4. ŞİRKET FAALİYETLERİ VE FAALİYETLERE İLİŞKİN ÖNEMLİ GELİŞMELER
4.2. Yatırımlar ve Teşvikler
A análise de repertórios interpretativos usados pelos professores para falar sobre violência possibilit ou ent ender os m últ iplos sent idos at ribuídos a ela e a im portância do contexto desta produção. Foi possível perceber, tam bém , que repertórios essencializantes presentes em alguns discursos favorecem práticas excludentes, e inevit avelm ente trazem im plicações para o cotidiano escolar, na m edida em que diferentes form as de lidar com a violência advêm das noções e explicações que lhe at ribuem . Quando t ais explicações são naturalizadas, torna- se m ais difícil engendrar práticas pedagógicas que possam reverter esse quadro de violência e a form a de lidar com ela pode se tornar apát ica, descom prom issada ou om issa.
Para professores que lecionam para alunos de 1a à 4a séries, os discursos
versaram sobre a gênese da violência no núcleo fam iliar, fruto da negligência dos pais com os filhos e para com o processo educacional. Quando as fam ílias são posicionadas com o produtoras de violência ( tudo com eça em casa) , elas passam a ser vistas m ais com o entraves do que aliadas do processo educacional. Diante das precárias condições nas quais vivem essas fam ílias, os educadores acabam sentindo um a pressão m aior quando são considerados por elas com o únicos responsáveis pela educação de seus filhos. Dest a form a, est rat égias essencialistas cum prem um a dupla função: ao m esm o tem po em que explica a gravidade da situação pelo fat o de os alunos viverem num am biente estruturalm ente violento, j ustifica a passividade do corpo docente, com o observam os nos depoim entos sobre a im potência, discutidos no capítulo 5.
Os professores do 4o período lecionam para um a população m ais adulta e por
esta razão a violência, segundo eles, é inexistente neste período. O que eles cham am de violência é a condição social e econôm ica na qual se encontram esses alunos. Trata- se, portanto, de um a violência que ocorre extram uros da escola e que se faz visível pela carência desses alunos que, m uitas vezes, vão à escola para ter a sua segunda refeição, quando não a prim eira. Já não est am os falando aqui de desestrutura fam iliar, m as sim , segundo os professores, de um descaso do Estado diante das polít icas públicas que deixam de criar m aiores oportunidades de em prego à população. Não deixa de ser um a explicação essencializante, um a vez que “ naturaliza” essa condição social e posiciona tant o professores quanto alunos em lugares específicos. De um lado, o professor se sente im potente diante deste problem a e nada pode fazer e, do outro lado, está o aluno com o vítim a da desigualdade social. Um a professora chegou a verbalizar: quando alguns alunos vêm falar com igo, eu nem
quero ouvir, pois não posso fazer nada e acabo ficando m al com isso. Eu prefiro que não m e cont em nada.
Para os professores do 3o período, m ais especificam ente, para os grupos I I I e
VI , a violência foi interpretada com o produto de um descom passo entre a necessidade de norm as de convivência m ais claras e om issão por parte da Direção na construção dessas norm as. O grupo I I I avançou um pouco m ais quando sugeriu para as discussões algum as estratégias para lidar com a violência, m ediante atitudes m ais respeitosas e participação nas brincadeiras com os alunos. No entanto, essas estratégias são reconhecidas m ais com o desafio ou falta de opção, na m edida em que consideram que os alunos acabam por ditar as regras de convivência entre professor e aluno: eles são assim e o que se pode fazer? A gente tem que entrar na deles, senão eles acabam com você.
Estratégias de essencialização podem levar o educador a adotar duas posturas: ou a culpabilização ou o pat ernalism o. As duas post uras são facet as da exclusão e ist o traz im plicações na form a de se relacionar com o outro, ainda que as intenções sej am as m elhores possíveis. Com professores do 2o e 4o períodos, notei que os que m ais explicavam os com portam entos dos alunos por causas essencialistas, foram os que m ais se indisponibilizaram a discut ir o t em a da violência durante a pesquisa: um professor do 4o período chegou a ser enfático ao dizer: eu não presto atenção nessas
coisas. Eu só quero dar aula. Observei tam bém que alguns professores que adotavam as posturas m ais indiferenciadas, procuravam culpabilizar o sistem a educacional de ensino, j ustificando assim a própria im pot ência.
Quanto ao grupo VI , com o qual trabalhei m ais de perto, pude perceber que, em bora estratégias de essencialização tivessem sido em preendidas, com o no caso da form ação da 8a série A, o com prom etim ento do grupo com a im plem entação de
propostas pedagógicas criativas e um a qualidade m elhor na relação professor- aluno foi o foco norteador de suas ações. Parece contraditório, num prim eiro m om ento, pensarm os na com patibilidade entre estratégias que favorecem a exclusão e a preocupação com a inclusão desses alunos.
