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10. Yatırım amaçlı gayrimenkuller
os outros, cometendo atos torpes entre si, recebendo, recebendo dessa maneira em si próprios a paga pela sua aberração(Rm. 1, 26-27). 9 Vocês não sabem que os injustos não herdaram o Reino de Deus? Não se
iludam! Nem os imorais, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os depravados, 10 nem os efeminados,
nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os caluniadores irão herdar o reino de Deus. 11 Alguns de vocês eram assim. Mas vocês se lavaram, foram santificados e reabilitados pelo
nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito Santo do nosso Deus. (I Cor. 6, 9-11). 9 ela não é destinada ao
justo, mas aos iníquos e rebeldes, ímpios e pecadores, sacrílegos e profanadores, parricidas e matricidas, homicidas, 10 impudicos, pederastas, mercadores de escravos, mentirosos, para os que juram falso, e para
tudo o que se oponha à sã doutrina, 11 de acordo com o Evangelho glorioso do Deus bendito, que me foi
Sodoma, o cristianismo utilizou esta passagem para promulgar o efeito devastador desse pecado a um conjunto de atitudes consideradas erradas naquele contexto” (2006, p. 42).
Loiola faz uma explanação sobre como Gafo compreendeu a relação entre cristianismo e homossexualidade, em que este autor fez uma divisão na história do cristianismo em quatro fases:
...a primeira compreende os primeiros sete séculos de cristandade – onde as influências do mito da cidade de Sodoma influenciam e/ou justificam decisivamente na criação dos códigos de condutas e determinações punitivas para os pecadores, ainda no Império Romano. A segunda fase compreende a época dos penitenciais, entre os séculos VII e XI – é aqui que se distinguem com maior clareza as atitudes consideradas homossexuais: “toques, afetos, masturbação mútua, conexão interfemural e sodomia” - a homossexualidade é considerada um pecado grave e a homossexualidade feminina tem citação inédita. A terceira fase compreende os séculos XI e XIII - neste período é definido por alguns santos o pecado antinatural, incluindo a homossexualidade e outras práticas como a masturbação. Santo Alberto Magno e Santo Tomás de Aquino são expoentes muito importantes para a solidez da moral cristã deste período; a quarta e a última fase, compreende o período dos séculos XIV e XX – período de afirmação da moral cristã com um profundo acirramento da aversão a homossexualidade, haja vista a proclamação do sexo exclusivamente para a procriação. (1985 apud GAFO; LOIOLA, 2006, p.43).
Loiola acredita que existe uma tendência muito reducionista da religião em relação à sexualidade humana, fundamentada em pressupostos éticos que conduziram e ainda conduzem os sujeitos no mais ‘estreito caminho’. Criaram-se possibilidades mínimas de uma vida tranquila, fazendo com que os sujeitos passassem a ver os outros de modo muito estreito, como estranhos, negando a diversidade.
Mott (2003) adota uma visão histórica e identifica, na internalização de ensinamentos judaico-cristãos, o suporte à legitimação da violência praticada contra homossexuais. Ele sustenta a sua alegação com exemplos de ensinamentos praticados por rabinos, líderes muçulmanos, padres e pastores ao longo dos últimos quatro mil anos, tais como: “De todos os pecados, o mais sujo, torpe e desonesto é a sodomia. Por causa dele, Deus envia à terra todas as calamidades: secas, inundações, terremotos. Só em ter seu nome pronunciado, o ar já fica poluído” (2003, p.2). Ele lembra também que, de tão abominável, o pecado do amor entre dois homens era considerado nefando, ou seja, aquilo que não deve sequer ser pronunciado.
O autor alega que, por centenas de gerações, divulgou-se que a homossexualidade era o pior pecado aos olhos de Deus, o que mais provocaria a ira divina. Também arrola
as penalidades a que estavam sujeitos os familiares de homossexuais: “toda a família perdia os direitos civis por três gerações seguidas, caso um membro seu fosse condenado pelo crime de sodomia” (MOTT, 2003, p. 4). Como se não bastasse a visão religiosa absolutamente contrária à homossexualidade, Mott (idem) lembra que “no tempo de nossos pais e avós os donos do saber médico proclamaram que os pederastas eram doentes, desviados, neuróticos, anormais, etc., submetendo-os a tratamentos cruéis e inócuos” (p. 5).
Segundo Loiola (2006), a psicologia influenciou, até bem pouco tempo, a compreensão da homossexualidade numa condição patológica. A psicanálise seria a terapia para a superação desse estado. Ela via a homossexualidade, a “inversão sexual” ou o “estado imaturo do indivíduo” como consequência de fatores não resolvidos nos estágios do desenvolvimento psicossexual, exemplificada, principalmente, com o Complexo de Édipo, o Narcisismo, a Fixação ou a Identificação pela Autoridade em referência às suas relações (a princípio, o pai ou a mãe).
