1.1. TÜRKİYE YAT VE TEKNE İMALAT SANAYİ
1.1.2. Yat ve Tekne Mobilyası İmalatında Ahşap ve Kompozit Malzeme
Após o golpe militar de 1964, o Partido Comunista Brasileiro perdeu hegemonia na esquerda para novas organizações dirigidas pelo PC do B – ramificação do PCB. Surgiram no período o POR/T (Partido Operário Revolucionário/Trotskista), o POLOP (Organização Revolucionária Marxista – Política Operária), a Ação Popular (fundada por líderes comunitários e estudantes católicos).
No IV Congresso do PCB, em dezembro de 1967, estava posta a tese desse Partido, tendo por âncora o polêmico lema “organização de uma frente ampla unida contra a Ditadura Militar”. Analisa Edgar Carone:
[...] o essencial no momento é estreitar suas ligações com as grandes massas da cidade e do campo, é ganhá-las para ação unida contra a ditadura. Evidentemente, não é chamando-as a empunhar armas que, nas condições atuais, delas nos aproximaremos. A luta armada só poderá ser, como forma predominante, e decisiva, a combinação de um processo sumamente complexo, onde se alternam e se conjugam os mais diversos métodos de luta. E é necessário que as massas já estejam dispostas a todos os sacrifícios, de preferência a continuar no regime que as oprime, para que um partido de vanguarda possa conclamá-las à ação armada. [...] Na situação atual, nossa principal tarefa tática consiste em mobilizar, unir e organizar a classe operária e demais forças patrióticas e democráticas para a luta contra o regime ditatorial, pela sua derrota e a conquista das liberdades democráticas.
104 Especialmente sobre a Ópera do Malandro, consultar a dissertação de mestrado da autora desta Tese:
SANTOS, C. R. dos. Ópera do Malandro de Chico Buarque: História, política e dramaturgia. Dissertação (Mestrado em História Social). Programa de Pós-graduação. Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2002. 141f.
[...]. Cada vitória, pequena ou grande, ou mesmo derrota na luta pelas liberdades, incorpora-se à experiência das massas. É a própria experiência de luta que levará as massas a avançar em seus objetivos, formar e prestigiar suas organizações e seus líderes, intervir decisivamente nas ações políticas, que conduzirão à derrota do regime ditatorial.105
Acirradas as dissidências, enquanto grupos partiam para a ação da guerrilha contra a Ditadura, no campo estético dramaturgos, atores, músicos, poetas e artistas plásticos buscavam instaurar a denominada resistência democrática, cuja proposta, em termos amplos, era fazer da produção artística um instrumento para o retorno ao Estado de Direito.
Nessa conjuntura, o teatro associado à música, tendo optado pelo campo da resistência política ao arbítrio, representada em espetáculos como o Opinião, ou aqueles da Companhia de Teatro de Arena de São Paulo, ao discutir temáticas nacionais de forma inovadora no gestual e nas letras, contribuiu para a abertura às novas possibilidades de apresentações artísticas surgidas no decorrer da década de 1960.
Assim, o teatro musical assumiu novas colorações literalmente em outro importante movimento surgido nos anos 1960, a Tropicália, que se ramificaria também na música, nas artes plásticas, na literatura.
Algumas obras aqui devem ser mencionadas para ilustrar o impacto desse movimento na esfera cultural do país. Celso Favaretto observa que a Tropicália fez uma espécie de revisão de temáticas discutidas na mencionada década, que “consistiam na redescoberta do Brasil, volta às origens nacionais, internacionalização da cultura, dependência econômica, consumo e conscientização.106
Para ele, o Tropicalismo deu uma contribuição muito específica ao campo musical por estabelecer a crítica de estilos e gêneros já consagrados, reinterpretando Ary Barroso, Lupicínio Rodrigues, Roberto Carlos, Lucho Gatica, Paul Anka, e utilizando-se livremente de procedimentos pop de encenação, eletrônicos e cinematográficos.
Já Heloísa Buarque, em Impressões de viagem: CPC, vanguarda e desbunde: 1960/70,107 aponta como tendo sido a repercussão imediata do movimento na
105 CARONE, E. O P.C.B. (1922/1943). São Paulo: Difel, 1982.
106 FAVARETTO, C. Tropicália: alegoria, alegria. São Paulo: Kairos, 1979, p. 13.
107 HOLLANDA, H. B. de. Impressões de viagem: CPC, vanguarda e desbunde: 1960/70. Rio de
incorporação de elementos da modernidade, os quais remontam à primeira metade do século XX, sua grande contribuição.