No caso específico da 8a série A, a estratégia de essencialização foi m ais
com plexa por causa de dois aspectos: os critérios adotados e os resultados esperados. A adoção de critérios para constituir a 8a série A partiu de algum as noções sobre o que
era com port am ent o violent o, com o m inim izá- los pelo cont role, culm inando na concent ração de alunos m ais indisciplinados num a única sala. Port ant o, para que t al decisão pudesse ter sido tom ada, noções essencializant es sobre a violência e suj eit o violento se fizeram presentes. No entanto, percebem os que a form a de lidar com essa sala não foi excludente, um a vez que os próprios professores que decidiram pela
adoção dessa estratégia, em nenhum m om ento se recusaram em dar aula para esses alunos.
Considero, portanto, que a possibilidade encontrada pelos educadores em desenvolver posturas m ais criat ivas e relações m ais respeitosas com os alunos foi alcançada para que recebessem um lugar heróico e um reconhecim ento, caso obtivessem sucesso com a estratégia tom ada. Este lugar heróico não se refere a um a sim ples vaidade docente, e sim , a um posicionam ent o polít ico que est á ligado à im agem com o o educador é retratado nos m eios m idiáticos e acadêm icos, problem at izados por eles na últim a reunião. Eles são retratados por esses m eios ora com o vítim as e ora com o vilões. Se eles se vêem com o educadores com prom etidos, qualquer tentativa de questionar suas práticas pedagógicas pode se tornar delicado.
A coesão grupal, que eu e os próprios professores reconhecem os com o algo positivo, durante a pesquisa, nasceu do com prom etim ento que eles t inham em com um com a m elhoria da educação. Tanto que essa coesão não contem pla todos os professores do 3o período, porém , som ente um a parcela deles. Desta form a, no caso
do grupo VI , acredito que a estratégia de agrupar os alunos em um a única sala não visava à om issão e à desresponsabilização, m as o fortalecim ento desta coesão grupal e o reconhecim ento por tais m edidas.
Sej a a part ir de estrat égias essencialistas ou não, eles procuraram adotar form as de enfrentam ento que visassem tornar esse cotidiano escolar m ais tolerável e m enos opressivo. Por isso, qualquer t ent at iva de problem at izar foi int erpret ada com o inj ustiça. Até entendo quando eles alegam que a pulverização de alunos indisciplinados em diversas salas poderia tornar o seu dia- a- dia m ais difícil. Mas concordem os que tal estratégia só foi possível quando se entendeu que o problem a estava nos alunos.
Com o tem po, os próprios professores verbalizaram que havia exagero ao se considerar a 8a série A int eira com o indisciplinada, pois, com o disse um professor, os
alunos m ais indisciplinados eram a m inoria. Durante o período final da pesquisa, a Coordenadora Pedagógica chegou a falar que esta estratégia havia sido um equívoco e um a tentat iva fundam entada no que eles entendiam ser o m elhor procedim ento. A oportunidade de se reunirem , conversarem e adotarem um a determ inada estratégia para m odificar um a dinâm ica na escola é válida e denota um com prom etim ento ativo com a m elhoria da escola. Considero im port ante pensarm os que est a est rat égia part iu de noções essencializantes que t rouxe im plicações para a relação escola- alunos, pois eles perceberam em quais lugares estavam sendo posicionados: t em m uit a gent e aqui que coloca a culpa na gente, porque pra eles nós som os os bagunceiros ( aluno da 8a
No entant o, constatar que a estratégia foi equivocada não invalida est a discussão, porque precisam os constatar em que bases ela foi avaliada com o equívoco. Se foi pelos result ados alcançados, penso que perm anecem os no m esm o lugar. Se o equivoco foi j ulgado pela reavaliação dos crit érios adot ados, ent ão, há um a abert ura para novas propostas. Caso contrário, a escola continuará a adotar diferentes estratégias partindo de m esm os critérios essencializant es. No final do ano passado, na época da finalização da pesquisa, um dos problem as que surgiu envolvendo a Direção e os professores, discutidos no capítulo 5, dizia respeito ao rem anej am ento de algum as séries do 3o período para o 2o período com o intuito de dim inuir a
concent ração de alunos m ais indisciplinados no 3o período. Em bora fossem estratégias
inversas ( dist ribuição e não concent ração) , não estaríam os partindo dos m esm os critérios utilizados para a construção da 8a série?
Considero, portanto, que por interm édio destas reflexões, podem os com bater form as de agenciam ento que acabam sendo excludentes em sua concepção.