Segundo Loiola, Freud em seus estudos postulou:
a predisposição congênita do ser humano para a bissexualidade; foi o primeiro a trabalhar a sexualidade humana a partir da sistematização da “formação do aparelho psíquico” em áreas de “consciente” e “inconsciente”. De modo que as pulsões (desejos) originarias do inconsciente do aparelho psíquico são dotadas de uma energia (Eros/Libido) da vida/sexual que impulsiona todos os instintos ao consciente com fim à sua satisfação; estabeleceu as fases do “Desenvolvimento Psicossexual” no ser humano definindo-as como responsáveis pela inversão sexual – a homossexualidade.(2006, p.48).
Para Loiola, as explicações oferecidas pela Biologia e pela Psicologia são insuficientes ao tratarem a homossexualidade como um distúrbio, desvio ou inversão. Pois essas explicações contribuíram muito para acirrar ainda mais o comportamento doentio da homofobia em nossa sociedade, levando em consideração o número elevado de condutas observadas em nosso meio, caracterizadas por um estranhamento aos homossexuais.
Loiola afirma que, além das correntes teóricas em suas explicações confusas, a homofobia pode ser manifestada em instituições como a família, a escola, os hospitais, as prisões e outros espaços públicos destinados ao lazer, tais como: praças, bares, casas de shows, boates etc. Um exemplo disso é o que houve nas Praças da Gentilândia, quando
grupos de jovens organizados em gangues e os moradores estranhavam e não aceitavam a orientação sexual dos jovens que frequentavam as praças.
Para João Silvério Trevisan, a homofobia está presente no cotidiano das pessoas:
Na verdade a violência homofóbica está diluída no cotidiano. Sua existência deixa bem claro o teor obsessivo da rejeição. Seja nos comentários em família, nas delegacias, nas instâncias da justiça, na política, nos empregos, nas escolas, nas arengas religiosas, nos noticiários dos jornais, nas piadas de rádio, nos programas de televisão e nas ruas. (1998, p. 165).
E ainda segundo Trevisan, do ponto de vista antropológico:
A homofobia masculina resultaria de uma heterossexualidade compulsória baseada nos sistemas de parentescos dominados por homens ou, em outras palavras, uma conseqüência necessária de instituições patriarcais como o casamento heterossexual, que precisam ser mantidas a qualquer custo. (1998, p.151).
Almeida Netto (2003) concorda com Trevisan no que diz respeito à forma como a violência homofóbica é produzida e reproduzida no meio social:
O termo homofobia designa um misto de medo e ódio irracionais que muitos seres humanos, especialmente homens, sentem em relação a pessoas homossexuais. Paradoxalmente, as origens desta rejeição profunda à homossexualidade costumam ser atribuídas a desejos e fantasias homossexuais, via de regra conscientes, mas reprimidas, que transformam a vida do indivíduo homofóbico em um intricado faz de conta: o desprezo e a perseguição a homossexuais são a contra-face manifesta de um desejo homossexual latente, profundamente arraigado e negado. (2003, p. 38)
Almeida Netto (2003) ainda destaca a violência difusa e simbólica que, aparentemente inócua, tem o poder de legitimar a violência física que acaba por aniquilar a vida de tantos homossexuais. Esse tipo de violência, segundo o autor, manifesta-se de forma muito variada e às vezes sutil, por meio de piadas e de canções que reforçam a imagem negativa dos homossexuais. Trata-se de um tipo de violência presente em casa, na escola, na vizinhança, no consultório médico, no local de trabalho, em estabelecimentos comerciais, enfim, em qualquer lugar onde o homossexual seja visto e percebido como uma pessoa inferior, marginal, indigna de respeito.
O desprezo internalizado e alimentado é evidenciado no resultado de uma pesquisa a que alude o autor, promovida em 1997 pela Organização das Nações Unidas
para a Educação (Unesco). Esse estudo constatou que jovens de Brasília-DF, com idade entre 14 e 20 anos, “consideram mais grave a depredação de orelhões, placas de sinalização e pichações do que a humilhação a prostitutas, homossexuais e travestis”. (ALMEIDA NETTO, 2003, p. 40).
Mais importante que descobrir as causas da violência contra homossexuais, travestis e transgêneros, sejam elas físicas, morais ou simbólicas, é ter em mente que qualquer sociedade que pretenda ostentar o título de democrática, plural e justa, deve combater qualquer forma de violência fundada na irracionalidade de querer uniformizar e impor uma única maneira de amar, de manifestar o amor e os desejos eróticos. É inadmissível que o Estado laico compactue em escolas, postos de saúde, hospitais, órgãos do poder judiciário, polícia, enfim, instâncias que traduzem a política social adotada por ele, com a institucionalização, ainda que sutil, de violências infundadas contra minorias, sejam elas raciais, étnicas, religiosas ou sexuais.
4.3 Manifestações de Homofobia Internalizadas
Existem também as manifestações homofóbicas internalizadas, ou seja, as impressões que os homossexuais sentem de si, que os fazem não aceitar a sua orientação
sexual, temendo o preconceito externo. Entre as manifestações internalizadas da homofobia, estão estas31:
1. Negação da sua orientação sexual (do reconhecimento das suas atrações emocionais e