Em termos estéticos, o artigo Tropicália: Modernidade, alegoria e contracultura108, de Christopher Dunn, é importante ser destacado por demonstrar como os tropicalistas extrapolaram o estilo intimista da BN de João Gilberto e seguidores, embora tivessem conjugado elementos dessa, indo ao encontro das manifestações antropofágicas dos modernistas dos anos 1920, da paródia do convencional (numa alusão às revistas e operetas dos séculos XIX e início do XX), bem como do rock americano e inglês.
Assim como ocorrera com a BN, a apropriação de elementos estrangeiros aqui também se fez, com o intuito claro de inovar a música brasileira, transcendendo a tradição da MPB e o iê-iê-iê da Jovem Guarda, emergente em 1967.109
A partir de meados dos anos 1960, a jovem geração americana e de alguns centros europeus posicionava-se mediante o rock, o uso de alucinógenos, o protesto contra o instituído. No campo das artes, as contradições estavam em pauta, pois como podia o artista questionar o establishment sendo integrado a ele?
No Brasil, o Ato Institucional n. 5, decretado em abril de 1968, obstaculizou radicalmente os debates políticos que se faziam entre artistas e intelectuais. Até então, os festivais de música da TV Record e da TV Globo, transmitidos ao vivo e constituídos por uma plateia estudantil simpatizante das ideias nacionalistas e esquerdistas, representavam uma alternativa de protesto contra as autoridades militares.
Os festivais, no panorama brasileiro, guardadas suas peculiaridades, sintonizavam com a ideia de questionamento do status quo no âmbito internacional, por meio da arte. Importantes nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil surgiram no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967. O primeiro com Alegria, alegria, e o segundo com Domingo no parque. Ao lado de outros importantes artistas como Gal Costa, Tom Zé, Os Mutantes, os letristas Torquato Neto e José Capinam, eles inauguraram uma nova faceta para a MPB, na utilização de termos alegóricos e sons da vida urbana rotineira, bem como da guitarra elétrica no arranjo musical.
108 DUNN, C. Tropicália: Modernidade, alegoria e contracultura. In: BASUALDO, C. (Org.). Tropicália:
Uma revolução na cultura brasileira (1967-1972). São Paulo: Cosac Naify, 2010, p. 63.
O compositor-arranjador Rogério Duprat, expoente do grupo de compositores paulistas Música Nova, fundado em 1963, era quem escrevia a maior parte dos arranjos desses artistas, como no caso de Domingo no Parque de Gil.
No teatro, o diretor José Celso, inspirado por esse movimento, se destacou nas seguintes produções com o Grupo Oficina: utilizando-se do chamado teatro da crueldade ou de “agressão” de Antonin Artaud, aliado ao método brechtiano, montou a paródica o Rei da Vela, escrita em 1937 por Oswald de Andrade, e ainda o musical Roda Viva de Chico Buarque.
Para Caetano Veloso, O Rei da Vela, que estreou em São Paulo em outubro de 1967, representou um marco em sua carreira, pois ao assistir a peça, apropriou-se de Oswald de Andrade em sua carreira.
Numa convergência de ideias, o Oficina, no programa-manifesto da peça, declarava que a concepção oswaldiana já apontava a estética do “mau-gosto” a ser assumida por adeptos do tropicalismo, indo de encontro àquilo que ele denominava de farsa da realidade brasileira:
Para o Grupo [...], ao contrário do que significava para a esquerda nacionalista/populista e para os ufanistas conservadores de direita, Oswald de Andrade representava a “consciência cruel e anti-festiva da realidade nacional e dos difíceis caminhos para revolucioná-la”.110
Em janeiro de 1968, quando da estreia do musical Roda Viva, José Celso, enquanto diretor, radicalizou a linguagem agressiva do Oficina, portanto dos próprios pressupostos tropicalistas, dentro da prática do teatro. A apropriação do texto de Chico Buarque por ele – aparentemente, uma contradição, já que o compositor, na época, fora rotulado como o “bom moço” da MPB, o que “arrepiava” os tropicalistas –, sob a inspiração do Movimento, teve violenta resposta do governo militar, que, depois de agredir, ameaçar e convocar os participantes das apresentações, acabou por proibir em definitivo o espetáculo em cena.
Ao fim desse ano, com a promulgação do AI-5 em 13 de dezembro, o movimento tropicalista chegava ao fim e deixava um diálogo em aberto para as produções a serem assistidas numa conjuntura diferenciada, da qual o teatro aliado à música irá participar. Esse será o nosso próximo enfoque.
110 GRUPO OFICINA. O Rei da Vela. Manifesto. Arte em Revista, n. 01, 04 set. 1967, p. 62-63. In:
NAPOLITANO, M.; VILLAÇA, M. M. Tropicalismo: As relíquias do Brasil em debate. Revista