Um outro aspecto que j ulguei relevante discutir foi um a definição especial de violência dada por um dos professores, na últ im a reunião. Esta definição, em bora am pla, dem onstrou um a abertura e vontade polít ica em reverter esse quadro de incivilidades e apatia dos alunos ante a aprendizagem , presentes no cot idiano escolar. Para ele, violência era o fato de os professores não conseguirem cum prir a função prim ordial da escola que é educar. Est a fala surgiu em com plem ent o à fala da Coordenadora Pedagógica que havia concordado que é um a violência o aluno não ter acesso aos recursos da escola, que j á era tão pouco, e term inar a 8a série não
sabendo escrever. Este professor se apóia no fato de o aluno sair tão despreparado, que, de certa form a, denuncia negligência por parte dos educadores nesta m issão de educar: ...nós estam os fugindo disso. Esta definição nos rem ete à função principal da educação, presente na LDB, que é visar o conhecim ento, desenvolvim ento e a construção da cidadania. A rede pública está im plantada para atender a um direito do cidadão: o direito ao ensino do prim eiro grau. E isto se torna um problem a m aior quando tal m issão não é engendrada por falt a de polít icas públicas efetivas e pelo excesso de burocracia. O sistem a educacional acaba gerando m ais dificuldades do que apoio à educação pública. Tom em os com o exem plo o laboratório de inform ática. Os alunos se vêem privados desse recurso, pois o funcionário ( pode ser até um professor) responsável encontra- se de licença e a lei não perm it e substituição para que os com putadores possam ser usados. Professores e alunos saem prej udicados. Concom itantem ente, os baixos salários dos educadores, o aum ento de núm ero de aulas para atingir um patam ar digno de sobrevivência e a falt a de invest im ent os do poder público na form ação dos educadores, são considerados um a form a de violência.
Além disso, há tam bém , por parte dos educadores, um a resistência com o processo de dem ocratização do ensino, aum entando assim a distância entre a expectativa de um aluno ideal e o que está, de fato, diante deles:
A fragilidade do professor deve- se a própria situação do ensino. Ele assum e um a posição desconfortável quando tem que dar conta dos efeitos de um trabalho cuj a eficácia depende do investim ent o o próprio aluno – daí a im portância do tem a da culpabilidade do sistem a educativo que é espontaneam ente autoj ustificativo. Esta fragilidade e est e desconforto se tornam ainda cada vez m aiores em um a sociedade em que t odos têm acesso à escola, em que t odos devem passar de ano e em que o fracasso escolar pesa tão fort em ente na vida do aluno. O professor fica então subm etido a um a tensão m áxim a que aum enta a sua angúst ia e, ao m esm o tem po, endurece seu discurso aut oj ustificativo e acusatório ( Charlot, 2005, p.82) .
De m aneira geral, os próprios educadores presentes na reunião procuraram traçar possíveis encam inham entos para atingir um m elhor nível na educação dos alunos. A Direção se com prom eteu em rever a disponibilização de espaços e recursos m ateriais ( vídeo) para a im plem entação de propostas pedagógicas. A Coordenadora Pedagógica reconheceu a necessidade de estabelecer um diálogo m aior com os alunos, alguns professores j á m ostraram que propostas criativas, com o a feira cultural, não só prom ovem um aprendizado m ais prático e próxim o da realidade deles, com o t am bém os colocam com o participantes ativos na produção do conhecim ento. Um outro aspecto considerado im portante por alguns educadores é a necessidade de reconhecer o desenvolvim ento do aluno, sej a no processo de aprendizagem com o na sua postura ética com a escola.
Particularm ente, acredito que é fundam ental levar à discussão a possibilidade de tornar a escola m ais aberta à com unidade, de m aneira a torná- la participante ativa no processo educacional. Acrescento, ainda, que espaços para discussões, com o nos proporcionaram para aquela últim a reunião, podem contribuir para que negociações entre todos os educadores, visando a um a m elhor qualidade de ensino, sej am em preendidas.
Antes de iniciarm os algum as reflexões sobre a negociação ocorrida na últim a reunião, convém abordarm os um aspecto relevante durante a pesquisa: a posição do psicólogo na escola. Esta questão tornou- se im portante para entenderm os a dinâm ica do últim o encontro. A m inha presença com o psicólogo acabou gerando expectativas que se fizeram m ais evidentes no processo final. A idéia de que um psicólogo detém o poder de resolver problem as ou de propor soluções eficazes ficou clara desde a m inha inserção na escola. Não sabendo com o lidar com situações que am eaçam a integridade das relações entre educador e aluno, a figura do psicólogo passou a ser depositário de expectativas utópicas, um a vez que ele ou pode curar o aluno ou
fornecer ferram entas prontas para lidar com elas. I sto é com preensível, pois, historicam ente, a Psicologia ocupou o lugar de detentora de verdades sobre o outro. Em bora não fossem t odos os profissionais da escola que m e posicionassem neste lugar, t am pouco est a tent at iva deixou de exist ir. Em nossa últ im a reunião, t al posição foi am pliada, não no sentido de o psicólogo curar, m as por ser um representante do discurso científico e, portanto, detentor de um a verdade. Um a das m aneiras de quebrar essa expectativa foi propor um a negociação a partir da m inha leit ura no cam po. Este obj et ivo não foi totalm ente at ingido por causa de um a m udança de contexto que am pliou este lugar de representante da ciência.
