haviam sido privatizadas 119 empresas com a geração de US$70,3 bilhões e US$16,6 bilhões em dívidas
transferidas para o setor privado. Com isso, as privatizações brasileiras tornaram-se uma das maiores do mundo. Para que se tenha uma ideia, até 1997, as receitas totais com a privatização dos países de OCDE somavam US$153,5 bilhões.
O leilão das empresas controladas pela Telebrás, empresa Estatal que até então detinha o monopólio das telecomunicações no Brasil, ocorreu em julho de 1998 quando foram vendidas 51,8% das ações votantes que eram de posse da União, arrecadando aproximadamente 22 bilhões de reais com este processo (CONSTANTINO, 2012).
O montante arrecadado com as privatizações, em especial, com a venda da Telebrás, foi considerável. Os cofres públicos foram abastecidos e a parte majoritária da companhia foi transferida para o poder privado.
Com a privatização do setor de telecomunicações, o novo modelo de regulação setorial atribuiu ao setor privado o dever de prestar serviços de telecomunicações, isto é, o investimento na infraestrutura e na exploração dos serviços cabia agora a iniciativa privada, realizado por meio de concessões fornecidas pelo Governo. Mesmo após a privatização, cabe ao Estado a tarefa de propiciar a “livre, ampla e justa competição” (IPEA, 2010).
O Setor de Telecomunicações é, atualmente, um setor que exerce grande influência na economia brasileira, responsável por contribuir diretamente no crescimento e desenvolvimento do país. Sua reforma ocorreu em 1997 a partir da promulgação da Lei Geral das Telecomunicações sucedido pela privatização das estatais Telebrás e Embratel. A principal mudança desta reforma, como já dito, foi a criação de um órgão regulador, a ANATEL, redefinindo o papel do Estado como ocorrido em vários outros países do mundo.
3.2.1 Agência Reguladora
No Brasil, As agências reguladoras são autarquias sob regime especial, criadas com a finalidade e de disciplinar e controlar certas atividades. Recebem os privilégios outorgados pela lei que as criou bem como os comuns a todas as autarquias.
Segundo Brasil (2009):
As agências reguladoras foram criadas para fiscalizar a prestação de serviços públicos praticados pela iniciativa privada. Além de controlar a qualidade na prestação do serviço, estabelecem regras do setor. Atualmente, existem dez agências reguladoras, implantadas entre dezembro de 1996 e setembro de 2001, mas nem todas realizam atividades de fiscalização.
Porém, a criação das agências reguladoras não foi resultado de uma discussão quanto ao modelo que seria adotado de regulação no Brasil e sim pelas diretrizes do Banco Mundial inspirada em experiências internacionais, especialmente dos Estados Unidos, vale ressaltar
que, diferentemente dessas experiências vivenciadas em outros países, as reformas realizadas no Brasil não foram baseadas em um amplo consenso na sociedade civil.
O caso brasileiro, conforme seu contexto histórico apresenta desde sua criação alguns erros quanto ao procedimento realizado. Percebe-se que a criação das agências reguladoras não foi tão bem planejada e projetada como em outros países do exterior e que as leis que sustentam o marco regulatório brasileiro não foram bem elaboradas. Assim, mesmo após o processo de privatização o governo brasileiro busca intervir no setor de telecomunicações através da agência reguladora.
O setor de telecomunicações, setor representativo e com um mercado de grande escala, foi um dos setores brasileiros que ao passo de sua inclusão no processo de privatizações nacional foi criada uma agência reguladora específica visando o controle deste mercado.
3.2.1.1 Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL)
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi criada em 1997 sendo a primeira agência reguladora a ser instalada no Brasil. Ao contrário do que muitos podem pensar, a agência foi criada antes mesmo do processo de privatização do Sistema Telebrás, sendo de fundamental importância para a ocorrência deste processo. Foi concebida com o intuito de viabilizar o atual modelo das telecomunicações brasileiras, como também outorgar, regulamentar e fiscalizar esse importante setor (ANATEL, 2013).
Segundo Novaes (2000, p.158):
A aprovação da Lei Geral de Telecomunicações (Lei 9.472, de 16 de julho de 1997) marcou a mudança na postura do governo em relação ao setor de telecomunicações. A nova lei determinava que o Estado deixasse de exercer o papel de provedor dos serviços de telecomunicações e passasse a regulamentar o setor. Os principais pontos eram: a) a definição do princípio geral que rege os serviços de telecomunicações; b) a criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel); c) a organização dos serviços de telecomunicações; e d) a reestruturação e privatização do Sistema Telebrás.
A Lei Geral de Telecomunicações, sancionada pelo então presidente da república Fernando Henrique Cardoso, significou uma reformulação total na estrutura do setor de telecomunicações, compreendendo a nova postura do Estado no setor, a garantia do acesso de toda a população à qualquer serviço de telecomunicação, tarifas e preços razoáveis e principalmente o estímulo da competição entre os agentes desse mercado visando um maior crescimento e aumento de bem-estar aos consumidores em geral.
Percebe-se que a criação da ANATEL foi uma ação praticamente conjunta ao processo de privatizações, isto é, o caso brasileiro do setor de telecomunicações é caracterizado pela venda de uma empresa estatal para as mãos do setor privado ao mesmo tempo em que foi criada uma autarquia pelo próprio governo visando proteger o mercado da ocorrência de possíveis falhas que viessem a prejudicar o consumidor brasileiro. A criação de agências fica caracterizada como um vínculo que o governo queria manter com o mercado a fim de controlar seu desempenho.