• Sonuç bulunamadı

Finansal araçlardan kaynaklanan risklerin niteliği ve düzeyi

6 Finansal yatırımlar

26. Finansal araçlardan kaynaklanan risklerin niteliği ve düzeyi

“Gostaria de ver todos os homossexuais condenados à morte num forno crematório e, mesmo assim, lamentaria que sobrassem as cinzas”. (Jornalista Ivan Leal.

Jornal do Domingo. Salvador, 14 dez. 1986).

“O Prefeito Jânio Quadros (SP), não satisfeito em publicar no Diário Oficial do Município de São Paulo portaria proibindo que os homossexuais frequentassem os cursos da Escola Municipal de Bailado, determinou também que fossem expulsos os alunos que criticaram tal inusitada medida, colocando cinco agentes da guarda metropolitana na porta para impedir a entrada dos bailarinos gays”. (O Globo. Rio de Janeiro, 23 out. 1987; Metro-News. São Paulo, 22 out. 1987).

“Mantenha Salvador limpa. Mate uma bicha todo dia”! (Jornalista José Augusto Berbert; A Tarde. Salvador, 15 nov. 1989).

Alguns casos de violência física de extrema crueldade também foram objetos de matérias jornalísticas, como vemos a seguir:

“Renildo José dos Santos, vereador do município de Coqueiro Seco, Alagoas, após assumir-se homossexual em uma entrevista dada à rádio Gazeta de Maceió, foi suspenso por tempo indeterminado de suas funções na Câmara por falta de decoro parlamentar. Após várias ameaças, na madrugada de 10 de março de 1993, foi arrancado de sua casa por quatro policiais. Levado para local ermo, foi violentamente espancado, teve suas orelhas, nariz e línguas decepados, as unhas arrancadas, os dedos cortados, as pernas quebradas, foi castrado e teve o ânus empalado, levou tiros nos dois olhos e ouvidos e, para dificultar o reconhecimento do cadáver, foi ateado fogo em seu corpo, teve a cabeça degolada e atirada dentro de um rio”. (Veja. São Paulo, 24 mar. 1993).

“Preso após a polícia invadir sua casa e encontrar três cigarros de maconha, o cabeleireiro Marcos Puga, 45, foi amarrado, teve partes do corpo queimadas, ferido a faca, perdeu quatro dentes e um pedaço da orelha. Em rebelião ocorrida em uma delegacia de polícia de São Paulo, em agosto de 2001, os presos precisavam de algo para contrapor à invasão da polícia. Foi quando começaram a gritar: – “Cadê o gay, cadê o gay”?”. De acordo com reportagem da revista Veja, os presos nada sabiam a respeito de Puga, além do fato de ter gestos efeminados (Veja. São Paulo, 22 ago. 2001).

“O assassinato do adestrador de cães, Édson Néris, em 6 de fevereiro de 2000, levou aproximadamente trinta segundos para se consumar. Os Carecas do ABC, gangue paulista de inspirações neonazistas, cercaram, espancaram e mataram Edson na Praça da República, em pleno Centro de São Paulo-SP, pelo simples fato de que ele andava de mãos dadas com um amigo. Segundo reportagem da revista Veja, as causas do óbito foram hemorragia interna e fraturas múltiplas, e a violência do ataque foi tão grande que, ao vestir o filho para o sepultamento, João Gabriel Raulino ouviu e sentiu o estalar dos ossos quebrados”. (Veja. São Paulo, 16 fev. 2000).

“Três travestis de São Paulo foram imobilizados por rapazes que ocupavam um carro e sofreram uma longa sessão de espancamentos. Tiveram seus órgãos genitais arrancados, os olhos furados a tiro, as orelhas decepadas, as nádegas furadas, foram empalados e degolados” (MOTT, 2000, p. 131-132).

Percebem-se, nos crimes citados, requintes de crueldade que evidenciam a conotação de crime de ódio, provocado pelo homofobia.

O Instituto Moura Brasil realizou uma pesquisa em 1998 (VELLOSO, 1999) na qual foram entrevistados homens e mulheres na faixa etária 16 – 70, com escolaridade entre o nível fundamental e o superior completo, em cinco capitais brasileiras: Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). O preconceito contra homossexuais foi bastante evidenciado neste estudo: para 47% dos entrevistados, a homossexualidade é pecado ou distúrbio psicológico, enquanto que para 28% é doença física. Dos entrevistados, 56% não apoiariam a opção de um filho que decidisse unir – se a outra pessoa do mesmo sexo biológico (CRUZ & VIEIRA, 1999).

Uma outra pesquisa, realizada pelo jornal “Folha de São Paulo” em 1998, revelou que 54% dos entrevistados eram contra a legalização da união homossexual, enquanto 62% opunham-se a adoção de crianças por casais homossexuais. Os números da violência contra gays e lésbicas também destacam a intolerância brasileira: em 2002 foram assassinados 126 homossexuais33, isto é, a cada três dias um homossexual é assassinado no Brasil (MOTT, 2003).

33Na falta de estatísticas oficiais, estes dados foram colhidos pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) em notícias

Essas estatísticas, ratificadas pelos relatórios da Anistia Internacional34, do Departamento de Estado Norte Americano e da Associação Gay e Lésbica Internacional, colocam o Brasil como campeão mundial por assassinatos de homossexuais, equiparando-o a países como o Zimbabwe, onde a homossexualidade é considerada crime passível de execução (MOTT & YONARA, 1999). Para efeito de comparação, Mott menciona que os Estados Unidos, com uma população total de 250 milhões de habitantes, cerca de 40% a mais que o Brasil, registraram “apenas” 150 assassinatos de homossexuais nesse mesmo período. Supõe-se, por esses motivos, que aqueles dados representam apenas uma pequena parcela do número total de homossexuais que são assassinados no país.

No Brasil, segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), nos últimos 15 anos, mais de 2500 homossexuais foram assassinados em razão da sua orientação sexual e identidade de gênero, desses, 88 foram cometidos no ano de 2006.

Apesar de não existir estudos no Brasil, em termos quantitativos, estima-se que a grande maioria da população heterossexual nacional apresente algum grau de preconceito contra homossexuais, acreditando que a homossexualidade é errada ou inaceitável. De acordo com Mott (1996), os homossexuais do Brasil contam com uma rejeição de 78% entre a população geral e 82% entre os formadores de opinião, incluindo políticos, juristas, executivos, comunicadores e membros da Igreja. Ressaltando que nesses casos o preconceito contra homossexuais é admitido abertamente, ao contrário do racismo, e que os homossexuais são frequentemente taxados de anormais, imorais, pecadores, marginais, promíscuos, doentes etc.

Nesse sentido, muitas pessoas teriam preconceito contra homossexuais por acreditarem que esse grupo estigmatizado tem um sistema de valores diferente ou oposto ao da cultura dominante. Em consequência disso, os homossexuais são profundamente discriminados e têm seus direitos humanos violados em diversos setores da sociedade,

Benzer Belgeler