O que cham o de m udança de contexto foi a presença do Diretor na reunião, ent endida aqui com o um incident e crít ico, que gerou um constrangim ento entre os presentes e fez com que a reunião assum isse um tom m ais persecutório. Em bora tivesse esclarecido que se tratava de um a negociação e que a m inha leitura não era um a verdade absoluta, este esclarecim ento não foi suficiente para que dim inuísse a assim etria no j ogo de posicionam entos presentes. Tendo em vista que todo processo de negociação envolve j ogo de poder, sua presença acabou por am pliar essa assim etria, im pedindo que grande parte do grupo entendesse a proposta da reunião.
Naquela ocasião, eu, que considerava ter assum ido um lugar de colaborador, passei a ser um representante do discurso científico e, conseqüentem ente, detentor de um a verdade sobre eles. Dest a form a, é com preensível a preocupação com a im agem que outras pessoas pudessem construir sobre eles e a escola, caso lessem este trabalho. Apesar destas atitudes m ais defensivas, alguns professores presentes puderam entender a proposta e entenderam a reunião com o possibilidade de reflexão e encam inham entos.
O fato de o m eu text o ter recebido um estatuto de verdade por alguns educadores faz sentido, um a vez que o discurso científico e m idiático têm um poder incontestável na construção de fatos sociais, com o vim os no capít ulo 1. Os educadores são, freqüentem ente, tratados por esses m eios ora com o vítim as, ora com o vilões e se eles vêm m obilizando esforços para transform ar um a realidade opressiva em algo produtivo e criativo, podem os então entender a reação deles ao texto.
Um outro aspecto im portante foi o fato de eles não terem tido acesso prévio ao t ext o que cont inha a m inha leit ura, pois som ent e foi- lhes ent regue no início da reunião e, na presença do Diretor, alguns acabaram por considerar o texto m ais com o um diagnóstico equivocado do que um a proposta de desnaturalização do m eu discurso. Por outro lado, a idéia de apresentar o texto com antecedência poderia contribuir para que eles aparecessem na reunião com um discurso pront o e inviabilizasse a espontaneidade, a m eu ver, im portante nesta proposta. No entanto,
esta é um a questão que deve ser considerada para futuras pesquisas que optem por procedim entos sim ilares.
Quanto à negociação e co- construção de sent idos, ironicam ent e o m eu t ext o sofreu o processo que nos capítulos teóricos procurei problem at izar: a naturalização dos discursos científicos e m idiáticos.
Qual a nossa responsabilidade, então, nest e processo de nat uralização? Não falo do ponto de vista de quem os produz, m as tam bém de quem os lê e vê. Não estou isentando os canais m idiáticos ou o discurso científico, pois sabem os que distorções nas inform ações e interesses ideológicos, envolvendo os discursos da ciência, existem . Mas quando há um a preocupação ética no fazer científico, que é a proposta deste trabalho, a pergunta tem pertinência.
A nat uralização de um discurso t em a finalidade de j ustificar os nossos m edos excessivos. Essencializo um a pessoa, um a fala ou um atributo, quando preciso circunscrever da m elhor form a possível o diferente, am pliando seus contrastes com o form a de j ustificar os m eus m edos: vai que ele publica isso em livro?.
Posicionam entos críticos, éticos e políticos devem fazer parte de qualquer processo de negociação. No entanto, vej o que há um problem a m aior: um a tradição discursiva reificant e e essencializadora, que m uit as vezes inviabiliza um a m udança de paradigm a. Não basta m udarm os nom enclaturas ou form as de se dirigir ao outro, com um ente observados no âm bit o da Educação I nclusiva, por exem plo ( o term o Deficiente deu lugar a Portador de Necessidades Educacionais Especiais) . Faz- se necessária um a m udança de atitude que acom panhe essas m udanças de term inologia. Em outras palavras, é preciso entender que as visões de m undo e de pessoas não são fixas, m as fluidas e suj eitas a m odificações e reavaliações. É a part ir daí que um a m odificação de nom enclat ura faz sent ido.
A m aneira pela qual eu explico o m undo está diretam ente conectada com a form a com a qual eu lido com esse m undo. Se eu at ribuir a um processo de negociação um caráter essencialista, certam ente a m inha relação com ele será de refutação ou concordância cega e apática. O que podem os fazer então? Com o escapar